sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Catedrático expressa preocupação por mudanças no Instituto João Paulo II


No Pontifício Instituto Teológico João Paulo II, não havia apenas os cursos de Teologia Moral Fundamental, mas também uma Área de Pesquisa em Teologia Moral ativa desde 1990. Ainda não se sabe se esta área será incluída no novo instituto, mas se sabe que a Teologia Moral será “cortada”, gerando uma grande preocupação, adverte o professor Stephan Kampowski em uma entrevista.

Stephan Kampowski é professor de antropologia filosófica no Pontifício Instituto Teológico João Paulo II. Ao chegar a Roma como doutorando em 2000, uniu-se ao trabalho da Área de Pesquisa. Em três ocasiões, trabalhou como secretário organizador de um congresso ou colóquio. Desde que assumiu o cargo de professor do Instituto, foi convidado como palestrante em vários colóquios.

Além disso, o professor Kampowski escreveu, juntamente com os professores José Granados e Juan José Pérez Soba, o volume “Amoris laetitia. Acompanhar, discernir, integrar”. No renovado Pontifício Instituto Teológico João Paulo II, ensinará “Antropologia teológica do amor” e o curso complementar “Quem é o homem? Indivíduo, mulher e comunhão ”.

Entre os docentes, segundo as primeiras divulgações, estarão também o professor Granados, que lecionará “Teologia do sacramento e do matrimônio” e que, em recente entrevista ao Grupo ACI, lamentou a eliminação dos cursos de teologia moral; e o professor Pérez Soba, que ensinará “Pastoral do matrimônio e da família”. Mas também estarão o professor Gilberto Marengo, que publicou um estudo imponente sobre a gênese da Humanae Vitae, e o professor Maurizio Chiodi.

Enfim, no novo instituto estarão representados teólogos com orientações opostas; mas não estará mais o professor Livio Melina, que foi presidente do Instituto durante anos e que não foi considerado na nova estrutura. Além disso, desapareceu a cátedra de Teologia Moral Fundamental que ele lecionava.

Nesse sentido, em entrevista ao Grupo ACI, o professor Kampowski advertiu que a cátedra de Moral Fundamental era “a mais importante na mente do fundador do instituto, São João Paulo II”, tanto que “a confiou ao primeiro presidente do Instituto, Carlo Caffarra, depois criado cardeal e Arcebispo de Bolonha”.

Mas não é só isso, porque essa cátedra é tão importante que “uma das iniciativas mais frutíferas em termos de eventos públicos, publicações e repercussão internacional é a ‘Área Internacional de Pesquisa em Teologia Moral’”, nascida para estar dedicada à “teologia moral fundamental”, uma orientação que “manteve também depois da mudança de denominação há alguns anos”.

Segundo o professor Kampowski, “os resultados acadêmicos dessa área de pesquisa são extraordinários e visíveis para quem quiser ver”, como “o grande número de colóquios e conferências organizados; sua qualidade confiável, entre outras coisas, pela ampla origem internacional de renomados conferencistas convidados e pelo alto número de participantes qualificados ao longo dos anos; a quantidade e a qualidade das atas de conferências, monografias e teses de doutorado publicadas em seu contexto”.

Nesse sentido, explicou que uma área de pesquisa está destinada a “dar uma forma mais definida à missão de pesquisa de uma instituição” e os professores são incluídos em um “projeto comum”, o que faz com que “o trabalho deles tenda a ser mais frutífero, porque é beneficiado pelo intercâmbio com colegas e pelas hipóteses norteadoras que são formuladas no contexto”.

Os temas das teses também “não são escolhidos aleatoriamente, mas se incluem em um marco mais amplo, no qual cada estudante de doutorado desenvolve um aspecto particular de um tema mais amplo que seria muito grande para uma pessoa desenvolver”. Enquanto isso, acrescenta Kampowski, “os colóquios e as conferências seguem diretrizes e servem para desenvolver essas teses”.

Em conclusão, uma área de pesquisa institucionaliza a missão de um instituto acadêmico, “tornando o estudo mais proveitoso”.

Recordou que a área de estudo foi estabelecida pelo então presidente do Instituto, Angelo Scola, que mais tarde foi criado Cardeal e Arcebispo de Milão, em 1997, e foi liderada por Livio Melina até 2013, que foi substituído por Pérez Soba.

Sobre o motivo da fundação desta cátedra, o professor Kampowski indicou que foi a publicação da encíclica Veritatis esplendor de São João Paulo II, “que é dedicada à moral fundamental e procura responder à crise da teologia moral após o Concílio Vaticano II”.

“Uma crise que, em última análise, não passou de uma consequência extrema do enfoque casuístico adotado após o Concílio de Trento. A casuística é uma forma centrada no ato de lidar com a moralidade que não olha a vida da pessoa como um todo”, assinalou.

Algo que leva ao “voluntarismo, que considera as normas morais como imposições de um bem superior sobre o inferior”.

Mas, assinala o professor Kampowski, a Veritatis splendor muda o paradigma, ressalta que a moral se refere à plenitude da vida e que “uma norma moral é a expressão da verdade sobre o bem e, em particular, sobre o bem da pessoa e sobre a verdadeira realização da pessoa humana” e, portanto, existe “uma relação íntima entre verdade e liberdade”.

A encíclica também enfatiza que “o centro da moral cristã é encontrado através do encontro com Cristo”, afirmando que “a fé não é extrínseca à moral”.

Cristãos vivem Dia Mundial de Oração pelo cuidado da Criação


Mais de um mês para abraçar ecumenicamente e trabalhar para proteger a Criação, ameaçada pelo próprio homem. Mais uma vez este ano se renova "O tempo da Criação", durante o qual os cristãos do mundo inteiro se unem em oração e ação para cuidar da casa comum. É um comitê diretivo ecumênico que sugere todos ao anos um tema para a celebração. O tema para 2019 é: "A rede da vida". A perda de espécies, de fato, está acelerando: um relatório recente das Nações Unidas estima que o estilo de vida atual ameaça extinguir um milhão de espécies.

Apelo do Papa pela Amazônia: acabar com os incêndios o mais rápido possível

Em uma carta, o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral convida os bispos católicos a aderirem à iniciativa ecumênica. O documento, que tem a data de 23 de maio, Dia Mundial da Biodiversidade, foi distribuído por ocasião do quarto aniversário da Carta Encíclica do Papa Francisco Laudato si', para encorajar os pastores a celebrarem este tempo, estendendo às comunidades católicas o convite do Dicastério vaticano, ao qual se uniram o Movimento Católico Mundial pelo Clima e a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam). Este encorajamento torna-se ainda mais significativo em vista da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-amazônica, de 6 a 27 de outubro, sobre o tema: "Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral".

A voz da família humana

Esta celebração teve início sob os auspícios da Igreja Ortodoxa e desde então tem sido acolhida por católicos, anglicanos, luteranos, evangélicos e outros membros da família cristã em todo o mundo. O site ecumênico SeasonOfCreation.org oferece subsídios e idéias para os cristãos participarem da celebração. Os eventos variam de encontros de adoração e oração à coleta de lixo, e pedidos de mudança política para limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius. Outras iniciativas previstas são: em Quezon City, Filipinas, o cardeal Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila, presidirá uma missa, depois da qual serão plantadas árvores trazidas de áreas indígenas para a cidade; em Altamira, voluntários da Amazônia brasileira organizarão um projeto florestal em um assentamento urbano; em Lukasa, Zâmbia, a Liga das Mulheres Católicas apresentará uma discussão sobre o meio ambiente na paróquia de São José Mukasa.

CNBB lança campanha de sensibilização e informação sobre o Sínodo para a Amazônia


A partir deste domingo, 1º de setembro, “Dia Mundial de oração pelo Cuidado da Criação” até o dia 5, “Dia da Amazônia”, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vai desenvolver, em parceria com a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), um conjunto de iniciativas de comunicação cujo objetivo é sensibilizar a Igreja e a sociedade sobre a importância do Sínodo para a Amazônia. As ações se desdobrarão no período que antecede e durante a realização da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica.

Integram a campanha, um conjunto de ações – vídeo depoimento de bispos e lideranças da Igreja, vídeos Voz da Amazônia, entre outros. O material produzido em parceria com a Comissão Episcopal Especial para a Amazônia e a Rede Eclesial Pan-Amazônica, a REPAM-Brasil, vai estar disponível nos sites e nas redes sociais da CNBB e da REPAM-Brasil. As TVs de inspiração católicas também foram convidadas a produzir conteúdo próprio e a disseminar os conteúdos produzidos sobre o Sínodo pela Repam, especialmente a série Voz da Amazônia.

O arcebispo de Belo Horizonte e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo explica que Conferência decidiu apoiar iniciativas de comunicação que sensibilizem a Igreja e a sociedade para a proposta do sínodo. “A Conferência deve acompanhar a partir de agora o caminho sinodal com uma programação e um planejamento de comunicação para abrir mais o coração da nossa própria Igreja e também repercutir estas informações no coração da sociedade”.

Dom Walmor ressalta ainda que a intenção da Igreja não é apenas realizar um evento, mas dar passos novos, o que incentiva a entidade a se envolver nas ações que superem ou tratam de forma adequada os vários ruídos que se têm apresentado em relação ao Sínodo, bem como as suas incompreensões.

Segundo presidente da CNBB desejo é que haja “uma repercussão muito boa e importante de tudo aquilo que se trata e se tratará durante o Sínodo e daquilo que virá na exortação pós-sinodal.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Canadá: Cerca de 200 católicos rezam o Terço em desagravo por missa negra satânica


Cerca de 200 católicos participaram de uma vigília de oração com a oração do Santo Terço nos arredores de um clube de heavy metal no centro de Ottawa, capital do Canadá, durante a realização de uma missa negra satânica.

O ato blasfemo foi organizado pelo Templo Satânico de Ottawa, em 17 de agosto, na casa noturna The Koven, que contou com a participação de cerca de 50 pessoas.

‘BC Catholic’, o jornal oficial da Arquidiocese de Vancouver, informou que, enquanto o evento estava acontecendo, um grupo de católicos participou de uma Missa de reparação e, depois, de uma jornada de adoração na Basílica Catedral de Nossa Senhora (conhecida em inglês como Notre-Dame Cathedral Basilica). Ao mesmo tempo, 200 pessoas ficaram do outro lado da rua e cercaram a quadra da casa noturna para dar início à vigília.

A Missa de reparação foi celebrada pelo Arcebispo de Ottawa, Dom Terrence Prendergast, acompanhado pelo Bispo Auxiliar, Dom Christian Riesbeck, e por vários sacerdotes. Informou-se que várias paróquias em Ottawa também celebraram Missas e jornadas de adoração em reparação.

Durante a Missa de desagravo, Dom Prendergast explicou que, “embora Cristo tenha vencido a batalha definitiva contra o pecado e o mal, ainda estamos envolvidos nas operações de limpeza. Ainda há lutas e surtos de violência contra a Noiva de Cristo, a Igreja”.

“É um combate que está acontecendo em nossa cidade de Ottawa nestes dias, simbolizada pela alteração satânica das verdades de nossa fé nesta noite, quando cerca de 50 pessoas renunciam a Deus e escolhem Satanás como o símbolo para guiar sua incredulidade e rebeldia de espírito. Rezamos por eles e hoje reparamos as blasfêmias pronunciadas contra Deus”, disse o Prelado.

Ordenam primeiros bispos após acordo entre China e Santa Sé


Dom Antonio Yao Shun, de 54 anos, foi o primeiro bispo nomeado na China após o acordo entre a Santa Sé e Pequim. Será titular da Diocese de Jining, também conhecida como Ulanqab, localizada na região chinesa da Mongólia Interior.

Segundo informa ‘Asia News’, a cerimônia de consagração foi realizada na Catedral de Jining e foi presidida por Dom Paolo Meng Qinglu, Bispo de Hohhot (Mongólia Interior).

Também concelebraram Dom Mattia Du Jiang, da Diocese de Bameng (Mongólia Interior); Dom Giuseppe Li Jing, Bispo da região de Ningxia; e Dom Paolo Meng Ningyou, da Diocese de Shanxi.

Além disso, cerca de 120 sacerdotes participaram, muitos dos quais pertencem à Diocese de Jining, embora sirvam em outras dioceses da China.

O lema escolhido pelo novo bispo é “Misericordes sicut pater”, ou seja, “misericordiosos como o Pai”, que foi o lema escolhido para o Jubileu do ano 2015-2016.

 Dom Yao explicou que espera que "as Escrituras nos inspirem a ter mais sabedoria e que os Sacramentos nos nutram para a vida".

Segundo ‘Asia News’, esta é a primeira ordenação episcopal após o acordo provisório entre a Santa Sé e a China, anunciado em 22 de setembro de 2018. Este está relacionado com nomeação de bispos, mas os demais termos do acordo não foram divulgados.

Vários especialistas asseguram que, com este acordo, a China reconhece que, para ser consagrado bispo, é necessário ser nomeado pelo Papa.

Nesse sentido, essa ordenação poderia ser o resultado desse acordo, embora tanto os Bispos como os fiéis da China considerem que a nomeação de Dom Yao foi decidida pelo Papa antes da ratificação do acordo.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Bento XVI responde às críticas contra a sua reflexão sobre os abusos sexuais


Em abril deste ano, o Papa Emérito Bento XVI publicou suas reflexões pessoais a respeito da crise dos abusos sexuais que abalaram a Igreja nas últimas décadas. No texto, ele descrevia o impacto da revolução sexual e, em paralelo, o colapso da teologia moral na década de 1960. Bento complementava afirmando a necessidade de buscar o caminho na “obediência e amor a nosso Senhor Jesus Cristo”.

Críticas retumbantes proliferaram então contra o texto do Papa Emérito, especialmente em seu país natal, a Alemanha.

Foi a essas críticas que Bento respondeu nesta semana, após avaliá-las com tempo adequado.

Ele considera que grande parte dessas reações à sua reflexão acaba confirmando a própria tese central do seu escrito: que o núcleo da crise é composto, realmente, por apostasia e afastamento da fé – tanto é que a maioria das críticas nem sequer menciona Deus.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

"A Amazônia pertence à Terra, é um bem comum universal", diz Leonardo Boff


No meio da guerra midiática envolvendo a Amazônia, que esta semana ganhou o apoio de celebridades "experts" em proteção ambiental e variações climáticas, uma voz chamou atenção por refletir com precisão qual é a ideologia por trás dos ataques ao governo brasileiro, no tocante à administração do seu território florestal: Leonardo Boff.

Considerado por muitos um dos principais expoentes da chamada "Teologia da Libertação", vertente teológica latino-americana que interpreta a Bíblia Sagrada sob às lentes da ideologia comunista-socialista, Leonardo Boff fez a seguinte declaração em sua conta oficial no Twitter, na quinta-feira (22):

"A Amazônia pertente à Terra, é um bem comum universal. O Brasil é apenas o seu administrador e está fazendo muito mal, indiferente ao holocausto amazônico por fogo", disse o teólogo, autor de várias obras, aclamado pela esquerda política mundial e uma das principais referências da ex-candidata à presidência da República, Marina Silva.

Leonardo Boff ecoou a convocação do presidente francês, Emmanuel Macron, para uma reunião de emergência das sete maiores economias do mundo, o G7, para tratar dos incêndios na Amazônia, a qual ele chamou de "nossa casa". O teólogo disse que "os G7 deveriam fazer uma representação ao Tribunal em Genebra sobre os crimes como (sic) a Humanidade".

terça-feira, 20 de agosto de 2019

A resposta para todas as perguntas




Meu caro Leitor, permita-me partilhar com você alguns pensamentos que brotam do meu coração nestes dias.

Realmente, o modo de agir de Deus nos surpreende totalmente: primeiro, Ele Se revela Se escondendo. É assim na criação, é assim na história, é assim na Igreja, é assim na vida de cada um de nós...

Depois, vem a nós de modo pessoal, concreto, visível, palpável, no Seu Filho, o Amado. Mas, Jesus nosso Senhor, ao revelar-Se nos desconcerta, Se esconde, em certo sentido, porque nos cega o entendimento!

Como assim? - pergunta-me você.

Não é Se esconder, não é dar um nó no nosso juízo revelar-Se frágil, pobre, derrotado numa cruz, incapaz de salvar-Se? Vimo-Lo sofredor, vimo-Lo homem de dores, vimo-Lo cravado na Cruz, vimo-Lo morto, deixamo-Lo, cadáver, no túmulo... Mas vivo, ressuscitado, glorioso, triunfante, não O vimos diretamente, não O tocamos em primeira mão!

– Senhor, por que é sempre assim? Por que és como a água: quando vamos prender-Te em nossas mãos, Tu nos escapas e exiges que creiamos? Deixas rastros, atrás de Ti deixar marcas, sinais... Mas, és assim: revela-Te escondendo-Te, dá-Te retendo-Te para Te dares plenamente somente na Glória final!

Eis por que o Apóstolo não hesita em afirmar já há dois mil anos o que hoje sentimos tão forte (cf. 1Cor 1,22-25): “Os judeus pedem sinais, os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos”.

O sinal que Deus apresenta para Israel, o remédio que Deus preparou para curar a violação da Lei é o Seu Filho crucificado, morto e ressuscitado! E mais: a explicação, a resposta que Deus continua a contrapor à humana soberba, à uma razão que pensa que se basta a si mesma, é o Filho, que somente pode ser visto agora e agora apreendido na fé, por quem dobra os joelhos e cala o coração!

Meu Leitor paciente e amigo, olhemos para nós, o novo Povo de Deus, Igreja santa, Mãe católica, o Povo nascido da Morte e Ressurreição de Cristo. Não somos mais obrigados a cumprir os detalhados preceitos da Lei de Moisés, mas somos convidados a olhar o Crucificado, cujo corpo macerado é o lugar do perdão e do encontro com Deus, o lugar da nova e eterna Aliança... Olhando o Crucificado, ouçamos, mais uma vez, como Israel: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair da casa da escravidão, da miséria do pecado e da morte, da escuridão de uma vida sem sentido! Eu te dei o Meu Filho amado! Não terás outros deuses diante de Mim!”

Compreende, Irmão? Os preceitos do Antigo Testamento passaram; não, porém, a exigência de um coração todo de Deus, um coração que O ame, um coração sem divisão! E, para nós, a exigência é ainda maior, porque Israel não tinha ainda visto até onde iria o amor de Deus; quanto a nós, sabemos: “Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a Vida eterna” (Jo 3,16).

A Amazônia brasileira não é mais católica, prelado critica Instrumentum Laboris do Sínodo


Dom José Luis Azcona, Bispo Emérito da Prelazia do Marajó, na região amazônica, publicou algumas considerações em relação ao Instrumentum Laboris do Sínodo para a Amazônia, que acontecerá em outubro, no Vaticano.

Em sua análise, oferecida ao Grupo ACI, Dom Azcona questionou pontos centrais do documento de trabalho, como uma “visão distorcida” em relação ao chamado “rosto amazônico”, a “interculturalidade” e a ordenação de homens casados.

Sínodo: Rosto amazônico?

Segundo Prelado, “a Amazônia, ao menos a brasileira, não é mais católica” e “este ponto de partida é crucial para a celebração do Sínodo. Se a Amazônia tem uma maioria pentecostal, é necessário tratar este fenômeno a fundo. Qualquer saudosismo de uma Amazônia que não existe mais é fatal para a evangelização integral da mesma. Até em algumas regiões da Amazônia a maioria pentecostal chega a 80%”.

Por outra parte, assinalou, “a penetração pentecostal em várias etnias indígenas passando por cima das culturas, identidades étnicas, povos indígenas, em nome do Evangelho, é um fenômeno grave da Amazônia atual, que com suas conotações fundamentalistas e proselitistas incide profundamente nos povos indígenas. Não existe sobre este ponto uma palavra no IL (Instrumento de trabalho). Este é hoje o rosto amazônico. Não só”.

Dom Azcona indicou ainda que “a longa experiência de anos confirma que em muitas Dioceses amazônicas não se vive a fé nem na sociedade e nem na história. O abismo entre confissão de fé, celebração da mesma em belíssimas liturgias e a realidade social, ambiental, cultural e política, até agora não foi preenchido”.

Além disso, observou que, “lamentavelmente, o IL não sabe, ou sabendo não compreende, a transcendência para o presente e para o futuro da Amazônia, o rosto angustiado, revitimizado, denegrido das crianças pelos próprios pais e parentes, submetidas a uma escravidão que forma parte essencial do rosto abandonado e destruído de Jesus na Amazônia”.

“Todo este documento é palha se não compreende e se compromete com o espírito e a letra do evangelho: ‘Aquele que acolhe a uma criança como esta, a Mim acolhe e quem me acolhe a Mim, acolhe ao meu Pai que me enviou’ (Mc 9,37)”.

Nesse sentido, “somente no Pará em um ano foram 25.000 denúncias de crimes deste tipo (Ndr.: de pedofilia). Segundo especialistas dessa área, por cada caso de pedofilia existem por trás mais outros quatro. Se aproximadamente durante um ano houve 100.000 crianças abusadas no Pará, não constitui este rosto das crianças destruídas, uma parte essencial do rosto amazônico?”.

“Onde está a sensibilidade pastoral por parte dos responsáveis pelo IL tão evidente e tão firmemente expressa pelo Santo Padre o Papa Francisco?”, questionou e acrescentou: “Onde está a defesa da Amazônia, das suas crianças no IL e, portanto, no Sínodo? Vamos sair das falsas projeções sobre a Amazônia e vamos possibilitar de uma vez por todas os novos caminhos para ela”.

“Qual é o rosto amazônico? Pode-se construir um Sínodo desta envergadura no próximo outubro com uma apresentação tão fora do real, da identidade, do respeito ao diferente, quando esquemas pré-estabelecidos de interpretação da realidade deformam o real?”.

Continua o diálogo entre Vaticano e o governo comunista do Vietnã


O Vaticano e o Vietnã, regido por um governo comunista, continuam as conversas diplomáticas com um novo encontro do Grupo de Trabalho que começará na quarta-feira, 21 de agosto, no Vaticano e terminará no dia seguinte.

Este encontro é o VIII realizado pelo Grupo de Trabalho entre os dois Estados, o último ocorreu em Hanói, Vietnã, em 19 de dezembro de 2018.

Segundo informou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, através de um comunicado de imprensa, "o encontro tem a finalidade de desenvolver e aprofundar as relações bilaterais".

Em particular, “serão tratados alguns aspectos da vida eclesial no país, além de questões que dizem respeito ao status e à missão do Representante Pontifício Residente no Vietnã e a visita do secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, prevista futuramente”.

Segundo o comunicado emitido pelo Vaticano, a delegação vietnamita será guiada pelo Vice-Ministro dos Assuntos Exteriores, To Anh Dung, e a da Santa Sé por Mons. Antoine Camilleri, Subsecretário das Relações com os Estados.

Arcebispo Metropolitano de Niterói sobre sequestro: "lamentável e triste"




NOTA DE SOLIDARIEDADE DO
ARCEBISPO METROPOLITANO DE NITERÓI



“O Senhor para nós é refúgio e vigor, sempre pronto,

mostrou-se um socorro na angústia” (Sl 45,2).

Amados irmãos e irmãs,

Hoje, dia 20 de agosto, a manhã começou com um fato lamentável e triste, que impactou a todos os cidadãos de bem em sua maioria trabalhadores, com o sequestro, na ponte Rio-Niterói, do ônibus que partiu do município de São Gonçalo em direção ao Rio de Janeiro.

Queremos manifestar nossa comunhão e solidariedade com o sofrimento dos 37 passageiros que ficaram como reféns, bem como a nossa oração pelo descanso eterno do sequestrador.

Em momentos trágicos como esse, é importante buscarmos o refúgio em Deus pela oração e invocar sua misericórdia. Confiando no Deus misericordioso, que se abaixa diante da nossa miséria, pedimos a sua proteção nesses tempos difíceis de violência e também pedimos que nos ajude a ser testemunhas da paz, pois, a violência não é de Deus!

Temos consciência de que todos nós, autoridades e povo, somos responsáveis pela construção da paz! Os instrumentos da violência e da morte devem ser transformados em instrumentos de melhores condições de vida para todos. Por isso, proclamamos com Jesus: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9).

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

A heresia é o pecado dos pecados


A suprema deslealdade para com Deus é a heresia. É o pecado dos pecados, a mais repugnante das coisas que Deus desdenha neste mundo enfermo. No entanto, quão pouco entendemos da sua enorme odiosidade! É a poluição da verdade de Deus, o que é a pior de todas as impurezas.

Porém, quão pouca importância damos à heresia! Fitamo-la e permanecemos calmos... Tocamo-la e não trememos. Misturamos-nos com ela e não temos medo. Vemo-la tocar nas coisas sagradas e não temos nenhum sentido do sacrilégio. Inalamos o seu odor e não mostramos qualquer sinal de abominação ou de nojo. De entre nós, alguns simpatizam com ela e alguns até atenuam a sua culpa. Não amamos a Deus o suficiente para nos enraivecermos por causa da Sua glória. Não amamos os homens o suficiente para sermos caridosamente verdadeiros por causa das suas almas.

Tendo perdido o tato, o paladar, a visão e todos os sentidos das coisas celestiais, somos capazes de morar no meio desta praga odiosa, imperturbavelmente tranquilos, reconciliados com a sua repulsividade, e não sem proferirmos declarações em que nos gabamos de uma admiração liberal, talvez até com uma demonstração solícita de simpatia tolerante.

Por que estamos tão abaixo dos antigos santos, e até dos modernos apóstolos destes últimos tempos, na abundância das nossas conversões? Porque não temos a antiga firmeza! Falta-nos o velho espírito da Igreja, o velho génio eclesiástico. A nossa caridade não é sincera porque não é severa, e não é persuasiva porque não é sincera.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Hoje começa a Quaresma de São Miguel Arcanjo




Neste dia em que a Igreja celebra a Solenidade da Assunção de Maria, começa também a Quaresma de São Miguel, a qual surgiu por inspiração de São Francisco de Assis e se conclui no dia 29 de setembro, com a festa dos Santos Arcanjos.

Em artigo no site de Padre Paulo Ricardo por ocasião do início desta Quaresma em 2017, explica-se que o surgimento desta Quaresma remete à Idade Média, quando São Francisco de Assis, “achando muito longa a distância entre o Advento e a Quaresma, os dois períodos litúrgicos tradicionalmente dedicados à penitência e ao jejum, decidiu praticar um novo tempo de mortificações em honra ao príncipe da milícia celeste, São Miguel Arcanjo”.

A partir de então, começou a se tornar muito popular, “embora não esteja prevista no calendário litúrgico da Igreja”.

Este ciclo de quarenta dias de penitência, sem contar os domingos, começa exatamente em 15 de agosto, na Assunção da Santíssima Virgem Maria, e se encerra em 29 de setembro, festa dos Santos Arcanjos, o que remete a uma narrativa do Apocalipse.

“É interessante notar – indica o artigo – que o relato do capítulo 12 do livro do Apocalipse faz uma descrição exata da Quaresma de São Miguel, apresentando, em primeiro lugar, a ‘Mulher vestida de Sol’ e, por último, a vitória de São Miguel contra o dragão”.

Entretanto, lamenta-se que, “infelizmente, algumas pessoas vivem a Quaresma de São Miguel como uma superstição”, achando que basta “acender uma vela” ao Santo Arcanjo para “converter, por exemplo, alma de seus familiares”.

“Essas pessoas se esquecem da liberdade humana e que Deus jamais irá intervir no coração de alguém sem que esse mesmo alguém permita. Na verdade, a infalibilidade da Quaresma de São Miguel depende da disposição interior da pessoa que a está rezando, já que essa pessoa é a primeira que deve receber as graças dessa devoção”, acrescenta.

Nesse sentido, explica que o segredo desta Quaresma é “a humildade”. “Não é à toa que ela se inicia com a assunção de Nossa Senhora e se encerra com a festa de S. Miguel, as duas criaturas que, na ordem da graça, deram um grande testemunho de humildade diante de Deus”, explica.

“Maria e Miguel mostram que o caminho da perfeição deve ser trilhado pela via da humildade” e “venceram o dragão pelo sangue do Cordeiro porque se dispuseram a cumprir tudo o que Ele lhes dissera”.

Assim, acrescenta, também “nós precisamos recorrer ao auxílio divino, à intercessão dos anjos, de Nossa Senhora e do sangue do Cordeiro, caso queiramos vencer a batalha contra o diabo”.

A seguir, confira a Quaresma de São Miguel, disponibilizada pela site da Comunidade Canção Nova:

Rússia: Padre ortodoxo é afastado após tentar batizar criança de forma violenta


Um padre da Igreja Ortodoxa foi banido na Rússia depois de tentar batizar um bebê à força na cidade de Gatchina, na região de Leningrado, a cerca de 50km ao sul de São Petersburgo. O incidente, que ocorreu no dia 10 de agosto, foi filmado, e o vídeo mostra a mãe da criança tentando impedir o batismo violento.

O padre, identificado como Foty pelo veículo "Radio Free Europe", deverá ficar afastado do clero por um ano. Nas imagens, ele aparece tentando afundar o bebê, de 1 ano de idade, várias vezes na água, à força, apesar dos choros e chutes da criança. A mãe tenta, então, tirar o filho do padre, mas ele se recusa a entregá-lo.

A criança teve arranhões e ficou com hematomas depois do episódio, afirmou uma estação de TV russa ao relatar o caso no Twitter.

O sacerdote ainda tentou defender o modo como agiu, afirmando que os pais do bebê desconheciam os ritos da igreja. Ele também disse que tinha a intenção de mergulhar a cabeça da criança na água três vezes, conforme as regras do batismo, e que a mãe se comportou de forma "extremamente emocional".

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

"Documento de trabalho do Sínodo da Amazônia é ‘apostasia’, não pode se tornar um ensinamento da Igreja", afirma Cardeal


O cardeal Raymond Burke disse que o documento de trabalho usado para o próximo Sínodo Pan-Amazônico, organizado pelo Vaticano a pedido do Papa Francisco, equivale a “apostasia”.

O cardeal fez esse comentário quando perguntado em uma entrevista no Youtube em 13 de agosto se o documento de trabalho conhecido como Instrumentum Laboris para o Sínodo de 6 a 27 de outubro pode se tornar definitivo para a Igreja Católica. O cardeal Burke respondeu:

“Não pode ser. O documento é uma apostasia. 
Isso não pode se tornar o ensinamento da Igreja, 
e se Deus quiser, todo o negócio será interrompido”.

Burke fez este comentário em uma ampla entrevista com o apresentador católico Patrick Coffin. Os principais organizadores do Sínodo Amazônico foram criticados por usar o evento para pressionar por diáconos do sexo feminino e padres casados. 

O cardeal, em uma discussão com o Coffin sobre políticos e outros que se afastam publicamente das crenças básicas defendidas pela Igreja, definiu tanto a heresia quanto a apostasia.

“Heresia é a negação, a negação consciente e voluntária de uma verdade da fé. Por exemplo, o sacerdote Ário, que negou as duas naturezas e uma pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, a heresia é apontada para uma verdade particular que alguém nega, ao passo que a apostasia é uma deserção geral da fé, um afastamento de Cristo de um modo geral e as muitas verdades da fé ”, afirmou.

Burke, em uma entrevista diferente, comentou comentários que os organizadores do sínodo fizeram sugerindo um relaxamento do celibato no sacerdócio para a região amazônica, dizendo que isso afetaria toda a Igreja mundial. “Não é honesto” sugerir que a reunião de outubro é “tratar a questão do celibato clerical apenas para aquela região”, disse ele em junho.

O Papa Francisco anunciou no ano passado que o Sínodo dos bispos da região Pan-Amazônica de outubro se reuniria em Roma com o propósito de identificar “novos caminhos para a evangelização do povo de Deus naquela região”, especialmente povos indígenas “muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno “.

Os cardeais Walter Brandmuller e Gerhard Muller também condenaram o documento de trabalho do Sínodo da Amazônia.  O cardeal Walter Brandmüller também criticou o documento de trabalho, chamando-o de “herético” e uma “apostasia” da Revelação Divina. Ele chamou a hierarquia para “rejeitá-la” com “toda determinação”.

O cardeal Gerhard Mueller denunciou o que ele chama de terminologia ambígua e “ensino falso” do documento. Ele também questionou o que chamou de “hermenêutica invertida” do documento. Perguntando retoricamente se a Igreja é usada nas mãos de bispos e papas para “reconstruir”. “A Igreja como um instrumento” com objetivos seculares “, Mueller disse que o texto” apresenta uma reviravolta radical da hermenêutica da teologia católica “. Em vez de ressaltar os ensinamentos da Igreja ou citar a Sagrada Escritura, Muller escreveu que o Instrumentum Em vez disso, o Laboris gira em torno dos últimos documentos do Magistério do Papa Francisco, com algumas referências a João Paulo II e Bento XVI.

Austrália: Arcebispo lamenta avanço de lei do aborto


O Arcebispo de Sydney (Austrália), Dom Anthony Fisher, expressou sua decepção com a aprovação, pela Assembleia Legislativa de Nova Gales do Sul, de um projeto de lei para descriminalizar o aborto.

O projeto de lei “Reproductive Health Care Reform Bill 2019” foi aprovado na câmara baixa do parlamento local, em 8 de agosto, por uma votação de 59 a 31.

"Se uma civilização deve ser julgada pela forma como trata seus membros mais fracos, a Nova Gales do Sul fracassou espetacularmente hoje", comentou Dom Anthony Fisher.

O projeto de lei “ainda permite o aborto até o nascimento. Recruta todos os médicos e instituições médicas para a indústria do aborto, exigindo que eles façam abortos ou encaminhem as mulheres a um provedor de abortos. Além disso, não faz nada para proteger as mães ou seus filhos ou para lhes dar alternativas reais”, disse.

Também permitiria o aborto por qualquer motivo até 22 semanas de gravidez e também se dois médicos considerarem que um aborto deveria ser realizado, levando em conta as circunstâncias físicas, sociais e psicológicas.

Não exige nenhum tipo de aconselhamento ou período de consideração para as mulheres e exigiria que os médicos com objeção de consciência encaminhassem as mulheres a outros prestadores de serviços de aborto.

O projeto de lei também consideraria como delito penal a realização destas práticas sem as autorizações adequadas, o que acarretaria em uma pena máxima de sete anos de prisão.

Segundo os defensores do projeto, este esclarece o que acreditam que eram termos anteriormente ambíguos no Código Penal em relação ao aborto.

No entanto, os opositores acreditam que abre a possibilidade de aborto eletivo a qualquer momento, desde que dois médicos deem o seu consentimento.

México: Bispos à Suprema Corte sobre aborto: "não existe o direito de matar"




Poucos dias após a Suprema Corte de Justiça da Nação (SCJN) ter descartado duas controvérsias constitucionais que buscavam reverter a polêmica Norma Oficial Mexicana NOM-046, que permite o aborto em casos de estupro de menores, a Conferência dos Bispos do México (CEM) lembrou que "não existe o direito de matar".

De acordo com a NOM-046, meninas acima de 12 anos podem solicitar diretamente o aborto em instituições de saúde sem a necessidade de nenhuma denúncia, mas apenas com um pedido afirmando “sob protesto” (NdR. Sob juramento) que a gravidez é o produto de um estupro.

Somente no caso de crianças menores de 12 anos o pedido deve ser apresentado por um dos pais ou responsável.

A NOM-046 foi originalmente emitida pelo Ministério da Saúde do México em abril de 2009 e modificada em março de 2016.

Em abril de 2016, o Poder Executivo do Estado de Baja California e o Poder Legislativo do Estado de Aguascalientes apresentaram controvérsias constitucionais contra a NOM-046, que foram finalmente descartadas pelo SCJN, em 5 de agosto deste ano.

Em um documento publicado em 12 de agosto deste ano, intitulado "A favor de meninas e mulheres vítimas de estupro e do nascituro", os bispos mexicanos disseram que entre as mudanças mais críticas aplicadas à NOM-046 está o fato de que "substitui o conceito de aborto pelo de Interrupção Voluntária da Gravidez (IVE) e legaliza a prática do aborto sem estabelecer limites para o tempo de gestação”.

Além disso, indicaram, “anula o exercício do poder familiar como direito e obrigação dos pais da vítima nesta matéria, pois meninas entre 12 e 17 anos que foram estupradas podem solicitar o aborto sem a necessidade do consentimento de seus pais ou dos seus representantes legais”.

A NOM-046, continuaram, “estabelece como o único requisito para ter acesso ao aborto a solicitação por escrito por parte da pessoa afetada sob protesto de verdade de que a gravidez é o resultado de um estupro, eliminando a exigência de apresentação prévia da queixa ou denúncia e a autorização das autoridades competentes”.

A norma federal, acrescentaram, “desumaniza e renuncia ao atendimento integral da vítima, pois os profissionais de saúde que participam do procedimento de interrupção voluntária da gravidez não serão obrigados a verificar a afirmação da solicitante, amparados por uma aplicação equívoca do princípio de boa fé previsto na Lei Geral de Vítimas”.

Os bispos criticaram que a atual redação da NOM-046 abre “um caminho de graves consequências, pois promove a impunidade em favor do agressor e permite que a vítima retorne ao âmbito no qual sofreu o estupro, com o risco muito alto de ser revitimizada".

"Mais grave ainda, a NOM-046 pode ser um mecanismo facilitador para que os agressores sexuais coajam as vítimas para solicitarem a prática do aborto e, com isso, escapem das consequências previstas na legislação penal vigente”, assinalaram.

Chile: Presidente promulga lei para dar identidade a bebês mortos antes de nascer




O presidente do Chile, Sebastián Piñera, promulgou na terça-feira, 13 de agosto, a Lei Natimorto que permitirá que mães e pais enterrem seu filho morto antes de nascer com nome e sobrenome.

A Lei Natimorto foi apoiada por deputados de diferentes bancadas e incentivada pelo "Coletivo Lei de Identidade NN" – do latim Nomen Nescio, para descrever uma pessoa não identificada – composto pela Fundação Amparos, Fundação Anjo da Luz e Movimento das Mulheres Reivindica, dedicadas a trabalhar com a maternidade, os direitos humanos e o luto gestacional.

Por mandato presidencial, o projeto foi apresentado em 16 de agosto de 2018.

Antes dessa legislação, a individualização da criança morta durante a gravidez não era permitida, eram definidos como “NN” ou como restos biológicos.

A partir de agora, a mãe ou quem ela autorizar pode cadastrar a criança no Registro Nacional de Natimortos do Registro Civil.

O registro permitirá a individualização com nome, sobrenome, sexo e o nome dos pais, e poderá ser feito a qualquer momento após a morte.

Para fazer o registro só se requer apresentar qualquer documento emitido por um profissional da saúde que confirme a morte do feto. Caso não tenha este certificado, pode confirmar a existência do natimorto com uma declaração simples feita no Registro Civil.

A lei pode ser aplicada de maneira retroativa naqueles casos que ocorreram antes da sua entrada em vigor.