terça-feira, 2 de outubro de 2018

O Banheiro de Alckmin



A internet está repleta de boatos sobre o envolvimento de Geraldo Alckmin, ex-governador do estado de São Paulo, com o Opus Dei – uma Prelazia da Igreja Católica que é vista por muitos como uma instituição profundamente conservadora. Numa entrevista no Roda Viva, em 2005, Alckmin negou qualquer ligação direta com a Prelazia [1]. De fato, é difícil não acreditar nele, já que muitos de seus posicionamentos e obras não são nada condizentes com a Doutrina Católica.

Ideologia de gênero

Apesar de afirmar que este é um assunto do qual "é a família quem deve cuidar" [2] – seja lá o que isso queira dizer – o governo de Alckmin se empenhou na disseminação da tal ideologia e, inclusive, implementou os nefastos "banheiros de gênero" nas escolas estaduais. Essa medida permitia que meninos usassem os mesmos banheiros de meninas, por exemplo, caso se identificassem com o sexo feminino.

A Secretaria de Educação de seu governo foi a mais obstinada em promover o conceito de gênero como mera construção social, aderindo com orgulho – sem medo de admiti-lo – às teses de Judith Butler. Assim, Alckmin atende à agenda dos socialites universitários, enquanto filtra o seu discurso para os setores conservadores, como bom populista que é. [3]

Aborto

Da mesma maneira, no tema do aborto, o candidato apresenta um discurso café-com-leite, claramente para não se comprometer com uma pauta específica. Apesar de não apresentar um posicionamento tão vil quanto de outros candidatos, que pretendem legalizar a prática do aborto, o PSDBista pretende manter a legislação atual, que prevê abortos em casos de estupro e anencefalia.

Seu discurso é palatável aos pró-vida desavisados – "Eu não vejo o aborto como solução" [4] –, mas também aos abortistas, já que essa falta de convicção moral, evidenciada pelas exceções possíveis ao assassinato do nascituro, é um terreno primoroso para que o aborto seja, aos poucos, legalizado no Brasil.

"É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um caráter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente." - Papa São João Paulo II 

União civil homossexual

Já está repetitivo, mas este é Geraldo. Ele pensa que a questão do casamento gay se resume à aceitação de um contrato, por respeito, e não seria problema algum se o Congresso aprovasse a união civil homossexual. [5]

Seu compromisso com a proteção da família é nulo.

E essa proteção é essencial, porque a família é a célula fundamental da sociedade. Faz parte da natureza humana que os filhos sejam criados pelos pais – um homem e uma mulher –, mas o mundo apresenta inúmeros desafios para que as famílias se sustentem de maneira saudável. Por isso, como ensina a Igreja [6] e qualquer jurista bem intencionado que respeite a Lei Natural, é imprescindível que o Estado ampare a família, dando-lhe um reconhecimento jurídico especial, cuja reclamação por duas pessoas do mesmo sexo é inadmissível.

Economia e materialismo

Como se não bastasse o já exposto, Geraldo Alckmin é mais um dos idólatras do progresso. Considera que o problema do Brasil "é falta de dinheiro." [7]

Sem sombra de dúvidas, a economia é um problema enorme no Brasil, e esse é um ponto importantíssimo a se atentar na eleição de um Presidente da República, porque sua política nesse âmbito pode proporcionar condições para a restauração da dignidade de milhões, como também pode dar espaço para o agigantamento estatal e o cerceamento da liberdade econômica.

Contudo, como refletimos em nosso artigo sobre João Amoêdo, seria um erro tremendo escolher um candidato considerando apenas suas propostas para a economia, ignorando sua pauta moral. Afinal, ao colocar a moral em segundo plano em face à economia, não estariam esses presidenciáveis repetindo o mesmo erro que levou camadas imensas da população à pobreza?

Segurança Pública

Não vamos expor a proposta em si do candidato quanto à segurança pública nem discutir se é efetiva ou não.

Porém, fica confusa a submissão do ex-governador de São Paulo à agenda do politicamente correto. De um lado, defende, em sua propaganda eleitoral [8], que "não é na bala que se resolve", em referência a seu adversário, Bolsonaro, cuja análise você pode ler aqui. Por outro, propõe resolver o problema da criminalidade com firmeza, declarando-o no próprio nome de seu programa para a segurança pública, Linha Dura. [9] Enfim, Alckmin parece tentar, novamente, um discurso amplo para angariar mais simpatizantes.

No entanto, contrariamente à aplicação reta da Doutrina Social da Igreja no Brasil, como mostramos neste artigoo presidenciável é contrário ao armamento civil. [10]

Conclusão

É de se estranhar que o PSDBista ainda tenha apoio entre católicos. Talvez esses fiéis tenham acreditado no boato de sua ligação com o Opus Dei, e de algum modo enxergam Alckmin como um baluarte conservador. Certamente, eles desconhecem os posicionamentos do PSDBista ou a Doutrina da Igreja.

De fato, quando o assunto é segurança pública ou economia, as propostas do ex-governador de São Paulo podem até merecer atenção, mas, no tangente às questões morais e familiares, muitas de suas posições são diretamente condenáveis pela Doutrina Católica. Não será possível escolher um candidato melhor?


Silvério Valle e Matheus Godoi
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Referências Bibliográficas

[1]http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/272/entrevistados/geraldo_alckmin_2005.htm
[2]https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/09/11/alckmin-diz-que-ideologia-de-genero-e-discussao-para-familia-nao-escola.htm
[3] https://www.semprefamilia.com.br/blog-da-vida/alckmin-mentiu-sobre-ideologia-de-genero-seu-governo-foi-obcecado-pelo-tema/
[4] https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2401200612.htm
[5] https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2401200612.htm
[6]http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20030731_homosexual-unions_po.html
[7] https://www.youtube.com/watch?v=9hQioeHm97w
[8] https://www.youtube.com/watch?v=H9pT4Hzzcbw
[9] https://www.geraldoalckmin.com.br/noticias/linha-dura-para-combater-o-crime-em-todo-o-brasil/
[10] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/05/alckmin-rejeita-armar-cidadao-e-quer-mais-prisoes.shtml
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