segunda-feira, 16 de abril de 2018

Em Pentecostes, falou-se na “língua dos anjos”?


Existe mesmo a chamada “oração em línguas”, que, curiosamente, é comum lamentavelmente assistirmos em encontros da Renovação Carismática Católica?

Desde agora, separamos 2 pontos: a Igreja aprovar o movimento e os erros que muito são praticados pela maior parte. São pontos distintos. Portanto, embora a Igreja reconheça a RCC, não aprova o raríssimo “dom de línguas”, que não é o mesmo de Pentecostes, ainda que o movimento carismática faça algum bem aos católicos. O bem não justifica os erros.

Alguns cristãos acreditam no “dom de línguas” como sinal do batismo do Espírito Santo

Há quem acredite que isto provém do céu, talvez. A não ser que, na verdade, o pronunciar de sílabas que não se compreendem nem mesmo quem as pronuncia não parece representar bem a presença de Deus. E se realmente isso não é certo? E se a Bíblia não ensina isso?

Se isto é um fenômeno de autossugestão aprendido e imitado por milhares de cristãos, então este é um dos maiores enganos da história.

“O dom de línguas, os Apóstolos o receberam para serem entendidos por todos os que os ouviam.
Assim, nos Atos dos Apóstolos, se conta que São Pedro, no dia de Pentecostes,
falou a uma multidão de pessoas de raças e línguas diferentes, e todos o entenderam”
Jan Joest van Kalkar, Pentecostes (1505-1508), Igreja de São Nicolau

1. Em todo o Novo Testamento, os dons dados à Igreja são para cumprir uma função. Jesus ordenou pregar o Evangelho a todo o mundo, mas os discípulos sabiam um ou dois idiomas. Por isso foi feito o milagre. Em Atos 2, o verdadeiro dom não foi glossolalia (dom das línguas), e sim falar um idioma que não sabia antes.

2. Em Atos 10, 19 ocorrem casos similares: era um símbolo útil para os não-crentes. Mas o capítulo 4, 8 e 9 dizem que se derramou o Espírito Santo e não houve dom de línguas. Por que? Porque não havia estrangeiros, então não havia necessidade.

3. A Bíblia não ensina que falar em línguas seria o único símbolo do Espírito comum a todos os crentes. Alguns afirmam que o dom consiste em orar em idiomas angélicos desconhecidos. Dizem que se pode praticar relaxando a boca e se deixando levar pela euforia. Mas falam assim os anjos?

Santo Tomás de Aquino diz que nem Deus nem mesmo os anjos falam,
mas se comunicam por iluminação: um ilumina a inteligência do outro e comunica o que se quer

4. Na Universidade da Pensilvânia demonstrou-se que ao falar essas línguas não se ativam as áreas cerebrais da linguagem. O motivo é simples: não há nenhuma forma de comunicação.

5.  Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, capítulo 14. Como se explica: desde o capítulo 13, a Igreja estava repleta de problemas espirituais, contendas e disseções. Em Corinto havia a tradição de rituais nos quais se falavam a língua dos deuses. Ao mesclar o dom real com crenças pagãs, ele tentava definir o problema da Igreja, mesmo à distância. Como julgar se alguém diz orar a Deus em idioma desconhecido? Paulo sabiamente assina a crença dos coríntios, debatendo com lógicas do seu ponto de vista. Mas ele encerrar o caso com versículo 28: “Se não interpreta, cale-se”. Porque, se é um idioma real, poderá ser interpretado sempre. Paulo reduz ao particular uma experiência subjetiva e identificável para proteger a Igreja. E disse no versículo 13: “Se alguém fala em línguas, peça para interpretá-la”. Se isso não ocorre, não está orando com sua mente. E isso não serve para nada. Todos que balbuciam estas supostas línguas sempre a traduzem? Estão violando um importante mandamento bíblico. Porque um dom verdadeiro sempre edifica a Igreja e se não faz, é falso. Por certo, Cristo nunca falou em línguas.
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Análise de Daniel Bosqued, espanhol,


Doutor em Teologia e Pastor Adventista
Fonte: Direto da Sacristia