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segunda-feira, 21 de março de 2016

Via-Sacra: 9ª Estação: “Jesus cai pela terceira vez” (Lamentações 3,27-32).



  
“Levanta-te e anda”.

Com a sua terceira queda, Jesus confessa com quanto amor abraçou, por nós, o peso da provação e renova o chamamento para O seguirmos até ao fim na fidelidade. Mas permite-nos também lançar um olhar para além do véu da promessa: «Se nos mantivermos firmes, reinaremos com Ele».

As suas quedas pertencem ao mistério da sua Encarnação. Procurou-nos na nossa debilidade, descendo até ao fundo da mesma para nos elevar até Ele. «Mostrou-nos em Si mesmo o caminho da humildade, para nos abrir o caminho do regresso». «Ensinou-nos a paciência como arma para vencer o mundo». Agora, caído no chão pela terceira vez, enquanto «Se com-padece das nossas fraquezas», indica-nos o modo para não sucumbir na provação: perseverar, permanecer firmes e inabaláveis. Simplesmente: «permanecer n’Ele».

A experiência da queda, do fracasso ou de uma grande derrota realmente nos põe no chão, mas o pecado é uma derrota e fracasso do homem todo assim como a Salvação em Jesus Cristo alcançou todas as realidades de nossas vidas. Não importa quais foram as suas quedas ou se você esta caído, existe alguém que estende a mão para você e diz: “Eu te ordeno levanta-te e anda!”.

Se Ele aflige, Ele se compadece segundo a sua grande bondade.

E que dizer da terceira queda de Jesus sob o peso da cruz? Pode talvez fazer-nos pensar na queda do homem em geral, no afastamento de muitos de Cristo, caminhando à deriva para um secularismo sem Deus. Mas não deveríamos pensar também em tudo quanto Cristo tem sofrido na sua própria Igreja? Quantas vezes se abusa do Santíssimo Sacramento da sua presença, frequentemente como está vazio e ruim o coração onde Ele entra! Tantas vezes celebramos apenas nós próprios, sem nos darmos conta sequer d’Ele! Quantas vezes se contorce e abusa da sua Palavra! Quão pouca fé existe em tantas teorias, quantas palavras vazias! Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele! Quanta soberba, quanta auto-suficiência! Respeitamos tão pouco o sacramento da reconciliação, onde Ele está à nossa espera para nos levantar das nossas quedas! Tudo isto está presente na sua paixão. A traição dos discípulos, a recepção indigna do seu Corpo e do seu Sangue é certamente o maior sofrimento do Redentor, o que Lhe trespassa o coração. Nada mais podemos fazer que dirigir-Lhe, do mais fundo da alma, este grito: Kyrie, eleison – Senhor salvai-nos (cf. Mt 8, 25).

Senhor, muitas vezes a vossa Igreja parece-nos uma barca que está para afundar, uma barca que mete água por todos os lados. E mesmo no vosso campo de trigo, vemos mais cizânia que trigo. O vestido e o rosto tão sujos da vossa Igreja horrorizam-nos. Mas somos nós mesmos que os sujamos! Somos nós mesmos que Vos traímos sempre, depois de todas as nossas grandes palavras, os nossos grandes gestos. Tende piedade da vossa Igreja: também dentro dela, Adão continua a cair. Com a nossa queda, deitamo-Vos ao chão, e Satanás a rir-se porque espera que não mais conseguireis levantar-Vos daquela queda; espera que Vós, tendo sido arrastado na queda da vossa Igreja, ficareis por terra derrotado. Mas, Vós erguer-Vos-eis. Vós levantastes-Vos, ressuscitastes e podeis levantar-nos também a nós. Salvai e santificai a vossa Igreja. Salvai e santificai a todos nós.

O Senhor cai pela terceira vez, na ladeira do Calvário, quando faltam apenas quarenta ou cinquenta passos para chegar ao cume. Jesus não se aguenta em pé: faltam-Lhe as forças e jaz, esgotado, por terra.

Entregou-se porque quis; maltratado, não abriu a boca, como cordeiro levado ao matadoiro, como ovelha muda ante os tosqueadores (Is LIII, 7).

Todos contra Ele...: os da cidade e os forasteiros, e os fariseus, e os soldados, e os príncipes dos sacerdotes... Todos verdugos. Sua Mãe - minha Mãe -, Maria, chora.

Jesus cumpre a vontade de Seu Pai! Pobre: nu. Generoso: que lhe falta entregar? Dilexit me et tradidit semetipsum pro me (Gal II, 20), amou-me e entregou-Se, até à morte, por mim.

Meu Deus!, que eu odeie o pecado e me una a Ti, abraçando-me à Santa Cruz, para cumprir, por meu lado, a Tua Vontade amabilíssima..., nu de todo O afecto terreno, sem outro alvo que a Tua glória.... generosamente, não reservando nada para mim, oferecendo-me conTigo em perfeito holocausto. 

O Senhor já não pode levantar-Se

Tão gravoso é o peso da nossa miséria. Levam-nO até ao patíbulo como um fardo. Ele tudo deixa, em silêncio.

Humildade de Jesus. Aniquilamento de Deus que nos levanta e exalta. Entendes, agora, porque te aconselhei que pusesses o teu coração no chão, para que os outros o calquem?

Quanto custa chegar até ao Calvário!

Tu também tens de vencer-te para não abandonar o caminho... Essa luta é uma maravilha, uma autêntica prova do amor de Deus, que nos quer fortes, porque virtus in infirmitute perficitur (2 Cor XII, 9), a virtude fortalece-se na debilidade.

O Senhor sabe que, quando nos sentimos frouxos, nos aproximamos d'Ele, rezamos melhor, mortificamo-nos mais, intensificamos o amor ao próximo. Assim nos tornamos santos.

Dá muitas graças a Deus por permitir que haja tentações,... e porque lutas.

Queres acompanhar Jesus de perto, muito de perto?...

Abre o Santo Evangelho e lê a Paixão do Senhor. Mas não só ler: viver. A diferença é grande. Ler é recordar uma coisa que passou; viver é estar presente num acontecimento que sucede agora mesmo, ser uma pessoa mais naquelas cenas.

Então, deixa que o teu coração se expanda, que se ponha junto do Senhor. E, quando reparares que se escapa - que és cobarde, como os outros -, pede perdão pelas tuas cobardias e pelas minhas.

Parece que o mundo te cai em cima.

À tua volta não se vislumbra uma saída. Desta vez, é impossível superar as dificuldades.

Mas, tornaste a esquecer que Deus é teu Pai?: omnipotente, infinitamente sábio, misericordioso. Ele não pode enviar-te nada mau. Isso que te preocupa, convém-te, ainda que os teus olhos de carne estejam agora cegos.

Omnia in bonum! Senhor, que, mais uma vez e sempre, se cumpra a Tua sapientíssima Vontade!

Agora compreendes quanto fizeste sofrer Jesus, e enches-te de dor

Como lhe pedes perdão, deveras e choras pelas tuas traições passadas! Não te cabem no peito as ânsias de reparar!

Bem. Mas não esqueças que o espírito de penitência está principalmente em cumprir, custe o que custar, o dever de cada instante.


Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão quando caístes pela terceira vez e pelos merecimentos de Vossa Mãe Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do Purgatório.