domingo, 15 de abril de 2018

As velhas faces do progressismo “católico”.


Nos últimos dias, ganhou certa visibilidade o artigo do Prof. Jorge Alexandre Alves, intitulado “as novas (velhas) faces do conservadorismo católico”, no qual tenta traçar uma espécie de mapeamento daquilo que, na verdade, o está assustando. Segundo ele, “os segmentos mais conservadores do catolicismo tomaram a iniciativa e ‘saíram do armário’”.

Na sequência, ele aponta o que diagnostica como causa: “a presença de grupos e lideranças católicas distorcendo os fatos”. Daí em diante, passa apenas à exemplificações e generalizações, tentando imputar certo protagonismo ao clero carioca na condução destes que ele qualifica como “catolibãs”, “católicos que agem com elevado grau de intolerância e agressividade a ponto de os tornarem comparáveis aos talibãs afegãos”.

Não, não iremos apelar para a islamofobia nem para nenhum tipo de vitimismo ou autodefesa de que nos pudéssemos servir. E, isso, por um motivo simples: não há necessidade alguma! A tentativa de descrição que o autor esboça não passa de uma paródia, uma distorção grosseira da realidade, distorção da qual ele, sem o perceber, é vítima, como são vítimas todos os velhos progressistas aos quais Deus nos quer fazer suportar nestes últimos tempos difíceis.

Retrógrado, o progressismo “católico” padece a olhos vistos, sucumbe à luz do dia, incapaz de fôlego, derrotado pela obviedade dos fatos.

É manifesta a dissonância que sofrem estes senhores, incapazes de enxergar um palmo à sua frente. Eles simplesmente perderam o contato com a realidade.

Embriagados em suas próprias narrativas, em seus desconstrucionismos, em suas teorias críticas, eles acreditam piamente nas estórias que se inventaram, nas fábulas que construíram, mas que não resistiram ao realismo dos fatos.

Eles imaginaram que poderiam interceptar a Igreja inteira, mudar todos os seus dogmas, perverter a sua moral, criticar todos os seus ensinos, desmontar a sua autoridade para, no fim, se esconderem por trás de tudo que eles mesmos desfizeram. Eles passaram a vida inteira esvaziando a fé dos outros e incutindo-lhes uma crença partidária em personagens mitológicos, que na realidade eram psicopatas delinquentes, e se admiraram que todos o tenham percebido.

O progressismo “católico” agoniza diante da objetividade do bom senso. É a verdade que lhes dói, que os violenta, porque se impõe e é xingada de agressiva.

Testemunhamos à olho nu uma desesperada fuga da realidade, um delírio psicótico, que precisa se agarrar aos fantasmas em que creu como um náufrago a um cascalho.

Os progressistas sempre viveram disso. Alimentando-se de utopias, refugiaram-se viciosamente numa Shangri-lá que lhes escapa, naquela “Terra sem males” evocada numa Campanha da Fraternidade do passado.

Não será essa fuga da realidade, por exemplo, o que se viu nessas aberrações da invencionice litúrgica da Semana Santa e que causaram horror até nos mais heterodoxos dos libertadores? Ora, não foram estes mesmos senhores que passaram décadas ensinando criatividade litúrgica aos seminaristas em suas faculdades de teologia? Será preciso mencionar os carnavais da novena de Aparecida, os banzés das missas crioulas, das missas afro e de todas as palhaçadas mais cafonas que já se inventaram neste Brasil?

De fato, a sobriedade da liturgia romana é seca demais para quem precisa se refugiar na fantasia. É tosca, concreta, densa, objetiva demais! Mas eles não suportam a realidade.

No próprio espetáculo prévio à rendição de Lula, no último sábado, o que se via, senão um grande surto coletivo?… Um criminoso, defendido por uma multidão – a qual, diante do Brasil, pouco era –, aclamado como herói. E com o “amém” de um bispo e de uns padres.

Em certo sentido, Lula, indissoluvelmente unido à sua garrafa de cachaça – “é cachaça!”, exclamou, com picardia investigativa feminina, a senadora Glesi Hoffman –, resumiu toda a questão: “Eu não sou um ser humano, sou uma ideia. E não adianta tentar acabar com as ideias”.

É a encarnação ao contrário de Lula: no cristianismo, o Verbo se fez carne; na Teologia da Libertação, o Lula se fez ideia. — Ato falho! Lula confessou diante de todos que a realidade não suportou mais o mito: ele precisa se refugiar na fantasia, porque o teatro acabou.

É… O show acabou. É como um final de novela. Tudo meio nostálgico, meio triste. Mas a pia está cheia de louça e alguém precisa lavar. É esta a sensação que paira na consciência brasileira desses dias. Um alívio perplexo… Era tudo só isso? Pois é!

Neste ínterim, porém, teremos de ter paciência. Muita gente ainda crê naquele roteiro, está ainda apegada demais à ilusão que teima em “sair do armário das ilusões”. Não, não foi o povo que “saiu do armário”, foi a cortina que caiu.

A Igreja no Brasil vive atualmente uma crise senil. Os vovôs estão falando sozinhos, estão caducando e protestam. E como é difícil esta fase! A vovó de minissaia nunca será uma periguete. Será apenas a vovó de minissaia. Engraçadinha, provoca risos, vergonha, mal-estar… Mas é a vovó.

É este o momento que estamos vivendo! O descolamento dos bispos para com o povo é abissal. O povo grita, mas eles se ensurdeceram para o bom senso. E os teólogos da libertação, velhos, incapazes de se reproduzir, jogam todas as suas forças sobre um pontificado decadente e que já está por terminar.

É o terror ao concreto que apavora os idealistas progressistas. As suas velhas faces estão, mesmo, envelhecidas. Não lhes resta mais nada senão recitar ideias, as mesmas de sempre, feito uns conservadores de coisas mofadas, colecionadores de grampos e velharias inúteis… Eles não podem mais avançar. Perderam o tempo e se perderam numa narrativa novelesca coroada pelo “FIM”.
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Fratres In Unum