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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Em 20 anos a Europa será um continente islâmico?


O sacerdote iraquiano Behnam Benoka advertiu recentemente o povo europeu sobre a possibilidade de se tornar um continente islâmico nos próximos 20 anos, por isso, exortou a cuidar “bem da sua casa, da sua cidade e cultura”.

O Pe. Benoka é um sacerdote da Diocese sírio-católica de Mossul (Iraque). Após esta cidade ter sido tomada pelo grupo terrorista Estado Islâmico (conhecido como Daesh ou ISIS), ele vive em Ankawa, no Curdistão iraquiano, onde é vigário paroquial.

Em Ankawa, o sacerdote iraquiano dá aulas de filosofia na Faculdade de Filosofia e Teologia do Patriarcado Caldeu, fundou e dirige dois dispensários e centros de assistência médica, dedicados especialmente aos refugiados na região de Erbil.

“Pensemos nas centenas de milhares de pessoas que chegam à Europa, que atualmente estão dentro da Europa, milhões e milhões de pessoas que não trazem a cultura europeia. Então, o que será daqui a dez, quinze ou vinte anos da cultura europeia? Será uma cultura europeia?”, questionou o sacerdote, entrevistado para o programa “Tras las huellas del Nazareno”, da Fundação EUK Mamie - HM Televisão.

O Pe. Benoka recordou que “no Iraque a maioria era cristã, como na Espanha há algum tempo, como na Itália e na Alemanha. Agora, somos uma minoria”.

“Nós também recebemos outros em nossa cidade e em nossas casas. Hoje em dia, somos uma pequena minoria, considerada quase nada. Fomos jogados para fora. Nem mesmo na Constituição nos consideram”, lamentou.

“Imaginemos a Constituição europeia, se um dia a Europa tiver uma maioria islâmica, será como hoje? Não, será igual a nossa Constituição! Por isso, com o passar do tempo deverão viver e obedecer uma Constituição que não faz parte da cultura europeia”.

O sacerdote iraquiano advertiu que embora isto “pareça a narração de uma fábula”, em sua experiência é “um dado de um acontecimento consumado, algo que já aconteceu conosco”.

Além disso, o Pe. Benoka assinalou que o Estado Islâmico não é algo fora do comum, mas “são muçulmanos normais”.

“O que é o Daesh? O que é o ISIS? Muitos ocidentais consideram o ISIS como jihadistas. Não! Eles são pessoas comuns, que simplesmente querem impor a lei de viver segundo a lei islâmica tal como ela é”, explicou.

O sacerdote iraquiano assinalou que os militantes do ISIS “seguem Maomé como exemplo de vida. E só! Isto é o ISIS! O ISIS como tal são pessoas comuns, são muçulmanos normais. Não vieram de fora da terra. Quando falam ou quando fazem algo, o fazem baseados no Corão”.

“Rezo pelos cristãos da Europa, para que possam defender sua cultura e sua identidade cristã”, expressou. 

O Pe. Benoka recordou que mais de 120.000 cristãos fugiram da planície de Nínive ao Curdistão iraquiano depois do ataque do Estado Islâmico em 2014. “Segundo as estatísticas, duas mil famílias vivem em contêineres. Outras duas mil famílias vivem em casas alugadas pela igreja local, graças à ajuda de diversas organizações, sobretudo organizações católicas. E entre 4.500 e 5.000 famílias vivem em casas alugadas por conta própria. Eles mesmos pagam o seu aluguel”.

Entretanto, os cristãos não perderam somente as suas casas, assinalou, mas também “a vida passada, também toda a sua história. Porque durante séculos de história, havíamos plasmado, dado forma, modelado o Iraque. Com o nosso sangue, com as nossas lágrimas e nosso suor, pelo trabalho”.

Também perderam aqueles que consideravam amigos, seus vizinhos muçulmanos. “Acreditávamos que tínhamos muitos amigos muçulmanos, mas aparentemente não era assim, porque depois do nosso deslocamento para o norte do Iraque, muitas famílias muçulmanas residentes atualmente em Mossul e Nínive, nossa cidade, quando entravam em nossas casas, chamavam as pessoas e os seus amigos dizendo: ‘Olhe, amigo. Eu sou tal pessoa, estou na sua casa, todas suas propriedades agora são minhas’”.

Além disso, o sacerdote revelou que a vida no Curdistão iraquiano se tornou cada vez mais difícil para os cristãos “porque não conseguem trabalho. Se quiserem trabalhar em Erbil ou em outras zonas do Curdistão, não é possível ou há pouquíssimas possibilidades. Por quê? Porque o Curdistão recebeu aproximadamente 1.400.000 refugiados sírios. Isto é quase a mesma quantidade da população curda local, deste modo, a possibilidade de trabalho, é muito rara”.

“A princípio, o governo dava os remédios gratuitamente ou contribuía pelo menos parcialmente para que os pacientes pudessem adquiri-los. Mas, há dois meses, esta ajuda também foi retirada. Sendo assim, os doentes de câncer devem assumir todas as despesas dos seus remédios, ou seja, entre 500 a 1500 dólares por mês. Trata-se de um caso de vida ou morte. Um remédio pode garantir a vida e a falta dele talvez possa ocasionar a morte desta pessoa”.

Entretanto, destacou, os refugiados cristãos, apesar do sofrimento físico e moral, são sustentados pela fé.

“Nós vamos aos diferentes campos de refugiados onde há sunitas, xiitas, yazidis, cristãos e vemos que há diferença entre a vida diária dos cristãos do seu campo de refugiados e o que ocorre em outros campos. Em outros campos existem problemas de crimes e muitos problemas graves”, assinalou.

O Pe. Benoka destacou que nos campos de refugiados cristãos “não digo que não haja problemas, há problemas, mas não são problemas de alto nível, não são problemas graves. São problemas do cotidiano, devido a todas estas condições”.

“Eu acredito que isto acontece graças à fé que temos, graças também à atuação da Igreja no serviço aos seus fiéis”, expressou.
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ACI Digital