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terça-feira, 26 de abril de 2016

Homilética: 6º Domingo da Páscoa - Ano C: "Quem é o Espírito Santo? O que produz na nossa alma?".






Cristo, no longo discurso de despedida aos Apóstolos, está preparando-os, eles e também nós, para a vinda do Espírito Santo. Mestre divino interior, Luz para as mentes, Doce Hóspede e Consolador das nossas almas, Arquiteto da nossa santidade, Escultor da imagem de Cristo no nosso interior, Estratego nas nossas lutas, Bálsamo para as nossas feridas.

Pontos da ideia principal

Textos: Atos 15, 1-2.22-29; Ap 21, 10-14.22-23; Jo 14, 23-29

Em primeiro lugar, quem é o Espírito Santo? A teologia nos ensina que o Espírito Santo é visto na vida íntima da Trindade como o que procede do Pai e do Filho, e constitui a comunhão inefável entre o Pai e o Filho. Na vida do que crê o Espírito Santo instalará a sua morada, transformando-se em luz, consolo e mestre interior. Na vida da Igreja, o Espírito Santo será a testemunha vivente de Jesus, a guia interior para o descobrimento de toda a verdade e força para se opor ao mundo malvado, convencendo-o do pecado. O Espirito Santo guia a Igreja nas suas máximas decisões e a ajuda a se manter unida (1 leitura). E ao longo dos séculos, com os hinos dedicados ao Espírito Santo, a Ele tem sido dado atributos profundos: Mestre interior que nos ensina e nos explica as verdades de Cristo; doce Hóspede da alma que nos consola nos momentos de aflição; Escultor da santidade; Estratego nas batalhas que devemos travar com os grandes inimigos da nossa santidade; ei-lo aí animando-nos e fortalecendo-nos na luta.

Em segundo lugar, o efeito que este divino Espírito deixa na alma é a paz (evangelho). Os romanos desejavam a saúde (“salus”), os gregos a alegria da vida (“Xaire”), os judeus a paz “schalom alechem” (paz para nós), que era a prosperidade material e religiosa, pessoal, tribal e nacional. Por isso nos seus livros sagrados é a palavra que mais aparece: 239 no Antigo Testamento, e 89 no Novo. Esta paz que nos dá o Espírito Santo é a paz de Cristo. Não é a paz dos cemitérios. Nem a paz que deixa as armas que se calam. Nem a paz que as nações assinam com concordados com canetas de ouro e nas poltronas de luxo. A paz do Espírito Santo é a paz pessoal, íntima, insubornável. A serenidade do lago da consciência e a sua honradez de vida; o gozo do coração e as bondades humanas; a alma de Deus com as suas vivências divinas, que é tanto como dizer a vida de cara ao sol e as estrelas. Esta paz ninguém pode tirar de nós; nem uma doença nem a vizinha do lado, nem o negócio, nem o meu chefe de trabalho. Ninguém pode tirá-la de nós, simplesmente porque nenhum de todos eles nos deu essa paz, e porque é divina. Perguntemos, se não, a Edith Stein, judia conversa ao cristianismo e depois freira carmelita, e hoje santa Benedita da Cruz, detida pela polícia alemã no dia 2 de agosto de 1942, e que terminou no campo de Auschwitz, morrendo na câmara de gás. Nunca perdeu esta paz divina. Ou a paz de Teresa de Jesus, que nunca perdeu nem sequer entre as panelas sujas da cozinho do seu convento nem no carroças das fundações pelas terras da Espanha e quando teve que estar cara a cara com o rei mais poderoso do mundo, Felipe II. A paz de João da Cruz nas noites toledanas jogado na sua cela de 3X4, com os piolhos por todos lados e as migalhas de pão duro com uma sardinha; e assim, nove meses até o dia da sua fuga!

Finalmente, e com a paz o Espírito Santo nos proporciona também o gosto pelas coisas espirituais. O homem natural preza as coisas e as vantagens materiais: saúde, dinheiro e amor… mas não é capaz de prezar as coisas espirituais: a fé em Cristo, a vida de união com Ele, inclusive através dos sofrimentos da vida, o amor autêntico. Ajuda-nos a compreender a relatividade e a fugacidade das coisas, comparadas com as coisas divinas. Ele nos ensina a docilidade interior à vontade divina, como manifestação concreta do nosso amor real a Deus. Não fechemos a porta a este Doce Hóspede interior com a nossa surdez. Não tapemos a boca deste maravilhoso Mestre interior com as nossas rebeldias. Não machuquemos este maravilhoso Escultor divino com as nossas resistências. Escutemos os seus gemidos inenarráveis, quando o ofendemos, e procuremos estar sempre à sua escuta, na hora de discernir na nossa vida pessoal e comunitária (1 leitura). Deixemos que seja o Espírito Santo quem eleve o nosso pensamento e afeto continuamente à cidade santa, o céu, para deixar-nos envolver pelo fulgor divino e o transmitamos ao nosso redor (2 leitura).

Para refletir

Como trato o Espírito Santo na minha alma? Escuto-o? sou dócil ao que Ele me pede? Deixo-me modelar por Ele? O que estou fazendo com a paz que Cristo me deixou, como fruto do Espírito Santo: sei saboreá-la, defendê-la ou a pisoteio?

Para rezar

Rezemos as estrofes do famoso hino ao Espírito Santo:

Vinde, Espírito Santo
Mandai a vossa luz desde o céu.
Pai amoroso do pobre;
Dom, nos vossos dons esplêndido;
Luz que penetra as almas;
Fonte do maior consolo.
Vinde, doce hóspede da alma,
Descanso do nosso esforço,
Trégua no duro trabalho,
Brisa nas horas de fogo,
Gozo que enxuga as lágrimas
E reconforta nos duelos.
Entra até no fundo da alma,
Divina luz e enriquecei-nos.
Olhai o vazio do homem,
Se Vós não estais dentro dele;
Olhai o poder do pecado,
Quando não enviardes o vosso sopro.
Regai a terra seca,
Sanai o coração enfermo,
Lavai as manchas, infunde
Calor de vida no gelo,
Domai o espírito indômito,
Guia o que está fora do caminho.
Reparti os vossos sete dons,
Segundo a fé dos vossos servos;
Pela vossa bondade e graça,
Dai-lhe ao esforço o seu mérito;
Salvai o que busca se salvar
E dai-nos o vosso gozo eterno. Amém.

Pe. Antonio Rivero, L.C.,
Doutor em Teologia Espiritual, diretor espiritual e professor de Humanidades Clássicas no Centro de Noviciado e de Humanidades da Legião de Cristo em Monterrey (México).
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Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org
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