terça-feira, 19 de julho de 2016

Tendes Cristo em vós




Não sejamos insensíveis à bondade de Cristo. Se Ele imitasse o nosso modo de proceder, já teríamos perecido. Tornemo-nos, portanto, seus verdadeiros discípulos, aprendendo a viver segundo o cristianismo. Aquele que é chamado por outro nome que não seja este, não é de Deus. Afastai o mau fermento, velho e corrompido, e transformai-vos em fermento novo, que é Cristo Jesus. Seja Ele o sal da vossa vida, para que nenhum de vós se corrompa, porque o cheiro vos denunciaria. É absurdo professar a fé em Cristo Jesus e seguir as práticas judaicas. Não foi o cristianismo que acreditou no judaísmo, mas o judaísmo no cristianismo, no qual se congregam todos os que creem em Deus.

Tudo isto vos escrevo, irmãos caríssimos, não por ter conhecimento de que haja entre vós quem se comporte mal; mas embora me considere inferior a vós, quero apenas prevenir-vos, para que não vos deixeis cair nos laços de uma doutrina vã; ao contrário, é necessário que tenhais a plena certeza do nascimento, da paixão e da ressurreição do Senhor, que ocorreu no tempo do governo de Pôncio Pilatos. Tudo isto foi realizado verdadeira e indubitavelmente em Jesus Cristo, nossa esperança, da qual não permita Deus que algum de vós se afaste.

Assim possa eu contar convosco em todas as circunstâncias, se disso for digno. Digo isto, porque, se é certo que estou preso, nem por isso posso comparar-me com qualquer de vós que não estais presos. Sei que não vos envaideceis com este louvor, porque tendes Jesus Cristo em vós. Mais ainda, quando vos louvo, sei que vos envergonhais, como está escrito: O justo acusa-se a si mesmo.

Procurai fortalecer-vos solidamente na doutrina do Senhor e dos Apóstolos, a fim de que tudo quanto fizerdes seja bem sucedido, na vida da carne e do espírito, na fé e na caridade, no Pai e no Filho e no Espírito, no principio e no fim, com o vosso digníssimo bispo, com a esplêndida coroa espiritual do vosso presbitério e com os diáconos, tão gratos a Deus. Sede submissos ao vosso bispo e uns aos outros, como Jesus Cristo, enquanto homem, Se submeteu ao Pai, e os Apóstolos a Cristo, ao Pai e ao Espírito, para que a vossa unidade seja perfeita na carne e no espírito.

Porque sei que estais cheios de Deus, não vos faço longas exortações. Lembrai-vos de mim nas vossas orações, para que chegue até Deus; e lembrai-vos também da Igreja da Síria, (à qual não sou digno de pertencer, e por isso preciso da vossa oração e caridade, unidas em Deus), para que Deus Se digne, por meio da vossa Igreja, derramar o seu orvalho sobre a Igreja da Síria.

De Esmirna, donde vos escrevo esta carta, saúdam-vos os fiéis de Éfeso, que estão aqui presentes para glória de Deus; como vós, em tudo me reconfortaram juntamente com Policarpo, bispo de Esmirna. Também as outras Igrejas vos saúdam para louvor de Jesus Cristo. Permanecei unidos em Deus, possuindo o espírito indissolúvel, que é Jesus Cristo.



Da Epístola de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir, aos Magnésios
(Nn. 10, 1 – 15: Funk 1, 199-203) (Sec I)