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domingo, 29 de outubro de 2017

Homilética: 32º Domingo do Tempo Comum - Ano A: "A preparação para a vinda do Senhor".


A liturgia do 32º Domingo do Tempo Comum convida-nos à vigilância. Recorda-nos que a segunda vinda do Senhor Jesus está no horizonte final da história humana; devemos, portanto, caminhar pela vida sempre atentos ao Senhor que vem e com o coração preparado para o acolher.

Na segunda leitura, Paulo garante aos cristãos de Tessalônica que Cristo virá de novo para concluir a história humana e para inaugurar a realidade do mundo definitivo; todo aquele que tiver aderido a Jesus e se tiver identificado com Ele irá ao encontro do Senhor e permanecerá com Ele para sempre.


O Evangelho lembra-nos que “estar preparado” para acolher o Senhor que vem significa viver dia a dia na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com os valores do Reino. Com o exemplo das cinco jovens “insensatas” que não levaram azeite suficiente para manter as suas lâmpadas acesas enquanto esperavam a chegada do noivo, avisa-nos que só os valores do Evangelho nos asseguram a participação no banquete do Reino.


A primeira leitura apresenta-nos a “sabedoria”, dom gratuito e incondicional de Deus para o homem. É um caso paradigmático da forma como Deus se preocupa com a felicidade do homem e põe à disposição dos seus filhos a fonte de onde jorra a vida definitiva. Ao homem resta estar atento, vigilante e disponível para acolher, em cada instante, a vida e a salvação que Deus lhe oferece. 


Pontos da ideia principal

Textos: Sab 6, 12-16; 1 Tess 4, 13-18; Mateus 25, 1-13

Em primeiro lugar, olhemos estas virgens do evangelho de hoje. São ignorantes e desprevenidas. Por isso fazem quatro coisas inúteis: pedem às outras que as salvem – já não é tempo-; saem de noite para buscar vendedores -é um absurdo-; chegam quando a porta já está fechada -obvio- e gritam – sem ser escutadas-: “Senhor, Senhor, abre-nos”. Resultado? “Não vos conheço”. Moral da história? Temos que estar preparados para a segunda vinda de Cristo e não estar perdendo azeite da nossa lâmpada durante o caminho da vida por negligencia, por estar brincando no carrossel da fortuna e com os dados do prazer. Eu, como são Paulo, sim creio na segunda vinda (segunda leitura). E por isso quero estar preparado e acordado. E quero ajudar os outros a preparar-se comigo. Desta maneira, quando vier o Senhor nos encontrará com a lâmpada da fé acesa, com o azeite da caridade derramando-se por essa lâmpada, com a consciência tranquila e com a paz na alma esperando o abraço de Deus.

Em segundo lugar, olhemos a Cristo, aqui apresentado como o Esposo, pois o que lá teremos e saborearemos serão as bodas eternas com o nosso Salvador e os seus amigos que se mantiveram fiéis à aliança. A metáfora das bodas simboliza a relação de amor, de índole nupcial, que se realiza entre Deus e cada um de nós. Por que este Esposo Cristo chega tarde, de improviso? Por que esse grito na noite? Cristo abre a porta às virgens sensatas que estavam acordadas e tinham tudo preparado e entram na festa de bodas. E a porta se fecha detrás delas. Puderam entrar porque encheram de azeite os seus frascos, e assim impediram que a caridade, que é a chama da alma, se extinguisse. Não podemos dormir. Um automobilista não pode permitir-se o luxo de dirigir dormindo; um médico não pode se ausentar de uma operação delicada e ir embora para dormir; um piloto de avião não pode converter a sua cabina num salão dormitório. Um só instante de sono seria fatal para tais pessoas e causaria um desastre nunca justificável. Assim na nossa vida cristã.

Finalmente, o que está dizendo para nós esta parábola tão repleta de lições? Justamente isto: primeiro que estamos na vida para ir para a eternidade, isto é, esse encontro com Cristo que está já preparando esse banquete de bodas definitivo, pois aqui na terra o banquete da Eucaristia é através do sinal e do véu do sacramento; não percamos a rota; segundo, que temos que encher sempre a lâmpada da nossa fé com o azeite da caridade e do amor, pois só assim Jesus nos reconhecerá e daremos com a porta no meio da escuridão do caminho; finalmente, que se não fazemos isto entraremos desgraçadamente dentro do grupo dos ignorantes e fátuos e seremos excluídos do banquete e escutaremos de Cristo: “Não te conheço”. Com isto, o Senhor nos está alertando que junto com a possibilidade da salvação final, existe a possibilidade da condenação eterna, que muitos hoje querem negar, tendo como escudo este sofisma: “Deus é tão bom, que não permitirá que ninguém se condene”. Deus é sério. “De Deus ninguém zomba. O que o homem semear, isso colherá” (cf. Gal 6,7). Se estivemos brincando com a lâmpada da fé comprando outras velas no supermercado das seitas, talvez se quebre. Quem não alimentar essa lâmpada com a caridade, se apagará.

Para refletir

Em duas ocasiões distintas Jesus contou duas parábolas cujo conteúdo apela pela prudência e pela vigilância antes de sua morte destacando-se o tema da preparação para a vinda do Senhor. A das dez virgens (Mateus 25:1-13) e a dos talentos (Mateus 25:14-30). Essas foram, aparentemente, contadas em particular aos seus discípulos (Mateus 24:3). Na primeira parábola, dez virgens saíram ao encontro do noivo, empolgadas com as alegrias vindouras da festa de casamento. Todas estavam presentes; todas estavam esperando o noivo; todas se sentiam satisfeitas com a sua preparação, pois estavam cochilando e dormindo, e todas tinham lâmpadas. A diferença entre as cinco virgens prudentes e as cinco tolas era que as cinco prudentes trouxeram óleo junto com suas lâmpadas. O tempo da preparação tinha-se passado. Enquanto as virgens tolas estavam comprando óleo, o noivo chegou e elas foram deixadas fora do casamento para sempre. Como você está esperando pelo seu Senhor? Você está vigiando? A que temperatura está o termômetro da tua prudência? Jesus decretou a sentença tanto para as dez virgens como para mim e para ti: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” na qual o Filho do Homem vem!

Na segunda parábola, um homem que ia viajar para um país distante confiou talentos aos seus servos. A um ele deu cinco, a outro dois e a outro um, distribuindo-os de acordo com a capacidade de cada servo. Os dois servos, um com cinco e o outro com dois talentos, duplicaram o que lhes tinha sido confiado, resultando em louvor e recompensa de seu senhor. O servo com um talento, agindo com temor, foi preguiçoso. Ele escondeu o talento que lhe havia sido dado em vez de usá-lo para obter rendimentos, suscitando a ira de seu senhor e a perda do talento que lhe havia sido entregue. Como e onde você escondeu tudo o que recebeu de Deus?

Há muita semelhança entre as duas parábolas. Vemos nestas duas parábolas a grande e muita expectativa pelo Senhor que vem. As dez virgens estavam esperando o noivo. Os servos sabiam que seu senhor voltaria. O noivo, ou o senhor, que retorna, naturalmente, é Jesus Cristo. Ele há de voltar. Não há desculpas a quem deixa de aguardar sua volta.

Saiba que todas as dez virgens tinham feito alguma preparação. Os dois servos, um com cinco e o outro com dois talentos, tinham-se preparado, obviamente; e até mesmo o servo com um talento tinha feito alguma preparação, mantendo cuidadosamente em segurança seu único talento até a volta de seu senhor. Por isso não fique de braços cruzados. Prepare-se para a vinda do teu Senhor. Em breve Ele chegará. Note que, como vimos nas duas parábolas, há preparação adequada contrastada com negligência. Não houve o despreparo completo, mas negligência: negligência em abandonar algum mau hábito; negligência em confessar os pecados cometidos; negligência em desenvolver os frutos do Espírito; negligência em tirar vantagem completa das oportunidades que Deus coloca diante deles; em resumo, negligência em tornar-se como seu Senhor. Como vai a tua preparação? Está sendo com inteligência ou negligência?

É verdade que nas duas parábolas houve demora na chegada. “E, tardando o noivo”. O senhor dos servos voltou “depois de muito tempo”. Só que isso não deve ser motivo para o desleixo. É muito fácil para as pessoas mal interpretarem a demora da vinda do Senhor. Elas veem isso como motivo para descuido e descrença, quando deviam vê-la como evidência da longanimidade do Senhor que conduz à salvação. E você, como tem agido ante a demora de Deus?

Aqui não vale encostar-se à sua esposa, marido, pais ou filhos. A responsabilidade individual. As virgens prudentes não podiam compartilhar seu óleo com as tolas. O servo de um talento não podia sentir-se confortável com o fato de oito talentos terem-se tornado quinze. Cada um tinha que prestar contas pelo que tinha feito pessoalmente. Assim será quando o Senhor retornar. Nenhum pai será capaz de partilhar um pouco da sua fidelidade com os seus filhos; nenhum esposo com a sua esposa ou vice-versa; nenhum amigo com outro amigo. Ninguém poderá se gabar dizendo “veja o que nós fizemos”; ele só pode obter a graça na base de sua própria preparação e prudência. A salvação é individual e não coletiva.

Pois Deus nos conhece pelo nome e assim nos trata. No final de tudo haverá a escolha. Deus há de mandar os seus anjos para separar os bons dos maus. As cinco virgens prudentes entraram com o noivo no casamento, enquanto as cinco tolas não puderam entrar. Os servos dos cinco e dos dois talentos entraram na alegria de seu senhor, enquanto o de um talento foi lançado fora, nas trevas. A expressão “Fechou-se a porta”, encontrada na parábola das dez virgens, é uma das expressões mais tristes nas Escrituras para todos aqueles que não estiverem preparando prudentemente a vinda do Senhor.

Pai, mantenha acesa em mim a chama do zelo pelas coisas do Reino, de modo que eu esteja sempre preparado para o encontro com teu Filho Jesus.