quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Este é o programa que Bento XVI deixou para enfrentar os abusos na Igreja


Em 16 de setembro de 2010, no voo que o levou ao Reino Unido, o agora Papa Emérito Bento XVI descreveu brevemente o que poderia ser considerado o programa a seguir para enfrentar o escândalo dos abusos sexuais na Igreja.

No encontro no avião com os jornalistas com os quais viajou a Londres, Bento XVI explicou que, em relação às vítimas de abusos sexuais, é importante destacar três aspectos:

1. A reparação

Bento XVI explicou que “o primeiro interesse são as vítimas: como podemos reparar. Que podemos fazer para ajudar estas pessoas a superar este trauma, a reencontrar a vida, a voltar também a ter confiança na mensagem de Cristo”.

“Cura, empenho pelas vítimas é a primeira prioridade, com ajudas materiais, psicológicas, espirituais”, ressaltou o então Pontífice.

2. Os culpados

Em segundo lugar, continuou, está “o problema das pessoas culpadas: a justa pena é excluí-las de qualquer possibilidade de contato com os jovens, porque sabemos que se trata de uma doença e a livre vontade não funciona onde há esta doença”.

“Portanto, devemos proteger estas pessoas contra si mesmas e encontrar o modo de ajudá-las, de protegê-las contra si mesmas e de excluí-las de qualquer contato com os jovens”, ressaltou.

3. A prevenção

O terceiro ponto, explicou Bento XVI, “é a prevenção na educação, na escolha dos candidatos para o sacerdócio: estar muito atentos para que, segundo as possibilidades humanas, sejam excluídos casos futuros”.

Uma grande tristeza

Bento XVI explicou naquele dia que as revelações sobre os casos de abusos sexuais na Igreja foram “para mim um choque, não apenas uma grande tristeza. É difícil compreender como esta perversão do ministério sacerdotal tenha sido possível”.

“O sacerdote no momento da ordenação, preparado durante anos para este momento, diz o seu sim a Cristo para ser a sua voz, os seus lábios, a sua mão e servir com toda a existência, para que o Bom Pastor, que ama, ajuda e guia para a verdade esteja presente no mundo”.

Por isso, continuou, “é difícil de compreender como pode um homem que fez e disse isto cair depois nesta perversão. É uma grande tristeza, é triste também que a autoridade da Igreja não tenha sido suficientemente vigilante nem rápida, decidida, em tomar as medidas necessárias”.

“Por tudo isto estamos num momento de penitência, de humildade, e de renovada sinceridade, como escrevi aos bispos irlandeses. Parece-me que devemos agora realizar precisamente um tempo de penitência, um tempo de humildade, renovar e reaprender uma absoluta sinceridade”, concluiu.

Em março de 2010, Bento XVI escreveu uma carta na qual abordava o tema dos abusos sexuais. No texto, o Santo Padre propunha um caminho de cura, renovação e reparação para a Igreja neste país; expressou sua proximidade e solidariedade às vítimas e repreendeu os responsáveis por “esses atos pecaminosos e criminosos”.
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ACI Digital