quinta-feira, 11 de abril de 2019

Governo comunista da China paga até US$ 1.500 para quem denunciar cristãos "ilegais"

Chinesa condenada à morte em 2001 por não obedecer ao regime autoritário chinês. Foto: Agência France Press

Autoridades do governo em uma das regiões mais populosas da China estão oferecendo incentivos em dinheiro para os cidadãos denunciarem os vizinhos que se envolverem com o que o governo chama de "atividades religiosas ilegais".

Às novas medidas visam principalmente às igrejas domésticas protestantes, mas é certo que elas serão aplicadas, também, aos católicos e outras religiões em todo o país.

O preço das informações variam. Podem ser de 3.000 yuan ou, quem informar sobre estrangeiros pode ganhar até 5.000 yuan. Quem colaborar regularmente com a polícia pode receber até 10.000 yuan na moeda local. Se como resultado dessas denúncias houver o fechamento de igrejas, o valor também pode alcançar os 10.000, equivalentes a US$ 1.500, informou o Bitter Winter.

Ensinar o catecismo ou qualquer outra doutrina religiosa não reconhecida pelas autoridades aos filhos, mesmo dentro de casa, se tornou algo muito perigoso, porque as denúncias podem ser feitas por telefone, por escrito ou pessoalmente, segundo um relatório da organização AsiaNews.

"Agora, aqui na China, vivemos em uma atmosfera de Big Brother", disse uma cristã  à AsiaNews. "As autoridades não poderiam ter escolhido um momento melhor, pouco antes da Páscoa, para introduzir essas medidas", disse um padre local no relatório.

Novas regulamentações sobre a prática da religião promulgadas pelo governo chinês em fevereiro de 2018 produziram um ambiente mais tirânico para as pessoas religiosas que vivem no Estado comunista.

Embora apresentada como nada mais do que uma revisão burocrática dos regulamentos existentes, a medida foi vista por muitos como um passo gigante para o aumento do controle estatal de todas as religiões pelo governo comunista.

O argumento da 'sinicização'

As autoridades chinesas insistem que seu objetivo é a "sinicização" benigna, um processo no qual as influências estrangeiras dentro do país se tornam mais compatíveis com a cultura chinesa. Na realidade, é um mandato para cooptar o cristianismo - um processo que está exigindo um pedágio cada vez mais quantificável sobre os cristãos chineses.

“Sinicização”, de acordo com o Relatório Anual de 2014 da China Aid sobre a perseguição religiosa e aos direitos humanos na China , “equivale a descristianizar a Igreja na China e erradicar a natureza universal do cristianismo”, elevando “os interesses do Partido Comunista” e “Usurpar a doutrina cristã de que 'Cristo é a cabeça da Igreja'”.

Longe de ser benigno, o processo de sinicização criou um ambiente cada vez mais opressivo para os cristãos.

"Está ficando pior"

"Parece que praticamente toda semana o governo comunista chinês realiza uma nova baixa", disse Gary Bauer, membro da Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos EUA (USCIRF), à LifeSiteNews.

"Parece a muitos de nós que, nos últimos dois anos, o governo chinês declarou literalmente guerra à fé", disse Bauer. "A repressão às igrejas domésticas e até mesmo às igrejas licenciadas são bons exemplos desse terrível desenvolvimento".

Na China, igrejas "licenciadas" são controladas pelo governo. Apenas elas têm permissão de funcionar e por isso todas as demais são consideradas "clandestinas". Na prática, essa é forma encontrada pelo Estado para controlar o avanço do cristianismo e seus valores libertários, que por natureza são incompatíveis com à ideologia comunista.

Dessa forma, os líderes "licenciados" que ultrapassam em suas práticas o limite permitido pelo Estado são advertidos, punidos, podendo ser torturados, presos ou mesmo mortos pelo regime chinês. Assim, o Partido Comunista da China, o único existente no país, mantém o controle das religiões.

Como muitos cristãos não aceitam tal controle, eles e suas igrejas se recusam a serem regulados pelo Estado, preferindo ficar na "clandestinidade", ignorando às condições impostas pelo governo.

"À liberdade religiosa parece estar ficando cada vez pior", disse Bauer. "Podemos nunca saber quantas pessoas perderam suas vidas na China ao longo das décadas por causa da perseguição religiosa", observou, acrescentando que "tudo indica que está piorando".

"Na USCIRF, nosso mandato é falar a verdade sobre esse tipo de coisa e continuaremos a fazer tudo o que pudermos para expor o que está acontecendo na China para os cristãos", concluiu.
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Opinião Crítica

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