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domingo, 28 de agosto de 2016

Bento XVI fala, com grande simplicidade, das razões de sua renúncia


“Servo de Deus e da humanidade” é o título de uma nova biografia de Bento XVI, prevista para ser lançada neste próximo 30 de agosto. O livro é assinado pelo teólogo Elio Guerriero e conta com prefácio de ninguém menos que o Papa Francisco, que presta vibrante homenagem ao seu antecessor: “Sua discreta presença e oração pela Igreja constituem um apoio e um conforto” para o seu ministério, declara o Santo Padre.

“A renúncia me surgiu como um dever”

Uma semana antes do lançamento desta biografia, Bento XVI deu uma entrevista a Elio Guerriero, publicada no site do jornal italiano La Repubblica. O papa emérito evoca, com toda a simplicidade, as razões que o levaram à histórica decisão de renunciar.

“Depois da experiência das viagens ao México e Cuba [março de 2012], eu não me sentia mais capaz de empreender uma viagem dessas", disse Bento XVI em referência à Jornada Mundial da Juventude, prevista para o ano seguinte no Rio. É um evento em que “a presença física de um papa é indispensável (…) É uma das circunstâncias pelas quais a renúncia me surgiu como um dever", afirmou ele com simplicidade, confessando ter sentido os limites das suas forças físicas.

Convencido desde o início de que era apenas um “simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor", o papa emérito refletiu que não poderia fazer outra coisa além de “colocar-se nas mãos do Senhor e confiar n’Ele”, contando com a presença de Maria e dos santos, em especial daqueles a quem chama de “companheiros de viagem de toda uma vida”: Santo Agostinho e São Boaventura.

Grande apoio dos fiéis

Ele tinha, portanto, grande apoio espiritual para tomar essa decisão profundamente refletida, mas também contava com o apoio dos fiéis. Bento XVI comentou que recebeu muitas cartas, tanto dos chamados “grandes deste mundo” como também de “pessoas humildes e simples”, oferecendo-lhe as suas orações e a sua amizade.

Falando de suas relações com o sucessor, o papa emérito reiterou a obediência e a dedicação, como já tinha feito no passado. Bento XVI contou que sentiu grande “gratidão à Providência” quando foi anunciada a eleição de Jorge Mario Bergoglio à Sé Apostólica. “Depois de dois papas da Europa Central, o Senhor voltou seu olhar para a Igreja universal e nos convidou a uma comunhão mais ampla, mais católica”.

O papa emérito, retirado desde a renúncia no convento vaticano Mater Ecclesiae, se disse “tocado” pela “disponibilidade humana” do Papa Francisco. “A bondade que ele me dedicou é para mim uma graça particular neste período final da minha vida”, diz ele, agradecido.

No próximo dia 9 de setembro também será publicado, em vários idiomas, o livro-entrevista “Últimas Conversas", de Bento XVI com o jornalista alemão Peter Seewald, que conta com a confiança do papa emérito. Juntos eles já escreveram vários outros livros, como “O Sal da Terra” (1996) e “Luz do Mundo” (2010).
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