quinta-feira, 5 de julho de 2018

Reflexão do Papa Francisco sobre o Sacramento da Crisma (1)


CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 23 de maio de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! 

Depois das catequeses sobre Batismo, estes dias que seguem a solenidade de Pentecostes nos convidam a refletir sobre o testemunho que o Espírito Santo suscita nos batizados, colocando em movimento suas vidas, abrindo-a ao bem dos outros. Aos seus discípulos, Jesus confiou uma missão grande: “Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo” (cfr Mt 5, 13-16). Estas são imagens que fazem pensar no nosso comportamento, porque seja a carência seja o excesso de sal tornam desgostoso o alimento, assim como a falta e o excesso de luz impedem de ver. Quem pode realmente tornar-nos sal que dá sabor e preserva da corrupção, e luz que ilumina o mundo, é somente o Espírito de Cristo! E este é o dom que recebemos no sacramento da Confirmação ou Crisma, sobre o qual desejo me concentrar a refletir com vocês. Chama-se “Confirmação” porque confirma o Batismo e reforça a sua graça (cfr Catecismo da Igreja Católica, 1289); como também “Crisma”, pelo fato de que recebemos o Espírito através da unção com o “crisma” – óleo misto com perfume consagrado pelo bispo – termo que nos leva a “Cristo”, o Ungido pelo Espírito Santo.  

Renascer à vida divina no Batismo é o primeiro passo; é preciso então comportar-se como filho de Deus, ou seja, conformar-se ao Cristo que age na santa Igreja, deixando-se envolver na sua missão no mundo. A isso provê a unção do Espírito Santo: “sem a sua força, nada está no homem” (cfr Sequência de Pentecostes). Sem a força do Espírito Santo, não podemos fazer nada: é o Espírito que nos dá a força para seguir adiante. Como toda a vida de Jesus foi animada pelo Espírito, assim também a vida da Igreja e de cada um dos seus membros está sob a guia do mesmo Espírito. 

Concebido pela Virgem por obra do Espírito Santo, Jesus começa a sua missão depois que, saindo da água do Jordão, é consagrado pelo Espírito que desce e permanece sobre Ele (cfr Mc 1, 10; Jo 1, 32). Ele o declara explicitamente na sinagoga de Nazaré: é belo como Jesus se apresenta, qual é a carteira de identidade de Jesus na sinagoga de Nazaré! Ouçamos como o faz: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres” (Lc 4, 18). Jesus se apresenta na sinagoga do seu vilarejo como o Ungido, Aquele que foi ungido pelo Espírito. 

Jesus é pleno do Espírito Santo e é a fonte do Espírito prometido pelo Pai (cfr Jo 15, 26; Lc 24, 49; At 1, 8; 2, 33). Na realidade, na noite de Páscoa, o Ressuscitado sopra sobre os discípulos dizendo a eles: “Recebam o Espírito Santo” (Jo 20, 22); e no dia de Pentecostes a força do Espírito desce sobre os Apóstolos de forma extraordinária (cfr At 2, 1-4), como nós conhecemos. 

O “Respiro” do Cristo Ressuscitado enche de vida os pulmões da Igreja; e de fato as bocas dos discípulos, “cheios do Espírito Santo”, se abrem para proclamar a todos as grandes obras de Deus (cfr At 2, 1-11). 

O Pentecostes é para a Igreja o que foi para Cristo a unção do Espírito recebida no Jordão, ou seja, o Pentecostes é o impulso missionário a gastar a vida pela santificação dos homens, a glória de Deus. Se em cada sacramento age o Espírito, é de modo especial na Confirmação que “os fiéis recebem como Dom o Espírito Santo” (Paulo VI, Cost. ap. Divinae consortium naturae). E no momento de fazer a unção, o bispo diz esta palavra: “Receba o Espírito Santo que te foi dado como dom”: é o grande dom de Deus, o Espírito Santo. E todos nós temos o Espírito dentro. O Espírito está no nosso coração, na nossa alma. E o Espírito nos guia na vida para que nos tornemos sal e luz justos aos homens. 

Se no Batismo é o Espírito Santo a nos imergir em Cristo, na Confirmação é o Cristo a nos encher do seu Espírito, consagrando-nos suas testemunhas, partícipes do mesmo princípio de vida e de missão, segundo o desígnio do Pai celeste. O testemunho dado pelos confirmados manifesta a recepção do Espírito Santo e a docilidade à sua inspiração criativa. Eu me pergunto: como se vê que recebemos o dom do Espírito Santo? Se realizamos as obras do Espírito, se pronunciamos palavras ensinadas pelo Espírito (cfr 1 Cor 2, 13). O testemunho cristão consiste em fazer somente e tudo aquilo que o Espírito de Cristo nos pede, concedendo-nos a força de realizá-lo. 
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Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal (Canção Nova)