quinta-feira, 5 de julho de 2018

Bispos advertem sobre perigo de aplicar lei da transexualidade a menores


Diante das leis de transexualidade aprovadas na Espanha, os Bispos do Sul publicaram algumas “orientações a ter em consideração” para dar algumas indicações sobre como ajudar as pessoas com transexualidade, o que fazer quando um filho diz que quer “mudar de sexo” ou quando uma criança da catequese manifesta que “mudou de gênero” e que irá vestido do sexo oposto.

Estas indicações dos Bispos do Sul da Espanha, que incluem as Dioceses de Sevilha, Granada, Almeria, Sidonia-Jerez, Cádiz e Ceuta, Canárias, Cartagena, Córdoba, Guadix, Huelva, Jaén, Málaga e Tenerife, se unem à nota publicada em janeiro, “como cristãos e como responsáveis de nossas comunidades”, para ajudar os fiéis a refletir e “diante das muitas interrogações que surgem e da preocupação de que não se alcance a finalidade de buscar a igualdade e o respeito de todas as pessoas”.

As indicações explicam que a transexualidade é uma “síndrome que se manifesta com um permanente conflito entre o sexo corpóreo e o sexo psíquico”, o que produz “um grande sofrimento pelo profundo mal-estar que lhe causa seu próprio corpo e pela incompreensão familiar e social”.

Mas, advertem que não se deve confundir a transexualidade com os estados intersexuais, a homossexualidade, o travestismo e o pseudotransexualismo.

Recordam que “todas as pessoas, seja qual for sua orientação sexual, merecem respeito e é justo evitar discriminações” e apontam que “as pessoas transexuais foram criadas a imagem e semelhança de Deus” e que também “são chamadas em Jesus Cristo a uma vocação de santidade e amor e a realizar a vontade de Deus em suas vidas”.

Mostram ainda que “75% das crianças que manifestam um desejo trans, quando chegam à adolescência este desaparece”. Por isso, recomendam aos pais o pequeno seja examinado por “um bom psiquiatra e um bom psicólogo, para descartar o que podemos chamar de pseudotransexualidade”, isto é, fruto de uma tentativa de chamar a atenção.

Além disso, insistem que os pais são os responsáveis pelo consentimento de seus filhos menores e “têm direito a discordar a medicina ideologizada”.

Diante da eventual situação de que uma criança na catequese manifeste que mudou de gênero e que irá vestida do sexo oposto, os bispos incentivam a se reunir com os pais e informa-los “da verdade científica e médica sobre o tratamento da disforia de gênero”.

“É preciso deixar claro que é temerário e arriscado diagnosticar disforia de gênero antes da puberdade e começar a trata-la com procedimentos irreversíveis. Do mesmo modo, é impossível afirmar uma disforia de gênero que não tenha persistido pelo menos durante dois anos e nunca antes dos cinco anos”, sublinham.

Também recomendam falar com os outros pais da catequese para explicar a situação e “conscientizá-los de que estamos diante de uma pessoa que sofre e precisa de nosso apoio. Pedir-lhes que expliquem isso aos seus filhos e busquem a melhor integração e respeito possível para as pessoas que têm disforia de gênero”.

Em relação às leis sobre transexualidade impostas em algumas comunidades autônomas, como o caso de Andaluzia, os Bispos do Sul advertem que pretende-se aplicar hormônios em crianças desde pequenas, fazer cirurgias logo que possível e, desde o primeiro momento, adaptá-las ao entorno social, mudando o nome e a forma de se vestir.

Além disso, esta lei “proíbe qualquer tratamento que possa ajudar a criança a se reconhecer no que é”, negando-lhe a possibilidade de fazer “terapias que busquem harmonizar o sexo corporal e o psicológico, mesmo que com o consentimento da pessoa e de seus responsáveis legais”.

Também “é proibido que se possa fazer na criança um exame médico-psicológico rigoroso” que determine de forma “objetiva e científica” a existência real de disforia de gênero e, por isso, atua-se “tendo em consideração unicamente a ‘identidade sentida’”.

Nas indicações incluem ainda como ajudar pessoas com transexualidade e incentivam a “tomar consciência” de que essas pessoas “necessitam sempre de tratamento médico” e este não pode ser considerado “de forma ideologizada, mas buscando o nível de saúde física, psíquica e relacional mais alto e satisfatório que seja possível”. “Não podemos aceitar uma medicina do desejo, que deixa de lado a ética médica”, afirmam.

Também sublinham que “é um grande erro deixar que na infância sejam tomadas decisões que serão irreversíveis”, porque, segundo afirmam, muitos desses conflitos “se arrumam na adolescência”.

“É preciso defender as crianças da ideologia de gênero. É preciso evitar tratamentos prematuros e irreversíveis. E informar corretamente em que consistem os tratamentos, assim como os resultados e as sequelas”, insistem e sublinham que a “realocação de sexo não cura os transtornos de disforia”, porque nunca se consegue mudar o sexo cromossômico, gonadal e anatômico.

Os bispos sublinham que “os transexuais têm o direito de ser respeitados, o direito de sua intimidade e a não ser discriminados” e recordam que “existe um direito particular para o transexual”, como para toda pessoa, “a ser tratado com os meios lícitos colocados a disposição pela medicina para conseguir o nível de saúde física, psíquica e relacional mais alto e satisfatório que seja possível, nos limites de sua condição e no respeito pleno da verdade e da dignidade humana”.
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ACI Digital