domingo, 22 de julho de 2018

A crise na Nicarágua e a perseguição religiosa


Todos temos acompanhado a onda de violência – conflitos e mortes – entre as forças do governo (incluindo grupos paramilitares) e a população na Nicarágua.

Os protestos, bastante violentos e que começaram motivados por um projeto de reforma previdenciária bastante impopular, porém com a aprovação exigida pelo FMI para prestar auxílio financeiro à Nicarágua (um dos países mais pobres da América Central), evoluíram para a exigência de antecipação das eleições presidenciais.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que está no poder desde 2007, voltou atrás e retirou o projeto de reforma previdenciária que foi o estopim da revolta popular, mas isso, claramente, não foi suficiente para acalmar os ânimos. Logo em seguida, o empresariado nicaraguense retirou seu apoio a Ortega e começou a exigir a sua saída do poder (para saber mais sobre o desenrolar da crise na Nicarágua clique aqui).

A Igreja Católica no país, por sua vez, ofereceu-se como mediadora, para tentar chegar à pacificação do país. Após o insucesso dessa tentativa de retorno à paz social (em boa parte devido aos ataques de paramilitares contra o povo indefeso, que levaram até mesmo a ONU a responsabilizar o governo), o presidente Daniel Ortega começou a acusar a Igreja e os bispos católicos da Nicarágua de serem “golpistas” e irredutíveis na exigência de antecipação das eleições, com o objetivo de tirá-lo do poder.

Daí para a frente, começou uma verdadeira perseguição religiosa na Nicarágua. Bispos sofrem atentados (leia aqui e aqui), igrejas são atacadas, sacrilégios e profanações são perpetrados. A situação chegou a tal ponto que os bispos do país convocaram para hoje, 20 de julho, um dia de oração e jejum, invocando São Miguel Arcanjo através da famosa oração composta pelo Papa Leão XIII (para conhecer o texto da oração clique aqui para a versão curta; e também aqui, para uma versão mais longa da mesma oração).

Vale lembrar que o presidente Daniel Ortega é socialista. Faz parte da Frente Sandinista de Libertação Nacional, que foi responsável por derrubar do poder o ditador Somoza em 1979. Ortega fez parte da Junta de Reconstrução Nacional e foi eleito presidente em 1984, permanecendo no poder até 1990, quando foi derrotado por Violeta Chamorro. Não deixou o cenário político nicaraguense, perdeu mais duas eleições e por fim retornou ao poder em 2007. Não há limite de reeleição na Nicarágua, Daniel Ortega já disse que não pretende renunciar e, sabendo da tendência de fraudes nas eleições dos países da América Latina, é possível que permaneça indefinidamente como presidente, a exemplo de seu falecido colega socialista Hugo Chávez e do sucessor deste, Nicolás Maduro (ambos ditadores da Venezuela, fraudulenta e continuamente reeleitos). A tendência, pois, é que a crise política e a convulsão social não só continuem, como venham a se agravar.

Cumpre lembrar, ainda, um ponto muitíssimo importante a respeito da Nicarágua: a Frente Sandinista de Libertação Nacional, à qual pertence Daniel Ortega, e que é um grupo socialista terrorista, foi apoiado pela ala dita “progressista” da Igreja Católica. Ou seja, Daniel Ortega e os sandinistas foram incentivados e apoiados pelos bispos e padres vinculados à Teologia da Libertação, não somente naquele país, mas também por todo o clero filiado a esta linha socialista em toda a América Latina.

O Papa São João Paulo II, durante seu pontificado, fez enormes esforços para combater a Teologia da Libertação (que é o marxismo disfarçado de teologia) e jamais apoiou os sandinistas. No entanto, se Daniel Ortega retornou ao poder em 2007 e continua lá, em boa parte isto se deve ao apoio dos padres e bispos da Teologia da Libertação. Também estes, portanto, são responsáveis pela convulsão social, pela perseguição religiosa, por todas as mais de 300 mortes que já ocorreram desde que esta crise começou na Nicarágua, há pouco mais de três meses.

Daniel Ortega já conseguiu dessa corrente esquerdista da Igreja Católica o que queria. Agora, persegue a Igreja, como perseguiria qualquer inimigo político, tratando-a como traidora. Isso é a demonstração mais cabal de que o socialismo e a fé católica são incompatíveis. Esses tristes acontecimentos não fazem mais do que provar que bispos e padres católicos não podem apoiar socialistas candidatos a ditadores, por mais que encham a boca para discursar sobre a “defesa dos mais pobres e oprimidos”, como normalmente fazem. Não há um só caso em que esse discurso mentiroso tenha se traduzido em ações concretas. Só serve para dar votos a pessoas que, depois, vão tornar os pobres ainda mais pobres e perseguir a única instituição que, de fato, se preocupa com eles – a Igreja Católica.

Oremos, muito, pelos nossos irmãos da Nicarágua! Oremos também pelo Brasil, para que Deus nos ajude a afastar de vez a praga socialista que se alastra sem piedade pelo nosso continente e ameaça chegar, mais uma vez, a nosso país!
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Paráclitus