sábado, 15 de setembro de 2018

Homilética: 31º Domingo do Tempo Comum - Ano B: "Dois Mandamentos, um só Amor"


A liturgia do 31° Domingo do Tempo Comum diz-nos que o amor está no centro da experiência cristã. O caminho da fé que, dia a dia, somos convidados a percorrer, resume-se no amor Deus e no amor aos irmãos – duas vertentes que não se excluem, antes se complementam mutuamente.

Citando o primeiro versículo do “Shema’ Israel”, a grande profissão de fé que todo o judeu recitava no início e no fim do dia (cf. Dt 6,4-5), Jesus declara solenemente que o primeiro mandamento é o amor a Deus – um amor que deve ser total, sem divisões, feito de adesão plena aos projectos, à vontade, aos mandamentos de Deus (vers. 30: “com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças”). Como se achasse que a resposta não era suficiente, Jesus completa-a, imediatamente, com a apresentação de um segundo mandamento: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (trata-se de uma citação de Lv 19,18). Ou seja: o maior mandamento é o mandamento do amor; e esse mandamento fundamental concretiza-se em duas dimensões que se completam mutuamente – a do amor a Deus e a do amor ao próximo.

O que é “amar a Deus”? De acordo com o exemplo e o testemunho de Jesus, o amor a Deus passa, antes de mais, pela escuta da sua Palavra, pelo acolhimento das suas propostas e pela obediência total dos seus projetos para mim próprio, para a Igreja, para a minha comunidade e para o mundo.

O amor do próximo é, pois, essencialmente religioso, não simples filantropia. É religioso pelo seu modelo: o cristão ama o próximo para imitar Deus, que ama a todos sem distinção; mas o é sobretudo pela sua fonte, porque é a obra de Deus em nós; de fato, como poderíamos ser misericordiosos como o Pai dos céus, se o Senhor não nos ensinasse (1Ts 4,9) e se o Espírito não o derramasse em nossos corações (Rm 5,5; 15,30)?

É fundamental que tenhamos consciência de que estas duas dimensões do amor – o amor a Deus e o amor aos irmãos – não se excluem nem estão em confronto uma com a outra. Amar a Deus é cumprir a sua vontade e os seus projetos; ora, a vontade de Deus é que façamos da nossa vida um dom de amor, de serviço, de entrega aos irmãos – a todos os irmãos com quem nos cruzamos nos caminhos da vida. Não se trata entre optar por rezar ou por trabalhar em favor dos outros, entre estar na igreja ou estar a ajudar os pobres; trata-se é de manter, dia a dia, um diálogo contínuo com Deus, a fim de percebermos os desafios que Deus tem para nós e de lhes respondermos convenientemente, no dom de nós próprios aos irmãos.

Comentário dos Textos Bíblicos

Textos: Dt 6,2-6; Heb 7,23-28; Mc 12,28b-34

A primeira leitura apresenta-nos o início do “Shema’ Israel” – a solene proclamação de fé que todo o israelita devia fazer diariamente. É uma afirmação da unicidade de Deus e um convite a amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças.

O texto começa com uma exortação a “temer” o Senhor e a cumprir todas as suas leis e mandamentos (vers. 2-3). A expressão “temer o Senhor” – muito frequente no Antigo Testamento – traduz, por um lado, a reverência e o respeito e, por outro lado, a pronta obediência à vontade divina, a confiança inamovível no Deus que não falha, a humilde renúncia aos próprios critérios, a adesão incondicional à vontade de Deus, a aceitação plena das propostas e dos mandamentos de Deus. Na perspectiva do catequista deuteronomista autor deste texto, o crente ideal (o que “teme o Senhor”), é aquele que está disposto a renunciar à auto-suficiência e não aceita procurar a felicidade à margem das propostas de Deus; é aquele que, com total confiança, é capaz de se entregar nas mãos de Deus, de aceitar as suas indicações, de assumir os mandamentos do Senhor como caminho seguro e verdadeiro para chegar à vida em plenitude. Àquele que aceita viver no “temor do Senhor”, o autor promete vida em abundância.

Na segunda parte do nosso texto (vers. 4-6), temos o conhecido “Shema’ Israel” (assim denominado por causa da primeiras palavras hebraicas de Dt 6,4: “Escuta Israel”). É um texto central do judaísmo, que desde finais do séc. I é rezado diariamente, de manhã e de tarde, por todos os judeus piedosos. No universo religioso judaico, o verbo “escutar”, aqui usado, define uma acção em três tempos: “ouvir” com os ouvidos, “acolher” no coração, “transformar em acção concreta” aquilo que se ouviu e que se acolheu.

O “Shema’ Israel” começa com a afirmação solene da unicidade de Deus (vers. 4: “o Senhor é único”). O crente israelita deve ouvir e interiorizar esta realidade e actuar em consequência. Do seu horizonte fica, portanto, afastada qualquer possibilidade de adesão a outros deuses ou a outras propostas de salvação que não venham de Jahwéh.

Depois, vem a exigência de amar este Deus único com um amor sem divisão, um amor que implique a totalidade do homem (vers. 5: “amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças”). Esse amor, interiorizado no coração e na alma do homem, deve depois traduzir-se na observância fiel dos mandamentos e preceitos da Aliança.

A segunda leitura apresenta-nos Jesus Cristo como o sumo-sacerdote que veio ao mundo para cumprir o projecto salvador do Pai e para oferecer a sua vida em doação de amor aos homens. Cristo, com a sua obediência ao Pai e com a sua entrega em favor dos homens, diz-nos qual a melhor forma de expressarmos o nosso amor a Deus.

Uma das provas da superioridade do sacerdócio de Cristo é a sua duração eterna, que contrasta com a mudança contínua das gerações do sacerdócio levítico. Para o autor da Carta aos Hebreus, a multiplicidade e a alternância são sinónimos de imperfeição. Porque o sacerdócio de Cristo é eterno e a sua intercessão junto de Deus é contínua, ele assegura, de modo definitivo, a salvação do crente (vers. 23-25).

O autor termina a sua reflexão com uma espécie de hino (vers. 26-28), que resume toda a exposição anterior e que exalta as características do sacerdócio de Cristo. Ele é o sumo-sacerdote “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e elevado acima dos céus” (vers. 26), porque pertence à esfera do Deus santo.

Além disso, Ele não tem necessidade de oferecer todos os dias sacrifícios pelos pecados próprios e alheios, porque se ofereceu a Si próprio, de uma vez por todas, em sacrifício perfeito (vers. 27).

Em jeito de conclusão, o autor destaca, uma vez mais, o contraste entre a ordem imperfeita – que é a ordem da Lei e do sacerdócio levítico – e a ordem perfeita, prometida por Deus e realizada pelo sumo-sacerdote JesusoA.li, havia homens cheios de fragilidades e de debilidades; aqui, está o sumo-sacerdote eterno, que é Filho de Deus, que está junto de Deus e que intercede permanentemente pelos homens.

O Evangelho diz-nos, de forma clara e inquestionável, que toda a experiência de fé do discípulo de Jesus se resume no amor – amor a Deus e amor aos irmãos. Os dois mandamentos não podem separar-se: “amar a Deus” é cumprir a sua vontade e estabelecer com os irmãos relações de amor, de solidariedade, de partilha, de serviço, até ao dom total da vida. Tudo o resto é explicação, desenvolvimento, aplicação à vida prática dessas duas coordenadas fundamentais da vida cristã.

Citando o primeiro versículo do “Shema’ Israel”, a grande profissão de fé que todo o judeu recitava no início e no fim do dia (cf. Dt 6,4-5), Jesus declara solenemente que o primeiro mandamento é o amor a Deus – um amor que deve ser total, sem divisões, feito de adesão plena aos projectos, à vontade, aos mandamentos de Deus (vers. 30: “com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças”). Como se achasse que a resposta não era suficiente, Jesus completa-a, imediatamente, com a apresentação de um segundo mandamento: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (trata-se de uma citação de Lv 19,18). Ou seja: o maior mandamento é o mandamento do amor; e esse mandamento fundamental concretiza-se em duas dimensões que se completam mutuamente – a do amor a Deus e a do amor ao próximo.

A originalidade deste sumário evangélico da Lei não está nas ideia de amor a Deus e ao próximo, que são bem conhecidas do Antigo Testamentouv originalidade deste ensinamento está, por um lado, no facto de Jesus os aproximar um do outro, pondo-os em perfeito paralelo e, por outro, no facto de Jesus simplificar e concentrar toda a revelação de Deus nestes dois mandamentos.

A resposta de Jesus ao escriba não vai no sentido de estabelecer uma hierarquia rígida de mandamentos; mas superando o horizonte estreito da pergunta, situa-se ao nível das opções profundas que o homem deve fazer[]) importante, na perspectiva de Jesus, não é definir qual o mandamento mais importante, mas encontrar a raiz de todos os mandamentos. E, na perspectiva de Jesus, essa raiz gira à volta de duas coordenadas: o amor a Deus e o amor ao próximo.

Portanto, o compromisso religioso (que é proposto aos crentes, quer do Antigo, quer do Novo Testamento) resume-se no amor a Deus e no amor ao próximo. Na perspectiva de Jesus, que é que isto quer dizer?

De acordo com os relatos evangélicos, Jesus nunca se preocupou excessivamente com o cumprimento dos rituais litúrgicos que a religião judaica propunha, nem viveu obcecado com o oferecimento de dons materiais a Deus. A grande preocupação de Jesus foi, em contrapartida, discernir a vontade do Pai e cumpri-Ia com fidelidade e amor. “Amar a Deus” é pois, na perspectiva de Jesus, estar atento aos projectos do Pai e procurar concretizar, na vida do dia a dia, os seus planos. Ora, na vida de Jesus, o cumprimento da vontade do Pai passa por fazer da vida uma entrega de amor aos irmãos, se necessário até ao dom total de si mesmo.

Assim, na perspectiva de Jesus, “amor a Deus” e “amor aos irmãos” estão intimamente associados. Não são dois mandamentos diversos, mas duas faces da mesma moeda. “Amar a Deus” é cumprir o seu projeto de amor, que se concretiza na solidariedade, na partilha, no serviço, no dom da vida aos irmãos.

Como é que deve ser esse “amor aos irmãos”? Este texto só explica que é preciso “amar o próximo como a si mesmo”. As palavras “como a si mesmo” não significam qualquer espécie de condicionalismo, mas que é preciso amar totalmente, de todo o coração. Noutros textos neo-testamentários, porém, Jesus explica aos seus discípulos que é preciso amar os inimigos e orar pelos perseguidores (cf. Mt 5,43-48). Trata-se, portanto, de um amor sem limites, sem medida e que não distingue entre bons e maus, amigos e inimigos. Aliás, Lucas, ao contar este mesmo episódio que o Evangelho de hoje nos apresenta, acrescenta-lhe a história do “bom samaritano”, explicando que esse “amor aos irmãos” pedido por Jesus é incondicional e deve atingir todo o irmão que encontrarmos nos caminhos da vida, mesmo que ele seja um estrangeiro ou inimigo (cf. Lc 10,25-37).

O escriba concorda plenamente com a resposta de Jesus. Para exprimir a sua aprovação, ele cita alguns passos da Bíblia Hebraica (cf. Dt 4,35 e Is 45,21; Dt 6,5; Lv 19,18; Os 6,6), que repetem, com palavras diversas, o que Jesus acabou de dizer. Diante do comentário inteligente do escriba, Jesus declara-lhe que não está “longe do Reino de Deus” (vers. 34). Este escriba é, sem dúvida, um homem justo, que observa a Lei, que estuda a Escritura e que procura lê-Ia e pô-Ia em prática; no entanto, para poder integrar a comunidade do Reino, falta-lhe acolher Jesus como o Messias libertador enviado por Deus com uma proposta de salvação e decidir-se a tornar-se seu discípulo (após a conversa com Jesus, este escriba continua no seu lugar; não há qualquer indicação de que ele se tivesse disposto a seguir Jesus).

Para Refletir

Convida-nos a liturgia da Palavra deste XXXI Domingo do Tempo Comum concentrarmo-nos no essencial, a centrarmo-nos naquilo que é a essência e a marca característica do nosso ser cristão: o amor a Deus e aos irmãos. Certamente que também nós já nos colocamos a pergunta que o escriba colocou a Jesus: “qual é o primeiro de todos os mandamentos?”, ou seja, qual é a coisa mais importante na minha vida de fé?

Apesar de Jesus já ter entrado triunfalmente em Jerusalém e de o cerco a Jesus se estar a fechar cada vez mais, podemos dizer que a pergunta do escriba a Jesus não é uma pergunta mal-intencionada, ou seja, uma armadilha colocada a Jesus para mostrar que Jesus não sabia interpretar a lei e que por isso não era digno de crédito ou para apanhar alguma declaração de Jesus que pudesse ser usada contra ele em tribunal. A pergunta deste escriba a Jesus é a expressão do desejo deste escriba de amar bem a Deus.

Na verdade, a questão da hierarquia dos mandamentos de Deus era uma questão complicada e estava na origem de grandes debates entre os fariseus e os doutores da lei. Se os 10 mandamentos eram o coração da aliança que Deus estabeleceu com o seu povo, a vida quotidiana com os seus problemas concretos levaram a uma proliferação de leis que pretendiam ser a aplicação concreta dos 10 mandamentos às mais variadas situações quotidianas. Assim sendo, os 10 mandamentos multiplicaram-se em 613 mandamentos, dos quais 365 (como os dias do ano) eram proibições e 248 (como os membros do corpo humano) eram indicações de obras a fazer. O próprio Jesus chegou a afirmar que tamanho conjunto de normas, cheias de subtis distinções e com uma casuística interminável, eram um fardo insuportável para o povo (cf. Lc 11,46). Assim sendo, surgia a dúvida se entre tantos mandamentos não haveria uma certa hierarquia; se todos os mandamentos tinham a mesma importância ou se haveriam mandamentos mais importantes que outros. 

Ante a interpelação do escriba, Jesus, partindo de uma citação do livro do Deuteronómio e outra do livro do Levítico, afirma: “‘Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças’. (Dt 6,5) O segundo é este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’ (Lv 19, 18). Não há nenhum mandamento maior que estes”. 

Com a sua resposta, Jesus mostra que o maior mandamento da lei de Deus não se reduz a um acto isolado que depois de cumprido nos deixa tranquilos mas é uma atitude radical e permanente. Jesus “não quer impor um código, cumprido o qual, o homem possa estar tranquilo e indiferente, seguro da salvação e libre de outros compromissos. Jesus quer assinalar a orientação total da existência sobre a qual reger toda a vida, guiar todo o gesto, todo momento, toda resposta religiosa e humana” (Ravasi). 

O primeiro mandamento que Jesus apresenta, através da citação do Shemá Israel, que ouvíamos na primeira leitura deste dia e que os Judeus rezavam diariamente, é o amor a Deus. Jesus afirma que o primeiro mandamento deve ser um amor total e sem divisões a Deus. No entanto, Jesus completa a sua resposta ao citar Lv 19, 18: “O segundo é este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Assim sendo, podemos concluir que o maior mandamento para os seguidores de Jesus é o mandamento do Amor, mandamento esse que se concretiza numa dimensão vertical (para com Deus) e numa dimensão horizontal (para com o próximo). 

Muitas vezes esquecemo-nos desta verdade na nossa vida de crentes. Pensamos que ser cristão é algo que se resume à nossa relação com Deus. Pensamos que ser bom cristão limita-se a rezar muito, a vir à missa ao domingo e a amar muito a Deus Nosso Senhor. No entanto, se é assim que estamos a viver a nossa vida de fé, estamos mancos. Falta-nos a outra dimensão essencial da nossa existência de cristão: o amor ao próximo. Amor a Deus e amor ao próximo são as duas pernas da nossa existência cristã. Se nos falta uma destas pernas estamos a mancar. Deixemos que seja o Apóstolo João a explicar-nos a relação que existe entre o amor a Deus e ao próximo: “Nós amamos, porque Deus nos amou primeiro.  Se alguém disser: «Eu amo a Deus», mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. E nós recebemos dele este mandamento: quem ama a Deus, ame também o seu irmão.” (1 Jo 4, 19-21). 

No entanto, o amor de que estamos a falar não é algo que se reduza a uma pura emoção ou a um sentimento. O amor que Jesus nos pede a Deus e aos irmãos deve traduzir-se em acções concretas. O amor que Jesus nos pede é um amor de obras e não só de palavras. 

Em primeiro lugar o amor que devemos ter para com Deus deve ser um amor “com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças”. Toda a existência do homem está implicada no amor a Deus. Devemos amar a Deus com todo o coração, devemos amar a Deus com um coração indiviso. Quantas vezes dizemos que amamos a Deus mas são outras coisas aquelas que enchem o nosso coração. Quantas vezes dizemos que somos cristãos mas aquilo que enche o nosso coração é o ter, o poder e o prazer. Amar a Deus é amá-lo com todo o coração. Na verdade, só Deus é que é capaz de encher o nosso coração. 

Devemos amar a Deus com toda a nossa alma, com toda a nossa vida e com toda a nossa força. Amar a Deus com toda a vida é estar disposto a enfrentar as dificuldades, as incompreensões e as discriminações que surgem da nossa fidelidade a Deus. Sabemos que os valores que regem o nosso mundo são diferentes dos valores de Deus e sabemos que se quisermos ser fieis a Deus vamos entrar em choque com a sociedade e que isto vai causar sofrimento. Amar a Deus com toda a alma, com toda a vida, com todas as forças é estar disposto a dar, a gastar a sua vida pelos valores de Deus. 

Devemos amar a Deus com todo o nosso entendimento. O aspecto racional também faz parte do nosso amor de Deus. Devemos mostrar que a nossa fé em Deus é credível. Amar a Deus não se reduz a uma simples emoção. 

No entanto, o cristão também é aquele que ama o próximo como a si mesmo. Assim como gostamos de ser tratados assim devemos tratara o próximo. Assim como gostamos de ser perdoados, ajudados, consulados, estimulados assim devemos perdoar, ajudar, consolar e estimular o nosso próximo. E não nos esquecemos que o nosso próximo são todos aqueles que estão ao nosso redor independentemente do seu estrato social, da sua ideologia política e da sua cor da pele. Próximo é também aquele de quem não gostas tanto. Assim sendo, como gostamos de ser tratados assim devemos tratar os outros. Não te limites a não fazeres aos outros aquilo que não queres que não te façam a ti, mas faz ao teu próximo aquilo que queres que te façam a ti; trata o teu irmão como gostarias de ser tratado. Uma religião que não ama o seu irmão é uma hipocrisia e uma mentira. O amor a Deus nosso Pai leva-nos e exige de nós o amor aos irmãos. Como podemos dizer que amamos a Deus se não amamos os outros seus filhos que são nossos irmãos? 

Que as nossas motivações não sejam outras que o amor a Deus e ao próximo. Que diante de todas as situações eu me interrogue “que me pede neste momento o amor a Deus e aos irmãos?” O amor a Deus e ao próximo são as duas pernas com as quais seguimos o Senhor Jesus, são as duas componentes essências da nossa existência cristã.