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terça-feira, 10 de novembro de 2015

O apartamento do cardeal Bertone foi pago com dinheiro doado para um hospital infantil?


Enquanto o papa Francisco prega e vive a pobreza a exemplo do santo cujo nome ele adotou, o mesmo nem sempre pode ser dito do restante da cúria romana, coisa que escandaliza os fiéis e os não crentes. Enquanto o papa Francisco compartilha a hospedaria de Santa Marta com outros sacerdotes e pede que as propriedades da Igreja sejam usadas para acolher refugiados e pobres, nem todos na cúria parecem ecoar e praticar o mesmo chamamento.

De acordo com um documento citado pelo jornalista Emiliano Fittipaldi em seu recém-lançado livro “Avarizia” (“Avareza“), existem 26 instituições ligadas de uma forma ou de outra à Santa Sé, valendo juntas um bilhão de euros.

A Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (Aspa) possui 5.000 apartamentos em Roma. E isso não é tudo. Há também “propriedades na Inglaterra no valor de 25,6 milhões de euros; na Suíça, valendo 27,7 milhões; na Itália e na França, valendo ao menos 342 milhões”. Este enorme patrimônio imobiliário está à disposição principalmente dos chamados “príncipes da Igreja”. Conhecido é o caso do cardeal Tarcisio Bertone, ex-secretário de Estado, salesiano, que vive num apartamento de 500m2 com vista para a Praça de São Pedro. Trata-se da fusão de dois apartamentos. De acordo com um documento citado por Fittipaldi, a fundação Bambino Gesù, que recebe as doações feitas ao hospital pediátrico de mesmo nome, direcionou 200 mil euros para a reforma do apartamento (Vatican Insider, 4 de outubro).

O novo Conselho de Administração da Fundação Bambino Gesù se reuniu na semana passada em Roma pela primeira vez. Os membros foram nomeados pelo cardeal Pietro Parolin, o secretário de Estado do Vaticano. Novos conselheiros, novos estatutos, nova missão: transparência, solidariedade e inovação. A diretoria da fundação que controla e procura recursos para manter o hospital da Santa Sé já vinha sendo trocada pelo cardeal Parolin desde janeiro – o que mostra que o “trabalho de limpeza” começou bem antes da publicação dos recentes livros-denúncia e é o resultado de uma política deliberada do papa e dos seus colaboradores mais próximos. 

O que surpreende o comum dos mortais são as descobertas de Gianluigi Nuzzi, o jornalista autor de “Via Crucis“: o apartamento do cardeal Bertone “não é a exceção, mas a regra”, escreve ele. “Todos os cardeais da Cúria recebem uma residência funcional (…), normalmente nos esplêndidos edifícios situados a poucos passos da Colunata de São Pedro”.

A réplica do cardeal, que já tinha estado no centro das controvérsia em torno a esse apartamento no ano passado, não demorou. Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Bertone respondeu: “É uma injúria, outra das muitas acusações injustas e falsas que eu recebi nos últimos anos”.

Sobre o apartamento, o cardeal declara: “São 296m2 e eu não vivo sozinho. Na reforma, eu usei 300 mil euros das minhas economias. Esses 200 mil pagos pela Fundação Bambino Gesù são coisa que eles dizem, mas eu não autorizei nada disso”. Ele afirma ter pedido que o seu advogado “investigue o que realmente aconteceu. Se for verificado que houve fraudes em meu detrimento, é claro que eu não hesitarei em reagir. Eu quero ver o que foi pago, quanto foi pago e o documento que o comprova”.
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