sábado, 31 de janeiro de 2015

Sacerdotes são ameaçados por usarem o título “padre” no Facebook.

Mensagem automática de rede social 
diz que restrição faz parte das políticas de uso

O padre Peter West é sacerdote há quase 25 anos, mas, esta semana, ele voltou a ser apenas "Peter West".

Pelo menos no Facebook.

Ele conta que foi acessar a rede social nesta terça-feira e acabou sendo bloqueado porque o seu nome de usuário incluía o título “padre”.

A rede mantém há certo tempo a política de não permitir que os seus membros usem títulos profissionais ou religiosos. “O Facebook é uma comunidade em que as pessoas usam as suas identidades verdadeiras”, explica a política do site, baseada na proposta de que cada membro sempre saiba com quem está se conectando a fim de que a comunidade seja segura. Entre uma série de outros itens, as regras pedem que os usuários não acrescentem aos seus nomes “nenhum tipo de título (p. ex.: profissional, religioso)”.

Vários sacerdotes católicos contornam esta restrição juntando a palavra “padre” ao seu primeiro nome ou usando um hífen entre os dois, ou, no caso de sacerdotes que são membros de congregações religiosas, acrescentando a sigla da sua ordem no final do nome.

Mas a recente onda de sacerdotes que sofreram as medidas restritivas do Facebook levou à criação, nesta semana, da página “Tell FB: Allow Catholic Priests to keep the title ‘Father’ in their FB name” [“Digam ao FB: Deixem os padres católicos manterem o título ‘padre’ em seu nome na rede”]. 

“A política do Facebook parece imposta de maneira desigual”, declarou o arcebispo da cidade norte-americana de Oklahoma, dom Paul Coakley, em uma entrevista (feita, aliás, através do Facebook). “Eu combinei a palavra ‘arcebispo’ com o meu nome: ArchbishopPaul Coakley. Parece que esta restrição não se justifica se observarmos o tipo de discurso que as mídias sociais deveriam promover. Eu realmente quero que as pessoas saibam com quem elas estão se comunicando ao entrarem em contato comigo. Uma das coisas que me atraíram no Facebook é a variedade de oportunidades que ele oferece para a evangelização”.

Perseguição contra os cristãos: qual é o próximo passo?


Quando você ouve falar em "cristãos perseguidos", o que vem à sua mente?

Você pensa em algum lugar do Oriente Médio? Você pensa em igrejas destruídas, mosteiros pilhados, crianças decapitadas, mulheres vendidas como escravas sexuais, sacerdotes e fiéis sendo obrigados a fugir da própria terra para salvar a vida? Você fica aliviado quando lhe dizem que estas atrocidades são cometidas só por pessoas que "mal interpretaram" a "religião da paz"? Talvez sim. Você encontra pelo menos um “frio conforto” ao ouvir dizer que a perseguição contra os cristãos só acontece em terras distantes, em cidades que quase nem encontramos no mapa, com pessoas cujos nomes não sabemos pronunciar e cujas línguas não falamos? Eu espero que não.

E também espero que ninguém ache que os cristãos aqui no Ocidente não têm inimigos civis, sociais, morais e espirituais altamente motivados a destruí-los. Eu espero que nós não sejamos como os judeus alemães em 1935, que vasculhavam os textos das Leis de Nuremberg em busca de algum trecho que lhes garantisse que as leis antissemitas se aplicavam a qualquer outro grupo de judeus, mas não a eles.

Já faz décadas que o dogmatismo anticristão em geral e o fanatismo anticatólico em particular vêm sendo socialmente aceitáveis. Um agressor pode levar uma vida tranquila e agradável numa cultura popular que vê como “normal” insultar católicos e suas crenças. Mais recentemente, o vasto aparato da burocracia civil, aqui nos Estados Unidos, por exemplo, voltou os seus olhos malignos contra os fiéis cristãos, em especial contra os católicos. Armados com um arsenal de leis, regulamentos e ordens, com um exército de burocratas não eleitos e irresponsáveis​​, apoiados por juízes e tribunais e, em última análise, fortificados por homens com distintivos e armas, os poderes políticos têm se alinhado aos poderes culturais contra os católicos e contra os cristãos como um todo. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Didaqué: O Caminho da Vida e o Caminho da Morte

Didaqué: A Instrução dos Doze Apóstolos (Ano 145-150d.C)

O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE

CAPÍTULO I 

1Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois. 

2Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.

3Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, reze por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.

4Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.

5Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: se pede por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez... e daí não sairá até que devolva o último centavo.

6Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando. 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Níger: Boko Haram pretende «massacrar todos os cristãos», denuncia religiosa.


Uma religiosa católica que fugiu do Níger denunciou a intenção do grupo fundamentalista islâmico ‘Boko Haram’ de “massacrar todos os cristãos” deste país africano.

A denúncia da missionária, cujo nome não é revelado por uma questão de segurança, é feita através da fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Segunda esta organização humanitária, a religiosa “foi forçada a fugir, juntamente com o resto da sua congregação”, e agora estão “escondidas” em casa de uma família na capital, Niamey.

Vários ataques contra a comunidade cristã no Níger, durante vários dias da última semana, causaram pelo menos uma dezena de mortos e a destruição de diversas igrejas.

A AIS dá conta do “clima de terror “em que vivem os cristãos por causa da extrema violência que continua a verificar-se em diversas cidades do Níger.

Na sua mensagem, a religiosa descreve a “terrível violência” que irrompeu na capital e em Zinder, a segunda cidade do Níger, em resultado de uma série de manifestações por causa da publicação em diversos jornais europeus de caricaturas do Profeta Maomé.

Uma das igrejas destruídas pela vaga de ataques é a de Santa Teresa, que tinha sido edificada com o apoio da Fundação AIS e que em outubro abriu as suas portas ao culto. 

Homilética: IV Domingo do Tempo Comum - Ano B: "Ninguém é profeta por escolha própria, mas porque Deus o chama.".


Estamos a celebrar o IV Domingo do tempo Comum. Hoje, a Palavra de Deus garante-nos que Deus não se conforma com os projetos de egoísmo e de morte que desfeiam o mundo e que escravizam os homens e afirma que Ele encontra formas de vir ao encontro dos seus filhos para lhes propor um projeto de liberdade e de vida plena.

Desde o batismo, todo cristão é profeta. Da parte de Deus, o profeta anuncia a Boa Nova e denuncia o mal, em ordem à salvação dos homens. Quem escutar e prestar atenção se salvará. E, ai do profeta que não anunciar o que Deus lhe mandou! (primeira leitura).

O profeta só tem que dizer as palavras de quem o manda, embora sejam duras de ouvir e difíceis de colocar em prática.

Pontos da ideia principal

Textos: Deut 18, 15-20; 1 Cor 7, 32-35; Mc 1, 21-28

Em primeiro lugar, ser profeta não significa preanunciar fatos futuros. Profeta não é só o que prediz de antemão o que vai acontecer, mas antes de tudo o que fala em lugar de outro. Não o que fala “antes”, mas “no lugar de”. O profeta judeu era propriamente o que falava em nome de Javé ou na sua honra, o que proclamava os seus louvores, o que pregava a sua doutrina e anunciava os seus decretos. Era o arauto, o interprete do Senhor. É certo que normalmente o Senhor governava o povo de Israel através dos seus legisladores. Mas às vezes queria manifestar vontades expressas, e para isso recorria ao profeta, não pedindo para ele um serviço, mas intimidando-o a cumprir uma ordem. Com frequência, como hoje com Moises (primeira leitura), enviava-o para falar diante de uma assembleia, sem que tivesse sido previamente convidado, e o profeta se via obrigado a ir das praças ao templo, e do templo aos palácios dos grandes, como um inoportuno, às vezes, como um estraga prazeres. Também o Senhor se valeu deles para anunciar o futuro. Assim predisseram muitos detalhes sobre o Messias que tinha que vir, e anunciaram que os grandes fatos do Antigo Testamento eram uma imagem do que aconteceria depois em Cristo e na Igreja. Fatos e palavras. Os profetas, com as suas palavras explicavam o sentido dos fatos, e anunciavam que no futuro esses fatos se repetiriam, mas num nível infinitamente superior. E chegou Cristo, o Grande Profeta definitivo. 

Em segundo lugar, sim, Jesus é o Profeta definitivo que fala e age com autoridade. Não somente falaria em nome de Deus, mas que Ele mesmo seria a Fala de Deus, a Palavra de Deus, o Verbo de Deus. O Verbo feito carne. E veio para falar com todo o poder da majestade divina. Não só o que ensina a verdade, mas o que é a Verdade mesma. Não só o que marca o caminho da vida, mas que Ele mesmo é o Caminho e a Vida. Jesus falava com autoridade. Falar com autoridade é convencer e impulsionar. Para isso, se necessita uma coisa que todos têm; outra que poucos têm e outra que quase ninguém têm, e são: palavras prometedoras, que já saem sobrando; vida consequente com as palavras, que escasseia, e fatos que falem a vida e as palavras, que já faltam. Jesus com a sua palavra, a sua vida e os seus milagres assustava até os demônios e terminou com as suas interferências nas vidas dos homens; eis aqui o caso do possuído do evangelho de hoje. Só o poder de Jesus é capaz de exorcizar os homens, isto é, de tirar do corpo deles os demônios pós-modernos; o conforto materialista da vida, o hedonismo do prazer pelo prazer, o culto ao dinheiro, o culto ao êxito pessoal, o laicismo sem espírito, sem alma e sem Deus, a filosofia do descarto e da indiferença diante da pobreza humana. Estes são os únicos demônios que até agora eu conheço, a única autoridade em que creio e o único exorcismo que pratico, em nome de Jesus. 

Finalmente, todo batizado também participa do profetismo de Jesus. Não só os sacerdotes são profetas. Também todo leigo batizado. Devemos oferecer a Deus os nossos lábios de modo que o Senhor possa continuar pregando através de nós durante todo o transcurso da história, expulsando esses demônios que continuam estragando os corpos e as almas de tantos que se deixam levar pelos feitiços prometendo a eterna juventude, como narra o escritor irlandês Oscar Wilde na sua obra “O retrato de Dorian Gray”, em troca de vender a sua alma ao Mefistófeles de bate a porta de nossa casa, parafraseando o Fausto do escritor e poeta alemão Goethe. E temos que pregar a boa nova em cima dos telhados: casa, fábrica, local de trabalho, escola, hospital, casa de anciãos... Até chegar a todas as periferias existenciais, físicas, morais e espirituais. Profetas que também saibamos denunciar com respeito todos os desvarios e injustiças de tantos -o pecado-, como fazia Cristo. E isto desde todos os meios lícitos e bons: meios de comunicação, púlpito, cátedras, mesa familiar. E não só com a palavra, mas, sobretudo com o exemplo de vida. Tomemos cuidado com os falsos profetas! Rapidamente se manifestam prometendo a teologia da prosperidade ou uma vida sem normas morais. Cristo já nos alertou.

O Cristo Revolucionário do Ex-Padre Beto


Tenho escutado muito sobre Cristo revolucionário ultimamente. Dizem que ele revolucionou o seu tempo, e que foi subversivo.

Coloque-se, por exemplo, no lugar de Herodes. Ele é governador numa região que inclui a nação de Israel, com prévio histórico de rebeliões. Você está sentado sobre um barril de pólvora pronto para explodir. Com isso em mente você começa a entender melhor a reação insana de Herodes, contada em S. Mateus 2.1-21.

Ou se coloque no lugar dos escribas e fariseus. Eles eram o “magistério” daqueles dias. Eram infalíveis. Eram a nata religiosa de Israel. De repente surge alguém, que se diz o Ungido, o Filho, e os chama de hipócritas, filhos do Inferno, serpentes e raça de víboras (S. Mateus 23). Explica-se, que estes, assim como Herodes, o tenham visto como um homem revolucionário e subversivo.

E, de fato, ele era as duas coisas.

Toda vez que ouço alguém dizer sobre a pregação revolucionária e subversiva de Cristo, preciso concordar. No entanto, o simples fato de que Cristo jamais apelou à política, ou às armas para converter o mundo, já deveria envergonhar uns 90% dos revolucionários atuais. Além disso, para piorar a coisa, nem sempre a “revolução” que Cristo trouxe é compatível com os projetos revolucionários” da nossa geração. A revolução cristã é bem diferente! Vamos ser sinceros: provavelmente nenhum “revolucionário” de hoje aceitaria a revolução cristã, pois a tomam como conservadora e reacionária.

Vamos tomar como ilustração um famoso e atual revolucionário. Ele atende por Beto, e é ex-padre, tendo sido excluído da Igreja Católica Apostólica Romana por declarações favoráveis ao adultério, a poligamia, e a homossexualidade. Numa entrevista recente ao portal I-Gay, o ex-sacerdote romano justificou sua postura com o seguinte argumento:

“Jesus era revolucionário, mas essa característica foi amenizada pela Igreja. Ele é visto num representação romântica das palavras amor e da paz. Acontece que o amor dele era comprometido, tanto que isso o levou a arregaçar as mangas. Jesus inclusive combateu preceitos religiosos, como o do “atire a primeira pedra quem nunca pecou”, em relação às prostitutas”.

Praticamente em cada frase há um ídolo a ser derrubado, uma mentira a ser exposta. Coisa fácil, aliás. Por brevidade vamos ficar apenas com o caso da mulher adultera. Beto coloca as palavras de um jeito premeditado, como que para enganar aqueles que não conhecem pessoalmente o texto bíblico. Ele quer convencer o leitor – no caso, os gays que o apoiam – que Jesus revolucionou a relação da religião com as prostitutas, quando disse “atire a primeira pedra”. Infelizmente, para e ele e para seus fãs, tal conclusão está muito longe da verdade.

“E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; e, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto, redargüidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio. E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais” – S. João 8.3-11.

É decepcionante que Beto fale daquilo que desconhece. Primeiro que esse texto não dá qualquer informação sobre o relacionamento de Cristo com as prostitutas. O que vemos nesse texto é uma mulher pega no ato de adultério, cuja pena era a morte. Beto ignora as palavras de S. João, e também ignora o ensino da Lei de Deus. O adultério, na Lei, é punido com a morte, mas a prostituição, mesmo sendo pecado, não era punida com a morte – a menos que a prostituta fosse filha de um Sacerdote. Isso, por si só, já desqualifica completamente a exegese do ex-padre Beto.

Resta saber como Cristo agiu quanto a esse pecado então. Do modo como o ex-padre Beto coloca premeditadamente suas palavras, Cristo revolucionou o modo com a religião de seu tempo lidava com os pecadores. E, de fato, Cristo fez isso.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Comissão da CNBB emite nota pelo Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo


Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço 
da Caridade, da Justiça e da Paz
Nota por ocasião do Dia Nacional 
de Combate ao Trabalho Escravo


A Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, neste Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, dirige uma palavra a todos os que se empenham em eliminar este crime.

Em 2014, a Campanha da Fraternidade teve como tema “Fraternidade e Tráfico Humano”, com o objetivo de identificar as práticas de tráfico humano e denunciá-las como violação da dignidade e da liberdade humana, mobilizando cristãos e a sociedade brasileira para erradicar esse mal, com vistas ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus.

A exploração do ser humano, através do trabalho escravo, é um grave desrespeito à pessoa humana, especialmente ao direito de trabalhar em condições dignas, recebendo um salário justo. O trabalho é dimensão constitutiva do ser humano e não oportunidade para a violação da sua dignidade.   

A sociedade tem a tarefa de conduzir-se por uma economia que preze a dignidade humana, acima de tudo.  Isto implica, entre outras coisas, em eliminar a prática do trabalho escravo em qualquer faixa etária, nas diferentes relações de trabalho, seja na agropecuária, na construção civil, na indústria têxtil, nas carvoarias, nos serviços hoteleiros e em serviços domésticos. Os migrantes e imigrantes estão mais expostos à essa exploração, devido à sua situação de vulnerabilidade e a necessidade de trabalhar para prover seu próprio sustento e o de sua família. 

Papa alerta sobre a realidade da ausência paterna


CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 28 de janeiro de 2015


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Retomamos o caminho das catequeses sobre família. Hoje nos deixamos guiar pela palavra “pai”. Uma palavra mais que qualquer outra querida a nós cristãos, porque é o nome com o qual Jesus nos ensinou a chamar Deus: pai. Hoje o sentido deste nome recebeu uma nova profundidade justamente a partir do modo em que Jesus o usava para se dirigir a Deus e manifestar a sua especial relação com Ele. O mistério abençoado da intimidade de Deus, Pai, Filho e Espírito, revelado por Jesus, é o coração da nossa fé cristã.

“Pai” é uma palavra conhecida por todos, uma palavra universal. Essa indica uma relação fundamental cuja realidade é tão antiga quanto a história do homem. Hoje, todavia, chegou-se a afirmar que a nossa seria uma “sociedade sem pais”. Em outros termos, em particular na cultura ocidental, a figura do pai seria simbolicamente ausente, dissipada, removida. Em um primeiro momento, a coisa foi percebida como uma libertação: libertação do pai-patrão, do pai como representante da lei que se impõe de fora, do pai como censor da felicidade dos filhos e obstáculo da emancipação e da autonomia dos jovens. Às vezes, em algumas casas, reinava no passado o autoritarismo, em certos casos até mesmo a opressão: pais que tratavam os filhos como servos, não respeitando as exigências pessoais do crescimento deles; pais que não os ajudavam a empreender o seu caminho com liberdade – mas não é fácil educar um filho em liberdade – ; pais que não os ajudavam a assumir as próprias responsabilidades para construir o seu futuro e o da sociedade.

Papa recebe um transexual no Vaticano


No sábado, o Papa Francisco recebeu em audiência privada na Casa Santa Marta um transexual espanhol, chamado Diego Neria Lejarraga, acompanhado por seu parceiro.

A notícia foi divulgada pelo jornal Hoy, segundo o qual Diego, ‘ex-mulher’ de 48 anos, natural de Plasencia em Extremadura, teria escrito há muito tempo para o Papa contando sua dramática história pessoal e religiosa.

Na carta o transexual teria dito ao Papa que, após a mudança de sexo realizada há oito anos, ele foi fortemente discriminado por parte da Igreja. Diego, filho de uma família de católicos fervorosos, que se declara católico e praticante, queixou-se de ser rejeitado em sua cidade por pessoas que frequentam a paróquia, e que o padre teria falado com ele em um tom muito duro chamando-o de "filho do diabo".

Sobre o desrespeito ao sentimento religioso e as formas de responder as ofensas.


As tristezas, as dores, os acontecimentos horríveis, repletos de sofrimento, odio, nascidos da incompreensao e da naturalização da maldade são partes integrantes do mundo.

É assim desde a Queda, quando o homem fez decair a sua natureza e com ela toda a realidade do mundo.

Nesses dias as pessoas estão mobilizadas sobre um desses eventos proprios de um  mundo decaido : O assasssinato de um grupo de cartunistas na França.

Neste momento alguns assassinatos devem estar a acontecer em cada país, realizados pelos motivos mais banais. Vidas são ceifadas como se nada fossem. É assim a cada dia.

Pessoas portanto tiram, voluntariamente,  a vida de outras em todos os lugares, pelos motivos mais variados.

Um desses motivos pode ser ter o senso de dignidade ferido.

Ou seja, pessoas cometem assassinatos não apenas para tomar o dinheiro de um outro, para abusar sexualmente de um outro, mas tambem porque se sentiu  ofendido por uma outra pessoa, viu sua dignidade ser vilipendiada.

As pessoas podem ser ofendidas de muitas maneiras, e nesses dias de coroamento do dito "politicamente correto", nós sabemos que muitas são as coisas que são consideradas tão gravemente onfensivas, que tais ofensas são caracterizadas como crime.

Surge então a  caracterização "crime de ódio". 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O soco, os coelhos e os pretextos


Primeiro, o soco. O grupinho “pacifista e evangélico” está escandalizado: “Nós sempre damos a outra face”, declaram. Talvez seja verdade.

Depois, a história dos coelhos. Os jovens que são pura tradição (mas será que sabem do que falam?), com a medalha de católicos perfeitos, estão feridos. Mas...

Estas reações demostram apenas ignorância, meus caros jovens. Será que nós lemos o que o papa disse? Tentamos entender? Ou só vimos as manchetes na internet, que, em muitos casos, são fuxicos miseráveis e nem um pouco inocentes de “ilustres” jornalistas ou “autodenominados” teólogos?

O papa Francisco ama a comunicação direta e não se preocupa em ser sutil, especialmente nas conversas informais. Mas ele sempre diz a verdade. Ele não se preocupa em equilibrar cada coisa que diz: ele é o papa, fala dentro de um contexto mais amplo, que é o Magistério da Igreja, e dentro do magistério pessoal, que, não custa lembrar, é o magistério petrino.

A jogada dos senhores da informação, dos vendedores de fumaça, é precisamente a de desacreditar o magistério, seja diante de quem se opõe a ele, seja diante de quem o apoia, embora vários apoiem o que lhes convém, deformando todo o sentido. Querem dividir a Igreja. “Divide et impera”, como de fato acontece. E não poucos (e bons) católicos se prestam a esse jogo. Não podemos continuar caindo na armadilha!

O papa Francisco conhece muito bem esses problemas e por isso escreveu a Evangelii gaudium, a exortação apostólica que contém as diretrizes do seu modo de agir e de todas as suas afirmações. É preciso estudá-la melhor! O papa quer evangelizar, chegar a todos, não pode usar sempre uma linguagem especializada e pomposa. Ele quer chamar a todos à conversão, começando por si mesmo.

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2015


MENSAGEM
Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2015
Terça-feira, 27 de janeiro de 2015


“Fortalecei os vossos corações” (Tg 5, 8)

Amados irmãos e irmãs,

Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.

Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.

Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.

A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n’Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.

Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação. 

Jesus jamais condenou o homossexualismo?


Em síntese: Há quem alegue que na Bíblia não se encontra a palavra homossexualismo; por isto não se pode dizer que a S. Escritura condena tal prática. — Em resposta, observamos que, se a palavra não ocorre, ocorre, sim, o conceito de homossexualismo, que é severamente condenado em Lv20,13; Rm 1,23-27; 1Cor 6,9s.

Alega-se também que Jesus jamais condenou o homossexualismo; se fosse tão grave, Ele o teria repudiado. — Respondemos que os Evangelhos não pretendem ser um relato completo de tudo o que Jesus disse e fez, como nota São João no final do seu Evangelho (cf. 20,30s; 21,25). Por isto os Evangelhos hão de ser lidos no contexto dos demais escritos do Novo Testamento; estes, sem dúvida, rejeitam o homossexualismo, como se depreende dos textos atrás citados. — Ademais, antes que a Escritura condene tal prática, a própria lei natural, incutida em todo ser humano, o rejeita, visto que a natureza conhece dois sexos, que são complementares entre si.

A campanha homossexualista não cessa de procurar justificar a prática que ela propugna. Temos em mãos um panfleto intitulado "O que todo cristão deve saber sobre homossexualidade"; foi-nos enviado com um pedido de esclarecimentos, que passamos a propor, distinguindo quatro pontos do panfleto.

1. "NA BIBLIA NÃO SE ENCONTRA A PALAVRA HOMOSSEXUALISMO"

Assim começa o impresso:

"Não há na Bíblia nenhuma só vez as palavras HOMOSSEXUAL, LÉSBICA nem HOMOSSEXUALISMO. Todas as Bíblias que empregam estas expressões, estão erradas e mal traduzidas. A palavra HOMOSSEXUAL só foi inventada em 1869, reunindo duas raízes linguísticas: HOMO (do grego, significa "igual") e SEXUAL (do latim). Portanto, como a Bíblia foi escrita de dois a quatro mil anos atrás, não poderiam os escritores sagrados ter usado uma palavra inventada só no século passado. Elementar, irmão!

A prática do amor entre pessoas do mesmo sexo, porém, é muito mais antiga que a própria Bíblia. Há documentos egípcios de 500 anos antes de Abraão, que revelam a prática do homoerotismo não só pelos homens, mas também entre os deuses Horus e Seth. 'O homossexualismo é tão antigo como a própria humanidade', dizia o célebre escritor Goethe".

A propósito observamos:

a)  a antiguidade da prática homossexual não é suficiente para legitimá-la. Nem tudo o que é antigo, é aceitável;
b)  o fato de que Bíblia nunca apresenta a palavra "homossexualismo", nada quer dizer; a Bíblia descreve o homossexualismo e condena peremptoriamente a sua prática. Assim:
Lv 20,13; "O homem que se deita com outro homem como se fosse uma mulher, ambos cometeram uma abominação; deverão morrer, e o seu sangue cairá sobre eles".

Rm 1,23-27: "Trocaram a glória do Deus incorruptível por imagens do homem corruptível, de aves, quadrúpedes e répteis. Por isto Deus os entregou, segundo o desejo de seus corações, à impureza em que eles mesmos desonraram seus corpos..., suas mulheres mudaram as relações naturais por relações contra a natureza; igualmente os homens, deixando a relação natural com a mulher, arderam em desejo uns para com os outros, praticando torpezas homens com homens e recebendo em si mesmos a paga da sua aberração".

Não resta dúvida, portanto, de que a S. Escritura rejeita severamente o homossexualismo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Promoção Evangelize Conosco!


Divulgue o Informação Católica e concorra a prêmios. Como funciona? Divulgue o nosso site www.icatolica.com e a nossa página no facebook www.facebook.com/InforCatolica e mande para nós a sua história contando como foi feito o marketing. A história mais criativa receberá em 1º lugar 1 CD mp3 na voz de Márcio Mendes sobre “O Dom das Lágrimas”,  as histórias que ficarem em 2º, 3º e 4º lugar respectivamente receberão o livro do Prof. Felipe Aquino “Penitência”.

O concorrente deve fazer o marketing de nosso site e página no facebook e enviar para o e-mail icatolicaslz@gmail.com com o “print” da divulgação (caso tenha sido online) ou o máximo de materiais que possam comprovar o seu marketing juntamente com o endereço para receber os prêmios caso seja escolhido e uma foto do participante para divulgação do ganhador.

A promoção será encerrada no dia 03 de março às 23:59 e o ganhador será divulgado no dia 04 de março em nosso site e em nossas redes sociais. Tá esperando o que? Já está valendo! Quanto mais você divulgar, mais chances você tem de ganhar!!

Com esta divulgação você nos ajuda a evangelizar cada vez mais pessoas chegando nos ambientes mais longíquos do mundo inteiro. Seja conosco um evangelizador! 

*Promoção válida apenas em território brasileiro.

Disse-lhe Jesus: “Dá-me de beber” (Jo 4, 7).


Deixando a Judeia, Jesus dirige-se para a Galileia, seguindo uma estrada que atravessa a Samaria. Por volta do meio-dia, cansado da viagem, senta-se junto ao poço que o Patriarca Jacob construíra há cerca de 1700 anos. Estava com sede, mas não havia ali nenhum recipiente para tirar água. O poço era muito fundo, com 35 metros de profundidade (como se pode verificar ainda hoje).

Os discípulos tinham ido à aldeia comprar comida e Jesus ficou ali sozinho. Então chegou uma mulher com uma bilha, e Ele, com simplicidade, pede-lhe de beber. É um pedido que vai contra os costumes do tempo: um homem não se dirige diretamente a uma mulher, especialmente se se trata de uma desconhecida. Para além disso, entre Judeus e Samaritanos há divisões e preconceitos religiosos: Jesus é judeu, a mulher é samaritana. As rivalidades e até o ódio entre os dois povos têm raízes profundas, com origens históricas e políticas.

Depois, há entre os dois uma outra barreira, de tipo moral: a samaritana teve vários maridos, e agora vive numa situação irregular. Será talvez por essa razão que ela não vem buscar água na companhia das outras mulheres, de manhã ou ao final da tarde, mas sim a uma hora insólita como esta: ao meio-dia. Provavelmente para evitar comentários.

Jesus não se deixa condicionar por qualquer tipo de barreira e abre o diálogo com esta estranha. Ele quer entrar no seu coração, e por isso pede-lhe: 

“Dá-me de beber” 

domingo, 25 de janeiro de 2015

Papa no Angelus: "Que coisa feia que os cristãos estejam divididos! O diabo é aquele que sempre divide".


ANGELUS
Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 25 de janeiro de 2015
  
Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Evangelho de hoje apresenta o início da pregação de Jesus na Galiléia. São Marcos sublinha que Jesus começou a pregar: "depois que João [Batista] foi preso" (1,14). Precisamente quando a voz profética do Batizador, que anunciava a vinda do Reino de Deus, é silenciada por Herodes, Jesus começa a percorrer as estradas da sua terra para levar a todos, especialmente aos pobres, ‘o Evangelho de Deus’(ibid.). O anúncio de Jesus é semelhante ao de João, com a diferença substancial que Jesus não indica outro que deve vir: Jesus é o próprio cumprimento das promessas; Ele é a "boa notícia" a acreditar, a acolher e comunicar aos homens e às mulheres de todos os tempos, para que também eles confiem a Ele a sua existência. Jesus Cristo em pessoa é a Palavra viva e eficaz na história: quem o ouve e segue entra no Reino de Deus.

Jesus é o cumprimento das promessas divinas, porque é Aquele que dá ao homem o Espírito Santo, a "água viva" que sacia o nosso coração inquieto, sedento de vida, de amor, de liberdade, de paz: sedento de Deus. Quantas vezes sentimos o nosso coração com sede! Ele mesmo se revelou à mulher samaritana, encontrada no poço de Jacó, para quem disse: "Dá-me de beber" (João 4,7). Precisamente estas palavras de Cristo, dirigidas à samaritana, foram o tema da anual Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que termina hoje.

Hoje à noite, com os fiéis da diocese de Roma e representantes das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais, nos reuniremos na Basílica de São Paulo Fora dos Muros para rezar intensamente ao Senhor para que fortaleça o nosso compromisso com a plena unidade de todos os cristãos. Que coisa feia que os cristãos estejam divididos! Jesus nos quer unidos: um só corpo. Nossos pecados, nossa história, nos dividiram, e por isso temos de rezar muito, para que o Espírito Santo nos uma novamente.

Deus tornando-se homem, fez sua a nossa sede, não só de água material, mas, sobretudo, a sede de uma vida plena, livre da escravidão do mal e da morte. Ao mesmo tempo, com a sua encarnação Deus colocou a sua sede - porque Deus também tem sede - no coração de um homem: Jesus de Nazaré. Deus tem sede de nós, do nosso coração, do nosso amor, e colocou essa sede no coração de Jesus. Assim, no coração de Cristo se encontram a sede humana e a sede divina. E o desejo de unidade dos seus discípulos pertence a esta sede. Encontramos isso frequentemente na oração ao Pai antes da Paixão: "Para que todos sejam um" (Jo 17,21). O que queria Jesus: a unidade de todos! O diabo – nós sabemos - é o pai das divisões, é aquele que sempre divide, que sempre faz guerra, faz muito mal.

Que esta sede de Jesus torne-se cada vez mais, a nossa sede! Continuemos, portanto, a rezar e a nos comprometer pela plena unidade dos discípulos de Cristo, na certeza de que Ele mesmo está ao nosso lado e nos sustenta com a força do seu Espírito, para que tal objetivo se aproxime. E confiamos esta nossa oração à materna intercessão da Virgem Maria, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja.

Homilia do Papa na Solenidade da Conversão de São Paulo: "Estamos todos ao serviço do único e mesmo Evangelho".

Festa da Conversão de São Paulo Apóstolo
Conclusão da Semana de Oração 
pela Unidade dos Cristãos
HOMILIA
Basílica de São Paulo Fora dos Muros
Domingo, 25 de janeiro de 2015


Na sua viagem da Judeia para a Galileia, Jesus passa através da Samaria. Não tem dificuldade em encontrar os samaritanos considerados hereges, cismáticos, separados dos judeus. A sua atitude diz-nos que o confronto com quem é diferente de nós pode fazer-nos crescer.

Jesus, cansado da viagem, não hesita em pedir de beber à mulher samaritana. Mas a sua sede estende-se muito para além da água física: é também sede de encontro, desejo de abrir diálogo com aquela mulher, oferecendo-lhe assim a possibilidade de um caminho de conversão interior. Jesus é paciente, respeita a pessoa que tem à sua frente, revela-Se-lhe progressivamente. O seu exemplo encoraja a procurar um confronto sereno com o outro. As pessoas, para se compreenderem e crescerem na caridade e na verdade, precisam de se deter, acolher e escutar. Desta forma, começa-se já a experimentar a unidade.

A mulher de Sicar interpela Jesus sobre o verdadeiro lugar da adoração a Deus. Jesus não toma partido em favor do monte nem do templo, mas vai ao essencial derrubando todo o muro de separação. Remete para a verdade da adoração: «Deus é espírito; por isso, os que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade» (Jo 4, 24). É possível superar muitas controvérsias entre cristãos, herdadas do passado, pondo de lado qualquer atitude polémica ou apologética e procurando, juntos, individuar em profundidade aquilo que nos une, ou seja, a chamada a participar no mistério de amor do Pai, que nos foi revelado pelo Filho através do Espírito Santo. A unidade dos cristãos não será o fruto de sofisticadas discussões teóricas, onde cada um tenta convencer o outro da justeza das suas opiniões. Temos de reconhecer que, para se chegar à profundeza do mistério de Deus, precisamos uns dos outros, encontrando-nos e confrontando-nos sob a guia do Espírito Santo, que harmoniza as diversidades e supera os conflitos.

Súmula das Doutrinas Protestantes


Protestantismo representa hoje uma realidade assaz complexa, ou seja, o bloco de aproximadamente 200.000.000 de cristãos que não pertencem nem à Igreja tradicional, cuja Cabeça visível reside em Roma, nem à facção oriental (em parte dita ortodoxa, em parte nestoriana, monofisita; cf. «P. R.» 10/1958, qu. 10), facção que se separou do tronco primordial em etapas sucessivas desde o séc. V até o séc. XI.

O iniciador do movimento protestante é Martinho Lutero, que, a partir de 1517, pretendeu reformar o credo e as instituições cristãs, e por isto se afastou da Igreja, dando início ao Luteranismo. Ao lado deste, enumeram-se o Calvinismo (que absorveu o Zwinglianismo ou a reforma de Zwingli em Zürich, Suíça), movimento afim ao de Lutero, empreendido por Calvino em Genebra, Suíça, e o Anglicanismo, reforma congênere oriunda na Inglaterra. Estas três denominações (Luteranismo, Calvinismo e Anglicanismo) representam o que se pode chamar «Igrejas protestantes tradicionais», todas iniciadas no séc. XVI (os Anglicanos nem sempre aceitam a designação de «protestantes», embora, por seus princípios doutrinários, se filiem ao Protestantismo).

Das três Igrejas protestantes derivaram-se centenas de sociedades menores, que não mais recebem o nome de Igrejas, mas o de seitas, visto serem movidas por espírito diverso do das Igrejas; são reformas da reforma, dissidências da dissidência: metodistas, batistas, congregacionais, quakers, etc. (sobre a distinção entre a Igreja e seita, veja «P. R.» 6/1957, qu. 8).

Esses múltiplos grupos protestantes autônomos professam credos diferentes, chegando alguns a negar a própria Divindade de Cristo; o liberalismo doutrinário predomina entre eles. Contudo podem-se enunciar três grandes teses como características dos diversos tipos de Protestantismo: 1) a justificação pela fé sem as obras; 2) a Bíblia como única fonte de fé, interpretada segundo o «livre exame»; 3) a negação de intermediários entre Deus e o crente.

sábado, 24 de janeiro de 2015

São Paulo, Apóstolo - 25 de janeiro


A vocação é um dom concedido liberalmente por Deus. E, por vezes, compraz-se o Senhor em chamar alguém aparentemente contrário à missão para a qual Ele o destina, a fim de manifestar com maior fulgor o poder de Sua Graça e a gratuidade do Seu chamado. Nesses casos, apesar dos aparentes paradoxos e à revelia do próprio interessado, cujas aspirações parecem entrar em choque com os desígnios Divinos, o Senhor vai preparando os caminhos, servindo-Se até dos próprios obstáculos para fazer cumprir sua Santa Vontade.

Jovem fariseu de Tarso

Nada parecia indicar que aquele jovenzinho de rosto vivo e inteligente, de nome Saulo, viesse a transformar-se num intrépido defensor de Jesus Cristo. Nascido em Tarso, na Cilícia, no seio de uma família judaica, o pequeno Saulo esteve, desde muito cedo, sujeito a duas fortes influências que pesariam grandemente na formação de seu caráter.

De um lado, as convicções religiosas que aprendera de seus pais não tardaram em fazer dele um autêntico fariseu, apegado às tradições, anelante pela chegada de um Messias vitorioso e libertador do povo eleito, então submetido ao jugo estrangeiro, e zeloso cumpridor da Lei até em suas mínimas prescrições.

De outro lado, o ambiente de sua cidade natal marcou profundamente a personalidade do jovem fariseu. Tarso - metrópole grega, súdita do Império Romano - tornara-se, por sua localização privilegiada, um dos centros de comércio mais importantes daquele tempo. Regurgitava de gente, proveniente das nações mais diversas, cujas línguas e costumes misturavam-se sob o fator preponderante da cultura helênica. A Providência começava a preparar o jovem fariseu para sua futura missão de Apóstolo das Gentes.

Discípulo de Gamaliel

Apenas saído da adolescência, Saulo abandonou sua pátria para instalar-se na cidade-berço da religião de seus antepassados: Jerusalém. Ali tornou-se assíduo estudioso das Escrituras, instruído pelo douto Gamaliel, um dos mais destacados membros do Sinédrio. Também aqui podemos notar a mão de Deus intervindo em sua vida, pois o conhecimento dos Livros Sagrados, que adquiriu ao longo desses anos, servir-lhe-ia mais tarde para abrir seus horizontes a respeito da realidade messiânica de Jesus Cristo.

Entretanto, se Saulo progredia a passos rápidos nas doutrinas farisaicas, sob o olhar vigilante de Gamaliel, em nada pareceu assimilar a prudência que caracterizava seu mestre, sempre cauto em seus juízos e comedido nas apreciações. Pelo contrário, o jovem aluno dava mostras de um exaltado fanatismo religioso, como ele mesmo confessaria em sua epístola aos Gálatas: "Avantajava-me no judaísmo a muitos dos meus companheiros de idade e nação, extremamente zeloso das tradições de meus pais" (Gl 1, 14).

No interior do discípulo de Gamaliel latejava um coração sincero, à procura da verdade. Buscava-a ardorosamente, desejoso de alcançar o pleno conhecimento dela. Não sabia que o termo desses seus anseios encontravase nAquele que, de Si mesmo, dissera: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim" (Jo 14, 6).

Sim, Saulo não poderia chegar ao Pai, Suprema Verdade, sem passar por Jesus, o Mediador entre Deus e os homens. A afirmação proferida pelo Divino Mestre, momentos antes de Sua Paixão, ele a veria cumprir-se em sua vida, ainda que contra a sua vontade e apesar de suas relutâncias. E a ocasião se haveria de apresentar justamente quando as convicções de Saulo, chocadas ante o Cristianismo que surgia, haviam-se convertido em ódio profundo contra este.

Mensagem do Papa para 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais


MENSAGEM
Mensagem do Papa Francisco para o
49º Dia Mundial das Comunicações Sociais
Sexta-feira, 23 de janeiro de 2015


«Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor»


O tema da família encontra-se no centro duma profunda reflexão eclesial e dum processo sinodal que prevê dois Sínodos, um extraordinário – acabado de celebrar – e outro ordinário, convocado para o próximo mês de Outubro. Neste contexto, considerei oportuno que o tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais tivesse como ponto de referência a família. Aliás, a família é o primeiro lugar onde aprendemos a comunicar. Voltar a este momento originário pode-nos ajudar quer a tornar mais autêntica e humana a comunicação, quer a ver a família dum novo ponto de vista.

Podemos deixar-nos inspirar pelo ícone evangélico da visita de Maria a Isabel (Lc 1, 39-56). «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”» (vv. 41-42).

Este episódio mostra-nos, antes de mais nada, a comunicação como um diálogo que tece com a linguagem do corpo. Com efeito, a primeira resposta à saudação de Maria é dada pelo menino, que salta de alegria no ventre de Isabel. Exultar pela alegria do encontro é, em certo sentido, o arquétipo e o símbolo de qualquer outra comunicação, que aprendemos ainda antes de chegar ao mundo. O ventre que nos abriga é a primeira «escola» de comunicação, feita de escuta e contacto corporal, onde começamos a familiarizar-nos com o mundo exterior num ambiente protegido e ao som tranquilizador do pulsar do coração da mãe. Este encontro entre dois seres simultaneamente tão íntimos e ainda tão alheios um ao outro, um encontro cheio de promessas, é a nossa primeira experiência de comunicação. E é uma experiência que nos irmana a todos, pois cada um de nós nasceu de uma mãe.

Mesmo depois de termos chegado ao mundo, em certo sentido permanecemos num «ventre», que é a família. Um ventre feito de pessoas diferentes, interrelacionando-se: a família é «o espaço onde se aprende a conviver na diferença» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 66). Diferenças de géneros e de gerações, que comunicam, antes de mais nada, acolhendo-se mutuamente, porque existe um vínculo entre elas. E quanto mais amplo for o leque destas relações, tanto mais diversas são as idades e mais rico é o nosso ambiente de vida. O vínculo está na base da palavra, e esta, por sua vez, revigora o vínculo. Nós não inventamos as palavras: podemos usá-las, porque as recebemos. É em família que se aprende a falar na «língua materna», ou seja, a língua dos nossos antepassados (cf. 2 Mac 7, 21.27). Em família, apercebemo-nos de que outros nos precederam, nos colocaram em condições de poder existir e, por nossa vez, gerar vida e fazer algo de bom e belo. Podemos dar, porque recebemos; e este circuito virtuoso está no coração da capacidade da família de ser comunicada e de comunicar; e, mais em geral, é o paradigma de toda a comunicação.