quinta-feira, 23 de agosto de 2018

EUA: Bispo pede ódio ao pecado, jejum e abstinência para combater a subcultura homossexual que está causando grande devastação na Igreja



Caros irmãos e irmãs em Cristo da Diocese de Madison:

As últimas semanas trouxeram muito escândalo, cólera justificada e um apelo por respostas e ações de muitos fiéis católicos aqui dos EUA e do exterior, dirigidos à hierarquia da Igreja em relação aos pecados sexuais de bispos, padres e até cardeais. Cólera ainda maior é dirigida justamente àqueles que foram cúmplices em impedir que alguns desses pecados sérios viessem à luz.

De minha parte – e sei que não estou sozinho –, estou cansado disso. Estou cansado de pessoas sendo feridas, gravemente feridas! Estou cansado da ofuscação da verdade. Estou cansado do pecado. E, como alguém que tentou – apesar de minhas muitas imperfeições – entregar minha vida por Cristo e por Sua Igreja, eu me cansei da violação regular dos deveres sagrados por parte daqueles a quem o Senhor conferiu imensa responsabilidade para o cuidado de Seu povo.

Os relatos que vêm sendo trazidos à luz e exibidos em detalhes macabros a respeito de alguns sacerdotes, religiosos, e agora inclusive daqueles colocados em lugares de liderança mais alta, são repugnantes. Ouvir um só desses relatos literalmente basta para deixar alguém doente. Mas a minha própria doença em face desses relatos é rapidamente colocada em perspectiva quando eu me lembro de que muitas pessoas passaram por isso durante anos. Para elas, esses não são relatos mas, de fato, realidades. Para elas eu me volto, e digo novamente: sinto muito pelo que vocês sofreram e continuam a sofrer na mente e no coração.

Se ainda não o fez, peço-lhe que estenda a mão, por mais difícil que seja, e procure ajuda para começar a curar. Além disso, se você foi ferido por um padre da nossa diocese, eu o encorajo a se apresentar, a fazer um relatório à polícia e ao nosso Coordenador de Assistência à Vítima, para que possamos começar, com você como indivíduo, a tentar e definir as coisas direito na maior medida possível.

Não há nada sobre esses relatos que esteja bem. Essas ações, cometidas por mais do que alguns, só podem ser classificadas como mal, mal que clama por justiça e pecado que deve ser expulso de nossa Igreja.

Confrontado com relatos da depravação de pecadores no seio da Igreja, fui tentado a desesperar. E por quê? A realidade do pecado – até mesmo o pecado na Igreja – não é nova. Somos uma Igreja feita de pecadores, mas somos pecadores chamados à santidade. Então, o que é novo? O que é novo é a aparente aceitação do pecado por alguns na Igreja, e os aparentes esforços deles e de outros para encobrir o pecado. A menos e até que levemos a sério nosso chamado à santidade, nós, como instituição e como indivíduos, continuaremos a sofrer o “salário do pecado”.

Por muito tempo nós diminuímos a realidade do pecado – recusamo-nos a chamar um pecado de pecado – e temos desculpado o pecado em nome de uma noção equivocada de misericórdia. Em nossos esforços para nos abrirmos ao mundo, tornamo-nos todos muito dispostos a abandonar o Caminho, a Verdade e a Vida. A fim de evitar ofender, oferecemos a nós mesmos e a outras pessoas sutilezas e consolação humana.

Por que fazemos isso? É por um desejo sincero de mostrar uma sensação equivocada de ser “pastoral?” Nós encobrimos a verdade por medo? Estamos com medo de sermos antipatizados por pessoas neste mundo? Ou estamos com medo de sermos chamados de hipócritas porque não estamos nos esforçando incansavelmente pela santidade em nossas próprias vidas?

Possivelmente são essas as razões, mas talvez seja mais ou menos complexo do que isso. No final, as desculpas não importam. Nós devemos dar um basta no pecado. Ele deve ser erradicado e considerado novamente inaceitável. Ama os pecadores? Sim. Aceita o verdadeiro arrependimento? Sim. Mas não diga que o pecado está bem. E não finja que violações graves do ofício e da confiança não vêm sem consequências graves e duradouras.

Para a Igreja, a crise que enfrentamos não se limita ao caso McCarrick, nem ao Relatório do Grande Júri da Pensilvânia ou a qualquer outra coisa que possa vir. A crise mais profunda que deve ser enfrentada é a licença para o pecado ter um lar nos indivíduos em todos os níveis da Igreja.

Existe certo nível de conforto com o pecado que veio permear nosso ensino, nossa pregação, nossa tomada de decisão e nosso próprio modo de viver.

Se me permitirem, o que a Igreja precisa agora é de mais ódio! Como já disse anteriormente São Tomás de Aquino, o ódio à maldade pertence realmente à virtude da caridade. Como diz o Livro de Provérbios: “A minha boca meditará a verdade, e os meus lábios odiarão a impiedade” (Provérbios 8, 7). É um ato de amor odiar o pecado e chamar os outros a se afastarem do pecado.

Não deve haver espaço, nenhum refúgio, para o pecado – seja dentro de nossas próprias vidas, seja dentro das vidas das nossas comunidades. Para ser um refúgio dos pecadores (que deveríamos ser), a Igreja deve ser um lugar onde os pecadores possam se voltar para se reconciliar. Nisso eu falo de todo pecado. Mas, para ser claro, nas situações específicas em questão, estamos falando de atos sexuais desviantes – quase exclusivamente homossexuais – praticados por clérigos. Também estamos falando de proposições homossexuais e abusos contra seminaristas e jovens sacerdotes por poderosos sacerdotes, bispos e cardeais. Estamos falando de atos e ações que não só violam as promessas sagradas feitas por alguns, em suma, sacrilégio, mas que também violam a lei moral natural para todos. Chamar isso de outra coisa seria enganoso e apenas ignoraria o problema.

Tem havido um grande esforço para manter separados atos que se enquadram na categoria de atos de homossexualidade, agora culturalmente aceitáveis, dos atos publicamente deploráveis de pedofilia. Quer dizer, até recentemente os problemas da Igreja eram pintados puramente como problemas de pedofilia – isto apesar de clara evidência em contrário. É hora de ser honesto [e reconhecer] que os problemas são ambos e ainda outros. Cair na armadilha de analisar os problemas de acordo com o que a sociedade pode achar aceitável ou inaceitável é ignorar o fato de que a Igreja nunca sustentou QUALQUER um deles como aceitável – nem o abuso de crianças, nem qualquer uso da sexualidade fora do casamento, nem o pecado de sodomia, nem absolutamente a entrada de clérigos em relações sexuais íntimas, nem abuso e coerção por parte daqueles que possuem autoridade.

Nesta última consideração, deve-se mencionar especialmente o caso mais notório e mais alto no ranking, que são as acusações (amiúde sussurradas, agora muito públicas) de pecados sexuais, predação e abuso de poder do antigo Cardeal Theodore McCarrick. Os detalhes bem documentados deste caso são vergonhosos e seriamente escandalosos, como o é qualquer encobrimento de tais ações aterradoras por parte de outros líderes da Igreja que sabiam disso com base em sólidas evidências.

Embora as recentes e verossímeis acusações de abuso sexual infantil por parte do arcebispo McCarrick tenham trazido à luz uma série de questões, o problema do seu abuso de poder por causa do prazer homossexual era muito ignorado.

É hora de admitir a existência na hierarquia da Igreja Católica de uma subcultura homossexual que está causando grande devastação na vinha do Senhor. O ensinamento da Igreja é claro de que a inclinação homossexual não é em si mesma pecaminosa, mas intrinsecamente desordenada, de modo a tornar incapaz para o sacerdócio qualquer homem afligido estavelmente por ela. E a decisão de agir de acordo com essa inclinação desordenada é um pecado tão grave que clama ao céu por vingança, especialmente quando se trata de atacar os jovens ou os vulneráveis. Tal maldade deve ser odiada com um ódio perfeito. A própria caridade cristã exige que odiemos a maldade, assim como amemos o bem. Mas ao mesmo tempo em que odiamos o pecado, nunca devemos odiar o pecador, que é chamado à conversão, à penitência e à renovada comunhão com Cristo e Sua Igreja, através de sua inesgotável misericórdia.

Ao mesmo tempo, porém, o amor e a misericórdia que somos chamados a ter, até mesmo para o pior dos pecadores, não exclui responsabilizá-los por suas ações através de uma punição proporcional à gravidade de sua ofensa. De fato, uma punição justa é um exercício importante de amor e misericórdia, porque, enquanto serve principalmente como retribuição pela ofensa cometida, também oferece ao culpado uma oportunidade de expiar seu pecado nesta vida (se ele aceitar de bom grado sua punição), poupando-lhe assim a pior punição na vida futura. Motivado, portanto, pelo amor e preocupação pelas almas, permaneço com aqueles que pedem que se faça justiça aos culpados.

Os pecados e crimes de McCarrick e de muitos outros na Igreja provocam suspeitas e desconfianças em sacerdotes, bispos e cardeais muito bons e virtuosos, suspeita e desconfiança em seminários grandes e respeitáveis, e em tantos seminaristas santos e fiéis. O resultado do primeiro exemplo de desconfiança prejudica a Igreja e o excelente trabalho que fazemos em nome de Cristo. Faz com que outros pequem por pensamentos, palavras e ações – o que é a própria definição de escândalo. E a segunda desconfiança prejudica o futuro da Igreja, uma vez que nossos futuros sacerdotes estão em jogo.

Eu disse que estava tentado a desesperar-me diante de tudo isso. No entanto, essa tentação passou rapidamente, graças a Deus. Por maior que seja o problema, sabemos que somos chamados a seguir adiante com fé, confiar nas promessas de Deus, e trabalhar duro para fazer toda a diferença que pudermos, dentro de nossas esferas de influência.

Recentemente, eu tive a oportunidade de conversar diretamente com os nossos seminaristas sobre esses assuntos muito prementes, comecei e continuarei a conversar com os sacerdotes da diocese, assim como com os fiéis, pessoalmente e através de minha coluna semanal e nas homilias, tornando as coisas tão claras quanto me for possível, desde a minha perspectiva. Agora, ofereço aqui alguns pensamentos aos meus diocesanos:

Em primeiro lugar, devemos continuar o bom trabalho que vimos realizando para proteger os jovens e os vulneráveis da nossa diocese. Este é um trabalho em relação ao qual nunca podemos descansar em nossa vigilância, nem em nossos esforços para melhorá-lo. Devemos continuar em nosso trabalho de educação para todos e manter as políticas efetivas que foram implementadas, exigindo exames psicológicos de todos os candidatos ao ministério, bem como verificações gerais de antecedentes para quem trabalha com crianças ou indivíduos vulneráveis.

Declaro novamente aqui, como temos feito de modo consistente, que se você tiver conhecimento de qualquer tipo de abuso criminal de crianças por parte de alguém na Igreja, entre em contato com a polícia. Se você precisar de ajuda para entrar em contato com a polícia, entre em contato com o nosso Coordenador de Assistência à Vítima, que o ajudará a conectar-se com os melhores recursos. Se você é adulto que foi vítima de abuso sexual desde a infância, nós ainda o encorajamos a entrar em contato primeiro com a lei, mas mesmo se você não quiser, por favor, entre em contato conosco.

Aos nossos seminaristas: Se você recebeu proposta impura, foi abusado ou ameaçado (não importa por quem), ou se você testemunha diretamente comportamento impuro, relate-o a mim e ao reitor do seminário. Vou cuidar [do assunto] com rapidez e vigor. Não suportarei isso em minha diocese ou em qualquer lugar que eu envie homens para formação. Confio em que os seminários escolhidos muito criteriosamente por mim para ajudar a formar nossos homens não irão ignorar esse tipo de comportamento escandaloso, expectativa que continuarei a verificar.

Aos nossos sacerdotes: Simplesmente, cumpra as promessas que fez no dia da sua ordenação. O senhor é chamado a servir o povo de Cristo, começando com a oração diária da Liturgia das Horas. Isso é para mantê-lo muito perto de Deus. Além disso, prometeu obedecer e ser fiel ao seu bispo. Em obediência, esforce-se para viver o seu sacerdócio como sacerdote santo, sacerdote trabalhador e sacerdote puro e feliz – como o próprio Cristo o está chamando a fazer. E, por extensão, viva uma vida casta e celibatária, para que possa entregar completamente sua vida a Cristo, à Igreja e às pessoas a quem Ele o chamou para servir. Deus lhe dará as graças para fazer isso. Peça-Lhe a ajuda de que precisa diariamente e durante todo o dia. E se vier a ser objeto de proposta impura, abusado, ou ameaçado (não importa por quem), ou se testemunhar diretamente comportamento impuro, relate-o para mim. Não suportarei isso em minha diocese mais do que em nossos seminários.

Aos fiéis da diocese: Se você é vítima de abuso de qualquer tipo por um padre, bispo, cardeal ou qualquer funcionário da Igreja, revele-o. Ele [o caso] será abordado de forma rápida e justa. Se você presenciou diretamente avanços sexuais ou qualquer tipo de abuso, apresente-o também. Tais ações são pecaminosas e escandalosas e não podemos permitir que alguém utilize sua posição ou poder para abusar de outra pessoa. Novamente, além de ferir indivíduos, essas ações prejudicam o próprio Corpo de Cristo, Sua Igreja.

Além disso, acrescento meu nome ao daqueles que pedem uma reforma real e sustentada no episcopado, no sacerdócio, em nossas paróquias, escolas, universidades e seminários que extirpem e responsabilizem qualquer pretenso predador ou cúmplice sexual; vou manter os sacerdotes da diocese em sua promessa de viver uma vida casta e celibatária de serviço a você e a sua paróquia, e as evidências de fracasso serão tratadas com justiça;

Sustentarei da mesma forma que todo homem que estiver estudando para o sacerdócio, que a nossa diocese será responsável por ele viver uma vida casta e celibatária como parte de sua formação. Não fazê-lo levará à cessação do patrocínio diocesano;

Continuarei exigindo (com nossos homens e nossos fundos) que todos os seminários aos quais enviamos homens para estudar estejam vigilantes para que os seminaristas sejam protegidos dos predadores sexuais, e proporcionem uma atmosfera propícia à sua formação holística, como santos sacerdotes, à imagem de Cristo;

Peço a todos os fiéis da diocese que nos ajudem a prestar contas às autoridades civis, aos fiéis e ao Deus Todo-Poderoso, não apenas para proteger as crianças e os jovens dos predadores sexuais na Igreja, mas nossos seminaristas, estudantes universitários, bem como todos os fiéis. Prometo colocar qualquer vítima e seus sofrimentos diante da reputação pessoal e profissional de um padre, ou de qualquer funcionário da Igreja culpado de abuso;

Peço a todos que leiam isso para rezar. Reze fervorosamente pela Igreja e por todos os seus ministros. Reze pelos nossos seminaristas. E reze por si e por suas famílias. Todos nós devemos trabalhar diariamente para a nossa santidade pessoal, e responsabilizar primeiramente a nós, e depois responsabilizar também os nossos irmãos e irmãs e, por fim, peço a todos que se unam a mim e a todo o clero da Diocese de Madison para fazer atos públicos e privados de reparação ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria por todos os pecados de depravação sexual que foram cometidos pelos membros do clero e do episcopado. Eu oferecerei uma missa pública de reparação na sexta-feira, 14 de setembro, Festa do Triunfo da Santa Cruz, em Holy Nome Heights, e peço a todos os pastores que façam o mesmo em suas próprias paróquias. Além disso, peço que todos os sacerdotes, clérigos, religiosos e funcionários diocesanos se juntem a mim observando as próximas Têmporas de outono (19, 21 e 22 de setembro) como dias de jejum e abstinência em reparação pelos pecados e ultrajes cometidos por membros do clero e do episcopado, e convido todos os fiéis a fazerem o mesmo. Alguns pecados, como alguns demônios, só podem ser expulsos pela oração e pelo jejum.

Esta carta e estas declarações e promessas não pretendem ser uma lista exaustiva do que podemos e precisamos fazer na Igreja para começar a curar e afastar dela esta doença profunda, mas sim os próximos passos que eu acredito que podemos dar localmente.

Mais do que qualquer outra coisa, nós, como Igreja, devemos cessar nossa aceitação do pecado e do mal. Nós devemos expulsar o pecado de nossas próprias vidas e correr em direção à santidade. Devemos nos recusar a ficar em silêncio diante do pecado e do mal em nossas famílias e comunidades, e exigir de nossos pastores – inclusive eu – que eles mesmos estejam lutando dia a dia pela santidade. Devemos fazer isso sempre com respeito amoroso pelos indivíduos, mas com uma compreensão clara de que o amor verdadeiro nunca pode existir sem a verdade.

Novamente, neste momento há muita cólera e paixão justificadas, vindas de muitos leigos e clérigos santos e fiéis em todo o país, exigindo uma reforma real e uma “limpeza doméstica” desse tipo de depravação. Eu estou com eles. Ainda não sei como isso vai acontecer nacional ou internacionalmente. Mas disto eu sei, e faço dele a minha última consideração e última promessa para a Diocese de Madison: “Quanto a mim e minha casa, serviremos ao Senhor”.

Fielmente vosso no Senhor,


Reverendíssimo Dom Robert C. Morlino
Bispo de Madison
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Tradução: Hélio Dias Viana
Disponível em: Fratres In Unum