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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Relatório Portas Abertas: 215 milhões de cristãos perseguidos no mundo


Cresce a perseguição contra os cristãos no mundo: o número chega a 215 milhões.  Quem revela é o Relatório World Watch List 2017, publicado esta quarta-feira pela organização “Portas Abertas”, que elabora anualmente uma lista com os 50 países onde mais se verifica este “fenômeno”.

Cobrindo o período de 1º de novembro de 2015 a 31 de outubro de 2016, a WW List avalia o grau de liberdade dos cristãos na vivência diária de sua fé em cinco áreas: privadamente, em família, na comunidade em que residem, na igreja que frequentam e na vida pública do país em que vivem. A estas, soma-se uma sexta voz de análise, que serve para medir o eventual grau de violência a que são submetidos.

Os métodos de pesquisa e os resultados são submetidos à revisão independente por parte do Instituto Internacional pela Liberdade Religiosa. Três cores diversas em um mapa assinalam três diferentes graus de perseguições  (com base em uma contagem). Alta (41-60), Muito Alta (61-80), Extrema (81-100). Este mapa pode ser consultado no link do relatório https://www.porteaperteitalia.org/pdf/wwl2017_report .

Mais de 215 milhões de perseguidos


Esta cifra refere-se aos cristãos perseguidos nos 50 países que fazem parte da WWList 2017. A população total destes 50 países gira em torno dos 4,83 bilhões de habitantes, dos quais cerca de 650 milhões são cristãos. Destes, 30% (isto é, 215 milhões) sofrem algum tipo de perseguição que vai da alta à extrema.

Disto deduz-se que 1 cristão a cada 3 é gravemente perseguido nestes 50 países. Diz-se “mais de” 250 milhões, porque existem cristãos perseguidos também em nações que não fazem parte da WWList 2017, como Uganda, Nepal, Azerbaijão, Quirguistão, Níger, Cuba, entre outros.

A pontuação total na WWL aumentou, passando de 3299 de 2016 a 3355 em 2017, mostrando claramente que a perseguição dos cristãos em todo o mundo tende a aumentar. 

A Ásia se inflama

A pressão anticristã cresce rapidamente na região do sudeste asiático e da Ásia Meridional. A forte influência do Partido Bharatiya Janata, na Índia, desencadeou um perigoso fervor nacionalista-religioso (a religião predominante como elemento fundamental de pertença ao país).

Cinco das seis nações que viram uma deterioração considerável da condição dos cristãos provém destas regiões: Índia, Bangladesh, Laos, Butão e Vietnã. O Sri Lanka entra na WWL devido ao nacionalismo budista.

O nacionalismo religioso é um fenômeno em ascensão desde os anos 90, todavia em 2016 o aumento foi alarmante. Preocupa o processo de “hinduização” latente (“A Índia aos hinduístas”), acelerado desde quando Modi tornou-se o Primeiro Ministro da Índia. A cada semana, 15 cristãos são atacados no país;

As nações vizinhas – de maioria hinduísta ou budista – usam o nacionalismo religioso como fórmula para fortalecer as posições de poder nas zonas rurais.

Opressão islâmica, primeira fonte de perseguições

A opressão islâmica, marcada pelo extremismo, permanece como a fonte dominante de perseguições anticristãs. Oriente Médio, Norte da África e África Subsaariana são as regiões onde se registra as maiores perseguições de matriz islâmica.

A instabilidade política e a violência provocada por movimentos extremistas como Al-Shabaab e Boko Haram já estão nas primeiras páginas de todos os jornais. Uma das mais graves emergências humanitárias – denuncia a ONU  - é provocada pelo Boko Haram na Nigéria, com 8 milhções de pessoas em perigo de fome.

Todavia, também nações externas a estas áreas geográficas apresentam o mesmo fenômeno. O Paquistão, por exemplo, sobe à 4ª posição, com um crescimento da violência e da pressão social anticristã impressionante.

Em 14 dos primeiros 20 países da lista, assim como em 35 entre os primeiros 50, a opressão islâmica deforma e devasta a vida cotidiana dos cristãos. A tendência em concentrar-se no número de mortos, distorce a atenção sobre o agravamento de todas as áreas das liberdades individuais dos cristãos nestes países.

Os Top 10

A Coreia do Norte, pelo 15º ano consecutivo, é o local com as piores condições no mundo para os cristãos. A Igreja é totalmente clandestina e sem contato com o mundo: adorar a Deus ou possuir uma Bíblia coloca em risco a vida da própria pessoa e de seus familiares.

Somália: o carácter intrinsicamente tribal da sociedade, faz com que este país ocupe a 2ª posição. Cada convertido do Islã ao cristianismo, quando descoberto, enfrenta a morte. A Igreja é totalmente clandestina.

Nove entre 10 países já estavam presentes na WWL do ano passado: Coreia do Norte, Somália, Afeganistão, Paquistão, Síria, Iraque, Irã e Eritreia, mas as posições entre eles se alteraram.

Na Síria e no Iraque foram verificados muito menos incidentes contra os cristãos, pois grande parte deles fugiu com o avanço do EI. Para quem permaneceu (mesmo se deslocado em outras áreas), a pressão é ainda muito alta.
O Iêmen subiu para a 9ª colocação, superando a Líbia (11º). Os cristãos iemenitas estão presos em meio à guerra civil entre facções sunitas leais à coroa saudita e rebeldes Huthi apoiados pelo Irã (xiitas).

Mártires

No período de referência WWL2017, foi registrada a morte de 1.2017 cristão por motivos ligados à fé e 1.329 igrejas atacadas. Diminuíram em relação ao ano anterior, por algumas razões específicas.

Primeiro: é sempre mais difícil obter dados completos em situações de conflito civil. Um exemplo disto são as zonas de guerra civil em Myanmar, Iraque, Síria; mas também os montes Nuba no Sudão e os Estados na Middle Belt e norte da Nigéria (Chade e República do Chade incluídos).

Segundo: a reação militar do governo nigeriano (e dos aliados) contra o Boko Haran na Nigéria, limitou as devastadoras ações de extermínio contra povoados cristãos, verificadas com mais frequência em 2015.

Terceiro: a avançada do Estado Islâmico foi freada. Amplas áreas foram liberadas de seu domínio. Soma-se a isto o fato de que grande parte dos cristãos ameaçados acabou fugindo no ano de 205, quando o Califado se expandia, e se compreende como tenha se reduzido também nesta área o número de cristãos assassinados.

Imponente, porém, o número de cristãos ainda perseguidos precisamente nestas áreas. Mesmo diminuindo o número de mortos, cresce a opressão, os abusos, as discriminações e a marginalização dos cristãos, a grande parte dos quais deslocados e privados de tudo, em países como Nigéria, Síria e Iraque. (JE)

Top 10

Os dez primeiros países que compõem a Lista Mundial da Perseguição, são:

1º Coreia do Norte
2º Somália
3º Afeganistão
4º Paquistão
5º Sudão
6º Síria
7º Iraque
8º Irã
9º Iêmen
10º Eritreia

Além desses, dois países da América Latina ainda estão na Lista 2017: México (41º) e Colômbia (50º)
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Rádio Vaticano