quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Myanmar: Discurso do Papa no encontro com o Conselho Supremo Budista


VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO A MYANMAR E BANGLADESH
(26 DE NOVEMBRO - 2 DE DEZEMBRO DE 2017)

ENCONTRO COM O CONSELHO SUPREMO SHANGA DOS MONGES BUDISTAS

DISCURSO DO SANTO PADRE 
À COMISSÃO ESTATAL SANGHA MAHA NAYAKA

Kaba Aye Center (Yangon)
Quarta-feira, 29 de novembro de 2017


Sinto grande alegria por estar convosco. Agradeço ao Ven. Bhaddanta Kumarabhivamsa, Presidente da Comissão Estatal Sangha Maha Nayaka, as suas palavras de boas-vindas e os seus esforços na organização da minha visita aqui hoje. Ao saudar-vos a todos, permiti-me manifestar particular apreço pela presença de Sua Excelência Thura Aung Ko, Ministro dos Assuntos Religiosos e da Cultura.

O nosso encontro é uma ocasião importante para renovar e fortalecer os laços de amizade e respeito entre budistas e católicos. É também uma oportunidade para afirmar o nosso empenho pela paz, o respeito da dignidade humana e a justiça para todo o homem e mulher. E não é só no Myanmar, mas em todo o mundo, que as pessoas precisam deste testemunho comum dos líderes religiosos. Com efeito, quando falamos a uma só voz afirmando o valor perene da justiça, da paz e da dignidade fundamental de todo o ser humano, oferecemos uma palavra de esperança. Ajudamos os budistas, os católicos e todas as pessoas a lutarem por uma maior harmonia nas suas comunidades.

Em cada idade, a humanidade experimenta injustiças, momentos de conflito e desigualdade entre as pessoas. No nosso tempo, porém, estas dificuldades parecem ser particularmente graves. Embora a sociedade tenha conseguido um grande progresso tecnológico e, em todo o mundo, as pessoas estejam cada vez mais conscientes da sua humanidade e destino comuns, as feridas dos conflitos, da pobreza e da opressão persistem e criam novas divisões. A estes desafios, não devemos jamais resignar-nos. Pois sabemos, com base nas nossas respetivas tradições espirituais, que existe realmente um caminho para avançar, há um caminho que leva à cura, à mútua compreensão e respeito; um caminho baseado na compaixão e no amor.

Quero expressar a minha estima a todos aqueles que vivem, no Myanmar, segundo as tradições religiosas do Budismo. Através dos ensinamentos de Buda e do testemunho zeloso de tantos monges e monjas, o povo desta terra foi formado nos valores da paciência, tolerância e respeito pela vida, bem como numa espiritualidade solícita e profundamente respeitadora do meio ambiente. Como sabemos, estes valores são essenciais para um desenvolvimento integral da sociedade, a começar pela unidade mais pequena e mais essencial que é a família para depois se estender à rede de relações que nos põem em estreita conexão – relações essas radicadas na cultura, na pertença étnica e nacional, e, em última análise, na pertença à humanidade comum. Numa verdadeira cultura do encontro, estes valores podem fortalecer as nossas comunidades e ajudar o conjunto da sociedade a irradiar a tão necessária luz.

O grande desafio dos nossos dias é ajudar as pessoas a abrir-se ao transcendente; ser capazes de olhar-se dentro em profundidade, conhecendo-se de tal modo a si mesmas que sintam a sua interconexão com todas as pessoas; dar-se conta de que não podemos permanecer isolados uns dos outros. Se devemos estar unidos, como é nosso propósito, ocorre superar todas as formas de incompreensão, intolerância, preconceito e ódio. Como podemos consegui-lo? As palavras de Buda oferecem a cada um de nós uma guia: «Vence o rancor com o não-rancor, vence o malvado com a bondade, vence o avarento com a generosidade, vence o mentiroso com a verdade» (Dhammapada, XVII, 223). Sentimentos semelhantes se expressam nesta oração atribuída a São Francisco de Assis: «Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz. Onde houver ódio fazei que eu leve o amor, onde houver ofensa que eu leve o perdão, (...) onde houver trevas que eu leve a luz, e onde houver tristeza que eu leve a alegria».

Papa preside Missa em Myanmar: só o perdão cura as feridas da violência


VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO A MYANMAR E BANGLADESH
(26 DE NOVEMBRO - 2 DE DEZEMBRO DE 2017)

SANTA MISSA

HOMILIA DO SANTO PADRE

Kyaikkasan Ground (Yangon)
Quarta-feira, 29 de novembro de 2017


Amados irmãos e irmãs!

Há muito tempo que anelava por este momento da minha vinda ao país. Muitos de vós viestes de longe e de áreas montanhosas remotas, e não poucos mesmo a pé. Eu vim como peregrino para vos ouvir e aprender de vós, e para vos oferecer algumas palavras de esperança e consolação.

A primeira leitura de hoje, do livro de Daniel, ajuda-nos a ver como era limitada a sabedoria do rei Baltasar e dos seus videntes. Sabiam como louvar «os deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra» (Dn 5, 4), mas não possuíam a sabedoria para louvar a Deus em cujas mãos está a nossa vida e a nossa respiração. Ao contrário, Daniel tinha a sabedoria do Senhor e era capaz de interpretar os seus grandes mistérios.

O intérprete definitivo dos mistérios de Deus é Jesus. Ele é a sabedoria de Deus em pessoa (cf. 1 Cor 1, 24). Jesus não nos ensinou a sua sabedoria com longos discursos ou por meio de grandes demonstrações de poder político ou terreno, mas com a oferta da sua vida na cruz. Às vezes, podemos cair na armadilha de confiar na nossa própria sabedoria, mas a verdade é que facilmente perdemos o sentido da direção. Então é necessário lembrar-nos de que dispomos, à nossa frente, duma bússola segura: o Senhor crucificado. Na cruz, encontramos a sabedoria, que pode guiar a nossa vida com a luz que provém de Deus.

E da cruz vem também a cura. Lá, Jesus ofereceu as suas feridas ao Pai por nós: mediante as suas feridas, somos curados (cf. 1 Pd 2, 4). Que nunca nos falte a sabedoria de encontrar, nas feridas de Cristo, a fonte de toda a cura! Sei que muitos no Myanmar carregam as feridas da violência, quer visíveis quer invisíveis. A tentação é responder a estas lesões com uma sabedoria mundana que, como a do rei na primeira leitura, está profundamente deturpada. Pensamos que a cura possa vir do rancor e da vingança. Mas o caminho da vingança não é o caminho de Jesus.

O caminho de Jesus é radicalmente diferente. Quando o ódio e a rejeição O conduziram à paixão e à morte, Ele respondeu com o perdão e a compaixão. No Evangelho de hoje, o Senhor diz-nos que, à sua semelhança, podemos também deparar-nos com a rejeição e tantos obstáculos, mas nessa ocasião dar-nos-á uma sabedoria a que ninguém pode resistir (cf. Lc 21, 15). Aqui Ele fala do Espírito Santo, por Quem o amor de Deus foi derramado nos nossos corações (cf. Rm 5, 5). Com o dom do Espírito, Jesus torna cada um de nós capaz de ser sinal da sua sabedoria, que triunfa sobre a sabedoria deste mundo, e da sua misericórdia, que dá alívio mesmo às feridas mais dolorosas.

Na véspera da sua paixão, Jesus deu-Se aos Apóstolos sob as espécies do pão e do vinho. No dom da Eucaristia, com os olhos da fé, não só reconhecemos o dom do seu corpo e sangue, mas aprendemos também a encontrar repouso nas suas feridas, sendo nelas purificados de todos os nossos pecados e extravios. Buscando refúgio nas feridas de Cristo, possais vós, queridos irmãos e irmãs, experimentar o bálsamo salutar da misericórdia do Pai e encontrar a força de o levar aos outros, ungindo cada uma das suas feridas e dolorosas lembranças. Deste modo, sereis testemunhas fiéis da reconciliação e da paz que Deus quer que reine em cada coração humano e em todas as comunidades.

O futuro de Myanmar deve ser a paz, diz Papa às autoridades do país


VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO A MYANMAR E BANGLADESH
(26 DE NOVEMBRO - 2 DE DEZEMBRO DE 2017)

ENCONTRO COM AS AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS, 
COM A SOCIEDADE CIVIL E COM O CORPO DIPLOMÁTICO

DISCURSO DO SANTO PADRE

Centro Internacional de Congressos (Nay Pyi Taw)
Terça-feira, 28 de novembro de 2017


Senhora Conselheira de Estado,
Ilustres membros do Governo e Autoridades Civis,
Senhor Cardeal, Veneráveis Irmãos no Episcopado,
Distintos membros do Corpo Diplomático,
Senhoras e Senhores!

Expresso vivo reconhecimento pelo amável convite para visitar o Myanmar e agradeço à Senhora Conselheira de Estado as suas cordiais palavras.

Estou muito grato a todos aqueles que trabalharam incansavelmente para tornar possível esta visita. Venho sobretudo para rezar com a pequena mas fervorosa comunidade católica da nação, para a confirmar na fé e encorajá-la no esforço de contribuir para o bem da nação. Motivo de contentamento é o facto de a minha visita se realizar depois do estabelecimento formal das relações diplomáticas entre o Myanmar e a Santa Sé. Apraz-me ver esta decisão como sinal do empenho da nação em prosseguir o diálogo e a cooperação construtiva dentro da comunidade internacional alargada, bem como em renovar o tecido da sociedade civil.

Gostaria também que a minha visita pudesse atingir toda a população do Myanmar e oferecer uma palavra de encorajamento a todos aqueles que estão a trabalhar para construir uma ordem social justa, reconciliada e inclusiva. O Myanmar foi abençoado com o dom duma beleza extraordinária e numerosos recursos naturais, mas o maior tesouro dele é, sem dúvida, o seu povo, que sofreu muito e continua a sofrer por causa de conflitos civis e hostilidades que duraram muito tempo e criaram profundas divisões. Uma vez que agora a nação está a trabalhar por restaurar a paz, a cura destas feridas não pode deixar de ser uma prioridade política e espiritual fundamental. Só posso expressar apreço pelos esforços do Governo em enfrentar este desafio, em particular através da Conferência de Paz de Panglong, que reúne os representantes dos vários grupos numa tentativa para pôr fim à violência, criar confiança e garantir o respeito pelos direitos de quantos consideram esta terra como a sua casa.

Com efeito, o árduo processo de construção da paz e reconciliação nacional só pode avançar através do compromisso com a justiça e do respeito pelos direitos humanos. A sabedoria dos antigos definiu a justiça como a vontade de reconhecer a cada um aquilo que lhe é devido, enquanto os antigos profetas a consideraram como o fundamento da paz verdadeira e duradoura. Estas intuições, confirmadas pela trágica experiência de duas guerras mundiais, levaram à criação das Nações Unidas e à Declaração Universal dos Direitos Humanos como base dos esforços da comunidade internacional para promover a justiça, a paz e o progresso humano em todo o mundo e para resolver os conflitos através do diálogo, e não com o uso da força. Neste sentido, a presença do Corpo Diplomático entre nós testemunha não só o lugar que o Myanmar ocupa entre as nações, mas também o compromisso do país em manter e perseguir estes princípios fundamentais. O futuro do Myanmar deve ser a paz, uma paz fundada no respeito pela dignidade e os direitos de cada membro da sociedade, no respeito por cada grupo étnico e sua identidade, no respeito pelo Estado de Direito e uma ordem democrática que permita a cada um dos indivíduos e a todos os grupos – sem excluir nenhum – oferecer a sua legítima contribuição para o bem comum.

Jornalista incentiva a “queimar a Igreja Católica” e sacerdote responde


Eduardo Quintana, que se apresenta no LinkedIn como "jornalista e colunista" do jornal paraguaio ABC Color, assegurou que "devemos queimar a Igreja Católica". Um sacerdote lhe respondeu através das redes sociais.

Em seu perfil no Facebook, Quintana escreveu em 28 de novembro: "Será que alguém tem dúvidas? Claro que é necessário queimar a Igreja Católica! Mas para que isso aconteça, a população deve ser muito educada, algo utópico no Paraguai".

O jornalista paraguaio publicou outras mensagens ofensivas aos católicos nas suas redes sociais.

No dia 28 de novembro também descreveu a devoção à Virgem de Caacupé, padroeira do Paraguai, de um "negócio" que "se mantêm graças à superstição, ignorância e obscurantismo da sociedade", e criticou que a população paraguaia acredite "ainda que uma boneca de argila, madeira ou plástico resolverá os seus problemas".

"O aborto, a eutanásia e o casamento gay em algum momento serão aceitos legalmente no Paraguai e a Igreja Católica não terá outra como não aceitar", escreveu em certa ocasião e acrescentou que "os pobres católicos que não se adaptam ao século XXI, devem saber que já não estamos em épocas escuras".

Homilética: 2º Domingo do Tempo do Advento - Ano B: "Trigo ao celeiro, palha ao fogo!"


No domingo passado Deus nos pedia para estar alertas e vigiar. Hoje através do profeta Isaías (1ª leitura) e João Batista nos urge a preparar o caminho do nosso coração para receber Cristo (evangelho). Isto supõe uma luta contra o pecado e um imenso trabalho pela santidade para levar uma vida sem mancha nem censura (2ª leitura). São João Batista, ao falar assim tão forte e convicto, sacudiu as colunas da religião e os corações dos homens, e os nossos corações. Então, os homens e mulheres abriram para ele as contas correntes das suas vidas- e nós? -, os sacerdotes de Jerusalém lhe abriram um expediente - também nós? -, o rei Herodes lhe abriu as portas da masmorra de Maqueronte e, a pedido de uma corista, cortou a cabeça de João para não escutar esses gritos ensurdecedores, tomara que nós nunca!-. Caiu eliminado como um profeta.

Pontos da ideia principal

Textos: Is 40, 1-5.9-11; 2 Pe 3, 8-14; Mc 1, 1-8 

Em primeiro lugar, não podemos negar que este São João Batista, que em cada ano vem ao nosso encontro no Advento, é um “sujeito esquisito” aos olhos deste mundo cheio de prazeres, consumista, que se interessa só com esta vida e é ambiciosamente competitivo. Vestia áspero como um camelo, comia gafanhotos na grelha do sol e mel silvestre, bebia agua do rio, vivia solteiro conventual e amanhecia do mesmo jeito que quando chegava o anoitecer: rosto por terra e em oração. Ele era radical. E durante o dia, era gritar para preparar os caminhos do Senhor. Sim, os caminhos da consciência, para livrá-la de tanta fuligem acumulada pelo pecado. Sim, os caminhos da mente, para que se abra aos critérios de Deus, e não ande por ai destilando ideias liberais e opostas à sua Palavra salvadora no campo da moral familiar, sexual e doutrinal que raspa à ambiguidade, quando não à heresia. Sim, os caminhos da afetividade, para que essa força poderosa que temos ame Deus sobre todas as coisas e o próximo, por cima do egoísmo, dos apegos e das túrbidas ovações pessoais. Sim, os caminhos da vontade, para que sempre escolha na liberdade e no amor o que Deus pede para a nossa felicidade temporal e para a nossa salvação eterna, embora exija sacrifício, renúncia e meter freio no capricho e na inconstância. Obrigado, João Batista, por nos lembrar disto neste tempo do Advento, embora a sua voz nos incomode e atordoe!

Em segundo lugar, embora este João Batista seja, num certo sentido, um “sujeito esquisito”, aos olhos de Cristo, porém, é amigo do Esposo e um grande profeta porque durante a sua curta vida só falou das três coisas que preocupam os homens e as mulheres de todos os séculos, raças, culturas, religiões, continentes: primeiro, que somos maus; segundo, que temos que ser bons; e terceiro, que devemos nos reconciliar com Deus. Pouca coisa! Os leigos, os padres, os bispos e o Papa, pregamos estas verdades? Três verdades: pecado, arrependimento e reconciliação. João Batista atirava a flecha nessas três dianas. O tiro certeiro da sua flecha chegou a todos?

Finalmente, se hoje voltasse este João Batista com esses cabelos, essa palavra afiada e essa vida, não seria anacrônico? Seria bem recebido, quando não lhe interessa o dinheiro, nem o bem-estar nem a comodidade nem o prazer nem…? Não tenho a menor dúvida de que, se hoje voltasse e fundasse cátedra de espartano nas margens de qualquer rio de um lugar perdido por ai ou num arranha-céus americano… Seria um eletroímã: todos iriam onde ele estivesse. Porque vendo bem as coisas, se os homens de hoje buscam algo, é a autenticidade e ele foi bem autentico; bravura, ele foi bravo; toque divino, ele era um tocado de Deus; visionário de transcendências divinas, ele era um visionário. Ou talvez eu esteja errado.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Homilética: 1º Domingo do Tempo do Advento - Ano B: "Alertas! Vigiai!"


Hoje iniciamos um novo ano litúrgico com o tempo do Advento. Este não se limita a preparar-nos para o Natal, mas insere-nos em toda a História da Salvação. Faz-nos viver a esperança da espera do Messias vivida pelo Povo de Deus, mas, ao mesmo tempo, relembra-nos que Ele já veio e voltará no fim dos tempos.

A partir de hoje até o dia do Batismo do Senhor, o domingo seguinte à Epifania, percorreremos com a fé e o amor seis semanas litúrgicas de “tempo forte” nas que celebramos a Boa Notícia: a vinda do Senhor. Advento é um tempo anual para contemplar a vinda de Cristo ao mundo, esperá-la, desejá-la, prepará-la nas nossas vidas e, em definitiva, celebrá-la. A vinda histórica de Cristo, que comemoramos no Natal, deixa em nós o desejo de uma vinda mais plena. Por isso dizemos que no Advento celebramos uma triple vinda do Senhor: (1) a histórica, quando assumiu a nossa mesma carne para fazer presente no mundo a Boa Notícia de Deus; (2) a que se realiza agora, cada dia, através da Eucaristia e dos outros sacramentos, e através de tantos sinais da sua presença, começando pelos sinais dos irmãos, e dos irmãos pobres; (3) e finalmente, a vinda definitiva, no final dos tempos, quando chegará à plenitude o Reino de Deus na vida eterna. O que necessitamos? Estar atentos e vigilantes na esperança, preparar e limpar o coração, e acolhê-lo com alegria, como João Batista, Maria e José. Manifestemos, pois, a nossa confiança em Deus e peçamos que nos perdoe a falta de convicção que talvez nos tenha faltado durante o passado ano. Vinde, Senhor Jesus, e não demoreis!

Pontos da ideia principal

Textos: Is 63, 16-17.19; 64, 2-7; 1 Co 1, 3-9; Mc 13, 33-37

Em primeiro lugar, alertas e vigiai! Preparemo-nos para a Parusia, que será a manifestação gloriosa do Senhor no final dos tempos. Maranatha. Vem, Senhor Jesus! Era o grito dos primeiros cristãos, proclamando sua fé e esperança em Jesus ressuscitado junto com o desejo de que o Senhor se mostrasse publicamente como Rei da Igreja, das nações e do universo, como juiz que dá a vitória aos bons e permite a caída dos maus. A Igreja-e nós com ela- espera este acontecimento com impaciência, deseja ansiosamente o Advento final, a redenção consumada, em retorno em glória, o dia do Senhor, o fim do exílio e a entrada definitiva na eternidade. A Igreja- esposa que nunca deixa de suspirar pelas suas bodas eternas, que nunca se cansa de desejar o seu encontro definitivo com o Esposo, tal como deixa transparecer nos textos da liturgia do Advento: não tardes, já está perto, já está aqui. Com quais atitudes devemos nos preparar para este Advento final? Com esperança gozosa, com os nossos olhos fixos na eternidade, agradecidos no coração por todos os bens que Deus pôs em nossas mãos e com o esforço em cuidá-los e fazê-los produzir em obras de caridade, de justiça, humildade e pureza (primeira leitura).

Em segundo lugar, alertas e vigiai! Preparemo-nos para comemorar um ano mais o Natal e renová-lo no nosso coração. Com quais atitudes? Dado que o Natal condensa em si o passado (Belém) e o futuro (parusia), temos que vivê-lo na firmeza da fé que nos levará à vigilância e à sobriedade (evangelho). Primeiro firmes na fé para não deixarmo-nos levar da onda das falsas ideologias e dos erros do tempo (ideologia de gênero, manipulação da linguagem genética, confusão doutrinal deliberada, propensa ao imanentismo e ao mito do progresso indefinido e do paraíso na terra…) e não perder nunca de vista a pátria definitiva. E segundo, sendo sóbrios e vigilantes para usar e não abusar das coisas deste mundo, não criar raízes de querências exageradas nesta terra, porque a figura deste mundo desaparece. Assim passaremos pelos bens temporais sem perder os eternos.

São Francisco Antônio Fasani


O santo de hoje nasceu em Lucera (Itália), a 6 de agosto de 1681, e lá morreu a 29 de novembro de 1742. Foi beatificado no dia 15 de abril de 1951 e canonizado a 13 de abril de 1986 pelo Papa João Paulo II. Fez os estudos no convento dos Frades Menores Conventuais. Sentindo o chamamento divino, ingressou no noviciado da mesma Ordem. Fez a profissão em 1696 e a 19 de setembro de 1705 recebeu a Ordenação Sacerdotal. Doutorou-se em Teologia e tornou-se exímio pregador e diretor de almas. Exerceu os cargos de Superior do convento de Lucera e de Ministro Provincial.

“Ele fez do amor, que nos foi ensinado por Cristo, o parâmetro fundamental da sua existência. O critério basilar do seu pensamento e da sua ação. O vértice supremo das suas aspirações”, afirmou o Papa João Paulo II a respeito de São Fasani.

São Fasani apresenta-se-nos de modo especial como modelo perfeito de Sacerdote e Pastor de almas. Por mais de 35 anos, no início do século XVIII, São Francisco Fasani dedicou-se, em Lucera, e também nos territórios ao redor, às mais diversificadas formas de ministério e do apostolado sacerdotal.

Verdadeiro amigo do seu povo, ele foi para todos irmão e pai, eminente mestre de vida, por todos procurado como conselheiro iluminado e prudente, guia sábio e seguro nos caminhos do Espírito, defensor dos humildes e dos pobres. Disto é testemunho o reverente e afetuoso título com que o saudaram os seus contemporâneos e que ainda hoje é familiar ao povo de Lucera: ele, outrora como hoje, é sempre para eles o “Pai Mestre”.

Como Religioso, foi um verdadeiro “ministro” no sentido franciscano, ou seja, o servo de todos os frades: caridoso e compreensivo, mas santamente exigente quanto à observância da Regra, e de modo particular em relação à prática da pobreza, dando ele mesmo incensurável exemplo de regular observância e de austeridade de vida.


Ó Deus, que tornastes São Francisco Antônio um Exemplo de Perfeição seráfica e exímio pregador do Evangelho, concedei-nos, por seus méritos e por sua intercessão, ardentes no amor e eficazes nas boas obras, alcançar também o prêmio eterno. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

São Francisco Antônio Fasani, rogai por nós!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Novela da Record blasfema contra a Igreja Católica: alguma surpresa?


"Apocalipse", a novela da Record que estreou na última semana, não pretende economizar nas polêmicas. Já em seu segundo capítulo, na quarta-feira, o folhetim apresentou a Igreja da Sagrada Luz, fundada pelo anticristo e sediada em Roma, numa clara referência à Igreja Católica.

A "verdadeira" missão da igreja é anunciada pelo personagem de Sergio Marone, o vilão Ricardo Montana, ao chegar a Roma: "Bem-vindo à Igreja da Sagrada Luz. São quase 1.700 anos espalhando as trevas pelo mundo. Mas, é claro, tudo muito bem elaborado para parecer divino. O engano é a minha especialidade".


Pouco depois, o personagem do ator Flávio Galvão (Stefano Nicolazi) aparece conversando com o sacerdote máximo da igreja. O "papa" fala como a instituição conseguiu manter o poder por tantos séculos graças às suas alianças com as "pessoas certas".

Ele então alerta para a importância de estreitar as relações com a poderosa família Montana. Na novela, Nicolazi será o falso profeta do Apocalipse, além de cúmplice e mentor de Ricardo Montana.

Mas... o que poderíamos nós esperar de um falso profeta? O que poderíamos dizer sobre ele, além daquilo que as suas ações já não digam –, bem melhor do que nós poderíamos –, por si próprias?

Que esperar de um homem que, como todo fiel católico pode ver tão claramente, é de fato um servidor de satanás agindo no mundo? Entendam, meus irmãos: se alguém receia dizer estas coisas, assim claramente, não é um bom cristão católico.

Santa Catarina Labouré


Santa Catarina de Labouré nasceu em Borgonha (França) a 2 de maio de 1806. Era a nona filha de uma família que, como tantas outras, sofria com as guerras napoleônicas.

Aos 9 anos de idade, com a morte da mãe, Catarina assumiu com empenho e maternidade a educação dos irmãos, até que ao findar desta sua missão, colocou-se a serviço do Bom Mestre, quando consagrou-se a Jesus na Congregação das Filhas da Caridade.

Aconteceu que, em 1830, sua vida se entrelaçou mais intimamente com os mistérios de Deus, pois a Virgem Maria começa a aparecer a Santa Catarina, a fim de enriquecer toda a Igreja e atingir o mundo com sua Imaculada Conceição, por isso descreveu Catarina:

“A Santíssima Virgem apareceu ao lado do altar, de pé, sobre um globo com o semblante de uma senhora de beleza indizível; de veste branca, manto azul, com as mãos elevadas até à cintura, sustentava um globo figurando o mundo encimado por uma cruzinha. A Senhora era toda rodeada de tal esplendor que era impossível fixá-la. O rosto radiante de claridade celestial conservava os olhos elevados ao céu, como para oferecer o globo a Deus. A Santíssima Virgem disse: Eis o símbolo das graças que derramo sobre todas as pessoas que mas pedem”.

Nossa Senhora apareceu por três vezes a Santa Catarina Labouré. Na terceira aparição, Nossa Senhora insiste nos mesmos pedidos e apresenta um modelo da medalha de Nossa Senhora das Graças. Ao final desta aparição, Nossa Senhora diz: “Minha filha, doravante não me tornarás a ver, mas hás-de ouvir a minha voz em tuas orações”.

Somente no fim do ano de 1832, a medalha que Nossa Senhora viera pedir foi cunhada e espalhada aos milhões por todo o mundo.

Como disse Sua Santidade Pio XII, esta prodigiosa medalha “desde o primeiro momento, foi instrumento de tão numerosos favores, tanto espirituais como temporais, de tantas curas, proteções e sobretudo conversões, que a voz unânime do povo a chamou desde logo medalha milagrosa“.

Esta devoção nascida a partir de uma Providência Divina e abertura de coração da simples Catarina, tornou-se escola de santidade para muitos, a começar pela própria Catarina que muito bem soube se relacionar com Jesus por meio da Imaculada Senhora das Graças.

Santa Catarina passou 46 anos de sua vida num convento, onde viveu o Evangelho, principalmente no tocante da humildade, pois ninguém sabia que ela tinha sido o canal desta aprovada devoção que antecedeu e ajudou na proclamação do Dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora em 1854.

Já como cozinheira e porteira, tratando dos velhinhos no hospício de Enghien, em Paris, Santa Catarina assumiu para si o viver no silêncio, no escondimento, na humildade. Enquanto viveu, foi desconhecida.

Santa Catarina Labouré entrou no Céu a 31 de dezembro de 1876, com 70 anos de idade.

Foi beatificada em 1933 e canonizada em 1947 pelo Papa Pio XII.


Ó Deus, que prometestes habitar nos corações puros, dai-nos, pela intercessão de Santa Catarina Labouré, viver de tal modo, que possais fazer em nós a Vossa morada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. 


Santa Catarina Labouré, rogai por nós!

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Igreja no Brasil conta com mais uma diocese no estado da Bahia


São 10 municípios, 12 paróquias e 185 comunidades que compõem a nova diocese, localizada no recôncavo Sul da Bahia. Distante 146 quilômetros da capital Salvador (BA), a diocese de Cruz das Almas (BA) foi erigida nesta quarta-feira, 22 de novembro, pelo papa Francisco. Na mesma ocasião, foi nomeado o primeiro bispo: dom Antônio Tourinho Neto, então bispo auxiliar de Olinda e Recife (PE).

O território da nova diocese foi desmembrado da arquidiocese de Salvador. Desta forma, as 12 paróquias localizadas em 10 municípios farão parte da nova circunscrição. Cabaceiras do Paraguaçu, Cachoeira, Cruz das Almas, Governador Mangabeira, Maragogipe, Muritiba, Santo Amaro, São Félix, Sapeaçu e Saubara, todas cidades baianas, somam juntas 185 comunidades, as quais refletem em seus padroeiros a devoção a Bom Jesus da Lapa e a Nossa Senhora.

O município de Cruz das Almas tem em torno de 63.300 habitantes. A história diz que o nome Cruz das Almas refere-se a antigos tropeiros que passavam pela região e que, ao chegarem à vila de Nossa Senhora do Bonsucesso paravam e rezavam diante da cruz localizada no centro da vila, na intenção das almas de seus mortos.

De acordo com a história do município divulgada pela prefeitura, os primeiros povoadores procederam de São Félix e Cachoeira, no século XVIII, atraídos pela capacidade produtiva do solo. Várias paróquias da região datam ainda do século XVII.

Novo Bispo

Natural de Jequié na Bahia, dom Antônio, foi nomeado bispo auxiliar de Olinda e Recife (PE) em 2014, pelo papa Francisco. Desde janeiro de 2015 ajuda dom Fernando Saburido a administrar a arquidiocese que é formada por 19 municípios, além do Arquipélago de Fernando de Noronha. A região eclesiástica tem 115 paróquias e uma população estimada em quatro milhões de habitantes.

Nascido em 9 de janeiro de 1964, em Jequié (BA), foi ordenado presbítero em 20 de janeiro de 1990.É formado em Ciências Contábeis e Psicanálise pela Sociedade Psicanalista do Estado da Bahia (SPEB). Aos 18 anos, ingressou no Seminário Central da Bahia onde obteve o título de bacharel em Filosofia. No Seminário de São José no Rio de Janeiro, cursou Teologia. Possui pós-graduação em Direito Canônico pelo Pontifício Instituto Superior de Direito Canônico do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Corporal e Sanguíneo: objetos litúrgicos.


O Corporal


O corporal (do latim corporalis, relativo ao corpo) é um pano quadrado, dobrado em nove pequenos quadrados, colocado sobre o altar durante a Liturgia Eucarística e sobre o qual são colocados o cálice, a patena e os cibórios.

Geralmente o corporal é feito de linho ou outro pano branco e permanece sempre dobrado, a fim de preservar possíveis fragmentos das Sagradas Espécies que venham a cair. E esta é justamente sua principal finalidade: reter possíveis fragmentos das Sagradas Espécies que caiam.

O corporal, sobretudo quando tem de ser transportado, convém ser colocado dentro de uma bolsa própria, de nome bursa. A bursa pode ser da cor litúrgica da celebração ou sempre branca.

Para a Celebração Eucarística, o corporal é colocado dobrado sobre o cálice e levado ao altar junto deste no momento da Apresentação das Oferendas. Não se deve estender o corporal sobre o altar desde o início da celebração. Durante toda a Liturgia Eucarística o corporal permanece estendido no altar, tendo sobre si os vasos sagrados. Após a Comunhão, é novamente dobrado e levado com o cálice novamente para a credência.

Para dobrar o corporal, dobrem-se primeiramente os três quadrados mais próximos da pessoa em direção aos três do meio. Em seguida, dobram-se os três mais distantes sobre os três do meio. Dobram-se então os dois quadrados das extremidades sobre o do centro. Para desdobrar o corporal, proceda-se de modo inverso.

Para a lavagem do corporal, bem como de todas as alfaias que têm contato com as Sagradas Espécies, enxague-se uma primeira vez e jogue-se a água em uma planta ou em água corrente. Só então lave-se normalmente.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Você realmente crê em Jesus na Eucaristia?


O Evangelho de Marcos 5,21-43, nos traz o caso da mulher que há doze anos sofria com uma hemorragia. Ao ver Jesus passar, acompanhado por uma multidão, pensou consigo: “Se eu ao menos tocar na roupa dele, ficarei curada”. Assim o fez e nunca mais padeceu desse sofrimento.

É notável a imensidão da fé daquela mulher em acreditar que apenas com um toque no manto de Jesus seria curada de um mal que nenhum médico conseguira. Essa atitude foi um exemplo claro da definição de fé feita pelo apóstolo Paulo, em Hebreus 11,1: “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem”. Acreditar sem ver, esperar aquilo que aos olhos humanos é impossível de se concretizar. Isso é fé!

Ao ler essa passagem, comecei a refletir sobre como Jesus é visto hoje e as nossas expectativas em relação àquilo que ele pode realizar. Será que nossa fé chega ao menos perto da fé daquela mulher com hemorragia?

Talvez hesitamos em depositar tamanha fé em Jesus por pensar que naquela época, em que conviveu no mundo em forma de homem, sua ação seria mais poderosa. Algumas pessoas até costumam dizer que naquele tempo era mais fácil viver a fé devido à convivência lado a lado com Jesus.

Esse pensamento é inteiramente equivocado, pois o Cristo que nasceu numa manjedoura, anunciou a salvação, realizou curas e milagres, morreu numa cruz e depois de três dias ressuscitou, é o mesmo hoje! A única coisa que mudou foi a sua forma. O Catecismo da Igreja Católica (CIC 1373) nos explica que Jesus se faz presente em diversas maneiras, na Palavra, na oração, nos sacramentos, nos pobres, dentre outros. Mas principalmente, Jesus está presente na Eucaristia!

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Padre não trabalha!


Se um Professor estuda, se prepara e dá uma aula de 45 minutos, ele está trabalhando.

Se um Padre estuda, se prepara e prega uma mensagem de 45 minutos, ELE NÃO TRABALHA.

Se um Psicólogo atende e aconselha pessoas, ele está trabalhando.
Se um Padre atende e aconselha pessoas, ELE NÃO TRABALHA.

Se um Administrador se organiza, faz reforma, contrata mão de obra, e gerencia uma empresa, ele está trabalhado…

Se um Padre se organiza, faz reforma, contrata mão de obra e gerencia uma igreja, ELE NÃO TRABALHA.

Se um contador faz os cálculos, economiza, equilibra as finanças e faz investimentos, ele está trabalhando…

Se um Padre faz cálculos, economiza, equilibra as finanças e faz investimentos na igreja, ELE NÃO TRABALHA.

Se qualquer um desses tirar férias, é justo, afinal, eles trabalham…
Já um Padre não pode tirar férias, não deve receber salário, e não merece respeito…

Afinal, ELE NÃO TRABALHA.

VALORIZE SEU PADRE! 

domingo, 19 de novembro de 2017

Espero que esta cruz seja o princípio para se levantarem muitas outras


Voltando pouco depois para lá encontrei um local onde podia ficar: uma pequena choupana perto do rio; e, passado algum tempo, ofereceram-me uma palhoça maior. Dois meses mais tarde, o Padre Reitor enviou o Padre Diogo de Boroa. Este chegou finalmente na segunda-feira de Pentecostes. Com muita consolação considerávamos como o amor de Deus nos juntava naquelas terras tão longínquas. Dividimos entre nós o limitado espaço da nossa morada, com um tabique feito de canas. Ao lado tínhamos uma capela, pouco maior que o próprio altar em que celebrávamos a Missa. Por eficácia deste supremo e divino sacrifício, em que Cristo se ofereceu ao Pai na Cruz, começou ele a triunfar ali, pois os demônios que antes costumavam aparecer a estes índios não se atreveram a aparecer mais, como testemunhou algum deles. Resolvemos continuar na mesma palhoça, embora tudo nos faltasse. O frio era tanto que nos custava adormecer. O alimento também não era melhor: milho ou farinha de mandioca, que é a comida dos índios; e porque começamos a buscar pelos bosques umas ervas de que se alimentam os papagaios, com este apelido nos chamavam.

Prosseguindo as coisas deste modo, e temendo os demônios que, se a Companhia de Jesus entrasse nestas regiões, eles perderiam em breve o que por tanto tempo tinham possuído, começaram a espalhar por todo o Paraná que nós éramos espiões e falsos sacerdotes, e que trazíamos a morte em nossos livros e imagens. Divulgou-se isto a tal ponto que, estando o Padre Boroa a explicar aos índios os mistérios da nossa fé, eles temiam aproximar-se das sagradas imagens, com receio de algum contágio mortífero. Mas estas ideias foram-se desfazendo pouco a pouco, sobretudo quando viram com os próprios olhos que os nossos eram para eles como verdadeiros pais, dando-lhes de bom grado quanto tinham em casa e assistindo-os nos seus trabalhos e enfermidades,de dia e de noite, auxiliando-os não só em proveito das suas almas, o que é certamente mais importante, mas também dos seus corpos.

E assim, quando vimos consolidar-se o amor dos índios para conosco, pensamos em construir uma igreja, que, embora pequena e modesta e coberta com palha, apareceu a esta gente miserável como um palácio real, e ficam atônitos quando levantam os olhos para o teto. Ambos tivemos de trabalhar com barro para fazer o reboco e para ensinar os indígenas a fazer tijolos. Deste modo conseguimos ter a igreja pronta para o dia de Santo Inácio do ano passado de 1615. Neste dia celebramos lá a primeira missa e renovamos os nossos votos. Houve ainda outros ritos festivos, quanto era possível segundo a pobreza do lugar. Também quisemos organizar umas danças, mas estes rapazes são tão rudes que não conseguiram aprendê-las. Levantamos depois uma torre de madeira e pusemos nela um sino que a todos encheu de admiração, pois nunca tinham visto nem ouvido semelhante coisa. Também foi ocasião de grande devoção uma cruz que os próprios indígenas levantaram: tendo-lhes nós explicado por que razão os cristãos adoram a cruz, eles se ajoelharam conosco para adorá-la. Desconhecida até agora nestas terras, espero em nosso Senhor que esta cruz seja o princípio para se levantarem muitas outras.


Das Cartas de São Roque González, presbítero

(Lit. Annuae P. Rochi González pro anno 1615 [s. d.] datae ad P. Provincialem Petrum Oñate. Ed. [in lingua hispanica] in: Documentos para la Historia Argentina, vol.20, Buenos Aires 1920, pp. 24-25) (Séc.XVII)

Sabe por que 3 da manhã é a “hora do diabo”?


Filmes de terror e programas de TV sobre fenômenos paranormais sempre falam sobre a “hora do diabo”, que, dependendo da fonte, pode variar entre o período das três às quatro horas da manhã ou entre a meia-noite e as três da manhã. A opinião unânime é que o diabo seria mais poderoso durante  a escuridão da madrugada.

Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas nos dizem que Jesus morreu durante a “nona hora”. No cálculo moderno, seria às 3 da tarde. Satanás, então, virou o simbolismo em sua cabeça, tomando para si o horário das três da madrugada , em zombaria direta de Deus. Outra razão para essa escolha é o fato de ser no meio da noite; o sol ainda vai demorar algumas horas para nascer.

As Escrituras também se referem à noite e à escuridão como um período de pecado. Este conceito é perfeitamente resumido no Evangelho de João: “Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más. Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas” (João 3, 19029).

Além disso, Jesus foi traído por Judas durante a noite e Pedro negou Jesus antes do “galo cantar”. Acredita-se também que o “julgamento” de Jesus no Sinédrio ocorreu durante a “hora do diabo”.

sábado, 18 de novembro de 2017

Reino Unido obriga escolas católicas a trocarem ‘pai’ e ‘mãe’ por 'tutores'


Governo do Reino Unido comunicou às escolas católicas que elas, a exemplo das demais, vão ter de eliminar nos formulários dos alunos os termos “pai” e “mãe”, substituindo-os por “tutor 1” e “tutor 2”.

Essa determinação faz parte do Código de Admissão às Escolas do Estado, que também se aplica às escolas confessionais.


O objetivo desse item do código é impedir que progenitores gays, separados, madrastas e padrastos e seus filhos se sintam discriminados.


Após haver reclamações de tutores, o governo “lembrou” à Igreja Católica que o código vale também para os seus estabelecimentos.

Um Padre desabafa: "Querem-nos casar à força!"


Querem-nos casar à força! Graças a Deus, a hipótese que se pode vir a pôr em cima da mesa é a de aceitar homens casados para a Ordenação e não o que muitos pensam (e até, sei lá porquê, queriam!) de permitir que os Padres se casem.

Também eu desejei casar e ter filhos. Mas Deus concedeu-me este dom que é o celibato. Insisto: é um DOM. O celibato não é fruto de um esforço inumano, desumano ou super-humano. É um dom de Deus a acolher, a cuidar e a rezar!

A Igreja (especialmente a latina) ao longo dos tempos tem percebido que este dom é de grande ajuda para que os seus Padres sejam mais claramente sinal da realidade do Céu, para a qual todos somos chamados a caminhar. Mas se se perde o horizonte, perde-se a razão. Se o Padre deixa de ser sinal da vida futura e é apenas uma profissão como qualquer outra neste mundo, então porque não podem ser casados? A pergunta é claramente pertinente.

Com a contínua perda do conceito sagrado de vocação (de modo especial da vocação sacerdotal), perdeu-se a noção do plano de Deus. Hoje tudo se escolhe segundo critérios que, por vezes, de divinos nada têm.

Vivemos um tempo de crise familiar (acima de tudo conjugal), porque se deixou de ver a vida como vocação, o Matrimônio como vocação (e também o Sacerdócio). Vocação entendida como um chamamento de Deus a uma vida de amor que é o seu próprio Amor (Caridade) a caminho do Céu e da plena comunhão na Caridade.

Ao perder-se isto, perde-se noção de toda a vida cristã e, então, já nada nos distingue do resto do mundo. Ao esquecer-se a Caridade (que é o maior fruto do Espírito Santo, e, por isso, sinal de uma vida espiritual incarnada), resta apenas a moralidade, ou, pior, o moralismo.

Com a crise familiar em que estamos e com a crise de espiritualidade que vivemos, será um risco enorme para as pessoas envolvidas (marido, mulher e filhos) e para a Igreja (latina e ocidental) permitir a ordenação a homens casados.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Novela "Apocalipse" da Record vai mostrar o Papa como o Anti-Cristo e a Igreja Católica como a Babilônia


A Record se prepara para exibir a partir do dia 21 a sua nova aposta para a teledramaturgia: a novela Apocalipse. A trama contará com efeitos especiais nunca vistos na televisão brasileira. Com três fases (nos anos 80, 90 e atualmente), a trama mostrará uma das interpretações para o livro do Apocalipse, com destaque para as catástrofes naturais.

A autora Vivian de Oliveira, que escreveu os personagens especialmente para o folhetim, explicou que vê como propício o momento para a produção de uma novela com a temática do Apocalipse. “Nada mais atual que colocar os Apocalipse nos dias de hoje. As profecias que a gente vê na Bíblia têm tudo a ver com o que a gente tá falando… sobre as catástrofes naturais, possibilidades de guerra. Tudo isso passa pelo Apocalipse”, conta a autora.

No entanto, o folhetim da emissora dos bispos abordará também uma temática que promete causar polêmica. Em dado momento da história, Apocalipse falará sobre o falso profeta que vai ser um sacerdote de uma igreja fictícia. No entanto, apesar de garantir que a igreja é ficcional, algumas imagens mostram que existe uma certa semelhança com os costumes católicos, desde as vestimentas, até a postura do líder.

Outra semelhança com a Igreja Católica é a sede da igreja fictícia, localizada em Roma. Para completar, ainda existe boatos de que um pastor fará o papel de bonzinho e assim alertará todos, sendo julgado e perseguido.