terça-feira, 10 de abril de 2018

Dom Odilo lamenta “instrumentalização política” de suposta "missa" pela esposa de Lula



O que foi inicialmente anunciado pela imprensa local como uma missa pela falecida esposa do ex-presidente Lula no sábado, 07, resultou em um ato religioso ecumênico repleto de discursos partidários que suscitou o lamento do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, quem condenou a instrumentalização política do momento de oração.

A Arquidiocese de São Paulo lançou na sua conta de Facebook no domingo, 08, um post contendo um esclarecimento aos fiéis nos seguintes termos:

“Sobre o ato religioso realizado ontem na frente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a assessoria de imprensa da Arquidiocese de São Paulo esclarece que:

1. Não se tratou de Missa, mas de um ato ecumênico;

2. Foi iniciativa pessoal de quem promoveu o ato;

3. Não houve participação da CNBB nem da arquidiocese de São Paulo;

4. O ato aconteceu fora da jurisdição e responsabilidade do arcebispo e da arquidiocese de São Paulo;

O arcebispo de São Paulo lamenta a instrumentalização política do ato religioso”.

A cerimônia foi presidida pelo Bispo Emérito de Blumenau, Dom Angélico Sandalo Bernardino, de 85 anos, um amigo de décadas do ex-presidente e que desde o início de seu episcopado deu apoio a Lula e ao Partido dos Trabalhadores. Segundo o próprio Dom Angélico o ato ia ser uma missa, mas depois de refletirem junto aos organizadores, decidiu-se fazer uma celebração da Palavra sem a celebração da Eucaristia.

Dom Angélico, e demais sacerdotes presentes estavam paramentados de alva e estola. Entretanto, manifestações políticas por parte dos celebrantes de dos participantes, levaram à indignação de católicos nas redes sociais pelo evidente desrespeito às normas litúrgicas aprovadas pela CNBB para a Celebração da Palavra sem a celebração da Eucaristia. 

Também causou estranheza que durante a celebração tenha sido realizada a leitura, por parte do ex-ministro Gilberto Carvalho, de uma carta escrita pelo religioso Frei Betto, amigo de Lula e Fidel Castro, conhecido ademais pelos seus livros em que elogia o comunismo. Além de ser um escrito de um dos maiores intelectuais da Teologia da Libertação no Brasil, a mesma seguidamente condenada por São João Paulo II, Bento XVI e o Papa Francisco, este tipo de “homenagem” não está previsto em nenhum manual de liturgia consultado pela nossa redação, nem corresponde às diretrizes aprovadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil para celebrações litúrgicas em memória dos fiéis defuntos.

Após uma especial bênção dada pelo bispo celebrante a Lula, houve um longo e inflamado discurso do ex-presidente. Depois do ato, Lula voltou ao sindicato e só saiu às 18:41h após um ultimato da Polícia Federal. Lula da Silva foi levado primeiro ao Instituto Médico Legal em São Paulo e depois ao aeroporto de Congonhas onde tomou um avião para Curitiba (PR) onde cumpre pena de 12 anos e 1 mês por corrupção e lavagem de dinheiro.
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ACI Digital