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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Sobre a calúnia e difamação...


“Não denuncieis falsamente” (Lc 3,14).

A vontade de passar informações faz parte do homem, e a comunicação, é uma ação humana natural e normal, mas na maioria das vezes esquecemos do outro e não medimos as consequências das nossas palavras. Precisamos ter consciência de que a maldade humana não conhece limites e nem todos falam a verdade sobre os outros, distorcendo os fatos ao seu bel prazer, às vezes sem motivo algum, sem sequer ter proximidade com a pessoa.

Difamar uma pessoa é algo muito fácil, espalhar falso boato também, mas isso pode destruir a vida de alguém, por isso é importante ao menos ouvir os dois lados e também sermos racionais e imparciais para analisar bem o que foi dito. O melhor é evitar se relacionar com quem tem essa conduta de denegrir a imagem do outro, ainda assim, nem sempre estamos livres dessa gente e, por vezes, nos encontramos envolvidos com suas artimanhas.

Quando uma pessoa não controla a cobiça, o resultado é a inveja, que desperta o instinto animal de prejudicar o próximo pela difamação. O vaidoso que é infestado pelo orgulho e pela arrogância, é muito propenso a usar a fofoca. O egoísmo é o resultado da maldade, da indiferença para com o semelhante e, portanto, pela falta de escrúpulos pode-se criar as mais desalmadas mentiras com a ideia de prejudicar o semelhante.

A recuperação de quem sofre a calúnia se faz à medida que a pessoa não se submete ao fenômeno, encara-o de frente, conversa com seus amigos, preserva sua autoestima, desvinculando-se desta agressão verbal e psicológica da qual está sendo vítima.

A fofoca traduz um sentimento de maldade de disseminar como joio a intriga, ao passo que a calúnia mostra o forte instinto maldoso de usurpação da dignidade do outro pelo engano e a falsidade.

“Seis coisas há que o Senhor odeia e uma sétima que lhe é uma abominação: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, um coração que maquina projetos perversos, pés rápidos em correr ao mal, um falso testemunho que profere mentiras e aquele que semeia discórdias entre irmãos.” (Provérbios 6,16-19).

Essa é a razão porque os mentirosos são excluídos da posse da celeste bem-aventurança. Por isso, quando Davi se dirigiu a Deus com a pergunta: “Quem morará na Vossa casa?” – o Espírito Santo lhe respondeu: “Aquele que diz a verdade no seu coração, e que não solta em calúnias a sua língua”. (Salmo 14,1-3).

O pior dano da mentira é que ela constitui doença do espírito quase incurável, pois o pecado de calúnia e o de menosprezo ou fofoca, contra a fama e o bom nome do próximo, não são perdoados enquanto o acusador não prestar satisfação ao ofendido pelas injustiças praticadas.

Ninguém pode, tampouco, esperar o perdão de suas calúnias e detrações se antes não der satisfação a quem foi por ele lesado na fama ou consideração, quer em juízo público quer em conversas familiares e reservadas, segundo a grave advertência de Nosso Senhor Jesus Cristo que disse: “No dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido.” (Mateus 12,36).

Assim, são pecados graves todos os agravos à honra de uma pessoa: injúria, suspeita infundada e injusta, juízo temerário, maledicência e calúnia. A malícia destas duas últimas reside no grave atentado contra a justiça e a caridade, falta imensamente mais grave do que o furto (cf. Pr 22,1; Rm 1,29-20). Ambas são pecados mortais não apenas porque provém de uma intenção positivamente má, mas porque nascem de uma irresponsabilidade consciente e culposa. Tanto objetiva como subjetivamente, porém a calúnia deve ser julgada de forma muito mais severa do que a maledicência, pois a calúnia não viola apenas um direito relativo, mas um direito absoluto ao bom nome, e o faz de maneira contrária à verdade.

O maledicente encontra-se em atraso moral e emocional, não se dá conta de que este prazer de massacrar a reputação alheia é algo ilusório, mesquinho e ainda mais danoso para ele mesmo, pois na sua grande maioria estas pessoas vivem infelizes com sua própria realidade e agem assim para obter satisfação, prejudicando os outros e chamando atenção para si na tentativa de amenizar suas dores internas e se mostrar alguém melhor do que realmente são. Quem se satisfaz com suas conquistas e com a sua vida, não compactua com a difamação.


Neste sentido, o Papa Francisco disse: “Não há necessidade de consultar um psicólogo para saber que quando você denigre o outro é porque você mesmo não consegue crescer e precisa que o outro seja rebaixado para você se sentir alguém. Cuidemos do nosso coração porque é de lá que sai o que é bom e ruim, o que constrói e o que destrói”.