segunda-feira, 4 de junho de 2018

Nota da Arquidiocese de BH: "Greve dos caminhoneiros: Tempo de aprendizado e mudanças”.


NOTA SOBRE O CONTEXTO ATUAL BRASILEIRO

Nós, Arquidiocese de Belo Horizonte, estamos juntos e sensíveis às solidariedades exigidas pelos trabalhadores brasileiros neste momento nacional. Solidariedade que nos faz próximos da dor do outro, nosso irmão. Estamos juntos nas necessidades de cada um e na luta por condições dignas de trabalho para cada cidadão e cidadã, construtores essenciais de nossa sociedade.

Este momento exige humildade para aprendermos as lições que, praticadas, possibilitam nossa reconstrução social, econômica, política e cultural. A paralisação dos caminhoneiros desenhou cenários que exigem o reconhecimento da força de cada segmento da sociedade. Reconhecimento muito necessário sob pena de criarmos situações perigosas e insustentáveis, com riscos muito sérios que podem produzir passivos e multiplicar os prejuízos que recaem sobre os ombros de todos, mais pesadamente sobre os ombros dos pobres.

O momento exige muita sabedoria e generosidade no enfrentamento da falta de combustíveis, precarização do transporte coletivo, prateleiras vazias nos supermercados, aumentos abusivos de preços.

As lições são muitas – já deveriam ter sido aprendidas. Lições que apontam para o tempo novo no qual a sociedade brasileira necessita: não retardar os diálogos e a escuta dos diferentes grupos da sociedade, para uma consolidação de nossa democracia, evitando os graves riscos de extremismos, tão acentuados sobretudo em tempos de crise. Os dirigentes e representantes do Povo – estes em especial – têm a oportunidade de uma conversão mais profunda a partir da coragem em abrir mão dos seus muitos privilégios. Precisam reconhecer que a situação atual indica falta de credibilidade política assentada sobre a endêmica e cultural corrupção nos funcionamentos da sociedade. Precisam admitir e não insistir numa economia fundada sobre a idolatria do dinheiro, que governa em vez de servir, que promove a exclusão e mata, como bem sublinha o Papa Francisco. Uma advertência também endereçada ao empresariado.

O Povo precisa gerar novos líderes e há de dar novas respostas por meio das urnas neste ano eleitoral. Que a solidariedade nos gestos, nas organizações e nos serviços prestados empurrem o Brasil para o rumo novo, no horizonte da justiça e da paz. Caminhemos Sempre à luz de nossa fé cristã, obedientes ao mandamento maior, nascido do coração e da vida de nosso Mestre Jesus: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei!”


Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães

Dom Edson José Oriolo dos Santos

Dom Geovane Luís da Silva

Dom Otacílio Ferreira de Lacerda

Dom Vicente de Paula Ferreira
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Arquidiocese de Belo Horizonte