quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Feliz Ano Novo 2015

www.icatolica.com
“Em tudo demos graças a Deus” (1Ts 5,18).

O Informação Católica deseja a todos os seus visitantes os mais sinceros votos de um feliz 2015 cheio de amor, paz, saúde e alegria. Que a vida de todos seja repleta do Espírito do Senhor que nos dá força a cada dia. Aproveitamos para agradecer pelas visitas em nossas matérias, e esperamos neste ano que se inicia contarmos ainda mais com a sua companhia, não apenas nos visitando, mas também compartilhando as nossas informações, interagindo conosco. Que o Cristo seja a vossa paz e a Virgem Mãe de Deus esteja sempre protegendo a todos contra as ciladas do inimigo. Deus lhe abençoe, Feliz 2015.


Att. ICatólica.

2014: Veja como a imprensa falsificou as palavras do Papa Francisco


Sabemos tanta coisa sobre o papa Francisco… e tão poucas delas são verdadeiras!

2014 foi um ano em que os meios de comunicação capricharam nos mal-entendidos sobre o papa. Vamos rever alguns deles.

Janeiro: Um papa Rolling Stone?

A reportagem de capa sobre o papa Francisco na edição de janeiro da revista “Rolling Stone” foi um espetáculo de mau jornalismo.  O comentarista Damon Linker, da revista “The Week”, listou nada menos que nove afirmações ridículas que tinham aparecido na reportagem da “Rolling Stone” como se fossem coisas sérias.

Fevereiro: A comunhão e o cardeal Kasper

No consistório de cardeais realizado em fevereiro, o cardeal Walter Kasper propôs alguns argumentos sobre a possibilidade de que os católicos divorciados e recasados (sem a anulação do matrimônio anterior) pudessem comungar. O mito de que Francisco fosse defensor dessa ideia foi crescendo ao longo do ano, culminando no sínodo de outubro, sobre a família.
Era um mito desnecessário, que o próprio papa desmanchou mais de uma vez. Em agosto, por exemplo, ele declarou: “Quanto à comunhão para as pessoas que estão no segundo casamento, não existe nenhum problema. Se eles estão num segundo casamento, eles não podem comungar”.

Muito importante foi também o documento de preparação da Igreja para o sínodo, que reiterou a doutrina sobre os divorciados que se casaram novamente sem terem obtido a anulação matrimonial: o texto deixa claro que a Igreja não pretende mudar a regra, e sim encontrar maneiras mais acolhedoras de reforçar o cumprimento da regra.

Março: o encontro com Obama

O papa Francisco e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se encontraram pela primeira vez e os católicos norte-americanos ficaram desapontados ao ouvirem dizer que o papa não falaria sobre a liberdade religiosa nem sobre o direito a vida, e sim sobre temas em que as duas partes estavam de acordo. As questões polêmicas, portanto, “não seriam tratadas na conversa”. Ao menos foi isso o que a mídia divulgou.

No entanto, o Vaticano tinha uma visão muito diferente sobre a reunião: o direito à vida e à liberdade religiosa foi, sim, uma parte muito importante da conversa entre os dois líderes.

Junho: Um papa sincretista?

Um e-mail viral, que já foi reconhecido como falso, espalhou pela internet o boato de que o papa Francisco é sincretista, ou seja, que ele consideraria todas as religiões como igualmente verdadeiras. Quando ele propôs uma oração multi-religiosa pela paz na Terra Santa, a ser feita em pleno Vaticano na data de 8 de junho, os críticos se deram o direito de interpretar que aquele viral estava sendo confirmado como verdadeiro.

Mas, como esclareceu o pe. Dwight Longenecker, o que o Vaticano tinha organizado era um encontro de oração conjunta pela paz entre delegações de Israel e da Palestina. A delegação israelense trazia tanto judeus quanto muçulmanos, e a delegação palestina trazia tanto muçulmanos quanto cristãos. Cada fé religiosa fez a sua prece, em momentos separados, cada uma segundo a própria tradição. E nada disso aconteceu dentro da Basílica de São Pedro, e sim nos Jardins do Vaticano.

A acusação de “sincretismo” reapareceria em novembro, quando o papa Francisco orou na Mesquita Azul, em Istambul. A assessoria de imprensa do Vaticano tranquilizou os críticos mais preocupados: Francisco rezou a mesma prece que Bento XVI tinha rezado no mesmo lugar e da mesma forma.

Homilética: Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus: "Maria dá ao mundo Cristo, nossa Paz".


Em primeiro lugar, neste primeiro dia do ano colocamos a Santa Maria como intercessora, para que nos consiga a paz que necessitamos. É o primeiro dia do ano e dedicamos a Ela, à Mãe de Deus, à Rainha da Paz, para que abençoe também todos os nossos esforços e desejos de paz. A cena do Evangelho também nos traz sentimentos de paz. Voltamos para Belém, para o presépio, para contemplar “Maria, José, e o Menino deitado no presépio”. Unimo-nos aos pastores neste momento de adoração, contemplando esta cena, sentindo-nos parte dela, como aquele povo simples que soube ver naquele menino todo um Deus que vinha para nascer por nós. Também damos glória a Deus, como os pastores, por ter se descoberto nas nossas vidas, por ter deixado Deus nascer, um ano mais, nos nossos corações. Esse menino enche os nossos corações e as nossas vidas de paz, com a sua paz. “A paz vos deixo, a minha paz vos dou”. Uma paz verdadeira e para sempre.

Em segundo lugar, pedimos neste dia que o Senhor coloque o seu olhar sobre nós e nos conceda a paz. É esta a oração que fazia todo bom israelita, e é uma oração e um desejo que devemos fazer hoje nosso todas as pessoas de boa vontade. Queremos que o Senhor conceda a paz, a sua paz, a todos os nossos parentes e amigos, e a todas as pessoas que quiserem recebê-la, para o mundo inteiro. Hoje é a jornada mundial da paz. A paz de Deus! O salmo 84 nos diz que a justiça e a paz se abraçam, se beijam. Queremos uma paz que seja fruto da justiça, não uma paz imposta violentamente pela força das armas ou pela força do dinheiro. Não queremos a paz de pessoas que vivem esmagadas pelo poder político, ou social, ou econômico. Não queremos a paz dos cemitérios. Queremos a paz dos corpos e das almas, a paz material e a paz espiritual. Sabemos que esta paz não podemos consegui-la plenamente enquanto vivermos nesta terra, mas devemos sempre aspirar cada dia a aproximar-nos um pouco mais dela. Não vamos conseguir só com as nossas forças humanas, necessitamos a ajuda de Deus. Por isso, vamos pedir hoje a Deus que, por intercessão da sua Mãe, Santa Maria, pouse o seu olhar sobre nós e nos conceda a paz.
Finalmente, este é um dia para dar graças a Deus. Graças por tudo o que vivemos neste ano que terminamos, graças pelo que viveremos no ano que começa, graças por tudo de novo que aparece na nossa vida. Pedimos a Deus que todos os nossos bons desejos que temos e que nos dizemos no Novo Ano saibamos realizá-los. Fazemos nosso o propósito de favorecer tudo o que possa ajudar para que exista mais felicidade para todos, amigos e desconhecidos. Este é o nosso desejo: “Paz e bem para todos”.

Te Deum Laudamus - Fim do Ano Civil: Dia de Ação de Graças a Deus


É o dia de ação de graças a Deus pelos benefícios dele recebidos durante o ano que vai findar. A gratidão é chave para recebermos mais dadivosos benefícios. Seja sincera e cordial a nossa ação de graças ao bom Deus! - Canta-se, nesta ocasião, o "Te Deum laudamus" (Nós vos louvamos, ó Deus).

Eis-nos chegados ao fim deste ano! Quantos benefícios não nos fizestes, ó Senhor, tanto à alma como ao corpo! Quem poderá jamais enumerá-los? Que ações de graças, pois não vos devemos dar hoje! Felizes de nós, se tivéssemos correspondido aos vossos benefícios. Mas ai! Sentimos que a consciência nos exproba a nossa ingratidão. Quantos pecados cometemos em todo este ano! Quantas virtudes deixamos de praticar! Que será de nós, ó Senhor, no dia em que nos chamardes a dar-vos contas? Com um coração cheio de reconhecimento e ao mesmo tempo traspassado de dor, nós vos pedimos humildemente perdão.

Aceitai, Deus de bondade, este nosso ato: perdoai nossos pecados e dai-nos vossa divina graça, para que comecemos e santamente acabemos o novo ano.

Assim o propomos e assim o esperamos, confiados em vossa graça, assim seja.

(Manual de Orações. Associação Imaculado Coração de Maria e São Miguel Arcanjo. RJ, 2001. P. 81).

Te Deum laudamus!

Santo Ambrósio e Santo Agostinho (387 AD)


Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar o hino Te Deum (A vós, ó Deus) em ação de graças, e será plenária, quando recitado em público no último dia do ano. (Manual das Indulgências aprovado pela Santa Sé e publicado em 1990 pela CNBB. Edições Paulinas: SP, 1990, P.15-19).

Para lucrar a indulgência plenária, além da repulsa de todo o afeto a qualquer pecado até venial, requerem-se a execução da obra enriquecida da indulgência e o cumprimento das três condições seguintes: confissão sacramental, comunhão eucarística, e oração nas intenções do Sumo Pontífice. (Pontos essenciais sobre a doutrina das Indulgências extraídos do "Manual das Indulgências" editado pela Penitenciária Apostólica em 29 de junho de 1968).

2014: Ano da Graça do Senhor



Chegamos ao final de mais um ano da graça do Senhor. Maior parte dos dias vivida, lado a lado, com colaboradoras, colaboradores, assessoras e assessores, nos Regionais/filiais ou na Matriz/sede nacional. 2014 passará para a história da CNBB, deixando também sua marca especial.

Quero, pois,neste tempo oportuno do Natal, realçar as bênçãos: a Misericórdia e a Providência de Deus, o Papa Francisco, o nosso trabalho. A Misericórdia de Deus perdoou nossos pecados e nos renovou na esperança; a Providência de Deus cuidou de nossa vida o tempo todo,com desvelos maternais. O papa Francisco nos encorajou com “a Alegria do Evangelho”,confirmando-nos na fé, dando-nos o exemplo. O nosso trabalho foi a oportunidade diária para servirmos nossos irmãos e irmãs.

Recordando as bênçãos, agradeço a Deus. Relembrando o incentivo e apoio dos bispos do Brasil, agradeço aos irmãos da Presidência, do Conselho Permanente e do Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP), instâncias que tornam presentes, em nosso trabalho diário, todas as forças vivas da Igreja e da sociedade, referenciadas nos Regionais e nas Comissões Episcopais Pastorais.

Às irmãs e aos irmãos que labutam diuturnamente “sob o peso do dia e do calor”, um agradecimento especial:

Mensagem do Papa para o Dia Mundial do Doente 2015


MENSAGEM
Mensagem do Papa Francisco para 23º Dia Mundial do Doente 
11 de fevereiro de 2015
Terça-feira, 3o de dezembro de 2014

Sapientia cordis.

«Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo” (Jó 29, 15)»

Queridos irmãos e irmãs,

por ocasião do XXIII Dia Mundial do Doente, instituído por São João Paulo II, dirijo-me a todos vós que carregais o peso da doença, encontrando-vos de várias maneiras unidos à carne de Cristo sofredor, bem como a vós, profissionais e voluntários no campo da saúde.

O tema deste ano convida-nos a meditar uma frase do livro de Jó: «Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo» (29, 15). Gostaria de o fazer na perspectiva da «sapientia cordis», da sabedoria do coração.

1. Esta sabedoria não é um conhecimento teórico, abstrato, fruto de raciocínios; antes, como a descreve São Tiago na sua Carta, é «pura (…), pacífica, indulgente, dócil, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia» (3, 17). Trata-se, por conseguinte, de uma disposição infundida pelo Espírito Santo na mente e no coração de quem sabe abrir-se ao sofrimento dos irmãos e neles reconhece a imagem de Deus. Por isso, façamos nossa esta invocação do Salmo: «Ensina-nos a contar assim os nossos dias, / para podermos chegar à sabedoria do coração» (Sal 90/89, 12). Nesta sapientia cordis, que é dom de Deus, podemos resumir os frutos do Dia Mundial do Doente.

2. Sabedoria do coração é servir o irmão. No discurso de Jó que contém as palavras «eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo», evidencia-se a dimensão de serviço aos necessitados por parte deste homem justo, que goza duma certa autoridade e ocupa um lugar de destaque entre os anciãos da cidade. A sua estatura moral manifesta-se no serviço ao pobre que pede ajuda, bem como no cuidado do órfão e da viúva (cf. 29, 12-13).

Também hoje quantos cristãos dão testemunho – não com as palavras mas com a sua vida radicada numa fé genuína – de ser «os olhos do cego» e «os pés para o coxo»! Pessoas que permanecem junto dos doentes que precisam de assistência contínua, de ajuda para se lavar, vestir e alimentar. Este serviço, especialmente quando se prolonga no tempo, pode tornar-se cansativo e pesado; é relativamente fácil servir alguns dias, mas torna-se difícil cuidar de uma pessoa durante meses ou até anos, inclusive quando ela já não é capaz de agradecer. E, no entanto, que grande caminho de santificação é este! Em tais momentos, pode-se contar de modo particular com a proximidade do Senhor, sendo também de especial apoio à missão da Igreja.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Tragédia aérea na Ásia: a oração de Francisco


O Papa Francisco manifestou solidariedade aos familiares dos passageiros do avião da AirAsia que desapareceu este domingo (28/12).

Depois da oração mariana do Angelus, o Papa afirmou: “Estou próximo com o afeto e a oração aos familiares e aos que vivem com apreensão e sofrimento essas difíceis situações e aos que estão engajados nas operações de resgate”.

O avião da AirAsia desapareceu em território indonésio com 162 pessoas a bordo. A aeronave decolou de Surabaia, em Java, e deveria chegar a Cingapura. Devido ao mau tempo, o piloto pediu permissão para mudar de rota. A aeronave transportava 155 passageiros, incluindo 16 crianças e um bebê, e sete membros da tripulação. 

Papa entristecido com assassinato de padre no México


Em nome do Papa Francisco, o Cardeal Secretário de Estado do Vaticano enviou uma breve carta ao Bispo de Ciudad Altamirano (México, estado de Guerrero), Dom Maximino Martínez Miranda, expressando dor, participação e “firme condenação” pelo assassinato do Padre Gregorio López Gorostieta.

O Cardeal Pietro Parolin sublinha a tristeza do Pontífice e transmite seu pesar ao “clero, às comunidades religiosas e aos fiéis daquela amada Diocese”, assegurando também orações pelo eterno repouso de “um sacerdote de Cristo vítima de uma violência injustificável”. 

“Sua Santidade manifesta sua firme condenação de tudo o que atenta contra a vida e a dignidade das pessoas; e exorta os sacerdotes e os outros evangelizadores da Diocese a prosseguir com ardor a sua missão eclesial superando as dificuldades, imitando o exemplo de Jesus, Bom Pastor”.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O furacão Francisco e a perturbação dos intelectuais


No dia 24 de dezembro, foi publicado no Corriere della Sera um artigo de Vittorio Messori com o título “As dúvidas sobre a virada do Papa Francisco”

Neste artigo, o conhecido escritor católico propõe uma "reflexão pessoal", na verdade, "uma espécie de confissão", sobre a "imprevisibilidade" do Papa Francisco, destinada a perturbar "a tranquilidade do católico médio” com uma série de escolhas que poderiam parecer também contraditórias.

Messori enumera alguns aspectos do Pontificado de Bergoglio que, em sua opinião, poderiam causar confusão, para depois concluir, com a humildade própria do crente, que “chefe único e verdadeiro da Igreja é aquele Cristo onipotente e onisciente, que sabe melhor do que nós qual seja a melhor escolha para seu temporário representante terreno": e isso explica porque, na perspectiva milenária da história, “todo Papa desempenhou o seu papel apropriado e, no final, se demonstrou necessário”.

O artigo publicado pelo jornal Milanês é uma oportunidade para entender melhor o pontificado do Papa Francisco.

O primeiro elemento de reflexão é sobre o papel histórico do papa Francisco. No mundo em que nós costumamos chamar de "avançado", os cenários de escravidão, guerra, mercantilização, exploração descontrolada e negação da dignidade humana estão mais presentes do que nunca. E diante de tudo isso, o que fazem os grandes da terra? De tempo em tempo se reúnem e produzem um documento morno, em nome da realpolitik, que termina normalmente com um nada feito.

Só um homem, da varanda da praça de São Pedro e nas principais instâncias internacionais, se atreve a gritar para despertar as consciências, se atreve a falar de "globalização da indiferença" acusando os perversos mecanismos do poder. Aquele homem é o Papa Francisco. Totalmente compatível com o ensinamento de Jesus nos Evangelhos.

O Papa Francisco, em sua entrevista para Eugenio Scalfari explicou: "Eu acredito em Deus. Não em um Deus católico, não existe um Deus católico, existe Deus. E acredito em Jesus Cristo, na sua encarnação".

Este conceito representa, talvez, uma negação da Igreja como "corpo místico de Cristo"? Absolutamente não. A Igreja mantém o seu carácter de universalidade, mas o Papa Francisco é, ao mesmo tempo, consciente de que as grandes religiões do mundo têm uma base comum. Basta pensar que o cristianismo, o judaísmo e o islamismo são chamados de "religiões abraâmicas" porque vêem em Abraão um pai comum da fé. 

domingo, 28 de dezembro de 2014

Angelus: A Sagrada Família nos encoraja a oferecer calor humano, diz Papa.


ANGELUS
Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 28 de dezembro de 2014

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste primeiro domingo depois do Natal, enquanto ainda estamos imersos no clima de alegria da festa, a Igreja nos convida a contemplar a Sagrada Família de Nazaré. O Evangelho de hoje nos apresenta Nossa Senhora e São José no momento em que, 40 dias depois do nascimento de Jesus, foram ao templo de Jerusalém. Fazem isso por obediência religiosa à Lei de Moisés, que prescreve oferecer ao Senhor o primogênito (cfr. Lc 2, 22-24).

Podemos imaginar esta pequena família, em meio a tantas pessoas, nos grandes átrios do templo. Não chamam a atenção, mas não passam despercebidos! Dois anciãos, Simeão e Ana, movidos pelo Espírito Santo, se aproximam e começam a louvar a Deus por esse Menino, no qual reconhecem o Messias, luz das nações e salvação de Israel (cf. Lc 2, 22-38 ). É um momento simples, mas rico de profecia: o encontro entre dois jovens esposos cheios de alegria e de fé pelas graças do Senhor; e dois anciãos, também eles cheios de alegria e de fé pela ação do Espírito. Quem os reúne? Jesus. Jesus os reúne: os jovens e os anciãos. Jesus é Aquele que aproxima as gerações. É a fonte daquele amor que une as famílias e as pessoas, vencendo toda desconfiança, todo isolamento, toda distância. Isto nos faz pensar também nos avós: quão importante é a sua presença, a presença dos avós! Quão precioso é o seu papel nas famílias e na sociedade! A boa relação entre os jovens e os anciãos é fundamental para o caminho da comunidade civil e eclesial. E olhando para estes dois anciãos, estes dois avós – Simeão e Ana – cumprimentamos com um aplauso todos os avós do mundo.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Homilética: Celebração da Sagrada Família - Ano B


Textos: Eclo 3, 3-7.14-17; Col 3, 12-21; Lc 2, 20-40

Ideia principal: a Sagrada Família de Nazaré é modelo, alento e força para todas as nossas famílias.

Síntese da mensagem: Esta festa é recente e foi estabelecida faz pouco mais de um século pelo papa Leão XIII para dar às famílias cristas um modelo evangélico de vida, virtudes domesticas e de união no amor, para que depois das provas desta vida possam gozar no céu da eterna companhia de Deus e da Sagrada Família de Nazaré.

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, todos nós sabemos dos grandes perigos que hoje sofrem algumas das nossas famílias, que colocou em evidencia o sínodo extraordinário da família em outubro de 2014: famílias fragmentadas, feridas, quebradas, em necessidades de pobreza, de miséria e de angustia. Dificuldades internas e externas. Preocupações de tipo laboral e econômico; visões distintas na educação dos filhos, provenientes de diferentes modelos educativos dos pais; os reduzidos tempos para o diálogo e o descanso. A tudo isto se junta fatores disgregados como a separação e o divórcio, e o preocupante crescimento da prática abortiva. O mesmo egoísmo pode levar à falsa visão de considerar os filhos como objetos de propriedade dos pais, que podem ser fabricados segundo os seus desejos. Violência, abusos, álcool, drogas, pornografia e outras formas de dependência sexual. E também essas situações pastorais difíceis: as uniões livres ou em segundas núpcias sem ter recebido o sacramento do matrimonio. O que fazer diante destes desafios?

Em segundo lugar, hoje temos que olhar o modelo da Sagrada Família para que nos digam o segredo para formar uma família ideal e possamos lançar luz nestes desafios. Quando Paulo VI esteve em Nazaré tirou umas anotações ou lições da Sagrada Família de Nazaré, a modo de fotografia. “Primeiro, lição de silêncio. Renasça em nós a valorização do silêncio, desta estupenda e indispensável condição do espírito; em nós, atordoados por tantos ruídos, tantos estrépitos, tantas vozes da nossa ruidosa e hipersensibilizada vida moderna. Silêncio de Nazaré, ensinai-nos o recolhimento, a interioridade, a aptidão de prestar atenção às boas inspirações e palavras dos verdadeiros mestres; ensinai-nos a necessidade e o valor da preparação, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que Deus só vê secretamente. Segundo, a lição da vida domestica. Que Nazaré nos ensine o que é a família; a sua comunhão de amor, a sua simples e austera beleza, o seu caráter sagrado e inviolável; ensine quão doce insubstituível é a sua pedagogia; ensine quão fundamental e insuperável a sua sociologia. E terceiro, lição de trabalho. Ó Nazaré, ó casa do “Filho do Carpinteiro”, como queríamos compreender e celebrar aqui a lei severa, e redentora da fatiga humana; recompor aqui a consciência da dignidade do trabalho; recordar aqui como o trabalho não pode ser fim em si mesmo e como, quanto mais livre e alto for, tanto serão, ademais do valor econômico, os valores que tem como fim; saudar aqui os trabalhadores de todo o mundo e mostrar-lhes o seu grande colega, o seu irmão divino, o Profeta de toda justiça para eles, Jesus Cristo Nosso Senhor!”. (Homilia de Paulo VI, 5 de janeiro de 1964 em Nazaré).

Homem que tentou matar o Papa João Paulo II foi depositar rosas brancas no seu túmulo


Ali Agca, o homem que tentou matar o Papa João Paulo II há 33 anos, foi depositar rosas brancas no seu túmulo este sábado.

A informação foi confirmada à Reuters pelo padre Ciro Benedettini, vice porta-voz do Vaticano.

O turco Ali Agca, de 56 anos, diz agora que pretende encontrar-se com o Papa Francisco.

Vaticano solta ativista do Femen, mas proíbe sua entrada no Vaticano.


A polícia do Vaticano pôs em liberdade neste sábado (27/12) a ativista do grupo feminista Femen que no dia de Natal invadiu a Praça de São Pedro de topless quando o papa Francisco dava sua bênção “Urbi et Orbi” (À cidade e ao mundo) e tentouroubar a estátua do menino Jesus do presépio montado ali.

Segundo o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, a manifestante já está em liberdade, mas teve o acesso ao “Estado da Cidade do Vaticano” proibido.

Iana Zhdanova, ucraniana, entrou na Praça de São Pedro, com a frase “++God++ is woman” (“Deus é mulher”) escrita no tronco, enquanto o papa lia sua mensagem de Natal na sacada central da basílica.

Curdistão: Natal é declarado dia festivo em solidariedade para com os cristãos


O governo regional do Curdistão iraquiano proclamou este 25 de dezembro como dia festivo para expressar legalmente a solidariedade pública das instituições e de toda a sociedade para com os cristãos, na Festa da Natividade do Senhor.

A agência de notícias Fides publicou o comunicado que concedia a todos os funcionários das instituições públicas da província, incluídas as escolas, um dia de descanso nessa data.

O porta-voz oficial Sven Dzia também publicou no site do governo regional uma mensagem de felicitações “a todos os irmãos cristãos do Curdistão, do Iraque e de todo o mundo”, desejando um ano de paz, segurança e estabilidade.

“A decisão das autoridades do Curdistão iraquiano é uma mostra de atenção aos nossos sofrimentos. Os líderes políticos repetem que farão todo o possível para libertar os povoados e aldeias de quem teve de fugir”, declarou à Fides o sacerdote Paulo Thabit Mekko, que teve de abandonar Mossul depois que a cidade foi conquistada pelos jihadistas do Estado Islâmico. “Nós nos preparamos para o Natal pedindo que Jesus nos traga a paz e a consolação para os nossos corações. A mensagem que o papa Francisco nos enviou faz alguns dias nos comoveu. E esperamos que ele nos mande outras”.

Papa pede coerência cristã e reza pela liberdade religiosa


ANGELUS
Praça São Pedro – Vaticano
Sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje a liturgia recorda o testemunho de Santo Estêvão. Escolhido dos apóstolos, junto a outros seis, para a diaconia da caridade, isso é, para ajudar os pobres, os órfãos, as viúvas na comunidade de Jerusalém, ele se torna o primeiro mártir da Igreja. Com o seu martírio, Estêvão honra a vinda no mundo do Rei dos reis, dá testemunho Dele e oferece em doação a sua própria vida, como fazia no serviço aos mais necessitados. E assim nos mostra como viver em plenitude este mistério do Natal.

O Evangelho desta festa reporta uma parte do discurso de Jesus aos seus discípulos no momento em que os envia em missão. Diz entre outros: “Sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 10, 22). Estas palavras do Senhor não perturbam a celebração do Natal, mas a despojam daquele falso revestimento adocicado que não lhe pertence. Fazem-nos compreender que nas provas aceitas por causa da fé, a violência é derrotada pelo amor, a morte pela vida. E para acolher verdadeiramente Jesus na nossa existência e prolongar a alegria da Noite Santa, o caminho é justamente aquele indicado por esse Evangelho, isso é, dar testemunho de Jesus na humildade, no serviço silencioso, sem medo de ir contracorrente e de pagar pessoalmente. E se não todos são chamados, como Santo Estêvão, a derramar o próprio sangue, a cada cristão, porém, é pedido ser coerente em cada circunstância com a fé que professa. E a coerência cristã é uma graça que devemos pedir ao Senhor. Ser coerentes, viver como cristãos e não dizer: “sou cristão” e viver como pagão. A coerência é uma graça a pedir hoje.

Seguir o Evangelho é, de certo modo, um caminho exigente, mas belo, belíssimo, e quem o percorre com fidelidade e coragem recebe o presente prometido pelo Senhor aos homens e às mulheres de boa vontade. Como cantavam os anjos no dia do Natal: “Paz! Paz!”. Esta paz dada por Deus é capaz de tranquilizar a consciência daqueles que, através das provações da vida, sabem acolher a Palavra de Deus e se empenham em observá-la com perseverança até o fim (cfr Mt 10, 22). 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Possui o nome "Católica" mas não é a Igreja Apostólica

Santa Sé: sede oficial da Igreja Católica Apostólica

Característica importante da Igreja Católica é a unicidade que faz dela uma única instituição. Seja em uma pequena capela ou em uma centenar basílica, as leituras da missa serão as mesmas, o rito segue uma ordem. A doutrina também possui um fundamento, não muda com os modismos.A obediência ao papa como vigário de Cristo a faz diferente de outras denominações cristãs que surgiram ao longo dos séculos em período de crises.

O blog alerta sobre instituições que tem nascido, inclusive, com o termo católico em sua denominação mas que não comungam com a instituição bimilenar fundada pelo próprio Cristo, a Igreja Católica Apostólica Romana. Vejamos algumas delas:

Igreja católica apostólica brasileira: Foi fundada em 6 de julho de 1945. Geralmente está presente em cemitérios e ministrando os sacramentos do batismo e do matrimônio. Utilizam os mesmos termos e vestimentas católicas, confundindo bem quem não é assíduo às  práticas da fé católica. Também celebram a missa, contudo, não é válida.

Igreja católica apostólica carismática: É uma mistura injustificável de práticas e sacramentos, todos inválidos. Não possui nenhuma relação com a Igreja Católica Apostólica Romana ou qualquer ramo da Renovação Carismática Católica.

Igreja católica apostólica antiga: Se diz em comunhão com a igreja una, o que não é verdade. Aceita em seus quadros homens e mulheres como sacerdotes.

Veja o nome de outras instituições que se dizem Católicas e Apostólicas, mas nada tem a ver com a Igreja Católica Apostólica Romana:

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Mensagem do Papa Francisco para o Natal 2014


MENSAGEM
Mensagem de Natal do Papa Francisco e Benção Urbi et Orbi
Quinta-feira, 25 de dezembro de 2014


Queridos irmãos e irmãs, bom Natal!

Jesus, o Filho de Deus, o Salvador do mundo, nasceu para nós. Nasceu em Belém de uma virgem, dando cumprimento às profecias antigas. A virgem chama-se Maria; o seu esposo, José.

São as pessoas humildes, cheias de esperança na bondade de Deus, que acolhem Jesus e O reconhecem. Assim o Espírito Santo iluminou os pastores de Belém, que acorreram à gruta e adoraram o Menino. E mais tarde o Espírito guiou até ao templo de Jerusalém Simeão e Ana, humildes anciãos, e eles reconheceram em Jesus o Messias. «Meus olhos viram a salvação – exclama Simeão – que ofereceste a todos os povos» (Lc 2, 30-31).

Sim, irmãos, Jesus é a salvação para cada pessoa e para cada povo!

A Ele, Salvador do mundo, peço hoje que olhe para os nossos irmãos e irmãs do Iraque e da Síria que há tanto tempo sofrem os efeitos do conflito em curso e, juntamente com os membros de outros grupos étnicos e religiosos, padecem uma perseguição brutal. Que o Natal lhes dê esperança, como aos inúmeros desalojados, deslocados e refugiados, crianças, adultos e idosos, da Região e do mundo inteiro; mude a indiferença em proximidade e a rejeição em acolhimento, para que todos aqueles que agora estão na provação possam receber a ajuda humanitária necessária para sobreviver à rigidez do inverno, retornar aos seus países e viver com dignidade. Que o Senhor abra os corações à confiança e dê a sua paz a todo o Médio Oriente, a começar pela Terra abençoada do seu nascimento, sustentando os esforços daqueles que estão ativamente empenhados no diálogo entre Israelitas e Palestinianos.

Jesus, Salvador do mundo, olhe para quantos sofrem na Ucrânia e conceda àquela amada terra a graça de superar as tensões, vencer o ódio e a violência e embarcar um caminho novo de fraternidade e reconciliação.

Feminista nua tira estátua do menino Jesus do presépio do Vaticano


Enquanto o Papa Francisco fazia suas orações de Natal para mais de 80 mil fiéis, e lembrava as crianças que sofrem maus-tratos ou violência, uma manifestante do grupo ativista Femen invadiu nu a um presépio em tamanho natural montado na Praça São Pedro e tentou sair com a estátua do menino Jesus.

Diante dos olhares assustados de centenas de pessoas, ela foi contida com dificuldades por policiais. A manifestante não teve tempo de explicar os motivos do protesto, mas conseguiu exibir o corpo onde havia uma inscrição com um protesto feminista: "Deus é mulher" (God is woman).

Ele é o dono e o sentido da festa – Feliz Natal!


É o Natal do Senhor, e Cristo é nascido para nós. No mais alto dos Céus os anjos entoam o cântico de Glória, e na terra os homens de boa vontade podem enfim gozar de paz. Foi-nos dado um Menino para a nossa salvação!

É Natal! Que as portas do Céu neste dia abertas de par em par possam derramar copiosas graças sobre nós. Que, após a peregrinação do Advento, possamos chegar jubilosos a Belém para adorar o Deus-Menino nos braços virginais de Sua Santíssima Mãe. Que o fulgor desta Luz que resplandece nas Trevas possa afastar as trevas dos nossos próprios corações, e que a vista de um Deus envolto em faixas por amor a nós possa comover-nos e nos converter.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Homilia do Papa Francisco na Missa do Natal 2014


HOMILIA
Santa Missa na Solenidade do Natal do Senhor
Basílica Vaticana
Quarta-feira, 24 de dezembro de 2014


«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles»(Is 9,1). «Um anjo do Senhor apareceu [aos pastores], e a glória do Senhor refulgiu em volta deles» (Lc 2,9). É assim que a Liturgia desta santa noite de Natal nos apresenta o nascimento do Salvador: como luz que penetra e dissolve a mais densa escuridão. A presença do Senhor no meio do seu povo cancela o peso da derrota e a tristeza da escravidão e restabelece o júbilo e a alegria.

Também nós, nesta noite abençoada, viemos à casa de Deus atravessando as trevas que envolvem a terra, mas guiados pela chama da fé que ilumina os nossos passos e animados pela esperança de encontrar a «grande luz». Abrindo o nosso coração, temos, também nós, a possibilidade de contemplar o milagre daquele menino-sol que, surgindo do alto, ilumina o horizonte.

A origem das trevas que envolvem o mundo perde-se na noite dos tempos. Pensemos no obscuro momento em que foi cometido o primeiro crime da humanidade, quando a mão de Caim, cego pela inveja, feriu de morte o irmão Abel (cf. Gn 4, 8). Assim, o curso dos séculos tem sido marcado por violências, guerras, ódio, prepotência. Mas Deus, que havia posto suas expectativas no homem feito à sua imagem e semelhança, esperava. O tempo de espera fez-se tão longo que a certo momento, quiçá, deveria renunciar; mas Ele não podia renunciar, não podia negar-Se a Si mesmo (cf. 2 Tm 2, 13). Por isso, continuou a esperar pacientemente face à corrupção de homens e povos. A paciência de Deus. Quão difícil é entender isso, a paciência de Deus para conosco.

Ao longo do caminho da história, a luz que rasga a escuridão revela-nos que Deus é Pai e que a sua paciente fidelidade é mais forte do que as trevas e do que a corrupção. Nisto consiste o anúncio da noite de Natal. Deus não conhece a explosão de ira nem a impaciência; permanece lá, como o pai da parábola do filho pródigo, à espera de vislumbrar ao longe o regresso do filho perdido, todos os dias, com paciência, a paciência de Deus.

A profecia de Isaías anuncia a aurora duma luz imensa que rasga a escuridão. Ela nasce em Belém e é acolhida pelas mãos amorosas de Maria, pelo afeto de José, pela maravilha dos pastores. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento do Redentor, fizeram-no com estas palavras: «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). O «sinal» é a humildade de Deus levada ao extremo; é o amor com que Ele, naquela noite, assumiu a nossa fragilidade, o nosso sofrimento, as nossas angústias, os nossos desejos e as nossas limitações. A mensagem que todos esperavam, que todos procuravam nas profundezas da própria alma, mais não era que a ternura de Deus: Deus que nos fixa com olhos cheios de afeto, que aceita a nossa miséria, Deus enamorado da nossa pequenez. 

Mensagem de Natal


“E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria“. (Lc 2,7)

“Hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor". (Lc 2,11)

É noite de alegria. Porque, no meio da escuridão, uma Luz resplandeceu. No meio das Trevas, uma Luz brilhou, e todos A vieram contemplar.

O Menino Deus nasceu à noite, porque é na noite que precisamos da luz. Nasceu à noite, para ensinar que era noite na humanidade; uma noite longa que se arrastava por séculos. Era noite desde o pecado de Adão. Todo o mundo jazia no maligno.

Mas uma Luz resplandeceu em meio às Trevas. Na noite de Belém, nos nasceu um Salvador. E aquela Luz brilhou tão forte nas trevas do pecado, que todos A perceberam. Os Reis Magos A perceberam, e vieram adorá-La. Herodes A percebeu, e tentou apagá-La. Porque, em meio às Trevas, é impossível não notar uma Luz resplandecente. Os filhos da Luz buscam-Na e sentem-se à vontade junto a Ela; os filhos das Trevas d’Ela fogem horrorizados, pois têm vergonha das suas obras ímpias, que realizam na escuridão. A Luz atrai os bons e afugenta os maus. Por isso, o Deus Menino nascido em Belém estava destinado a ser um sinal de contradição, como profetizou o velho Simeão.

“Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições“ (Lc 2,34)

O Cristo Deus, Unigênito do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus Verdadeiro do Deus Verdadeiro, veio ao mundo destinado a ser uma causa de queda para muitos. Causa de queda para os que preferissem as Trevas à Luz. Causa de queda para os que, como Herodes, quisessem apagar essa Luz para continuar a viver nas Trevas.

E, neste Natal, somos como os Reis Magos, ou somos como Herodes? Procuramos ao Deus Menino para oferecer-Lhe o melhor que temos, ou fugimos d’Ele e O queremos matar, justamente para que não nos desfaçamos de nossos vícios que nos são tão caros? Desejamos que o Cristo nasça? Ou queremos que Ele não venha, para que possamos viver ainda um pouco mais nas Trevas, ainda um pouco mais no pecado, sem que nossas torpezas sejam postas a descoberto?

Instruções litúrgicas para a Missa do Natal do Senhor


Embora seja a terceira maior solenidade do ano litúrgico, atrás da Páscoa e de Pentecostes, a liturgia do Natal não tem muitas particularidades referentes aos ritos. Contudo, alguns detalhes podem ser observados para a melhor e correta celebração e mais aprofundada espiritualidade de uma das noites mais belas do ano civil também, ainda que não se iguale à Vigília Pascal.

As indicações a seguir são feitas mediante as experiências nas igrejas, o que pode ser aplicado universalmente em vista da celebração papal e também como forma de coibir algumas imprecisões e sanar algumas dúvidas.

PREPARATIVOS

A Basílica Vaticana em penumbra antes da Missa da Noite de Natal,
enquanto entram os Pueri Cantores, do Coro Pontifício da Capela Sistina
Imagem: Erick Marçal/Direto da Sacristia

Antes do canto do Precônio Natalino ou Kalenda

1. Como dissemos, embora não seja Vigília Pascal, não é obrigatório que a igreja esteja escura. Contudo, para referir ainda mais que nesta Missa é celebrado o Mistério da encarnação da Luz do mundo, no Vaticano, por exemplo, há 2 iluminações: uma penumbra antes do canto da Kalenda e a iluminação plena e comum momentos antes do início da Missa.

2. Ainda comparando com a Vigília de Páscoa, a Missa da Noite de Natal não é propriamente um marco litúrgico do Mistério celebrado: o Sábado de Aleluia, ao contrário, é uma divisão entre a morte e a vida. A Missa “do Galo”, porém, não apresenta nenhum limite entre 2 períodos: desde o seu início, já é Natal; desde o seu início, a Missa é comum, diferentemente da Vigília Pascal, com um rito próprio e único. Portanto, não há por que marcar o início do Natal apenas com o ingresso da Imagem do Menino Jesus durante o canto do Glória, que desvia a atenção de todos. É mais adequado que ou a Imagem esteja velada ou seja colocada no altar após o canto da Kalenda ou, se esta não for feita, antes do início da Missa.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Carta do Papa Francisco aos cristãos do Oriente Médio


CARTA
Carta do Papa Francisco aos cristãos 
do Oriente Médio por ocasião do Natal
Terça-feira, 23 de dezembro de 2014


Queridos irmãos e irmãs,

«Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação! Ele nos consola em toda a nossa tribulação, para que também nós possamos consolar aqueles que estão em qualquer tribulação, mediante a consolação que nós mesmos recebemos de Deus» (2 Cor 1, 3-4).

Vieram-me à mente estas palavras do apóstolo Paulo, quando pensei em escrever-vos, irmãos cristãos do Médio Oriente. Faço-o às portas do Santo Natal, sabendo que, para muitos de vós, as notas dos cânticos natalícios serão entremeadas de lágrimas e suspiros. E todavia o nascimento do Filho de Deus na nossa carne humana é um mistério inefável de consolação: «Manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens» (Tt 2, 11).

A aflição e a tribulação não faltaram, infelizmente, no passado mesmo recente do Médio Oriente. Mas agravaram-se nos últimos meses por causa dos conflitos que atormentam a Região e, sobretudo, pela actuação duma organização terrorista mais recente e preocupante, de dimensões antes inconcebíveis, que comete toda a espécie de abusos e práticas indignas do homem, atingindo de forma particular alguns de vós que foram brutalmente expulsos das suas terras, onde os cristãos têm estado presentes desde a época apostólica.

Ao dirigir-me a vós, não posso esquecer também outros grupos religiosos e étnicos que sofrem de igual modo a perseguição e as consequências de tais conflitos. Acompanho dia-a-dia as notícias do sofrimento enorme de tantas pessoas no Médio Oriente. Penso especialmente nas crianças, nas mães, nos idosos, nos deslocados e nos refugiados, em quantos padecem a fome, naqueles que têm de enfrentar a dureza do Inverno sem um tecto para se protegerem. Este sofrimento brada a Deus e faz apelo ao compromisso de todos nós por meio da oração e de todo o tipo de iniciativa. Desejo exprimir a todos unidade e solidariedade, minha e da Igreja, e oferecer uma palavra de consolação e de esperança.

A nossa consolação e a nossa esperança, queridos irmãos e irmãs que dais corajosamente testemunho de Jesus na vossa terra abençoada pelo Senhor, é o próprio Cristo. Por isso, encorajo-vos a permanecer unidos a Ele, como ramos à videira, com a certeza de que nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição vos pode separar d’Ele (cf. Rm 8, 35). Que a prova, que estais a atravessar, fortaleça a fé e a fidelidade de todos vós!

Rezo para que possais viver a comunhão fraterna segundo o exemplo da primitiva comunidade de Jerusalém. Nestes momentos difíceis, é mais necessária do que nunca a unidade desejada por Nosso Senhor; é um dom de Deus que interpela a nossa liberdade e aguarda pela nossa resposta. Que a palavra de Deus, os sacramentos, a oração, a fraternidade alimentem e renovem sem cessar as vossas comunidades.

A situação em que viveis constitui um forte apelo à santidade de vida, como o comprovam santos e mártires das mais diversas confissões eclesiais. Recordo com afecto e veneração os pastores e os fiéis, a quem foi pedido o sacrifício da vida, nos últimos tempos, muitas vezes pelo simples facto de serem cristãos. Penso também nas pessoas sequestradas, incluindo alguns bispos ortodoxos e sacerdotes de diferentes Ritos. Que elas possam, em breve, regressar sãs e salvas às suas casas e comunidades! Peço a Deus que tanto sofrimento, unido à cruz do Senhor, dê bons frutos para a Igreja e para os povos do Médio Oriente. 

Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana


DISCURSO
Encontro do Papa Francisco com a Cúria Romana 
por ocasião da apresentação das felicitações natalinas
Sala Clementina do Palácio Apostólico
Segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

“Tu estás acima dos querubins, tu que transformaste a miserável condição do mundo quando te fizeste como nós” (Santo Agostinho).

Amados irmãos,

Ao final do Advento, encontramo-nos para as tradicionais saudações. Dentro de alguns dias teremos a alegria de celebrar o Natal do Senhor; o evento de Deus que se faz homem para salvar os homens; a manifestação do amor de Deus que não se limita a dar-nos algo ou a enviar-nos uma mensagem ou alguns mensageiros, doa-se-nos (sic) a si mesmo; o mistério de Deus que toma sobre si a nossa condição humana e os nossos pecados para revelar-nos a sua Vida divina, a sua graça imensa e o seu perdão gratuito. É o encontro com Deus que nasce na pobreza da gruta de Belém para ensinar-nos a potência da humildade. Na realidade, o Natal é também a festa da  luz que não é acolhida pela gente “eleita”, mas pela gente pobre e simples que esperava a salvação do Senhor.

Em primeiro lugar, gostaria de desejar a todos vós – cooperadores, irmãos e irmãs, Representantes pontifícios disseminados pelo mundo – e a todos os vossos entes queridos um santo Natal e um feliz Ano Novo. Desejo agradecer-vos cordialmente, pelo vosso compromisso quotidiano a serviço da Santa Sé, da Igreja Católica, das Igrejas particulares e do Sucessor de Pedro.

Como somos pessoas e não números ou somente denominações, lembro de maneira especial os que, durante este ano, terminaram o seu serviço por terem chegado ao limite de idade ou por terem assumido outras funções ou ainda porque foram chamados à Casa do Pai. Também a todos eles e a seus familiares dirijo o meu pensamento e gratidão.

Desejo juntamente convosco erguer ao Senhor vivo e sentido agradecimento pelo ano que está a nos deixar, pelos acontecimentos vividos e por todo o bem que Ele quis generosamente realizar mediante o serviço da Santa Sé, pedindo-lhe humildemente perdão pelas faltas cometidas “por pensamentos, palavras, obras e omissões”.

E partindo precisamente deste pedido de perdão, desejaria que este nosso encontro e as reflexões que partilharei convosco se tornassem, para todos nós, apoio e estímulo a um verdadeiro exame de consciência a fim de preparar o nosso coração ao Santo Natal.

Pensando neste nosso encontro veio-me à mente a imagem da Igreja como Corpo místico de Jesus Cristo. É uma expressão que, como explicou o Papa Pio XII “brota e como que germina do que é frequentemente exposto na Sagrada Escritura e nos Santos Padres”. A este respeito, São Paulo escreveu: “Porque, como o corpo è um todo tendo muitos membros e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo” (1 Cor 12,12).