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terça-feira, 12 de abril de 2016

Homilética: 4º Domingo da Páscoa - Ano C: "As minhas ovelhas me seguem e eu lhes dou a vida eterna".

 
Das várias imagens que tentam descrever quem é Jesus para nós (Cordeiro, Senhor, Rei, Pedra angular, Luz, Verdade, Porta…), neste quarto domingo da Páscoa Jesus se apresenta para nós como o Bom Pastor, seguindo o capítulo 10 do evangelho de João. Pastor que conhece, ama, alimenta, defende e dá a vida pelas ovelhas. E as ovelhas, por sua parte, escutam a sua voz e o seguem, isto é, obedecem-lhe.

Pontos da ideia principal

Vejamos o coração misericordioso de Cristo, o Bom Pastor. E como devemos ser as ovelhas.

Textos: Atos 13, 14.43-52; Ap 7, 9.14b-17; Jo 10, 27-30

Em primeiro lugar, Cristo é Pastor para todos (1 leitura). Para todo tipo de ovelhas: sãs e doentes, calmas e rebeldes, nutridas e desnutridas, fortes e fracas, mancas e íntegras, perdidas e fiéis, merinas e de boa lã ou montesinas e de boa carne. Ovelhas que Ele conhece muito bem, ama-as com ternura e misericórdia, seguem-no com alegria, alimenta-as diariamente com a vida eterna e as sacia nas fontes de águas vivas dos sacramentos e as defende com o cajado da Igreja para que o lobo não as arrebate do seu aprisco. Pastor que vai na frente, guiando-nos no caminho. Jesus nos conhece e nos ama, adapta-se a cada um, ajudando-nos de acordo com as nossas necessidades e debilidades. Num rebanho, algumas ovelhas são lentas e preguiçosas, outras são muito ansiosas e rápidas; algumas estão enfermas, outras mancas, algumas têm tendência a se perder, outras a se desviar. Jesus é cuidadoso no guiar cada pessoa, com infinita compaixão e misericórdia, às pastagens da vida verdadeira e perdurável. Pastor que sabe que foi o seu Pai que colocou nas suas mãos estas ovelhas (evangelho).

Em segundo lugar, quais são as condições para pertencer ao rebanho de Cristo Pastor de todos e para todos? “As minhas ovelhas escutam a minha voz…e elas me seguem”. Escutar e seguir o Pastor. Escutá-lo com a inteligência e segui-lo com a vontade. Escutar o seu ensinamento, contido nos santos evangelhos e explicado pela Igreja. Conhecê-lo com a nossa inteligência e assim poder amá-lo, tendendo a Ele com todo o impulso da nossa vontade. Quem se resistir a escutar a voz deste Pastor caminha decididamente à sua própria perdição. Toda a Escritura é um reiterado convite a escutar. Na primeira leitura Paulo e Barnabé falam à cidade de Antioquia e foram muitos os que os escutavam, tantos que provocaram a inveja e palavras injuriosas nos que estavam com os ouvidos fechados à Boa Nova da ressurreição. Para escutar este Pastor se necessita humildade e silêncio interior. E para seguir a voz desse Pastor se necessita docilidade, para se deixar modelar pela sua doutrina, tornando-se cera mole nas suas mãos. Aqui entra o trabalho do Espírito Santo que vai modelando em nós, se permitirmos, a imagem de Cristo, exortando-nos a sair daquele vício ou pecado, da mediocridade, da tibieza, e a nos desprender do homem terreno e aspirar às coisas celestes. É preciso seguir o Pastor, é preciso seguir o Cordeiro aonde quer que Ele for, fazendo nossas as suas palavras, tendo a sua mesma mente e o mesmo coração.

Finalmente, Pastor, que antes foi Cordeiro (2 leitura) que se imolou na Cruz para com a sua morte nos dar a vida eterna e abrir para nós as portas do céu. Esse Pastor também foi primeiro Cordeiro que se sacrificou para purificar e santificar todas as ovelhas. Desde a fonte dos sacramentos nos salpica com o seu sangue abençoado que nos limpa. O que este Cordeiro ganhou para nós? A segunda leitura de hoje nos responde: preparou-nos o caminho para as pastagens eternas, o céu. Uma enorme multidão, impossível de contar, “formada por gente de todas as nações, famílias, povos e línguas”. Todos estão de pé, diante do trono do Cordeiro, com túnicas brancas e palmas nas mãos, louvando-o de maneira incessante. Ali, no céu, as suas ovelhas já não padecerão fome nem sede, nem serão oprimidas pelo sol e pelo calor, pela injustiça e pela maldade dos lobos. Agora vivem felizes do lado do Pastor- Cordeiro. E ali ninguém nos arrebatará das mãos do seu Pai Celestial.

Para refletir: Estou convencido de que Cristo me quer como sou, inclusive nos meus momentos maus e defeituosos? Imito Jesus o Bom Pastor na educação dos meus filhos, ou como professor, e em tudo o que eu fizer? Sou ovelha dócil, receptiva ou rebelde e arisca?

Para rezar: rezemos o salmo 23:

O Senhor é o meu pastor;
Nada me falta.
Em verdes pastagens me faz repousar,
À águas tranquilas me conduz,
E renova as minhas forças,
Levando por caminhos retos
Em honra do seu nome.
Se eu andasse por vales escuros,
Ainda assim não terei nenhum medo,
Porque está meu Senhor junto a mim;
O seu cajado me sustenta e me dá confiança.
Preparaste para mim um banquete
À vista dos meus inimigos;
Perfumaste a minha cabeça;
E o meu cálice transborda.
A tua bondade e o teu amor me acompanham
Todos os dias da minha vida,
E na casa do Senhor habitarei, por tempos sem fim.


Pe. Antonio Rivero, L.C.,
Doutor em Teologia Espiritual, diretor espiritual e professor de Humanidades Clássicas no Centro de Noviciado e de Humanidades da Legião de Cristo em Monterrey (México).
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