sábado, 30 de julho de 2011

Indulgência Plenária - O Perdão de Assis


Antes de tudo, vamos explicar o que é indulgência para depois falarmos da Indulgência Plenária do Perdão de Assis:

No catolicismo, as indulgências são concedidas para perdoar as penas temporais causadas pelo pecado, ou seja, para reparar o mal causado como consequência do pecado, através de boas obras, sendo que o pecado já foi perdoado pelo Sacramento da Confissão. Há um equívoco comum que indulgências seria o perdão dos pecados, contudo, elas só perdoam a pena temporal causada pelo pecado. Uma pessoa continua a ser obrigada a ter os seus pecados isentos por um sacerdote para receber a salvação. 

A Igreja Católica considera a indulgência semelhante ao "ladrão, que conseguindo o perdão daquele que foi roubado, deve restituir o dono com o dinheiro equivalente ao que foi extorquido". "Outro exemplo é o da tábua com pregos: nossa vida, comparada a uma tábua, tem nos pregos os pecados, que são retirados no sacramento da Penitência, restando, todavia, os furos, os buracos, que precisam ser tapados por boas obras (mortificação procurada, penitência imposta, e penas da vida)."


As indulgências removem, assim, algumas ou todas estas penalidades devidas pelos pecados dos fiéis; e pode ser feita em favor de si mesmo ou em favor de um defunto que está a ser purificado no Purgatório pelas suas penas temporais, dependendo da obra de indulgência. Ir ao cemitério rezar pelos falecidos, por exemplo, concede indulgência aplicável apenas a almas no purgatório.

O perdão total da pena temporal é a chamada Indulgência plenária, as demais são indulgências parciais. As indulgências parciais possuem um certo número de dias, significando que, se o fiel receber uma indulgência de 300 dias, deverá praticar uma boa obra, nas condições indicadas durante 300 dias, como por exemplo, ter jejuado a pão e água ou ajudar os pobres, porém segundo o catolicismo, "o que vale numa indulgência ou penitência não é a quantidade de dias de sacrifício ou jejum, mas o amor a Deus com que se faz algo".

Em resposta às sugestões feitas ao Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI, esclareceu substancialmente a aplicação prática das indulgências, escrevendo: "Indulgências não podem ser adquiridas sem uma sincera conversão de perspectivas e de unidade com Deus."

O PERDÃO DE ASSIS


São Francisco de Assis, em 1216 teve uma visão:

O próprio Jesus lhe apareceu, acompanhado de sua Santa Mãe e lhe pedia: Francisco, vai até o meu representante, o Papa e peça a ele esta graça: que todos os que visitarem a capela da Porciúncula ( capela dedicada a Nossa Senhora dos Anjos), estando em dia com os sacramentos da Confissão e Eucaristia, e professando a Fé dos Apóstolos, possam receber o perdão completo de todas as penas dos pecados até então cometidos.

O papa achou inusitado o pedido de Francisco, mas conhecendo a sua santidade, concedeu este favor, que depois foi estendido a toda as igrejas franciscanas e agora para todas as matrizes paroquiais. 

Esta indulgência é concedida a todos os fiéis que comparecem nessas igrejas, recebendo o perdão da Confissão e a Eucaristia, rezando a Profissão de Fé e as orações do Pai Nosso - Ave Maria e Glória, nas intenções do Santo Padre.

A Indulgência da Porciúncula somente era concedida a quem visitasse a Igreja de Santa Maria dos Anjos, entre à tarde do dia 1 agosto e o pôr-do-sol do dia 2 agosto. Em 9 de julho de 1910, o Papa Pio X concedeu autorização aos bispos de todo o mundo, só naquele ano de 1910, para que designassem qualquer Igreja Pública de suas Dioceses, a fim de que também nelas, as pessoas recebessem a Indulgência da Porciúncula. (Acta Apostolicae Sedis, II, 1910, 443 sq.; Acta Ord. Frat. Min., XXIX, 1910, 226). 


Por último, este privilégio foi renovado por um tempo indefinido por decreto da Sagrada Congregação de Indulgências, em 26 março de 1911 (Acta Apostolicae Sedis, III, 1911, 233-4). Significa dizer, que atualmente, qualquer Igreja Católica de qualquer país, tem o benefício da Indulgência que São Francisco conseguiu de Jesus para toda humanidade. 

Assim ganharão a Indulgência, todas as pessoas que estando em "estado de graça", visitarem uma Igreja nos dias mencionados, rezarem um Credo, um Pai-Nosso e um Glória, suplicando ao Criador o benefício da indulgência, e rezando também, um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um glória, pelas intenções do Santo Padre o Papa Bento XVI. Poderão utilizar a Indulgência em seu próprio benefício, ou em favor de pessoas falecidas ou daquelas que necessitam de serem ajudadas na conversão do coração.

Por outro lado, a Indulgência é "toties quoties", quer dizer, pode ser recebida tantas vezes quanto à pessoa desejar (em cada ano, fazendo visitas a diversas Igrejas das 12 horas do dia 1º de Agosto até o entardecer do dia 2 de Agosto ). 


Sem dúvida, foi um precioso presente que São Francisco intercedeu junto ao Senhor, em favor de todos os corações de boa vontade que amam a Deus e almejam, com o benefício da indulgência, poderem cumprir dignamente a sua missão existencial em direção ao Criador.
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Disponível em: Orações / Wikipédia

sexta-feira, 29 de julho de 2011

CONVOCAÇÃO PARA A XXII ASSEMBLÉIA ARQUIDIOCESANA DE PASTORAL



ARQUIDIOCESE DE SÃO LUIS DO MARANHÃO
400 ANOS DE ANÚNCIO DO EVANGELHO

“Como o Pai me enviou Eu também vos envio” (Jo 20, 21)
 
Tema: “Sob a luz de Cristo, celebrando quatro séculos de missão no Maranhão, somos chamados a renovar a Evangelização”.

“Para cumprir sua missão, a Igreja, impulsionada pelo Espírito Santo, acolhe, reza a Palavra que salva, escuta os sinais dos tempos, revê práticas pastorais e discerne objetivos e caminhos.” Assim nos diz a apresentação das “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, para 2011-2015. Motivados por essas idéias nos propomos a realizar a nossa XXIIa Assembléia Arquidiocesana de Pastoral. Somos todos convocados, bispos, padres, religiosos e leigos para louvar o Senhor pelo caminhar de 400 anos de esforço pelo anúncio do Evangelho; a escutar os apelos urgentes de nosso povo hoje e ousar propor metas e apontar corajosamente para uma direção que reúna nossos anseios e esperanças e nos anime a somar as forças das nossas pastorais, para assim nos transformarmos em Igreja discípula, missionária e profética. Estudaremos as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para 2011 a 2015. Vamos aproximá-las da realidade da Igreja no Maranhão.

Data: 29 a 31 de julho de 2011 Local: Oásis As inscrições serão feitas na chegada ao Oásis.
Contribuição individual de R$ 70,00 reais. Horário: início às 15h do dia 29/07 – término às 12h do dia 31/07

Estão convocados: - Os Bispos –Todos os Padres – 1 leigo de cada paróquia – 10 Religiosos escolhidos pela CRB diocesana. – 1 representante de cada pastoral, organismo, movimento e comissão. – 1 representante dos candidatos ao diaconato permanente e dos ministros da Palavra. – Os estudantes do último ano de teologia. 1 Jovem pela Pastoral da Juventude. - Cinco Jovens pelo setor juventude.
Nossos assessores serão o Pe. José Adalberto Vanzella, que nos apresentará as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para 2011 a 2015; e o Pe. Pirmin Spiegel que falará sobre a mística e a missão nas Santas Missões Populares. Teremos dois estudos em sete grupos que serão formados por foranias, por coordenações pastorais, por movimentos, por organismos, por serviços ministeriais e pelos jovens.
Como na avaliação da Assembléia passada foi constatado que enviar um questionário para preparar a assembléia no quesito VER, não funciona, solicitamos que se faça uma leitura do Capítulo I “A realidade que nos interpela”, páginas 5, 6 e 7 do número especial de “Notícias da Arquidiocese” Diretrizes Pastorais da Igreja de São Luís, 2008-2010, e a partir dessa leitura se responda: “Que outros elementos podem ser acrescentados que estão marcando nossa realidade?”
O número 124 das Diretrizes Gerais (DGAE), nos lembra que: “Todo processo precisa ser preparado. Uma ação que não tiver um antes não terá um depois. Para desencadear um processo de planejamento pastoral, sua preparação começa pela sensibilização dos membros da comunidade eclesial sobre a importância da participação de todos...”

Atenciosamente,
Dom José Carlos Chacorowski,CM
Pela equipe de coordenação.

terça-feira, 26 de julho de 2011

DEDICAÇÃO DA IGREJA (Parte 3) - Significado


Nesta sexta-feira, 29 de julho, às 17h, a nossa paróquia irá celebrar uma grande festa: o aniversário de 10 anos de Dedicação da Igreja Matriz Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. na qual você é o/a nosso/a convidado/a especial. A celebração foi feita solenemente no ano de 2001 quando Frei Inocêncio Pacchioni ainda era o pároco desta paróquia, foi presidida por Dom Paulo Eduardo Andrade Ponte, que na época era o Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de São Luís, e concelebrada por vários padres de diversas paróquias que se fizeram presente. A unção do Altar, as 12 cruzes representando os 12 apóstolos sobre os quais a Igreja está fundada, a aspersão da água benta... enfim, foi uma grande festa celebrada às 19h e contou com  numerosa participação da assembléia. Nesta sexta-feira toda a Paróquia estará presente na Igreja Matriz para celebrar esta grande festa e conta com a sua presença. Mas, afinal, qual o significado da dedicação de uma Igreja, sua importância e o que de diferente traz para nós? Nesta terceira parte iremos explicar para você o real significado da dedicação de uma Igreja:

Celebra-se anualmente o aniversário da consagração ou bênção da Igreja, sob o nome de “DEDICAÇÃO DA IGREJA”. Como Salomão, por ordem de Deus, consagrara, solenemente o Templo em Jerusalém, assim a Santa Igreja, com belas e comoventes cerimônias, dedica e consagra os seus templos, antes de os entregar ao culto publico.

Com esta consagração, torna-se sagrado o lugar ou edifício que fica reservado exclusivamente aos atos do culto divino; usá-los para outros fins, não religiosos, seria uma profanação e até um sacrilégio. Se já os antigos respeitavam os templos, que erigiam aos seus deuses falsos, quanto mais nós, cristãos, devemos tratar respeitosa e santamente os templos e as igrejas que são destinados ao culto de Deus e à celebração dos misterios divinos! “À casa de Deus, se deve santidade”, afirma o profeta.


Costuma a Igreja consagrar ou benzer solennemente os edifícios destinados ao culto público e assim, imprimir-lhes um caráter de santidade. Cometendo-se num tal lugar um pecado grave, comete-se um sacrilégio. Derramando-se, criminosamente sangue humano dentro de uma Igreja consagrada ou solenemente benta, ou perpetrando-se nela um homicídio ou empregando-a para uso vil e indecoroso, ficará a Igreja violada, necessitando de reconciliação, sem a qual não se pode celebrar nela ato algum religioso.

Daí se vê como a igreja vela pela santidade desses lugares destinados ao culto divino. Acompanhemo-la nestes sentimentos. Entremos na igreja com sumo respeito, lembrando-nos sempre, de que, estando nela, estamos em lugar santo. Respeito, veneração e adoração dominem nosso interior e exterior.

Quem viaja pelo interior, mesmo de trem, vê pequenas capelas com a inscrição: CASA DE ORAÇÃO. São capelas protestantes. Não podem dizer coisa melhor das suas capelas, do que chamá-las: "Casa de Oração”. Da mesma forma, costuma-se encontrar em algumas famílias, um oratório, num pequeno quarto, reservado para preces, ao qual muito bem poderíamos dar o mesmo nome: "Casa ou sala de oração”.


Mas as nossas igrejas, não possuem outra unção, outra santidade e têm de fato outra denominação, que só elas podem usar: “Casa de Deus!”. Sim, nossas igrejas, são mais que um salão, onde os fiéis se reúnem para rezar, cantar e ouvir sermões ou escutar a leitura do Evangelho. Nossas igrejas são de fato, realmente a habitação de Deus. São a sua morada, seu tabernáculo, sua casa.

Os anjos, avistando uma igreja católica, dizem: “Ecce tabernaculum Dei cum hominibus!”  que significa: "Eis o tabernáculo de Deus entre os homens!" Em nossa igreja Deus habita em pessoas, Jesus reside nela, não só de passagem, nem somente nas grandes solenidades, mas sempre, dia e noite. Ele está presente com corpo e alma, humanidade e divindade. A igreja é, de fato, a sua casa, a sua habitação.Os templos católicos são “Casa de Deus e Porta do Céu”.


Oh! Com quanta satisfação avistamos as nossas igrejas!
Como somos rico, riquíssimos! Deus habita entre nós!!!
 
Devemos ir à igreja, muito mais alegremente do que os judeus acorriam ao Templo. Pois este com toda sua grandeza, arte e riqueza, não possuía um tesouro tão rico como nós. Em nossas igrejas habita Deus em pessoa. Por isso a minh’alma exulta, quando posso entrar em uma igreja, meu coração palpita de alegria e contentamento, quando me aproximo do altar, pois me aproximo de Deus, que desde a minha juventude me encheu a alma de doçura espiritual. Sim, minh’alma anseia por entrar e se demorar na casa de meu Deus.

A igreja é o palácio do grande Rei, nosso Deus, onde é dada audiência aos fiéis. Na igreja, recebo a graça das graças, Jesus, na Santa Comunhão! O templo católico é o teatro das maiores maravilhas da bondade de Deus. É o teatro das mais belas e mais importantes emoções da minha alma. Com razão posso cantar:  


“Bendito seja o santuário,/Em que achei consolação
Meu bom Jesus , o teu sacrário/A paz me trouxe ao coração.

Ó Jesus, a minh’alma exulta quando posso achegar-me a vós, e, receber-vos na Santa Comunhão. Será, portanto a minha delícia visitar-vos no Sacrário, adorar-vos na santa Hóstia e abrigar-vos em meu coração.

Vendo a vossa igreja, a minh’alma exulta, porque vendo a vossa igreja, imensos desejos me invadem a alma, desejos de vos receber na santa Comunhão. Alimente e aumente estes santos desejos, para que eu, atraído pelo vosso amor, corra a hospedar-vos em meu peito.

Jesus, minha vida, consolo em meu pranto
Meu único encanto!
Eu quero em teu peito ter doce morada.


Por isso é importante observar na igreja silêncio absoluto e rigoroso respeito. As comunhões desta semana quero oferecer a Jesus em reparação das irreverências cometidas nas igrejas.


OBS.: Algumas alterações (correções, adições e omissões) foram feitas no texto para que ficasse melhor compreensivo. Traduzido do português de Portugal.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

É ESFORÇO, ESPERTEZA OU DOM?


Com grande sabedoria o Concílio encorajou a Igreja a estabelecer diálogo com o mundo moderno, e com as grandes religiões. Houve enormes tentativas. Mas até parece que, quanto maiores os esforços, menores os resultados. Vejamos só o gigantesco esforço desse homem aberto, que foi João Paulo II. Diante de erros históricos, cometidos por homens da Igreja, como o processo de Galileu, a inquisição espanhola, certas guerras de religião, o Papa pediu desculpas diante do mundo. Alguém perdoou?
Parece que não. Doze anos depois os ataques continuam, quase do mesmo jeito. É tão vantajoso bater em alguém que não tem a mínima condição de retribuir...Se todos seguissem o maravilhoso exemplo do Papa, como o mundo seria diferente. Não ficariam, travadas na garganta, as vozes de vingança, prestes a explodir. “Perdoai os vossos inimigos”, dizia Jesus. Isso daria condições de zerar os nossos conflitos, e recomeçar.

No campo ecumênico as tristezas são maiores do que as alegrias. Cinqüenta anos depois do Concílio, continuamos marcando passo. Houve uns pequenos consolos, algumas aproximações positivas. Mas além disso, somos parecidos com os corredores da fórmula um, cujo veículo, uma vez caído na caixa de brita, não sai mais do lugar. Os Anglicanos, algum dia, vão acertar os passos com os Católicos? Humanamente falando, jamais. Os Ortodoxos e os Católicos vão abandonar as suas agruras históricas, e procurar se acertar? Esqueçam. É inútil lembrar os Uniatas, que reconhecem o Papa. Parece que não passarão da situação atual.

Desnecessário lembrar os Albigenses. É da natureza humana adorar uma boa briga, e dar o troco por desaforos sofridos. Se depender do esforço de pessoas boas, ou até das espertezas e diplomacias humanas, estaremos desunidos para sempre (e com chance de aumentar a desunião). Mas o Eterno guarda uma carta na manga. Um dia mais, ou um dia menos, o Pai das Misericórdias nos concederá a unidade como um dom gratuito. O melhor que podemos fazer não é “dialogar”. Mas rezar. Pela humilde oração podemos antecipar os tempos. O que Jesus previu irá se cumprir: “haverá um só rebanho e um só Pastor” (Jo 10, 16). 

Fonte: Comunidade "SOU DA PARÓQUIA DA COHAB", no Orkut: http://bitw.in/Kqy
e, www.cnbb.org.br

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dedicação da Igreja (Parte II): Rito


"Esta é tua casa, Senhor, o lugar onde habitarás para sempre" (1Rs 8,13).
 
A Igreja, desde que construída como edifício destinado unicamente e de modo estável a reunir o povo de Deus e a realizar os atos sagrados, torna-se casa de Deus. Por isso, de acordo com antiquíssimo costume da Igreja, convém que seja dedicada ao Senhor mediante rito solene. Quando a igreja é dedicada, tudo o que nela se encontra , fonte batismal, cruz, imagens, órgão, sinos, estações da “via-sacra”, deve considerar-se abençoado e erigido com o próprio rito da dedicação, não sendo precisa nova bênção ou ereção. Toda igreja dedicada deve ter um Titular.
Convém se mantenha a tradição da Liturgia Romana de encerrar sob o altar relíquias dos Mártires ou de outros Santos. Note-se que sejam partes dos corpos e que de tamanho tal que isso seja notado e que sejam postas sob a mesa do altar.

A liturgia de dedicação principia com as I Vésperas no dia anterior, quando havendo relíquias são apresentadas para veneração pública. Se existem relíquias, é muito conveniente que seja celebrada uma vigília com as mesmas. Tais cerimonias se fazem em uma capela ou outro local fora da Igreja a ser dedicada.

Preparativos

Deve-se preparar:
a) no local onde sai a procissão:
  • Pontifical Romano
  • Missal Romano
  • Paramentos para todos (lembremo-nos das vimpas)
  • Insígnias para o bispo (especialmente nesta ocasião seria conveniente que usasse dalmática)
  • Cruz processional (sem velas)
caso se transportem relíquias, prepara-se ainda:
  • cofre com as relíquias, ladeado de flores e tochas
  • para os diáconos que vão transportá-las salva, estola e dalmáticas vermelhas, se os que carregam forem padres, estola e casula vermelhas. Se não forem mártires os mesmos paramentos, mas brancos.
b) No presbitério da igreja a ser dedicada:
  • Missal Romano
  • Lecionário
  • Caldeirinha com água e hissopo
  • Santo Crisma
  • Toalhas para limpar a mesa do altar
  • Toalha impermeável e 1 ou 2 outras toalhas para o altar
  • cruz e sete velas (ou no mínimo 2) para o altar
  • Lavabo e manustérgio para lavar as mãos do Bispo
  • (Sabonete e limão para lavar as mãos, tirando o óleo e o cheiro característico do Santo Crisma)
  • gremial e manícoto
  • pequeno fogareiro
  • pão, vinho e água para a celebração da missa
  • flores para enfeitar o altar
  • uma vela pequena que o bispo há de entregar ao diácono
  • véu-umeral, caso também se inaugure a capela do santíssimo sacramento ou o sacrário
Início

O bispo é comodamente recebido, se iniciar-se a celebração em outra igreja, reza como de costume onde se encontra a reserva Eucarística. Se for na própria igreja e não houver ali reserva eucarística, segue da porta para o vestiário.
Para se entrar na Igreja a ser dedicada existem 3 opções: procissão, entrada solene, entrada simples. Dando-se preferência à primeira.

  
Procissão
Em outra Igreja ou local conveniente, onde devem estar as relíquias se existem. O bispo dá início à missa como de costume: "Em nome do Pai...", "A paz esteja convosco" como breves palavras introduz o povo ao espírito da celebração e, em seguida, inicia a procissão. Não se usa velas nem incenso. Chegando à porta da Igreja, que deve estar fechada, aqueles que cuidaram da construção da igreja entregam ao bispo diocesano as chaves dirigindo a ele e ao povo breves palavras. Em seguida o bispo ordena ao sacerdote, a que compete o múnus pastoral da igreja (pároco ou administrador paroquial) que abra as portas. estando abertas as postar, o bispo convida o povo a entrar processionalmente: "Entrai pelas portas do Senhor...". Todos entram enquanto canta-se "Ó portas levantai vossos frontões. O bispo entra, sem beijar o altar e vai direto à cátedra onde dá continuidade à celebração. Se houver relíquias são depositadas no presbitério em lugar conveniente. rodeadas pelas tochas.
Entrada Solene

Os fiéis reúnem-se à porta da igreja que vai ser dedicada. As relíquias já terão sido depositadas no presbitério previamente. O bispo inicia a celebração à porta. Seria muito conveniente que esta estivesse fechada e que a procissão fosse a frete da igreja por outro caminho, caso isso seja demasiadamente difícil, os ministros podem sair pela porta da igreja, que permanece já aberta.
Inicia-se normalmente. Um dos encarregados da construção da igreja entrega as chaves ao bispo, se as portas estavam fechadas, abrem-se. O bispo convida todos a entrarem na igreja, como quando se faz a procissão.
Entrada Simples


Estando os fiéis reunidos já na Igreja, o bispo e os ministros dirigem-se para o presbitério habitualmente. As relíquias sã levadas na própria procissão de entrada. O bispo sem beijar ou incensar o altar dá início a celebração, em seguida são-lhe entregues as chaves da igreja como nos ritos acima.
Bênção da Água e Aspersão


Terminada a entrada, o bispo sem incensar o altar e sem beijá-lo vai para a Cátedra, permanecendo de pé. Então, quando todos estiverem nos seus lugares, dá início à bênção da água. Finda a bênção, o bispo assistido por diáconos, percorre a nave da igreja aspergindo o povo e as paredes. De regresso ao presbitério, asperge o altar. Em seguida canta-se o hino: "Glória a Deus nas alturas". Em seguida o bispo diz "Oremos" e profere a Oração do Dia.
Liturgia da Palavra

O bispo senta-se como de costume. Antes, porém, do inicio das leituras, os dois leitores e o salmista vão até o bispo segurando o lecionário que tomaram da credência. Entregam-no ao bispo que mostra ao povo, permanecendo na cátedra: "A Palavra de Deus ressoe sempre...". Os leitores e o salmista dirigem-se para o ambão levando o evangeliário de modo que todos vejam. Usam-se leituras próprias que se encontram no Lecionário do Pontifical Romano Findas as leituras, proclama-se o evangelho como de costume. Não se usa, porém, incenso nem velas. O diácono pede a bênção ao bispo, pega o evangeliário que está sobre o altar desnudo e dirige-se para o ambão.
Durante a homilia, que o bispo faz comodamente da Cátedra, ressalta a dignidade da casa de Deus que é a igreja, do respeito que se deve ter com ela e do significado do rito da Dedicação.
Terminada a homilia, todos dizem ou cantam o Creio.
 
Ladainha

Após a liturgia da palavra, o bispo convida o povo a orar: "Meus irmãos e minhas irmãs, oremos a Deus..." Em seguida, fora do tempo pascal e domingos, um diácono diz: Ajoelhemo-nos. E todos se ajoelham. Para o bispo seria conveniente um faldistório. No tempo pascal e domingos, todos permanecem de pé. Canta-se, então a Ladainha de Todos os Santos, inserido-se na parte adequada, o titular da igreja, dos santos cujas relíquias forem depositadas e o padroeiro do local. terminada a ladainha, o bispo, de pé, de mãos estendidas recita: "Senhor, aceitai com clemência". Se estiverem ajoelhamos o diácono, ao final diz: "Levantai-vos".
Deposição das Relíquias

Depois, se houver relíquias de santos, são depositadas sob o altar. O bispo dirige-se para o altar. Um diácono ou presbítero apresenta as relíquias ao bispo, que as encerra em um sepulcro previamente preparado. Um pedreiro fecha o sepulcro, e o bispo volta à cátedra.


Prece de Dedicação e Unções

Em seguida, de mãos estendidas, da cátedra ou do altar canta ou recita: "Deus Santificador e Guia de vossa Igreja...". Em seguida o bispo tira, se necessário, a casula e põe o gremial. Se não estiver no altar, dirige-se para ele acompanhado pelos diáconos e outros ministros, um deles portando o Santo Crisma.

Então diz: "O altar e a casa" e derrama o Crisma no meio do altar e nos quatro lados do altar.
Depois disso unge as paredes da igreja, marcando as doze ou quatorze cruzes dispostas nas paredes com o sinal da cruz. Nisto pode ser ajudado por dois ou quatro presbíteros, não pelos diáconos.

 
Feitas as unções, o bispo volta para a cátedra, os ministros lavam-lhe as mãos. O bispo depõe o gremial e toma novamente a casula.
Primeira Incensação da nova Igreja


Coloca-se um fogareiro sobre o altar com brasas. O bispo, sem mitra, coloca incenso no fogareiro e benze-o. Ou coloca sobre o altar um punhado de incenso e velas. O bispo coloca incenso no fogareiro e benze-o; ou com uma pequena vela acende o incenso, dizendo: "Suba a nossa oração, Senhor".

Depois o bispo coloca incenso nalguns turíbulos, benze-os e incensa o altar. Em seguida volta para a cátedra, é incensado, sem mitra, e senta-se. Os ministros percorrem a nave da igreja incensando o altar e as paredes. Enquanto isso canta-se.
Iluminação do altar e da igreja


Depois de terminado o canto e a incensação, limpa-se o altar e, se necessário estende-se sobre ele a toalha impermeável e a(s) outra(s). Adorna-se o altar com flores e depõe-se sobre ele os castiçais (7, por se tratar de uma missa estacional) e o crucifixo. 

Depois o diácono aproxima-se do bispo, este lhe entrega-lhe uma pequena vela acesa dizendo: "A luz de Cristo". 


Em seguida o bispo senta-se e o diácono acende as velas do altar e as próximas às cruzes.
Liturgia Eucarística
Diáconos e ministros preparam o altar como de costume. O bispo ao dirigir-se para o altar, antes da apresentação dos dons, beija-o, não se incensa o altar no momento do ofertório. No Cânon Romano (Oração Eucarística I) ou na III, usa-se o prefácio próprio do rito de dedicação da igreja. No Cânon, diz-se "Recebei, ó Pai" próprio, na Oração Eucarística III, insere-se a intercessão própria. A missa encerra-se como de costume. Se houver inauguração da capela do Santíssimo Sacramento, seja feita após a oração depois da comunhão, da seguinte forma:

Inauguração da Capela do Santíssimo Sacramento

O santíssimo permanece no altar após a comunhão, o bispo sem solidéu diz a oração. Então, volta ao altar, coloca incenso no turíbulo e benze-o. Ajoelha-se e incensa o santíssimo. Depois, recebe o véu de ombros e com ele pega a âmbula. Organiza-se a procissão até a capela:
  • Na frente vai o cruciferário, rodeado pelos ceroferários com duas velas
  • Segue-se o clero: diáconos, presbíteros concelebrantes
  • O acólito com o báculo do bispo
  • Dois turiferários com os turíbulos
  • O bispo com o Santíssimo Sacramento
  • Os dois diáconos assistentes
  • Os acólitos com o livro e a mitra
Todos levam velas; em volta do Santíssimo Sacramento, tochas. Durante a procissão canta-se. Chegando a procissão a capela da reposição, o bispo entrega a âmbula ao diácono, este a depõe sobre o alta ou dentro do sacrário mantendo a porta aberta. O bispo de joelhos incensa o Santíssimo Sacramento. Durante certo tempo todos rezam em silêncio. Então, o diácono guarda a âmbula do sacrário, se já não estiver e fecha a porta. Um acólito acende a lâmpada que ficará constantemente acesa indicando a presença do Santíssimo Sacramento. Se a capela ficar em lugar visível aos fiéis que estão na nave da igreja, segue a bênção; se não, volta de maneira habitual para o presbitério e neste o bispo abençoa. Usa-se a fórmula pontifical. O diácono despede o povo e faz-se a procissão final como de costume.

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Fonte: Salvem a Liturgia
Tomamos por base o Cerimonial dos Bispos (VI Parte - Sacramentais; Capítulo IX - dedicação de igreja; 864 - 915).

NOTA DE FALECIMENTO



É com imenso pesar que anunciamos o falecimento de dom frei Henrique Johannpotter ocorrido nesta terça-feira, 19 de julho.
A notícia é da Pascom Arquidiocesana:

Faleceu hoje, 19 de julho, após uma parada cardíaca, no Hospital São Domingos (São Luís - MA) Dom Frei Henrique Johannpotter, ofm,78a.

Dom Henrique foi Bispo da Diocese de Bacabal no período de 1989 a 1997, sendo o segundo Bispo daquela Diocese. Como Bispo Emérito Dom Henrique estava morando na cidade de Bacabal, na congregação dos frades menores.

O seu sepultamento está previsto para amanhã, 20 de julho, na cidade de Bacabal - MA.

A Arquidiocese de São Luís do Maranhão, na pessoa de seu Arcebispo Dom Belisário da Silva e todo o povo de Deus, se solidariza com os irmãos da Diocese de Bacabal, em virtude da perda de Dom Henrique.


Fonte: Pascom Arquidiocesana

sábado, 16 de julho de 2011

DEDICAÇÃO DA IGREJA (Parte 1)

"Esta é tua casa, Senhor, o lugar onde habitarás para sempre" (1Rs 8,13).


          
                 No dia 29 de julho de 2011, a Igreja Matriz da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro celebrará uma grande solenidade: o Aniversário de 10 anos de sua Dedicação, que será celebrada com muita festa pela comunidade paroquial. Em vista disso, apesar da comunidade dos fiéis ter perdido um pouco de vista o real significado desta Solenidade, colocaremos aqui nas próximas semanas o significado de sua Dedicação para que ela, de fato, seja considerada uma Igreja Consagrada ao Senhor.:

 A riqueza simbólica da liturgia de dedicação de uma igreja constitui uma verdadeira catequese que exige ser aprofundada e degustada. Oferecemos ao leitor algumas considerações sobre o significado desse belo cerimonial litúrgico.

Desde os primórdios do Cristianismo, os fiéis se reuniam em assembléia (ecclesiæ) para celebrar a Eucaristia, ministrar os sacramentos e ouvir a pregação da Palavra de Deus. Os lugares de reunião eram habitualmente suas próprias casas, onde utilizavam a sala mais espaçosa para esse fim. Alguns desses locais de culto são mencionados no Novo Testamento.
É certo - afirma o rubricista espanhol, Pe. Joaquín Solans, em seu Manual Litúrgico - que os Apóstolos celebravam os Divinos Mistérios em casas particulares. Nos Atos dos Apóstolos (20, 7-11), conta-se que São Paulo o fez num terceiro andar, adornado com muitas lâmpadas, onde se haviam reunido os fiéis, aos quais, depois de bem instruídos, distribuiu o Pão Eucarístico.
Também é tradição certa que o Príncipe dos Apóstolos, São Pedro, se hospedava em Roma em casa do senador Pudente. Ali se congregavam os cristãos para ouvir suas instruções, assistir aos santos Mistérios e receber a Sagrada Eucaristia. Pode-se ainda ver esse venerando recinto na igreja de Santa Pudenciana, filha do fervoroso e santo senador 1.
Com o tempo, as casas nas quais se reunia a assembléia passaram a ter cômodos específicos reservados para o culto divino. E, a partir do fim do século II, esses prédios começam a ser chamados de Domus Ecclesiæ.
          
            Ao longo do século III, esses aposentos foram crescendo em importância e as outras partes do edifício, destinadas a finalidades profanas, vão sendo separadas dele. A Domus Ecclesiæ se transforma em Domus Dei.


Consagração ao Culto

Já a partir do século IV, a dedicação da Domus Dei era considerada uma das festas mais solenes da Liturgia, a fim de ressaltar o caráter sagrado do edifício, que não poderia mais ser usado para fins profanos. Comenta, a este respeito, Dom Guéranger: Nossas igrejas são santas por sua pertencença a Deus, pela celebração do Sacrifício, pelas preces e louvores nelas oferecidos ao Hóspede divino. A um título melhor do que o tabernáculo simbólico ou o templo antigo, sua dedicação as separou para sempre de qualquer morada de homens e as elevou acima de qualquer palácio da Terra.
Contudo, não obstante os ritos cuja magnificência enche seu recinto no dia de sua consagração a Deus, sob o óleo santo do qual suas paredes permanecem para sempre impregnadas, elas não ficam menos desprovidas de sentimento e de vida.
O que dizer, pois, senão que essa sublime cerimônia de dedicação das igrejas, como também a festa destinada a perpetuar sua memória, não se detêm no santuário construído por nossas mãos, mas elevam-se a realidades mais augustas e vivas? A principal glória do nobre edifício será de simbolizar a grandeza. Sob a sombra de seus arcos a humanidade se iniciará em inefáveis segredos cujo mistério se consumará para além mundo, no pleno dia do Céu 2.

A Igreja e a Jerusalém Celeste


 No ritual litúrgico da dedicação de uma igreja destacam-se quatro elementos essenciais: a aspersão com a água benta, a deposição das relíquias dos santos, a unção sagrada do altar e da igreja, a incensação, a iluminação e, por fim, o principal, a Celebração Eucarística.
Por ser o edifício visível um sinal peculiar da Igreja peregrina na terra e imagem da Igreja que habita nos céus, a Jerusalém Celeste, esses ritos manifestam simbolicamente algo das obras invisíveis que o Senhor realiza por meio dos divinos mistérios da Igreja, ou seja, o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia.
As inspiradas palavras de Santo Agostinho nos explicam com sublime genialidade a relação entre ambasas realidades: Esta é, de fato, a casa das nossas orações; mas nós próprios somos casa de Deus. Somos construídos como casa de Deus neste mundo e seremos dedicados solenemente no fim dos tempos. O edifício, ou melhor, a construção, faz-se com trabalho; a dedicação realiza-se com alegria. O que acontecia aqui quando esses materiais se erguiam, isso acontece agora quando se reúnem os que acreditam em Cristo. Com efeito, ao aceitarmos a Fé, é como se fossem cortadas as madeiras e as pedras nas florestas e nos montes. Ao sermos catequizados, batizados, instruídos, é como se fôssemos desbastados, alinhados e aplainados nas mãos dos carpinteiros e artistas. No entanto, esses materiais não constroem a casa do Senhor, senão quando se unem pela caridade. [...] Por conseguinte, o que aqui vemos feito materialmente nas paredes, faça-se espiritualmente nas almas; e o que vemos aqui realizado nas pedras e madeiras, também se realize nos vossos corpos, por obra da graça de Deus 3.
E a própria Prece de Dedicação o confirma com a bela linguagem da liturgia latina: Este edifício faz vislumbrar o mistério da Igreja, que Cristo santificou com seu Sangue, para apresentá-la a Si mesmo, qual Esposa gloriosa, Virgem deslumbrante pela integridade da Fé, Mãe fecunda pela virtude do Espírito. [...] Aqui, as ondas da graça divina sepultem os delitos, para que vossos filhos e filhas, ó Pai, mortos para o pecado, renasçam para a vida eterna.
[...] Aqui, como jubilosa oblação de louvor, ressoe a voz do gênero humano unida aos coros dos Anjos e suba até Vós a prece incessante pela salvação do mundo.
Aqui, os pobres encontrem misericórdia, os oprimidos alcancem a verdadeira liberdade e todos sintam a dignidade de ser vossos filhos e filhas, até que, exultantes, cheguem à Jerusalém Celeste.

Aspersão do Altar e do Templo

A Santa Missa começa substituindo o do ato penitencial pela a aspersão da água benta. Ela é um sacramental que, usado com Fé, nos purifica dos pecados veniais e afasta o espírito maligno. Por seu caráter exorcístico, se aspergem também o altar e as paredes da igreja, para purificá-los, assim como todo o povo, em sinal de penitência, e em lembrança do Batismo.


 Assim como Cristo nos precedeu nas águas do Batismo, no Jordão - explica Dom Guéranger - as aspersões começam pelo altar que O representa e depois se fazem no edifício inteiro.
Primitivamente, era então que não só todo o interior e o pavimento do templo, mas também o exterior das paredes e, em alguns lugares, até os tetos eram inundados da chuva santificante que expulsa o demônio, dá a Deus essa morada e a prepara para os favores que se seguirão 4. Deposição das relíquias O costume de colocar relíquias de santos sob o altar originou-se nos primeiros séculos da Igreja, nas catacumbas, onde se tornou habitual celebrar a Missa sobre a pedra tumular de um mártir. Com isso, se queria significar que o sacrifício dos membros encontra seu princípio no sacrifício da Cabeça, que é Jesus Cristo.
Na atualidade, a Igreja não exige que as relíquias colocadas sob o altar sejam exclusivamente de mártires.
Sobre este antiqüíssimo costume, nos dá Dom Guéranger uma sintética resenha histórica: Nos primeiros séculos da Idade Média, realizava-se a triunfal transladação das relíquias destinadas a entrar no altar, as quais até então se encontravam na tenda do exílio; no Oriente, é este o arremate glorioso da consagração das igrejas. [...] Entre os gregos, o Pontífice deposita as santas relíquias no tabuleiro sagrado e as leva acima de sua cabeça, honrando como temível mistério esses restos preciosos, pois o Apóstolo disse dos fiéis: "Vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros" (1 Cor 12, 27). No Ocidente, até o século XIII e mais tarde, encerrava-se no altar, com os Santos, o próprio Senhor em seu Corpo Eucarístico. "Era a Igreja unida ao Redentor, a Esposa ao Esposo", diz São Pedro Damião.
Era o acabamento final, a passagem do tempo para a eternidade 5.

Santidade do Altar


Em virtude da unção, o altar se torna símbolo de Cristo, o "Ungido" por excelência, pois o Pai o ungiu com o Espírito Santo e o constituiu Sumo Sacerdote, para oferecer no altar de seu Corpo o sacrifício da vida pela salvação de todos. Por isso, desde tempos remotos, o altar foi cercado de respeito e veneração pelos cristãos: Um lugar santo é o altar cristão.
Chamavam-no sanctus, divinus, regalis, tremendus. S. João Crisóstomo: admirabilis. S. Gregório Nisseno ensina que o altar é tão santo que nem todos, mas só os sacerdotes, e estes só com reverência, o podem tocar. Beijavam-no. Os imperadores Teodósio e Valentiniano proibiram trazer armas nas igrejas e junto dos altares. [...] Desde o século IV, o altar tinha o privilégio de asilo 6.
A santidade do altar exige, daqueles que dele se aproximam na liturgia uma correspondente santidade de vida: Eles devem possuir a pureza da consciência e o perfume da boa reputação, que são simbolizados pelo santo Crisma, composto de azeite e de bálsamo. Devem ter uma consciência pura, para poderem dizer com o Apóstolo: "Nós temos a glória de que nossa consciência nos dá testemunho de uma boa reputação" (2 Cor 1, 12).
Diz ainda São Paulo: "Importa também que [o Bispo] tenha o bom testemunho daqueles que estão fora da Igreja" (1 Tm 3, 7).
E São Crisóstomo acrescenta: "Os clérigos não podem ter mácula alguma, nem em sua palavra, nem no seu pensamento, nem nas suas ações, nem na sua opinião, porque eles são a beleza e a força da Igreja: se eles fossem maus, eles A maculariam por inteiro" 7.
 
A unção com o Crisma



A unção do altar é feita com o Crisma, como explica Dom Guéranger: O óleo confere ao cristão, pelo segundo Sacramento, a perfeição de seu ser sobrenatural, faz também os reis, os sacerdotes e os pontífices. Por todas essas razões, o óleo santo, por sua vez, flui abundantemente sobre o altar, que é o Cristo Chefe, Pontífice e Rei, para dEle, como fez a água, atingir as paredes, a igreja inteira. Com efeito, doravante o templo é efetivamente digno do nome de igreja; pois, assim batizadas, assim consagradas com o Homem- Deus na água e no Espírito Santo, as pedras com as quais ele foi construído representam ao vivo a assembléia dos eleitos, ligados entre si, e com a Pedra Divina, pelo indestrutível laço do amor 8.
Em seguida, também a igreja é ungida, nas doze cruzes fixadas nas quatro paredes do edifício, em sinal de triunfo, pois, a Cruz é o estandarte de Jesus Cristo e a insígnia de sua vitória. É para mostrar que este local está sob o domínio do Senhor que elas são insculpidas nas paredes. A unção da igreja significa que ela está dedicada, toda inteira e para sempre ao culto cristão. As unções são doze para significar que a igreja é a imagem de Jerusalém, a cidade santa, da qual está dito no Apocalipse: "A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e neles os doze nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro" (Ap 21, 14).

Incensação do Altar e da Igreja



Depois do rito da unção, coloca-se sobre o altar um fogareiro para queimar o incenso ou os perfumes, simbolizando com esse ato que o sacrifício de Cristo, perpetuado ali sacramentalmente, sobe até Deus como suave aroma, juntamente com as orações dos fiéis. A incensação de todo o espaço da igreja indica ser ela, pela dedicação, uma casa de oração. Também os fiéis são incensados, por serem "templos vivos de Deus" (Cf. 1 Cor 3,16-17; Ef 2, 22).

            Iluminação Festiva


Procede-se, por fim, à iluminação festiva da igreja, pois Cristo é a luz para iluminar as nações. As doze velas colocadas no lugar das unções são acesas em sinal de alegria. Postas diante das cruzes, elas simbolizam os doze Apóstolos que, pela Fé no Crucificado, iluminaram o universo, o instruíram e o inflamaram de amor.
Ao dedicar a igreja de Santa Maria da Nova Evangelização, em Roma, o Papa Bento XVI destilou com mestria o simbolismo mais profundo desses belos gestos litúrgicos: O outro aspecto que quereria mencionar aqui são os doze fundamentos da cidade, sobre os quais estão inscritos os nomes dos doze Apóstolos. Os fundamentos da cidade não são pedras materiais, mas seres humanos, são os Apóstolos com o testemunho da sua Fé. Os Apóstolos permanecem como os fundamentos essenciais daacendemos nas paredes da igreja, nos lugares onde serão feitas as unções, evocam precisamente os Apóstolos: a sua Fé constitui a verdadeira luz que ilumina a Igreja. E, ao mesmo tempo, é o fundamento sobre o qual ela está alicerçada. A Fé dos Apóstolos não é algo antiquado.
Uma vez que é verdade, é também o fundamento sobre o qual nos encontramos, é a luz através da qual vemos 9.
Em seguida, dá-se continuidade à celebração Eucarística.

As pedras vivas da Jerusalém Celeste

 
Cristão - lembra Dom Guéranger, em sua magistral obra -, pelo Batismo, tu te tornaste santuário de Deus. Que este dia de dedicação te recorde as consagrações que te arrebataram para fazer de ti o templo do Espírito Santo, para dar-te a Cristo, com o qual tua vida está doravante oculta no dulcíssimo e fecundíssimo segredo da face do Pai. Aprende a, em tua alma, cumular a Santíssima Trindade das homenagens devidas à sua presença.
Enfim, alma batizada e consagrada, lembra-te de que não estás sozinha no banquete do amor de teu Deus; de que a divina caridade que te une ao Cristo Esposo deve também juntar-te a seus membros, e aparelhar-te, pedra viva, preparada neste mundo para o lugar que será teu um dia, no edifício do nova cidade, da Igreja, por intermédio do ministério da sucessão apostólica: mediante os Bispos. As pequenas velas que santuário dos Céus. Aprende a adaptar- te à Igreja viva, a vibrar em uníssono com a grande Esposa, preparando- te para a eternidade, onde tua única e feliz ocupação será a de glorificar como ela a Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, pelos séculos dos séculos 10.
1) SOLANS, Joaquín. Manual Litúrgico.
Barcelona: E. Subirana, t. I, p. 23.
2) GUÉRANGER, Dom Prosper. La Fête de La Dedicace des églises in L'année liturgique, pp. 258-259.
3) Sermo 336, 1.6; PL 38, 1471-1472.1475.
4) GUÉRANGER. Ibidem, p. 270.
5) GUÉRANGER. Ibidem, p. 271.
6) REUS, S.J., Pe. João Batista. Curso de Liturgia. Petrópolis: Ed. Vozes, 1944, p. 82.
7) VORAGINE, Jacques de. La Legende Dorée, Paris: Garnier-Flamarion, 1967, t. II, p. 450-451.
8) GUÉRANGER. Ibidem, p. 270.
9) BENTO XVI. Homilia durante a concelebração eucarística para a dedicação da igreja de Santa Maria Estrela da Evangelização, 10/12/2006.
10) GUÉRANGER. Ibidem, pp. 291-292.
(Revista Arautos do Evangelho, Abril/2008, n. 76. p. 18 à 23 [exceto fotos])