quarta-feira, 4 de julho de 2018

Reflexão do Papa Francisco sobre o Sacramento do Batismo


CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-Feira, 16 de maio de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! 

Hoje concluímos o ciclo de catequeses sobre Batismo. Os efeitos espirituais deste sacramento, invisíveis aos olhos mas operativos no coração de quem se tornou uma nova criatura, são explicitados pela entrega da veste branca e da vela acesa. 

Depois de ser batizado na água de regeneração, capaz de recriar o homem segundo Deus na verdadeira santidade (cfr Ef 4, 24), parece natural, desde os primeiros séculos, revestir os neo-batizados de uma veste nova, cândida, à semelhança do esplendor da vida alcançada em Cristo e no Espírito Santo. A veste branca, enquanto exprime simbolicamente o que aconteceu no sacramento, anuncia a condição dos transfigurados na glória divina.

O que significa revestir-se de Cristo, recorda-o São Paulo explicando quais sãos as virtudes que os batizados devem cultivar: “Escolhidos por Deus, santos e amados, revesti-vos de sentimentos de ternura, de bondade, de humildade, de mansidão, de magnanimidade, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros. Mas sobre todas essas coisas revesti-vos da caridade, que os une de modo perfeito” (Col 3, 12-14). 

Também a entrega ritual da chama tirada do círio pascal lembra o efeito do Batismo: “Recebam a luz de Cristo”, diz o sacerdote. Estas palavras recordam que não somos nós a luz, mas a luz é Jesus Cristo (Jo 1, 9; 12, 46), que, ressuscitado dos mortos, venceu as trevas do mal. Nós somos chamados a receber o seu esplendor! Como a chama do círio pascal dá luz a cada vela, assim a caridade do Senhor Ressuscitado inflama os corações dos batizados, enchendo-os de luz e calor. E por isso, desde os primeiros séculos, o Batismo se chamava também “iluminação” e aquele que era batizado era dito “o iluminado”. 

Esta é de fato a vocação cristã: caminhar sempre como filhos da luz, perseverando na fé” (cfr Rito da iniciação cristã dos adultos, n. 226; Jo 12, 36). Se se trata de crianças,  é tarefa dos pais, junto aos padrinhos e madrinhas, cuidar de alimentar a chama da graça batismal nos seus pequeninos, ajudando-os a perseverar na fé (cfr Rito do Batismo das Crianças, n. 73). “A educação cristã é um direito das crianças; essa tende a guiá-las gradualmente a conhecer o desígnio de Deus em Cristo: assim poderão ratificar pessoalmente a fé na qual foram batizados” (ibid., Introdução, 3). 

A presença viva de Cristo, que deve ser preservada, defendida e dilatada em nós, é lâmpada que ilumina os nossos passos, luz que orienta as nossas escolhas, chama que aquece os corações, no ir ao encontro do Senhor, tornando-nos capazes de ajudar quem faz o caminho conosco, até à comunhão inseparável com Ele. Naquele dia, diz ainda o Apocalipse, “não haverá mais noite, e não teremos mais necessidade de luz de lâmpada nem de luz de sol, porque o Senhor Deus nos iluminará. E reinaremos nos séculos dos séculos” (cfr 22, 5). 

A celebração do Batismo se conclui com a oração do Pai nosso, própria da comunidade dos filhos de Deus. De fato, as crianças renascidas no Batismo receberão a plenitude do dom do Espírito na Confirmação e participarão da Eucaristia, aprendendo o que significa dirigir-se a Deus chamado-O “Pai”. 

Ao término destas catequeses sobre Batismo, repito a cada um de vocês o convite que assim expressei na exortação apostólica Gaudete et exsultate: ‘Deixa que a graça do teu Batismo frutifique num caminho de santidade. Deixa que tudo esteja aberto a Deus e, para isso, opta por Ele, escolhe Deus sem cessar. Não desanimes, porque tens a força do Espírito Santo para tornar possível a santidade e, no fundo, esta é o fruto do Espírito Santo na tua vida (cf. Gal 5, 22-23).
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Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal (Canção Nova)