quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O que Geraldo Alckmin pensa sobre religião, aborto, casamento gay e drogas?



Médico por formação, mas político durante a maior parte da vida, o atual governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, ocupa o cargo pela quarta vez e é um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Em 2006, ele foi o candidato do partido à presidência da república, perdendo para Lula no segundo turno, com 39,17% dos votos. Antes disso já havia sido vereador e prefeito em Pindamonhangaba, sua cidade natal, deputado estadual e federal, secretário estadual de Desenvolvimento de São Paulo, vice-governador e duas vezes governador, uma delas em ocasião do falecimento do titular, Mario Covas.

A longa carreira política e as várias eleições que disputou lhe deram muitas oportunidades para falar sobre suas convicções morais e religiosas, rendendo-lhe de modo geral o rótulo de político conservador – categoria à qual Alckmin jamais admitiu pertencer. Caso o tucano realmente concorra às eleições presidenciais em 2018, essa alcunha certamente será relativizada devido à participação praticamente garantida de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), um conservador assumido e bastante crítico ao partido do governador paulista.

Alckmin, aliás, tem dado sinais de que está otimista com a possível candidatura. As pesquisas de opinião, contudo, tem lhe dado percentuais de intenção de voto tímidos – 10% em pesquisa recente do Data Poder 360 –, inferiores, inclusive, aos números obtidos por seu colega de partido, o prefeito de São Paulo, João Dória (13%). 

Religião


Um dos boatos mais recorrentes envolvendo Alckmin diz respeito ao seu suposto envolvimento com o Opus Dei, uma organização católica, pejorativamente chamada por seus críticos de “ultraconservadora”, devido à fidelidade à doutrina tradicional da Igreja, e também acusada de certo “secretismo”, por causa da discrição de seus membros em assumirem-se como tal. Aqueles que alegam ser real a vinculação resgatam como argumento o fato de que, quando era prefeito de Pindamonhangaba, Alckmin batizou uma das ruas de sua cidade com o nome de Josemaria Escrivá de Balaguer, nome do santo fundador do Opus Dei.

Apesar disso, todas as vezes em que foi questionado sobre a relação, Alckmin afirmou não pertencer ao grupo, embora tenha admitido que parentes seus eram membros. “O meu tio é que era da Opus Dei. Eu não vejo nenhum problema na Opus Dei. O monsenhor Escrivá [Josemaría Escrivá de Balguer (1902-1975), foi o fundador do Opus Dei] foi beatificado, foi canonizado, é santo da Igreja Católica. Não vejo nenhum problema. Se eu fosse, eu até lhe diria. Agora, sou católico. Eu respeito todas as religiões. Na vida, é preciso ter princípios, ter valores que norteiam a nossa existência, então respeito todas as religiões”, declarou o governador em 2005, noprograma Roda Vida, da TV Cultura.

Em 2006, já na condição de candidato à presidência da república, voltou a negar o vínculo. “Não sou da Opus Dei. Respeito quem é, mas não a conheço.”, disse em entrevista à Folha de São Paulo, em setembro de 2006.

Aborto


Contrário à legalização da prática, Alckmin já deu várias declarações sobre o tema, frequentemente afirmando que a legislação brasileira atual é suficiente e que a prevenção à gravidez, por meio da ampliação de programas de educação sexual, seria um caminho melhor.

Em 2006, em entrevista à Folha FM, de Recife, ele afirmou: “Eu não vejo o aborto como solução. Nós já temos previstos [na lei] casos de aborto para estupro, risco de morte para a mãe. (…) A solução é evitar a gravidez indesejada. Naquele mesmo ano, durante uma sabatina promovida pelo Grupo Estado, ele defendeu abertamente o planejamento familiar como meio de se evitar o aborto. “Sou contra (o aborto); sou favorável ao planejamento familiar. É possível fazer um projeto bem-sucedido, como fiz em São Paulo, enquanto governador, combatendo a gravidez indesejada, trazendo educação sexual, trabalho nas escolas e métodos contraceptivos”.

Casamento gay


Alckmin é favorável a união civil homossexual. Ao Grupo Estado, em 2006, afirmou: “É um contrato, não vejo problema”. Declarações semelhantes foram dadas à Folhateen, no mesmo ano: “Não se trata de casamento. É contrato de união civil. Sou favorável”

 

Legalização das drogas


Alckmin é contrário à legalização das drogas e defensor do combate aberto ao tráfico de drogas no país. “Não tenho nenhuma convicção de que legalizando possa melhorar. Precisamos é combater os grandes”, afirmou em 2014, durante sua campanha de reeleição ao governo de São Paulo.

Na campanha presidencial que disputou, em 2006, disse que “as drogas vêm de fora do País. Os policiais estaduais estão perdendo o forte escalão da droga, pegam moleque que distribui droga no bairro, isso não adianta. O Brasil não fabrica droga, as drogas vêm de fora. O que precisamos é de polícia de fronteira, inteligência policial, Polícia Federal e Forças Armadas”. Em entrevista à Folhateen afirmou ser contra a legalização das drogas de maneira geral, sem abrir exceção à maconha, por exemplo: “Sou contra [à legalização], porque os especialistas afirmam que a maconha é uma porta de entrada para drogas mais pesadas”.
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