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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O que é a Igreja Ortodoxa?


Na recente visita do nosso Papitcho à Terra Santa, um dos momentos mais marcantes foi o seu encontro com Bartolomeu, o Patriarca de Constantinopla, líder das Igrejas Ortodoxas orientais. Muita gente ficou boiando e não entendeu a importância do momento: o senhor de barba na foto aí em cima é nada mais, nada menos do que… o sucessor do Apóstolo André!

Se você não entende o que são as Igrejas Ortodoxas e qual a sua relação com a Igreja Católica Romana, este post é pra você!

O que é a Igreja Ortodoxa?

Antes de tudo, vamos lembrar que, conforme ensinam a Bíblia e a Tradição dos padres primitivos, Jesus fundou a Sua Igreja sobre Pedro (entenda aqui); ele é representante visível do Cristo invisível, o Deus que é a verdadeira Pedra angular da Igreja. Os demais apóstolos, por sua vez, foram instituídos como COLUNAS da Igreja, ou seja, aqueles que sustentam a Sagrada Tradição e a fé dos cristãos. Cada Apóstolo fundou uma igreja particular (também chamada de diocese), que era parte integrante da Igreja Católica, ou seja, da igreja universal.

Então, a Igreja Católica é um conjunto de igrejas particulares (dioceses) que estão em plena comunhão com Pedro. Exemplos de dioceses e de igrejas particulares católicas: a Arquidiocese de Olinda, a Arquidiocese de Nova York, a Arquidiocese de Tóquio, a Igreja Católica Copta, a Igreja Maronita de Antioquia, a Igreja Grego-Católica Melquita… e milhares de outras igrejas particulares pelo mundo!

Por sua vez, a Igreja Ortodoxa é o conjunto de igrejas orientais particulares que se desligou do corpo da Igreja Católica, ao rejeitar formalmente a primazia de Pedro, isto é, a autoridade máxima do bispo de Roma. Apesar desse Grande Cisma, que aconteceu no século XI, os patriarcas ortodoxos são legítimos sucessores dos Apóstolos. Portanto, os sacramentos concedidos pela Igreja Ortodoxa são todos válidos. O mesmo não ocorre com as igrejas evangélicas, pois nenhuma delas possui sucessão apostólica.

Pra ficar mais claro, propomos um rápido joguinho: trace os caminhos abaixo e descubra quais deles levam aos doze Apóstolos de Cristo!



Como ocorreu o Grande Cisma?
Nos tempos do whatsapp – o popular zazápi – é difícil imaginar como era a vida nos séculos IV e V, quando uma carta poderia demorar até um ano para chegar ao seu destino. A distância, a precariedade dos meios de comunicação e as diferenças culturais impediam que Roma pudesse intervir de modo mais efetivo nas igrejas do Oriente. Os cinco patriarcas, que eram os mais importantes bispos da Igreja, viviam quase que isoladamente (saiba mais aqui sobre os cinco patriarcas).
Essa grande autonomia, com o tempo, acabou por fazer o poder subir à cabeça dos patriarcas orientais, que começaram a achar que já não tinham razões para se submeter ao sucessor de Pedro. Agravaram-se os desacordos em questões pastorais, doutrinárias e políticas. O bispo de Roma também vacilou, pois não soube lidar sabiamente com a pendenga; enviou a Constantinopla seus representantes , o chamado “legado papal”, que pelo visto eram uns sujeitos muito pouco diplomáticos. O líder do legado simplesmente excomungou o patriarca de Constantinopla; este, por sua vez, devolveu a “gentileza” e excomungou o legado e o Papa.

A partir de então, a comunhão entre as igrejas particulares do Oriente e a Igreja de Roma, que já vinha sendo abalada ao longo dos séculos, foi completamente aniquilada. E assim se deu o Grande Cisma: em 1054, os patriarcas orientais cismáticos deixaram de ser membros da única Igreja fundada por Cristo. Ambos os lados tiveram culpa nessa triste separação.

Graças a Deus, em 1965, o Papa Paulo VI e o Patriarca de Constantinopla anularam as bulas de excomunhão entre eles. Desde então, católicos e cristãos ortodoxos estão em comunhão parcial.

Por que o nome “Ortodoxa”?
O termo “ortodoxia” significa fidelidade à verdadeira Tradição e à verdadeira doutrina. Então, ao se separarem de Roma, os cismáticos orientais se declararam “ortodoxos”, ou seja, aqueles que professam a doutrina correta. Com isso, queriam indicar que a Igreja Católica era heterodoxa, ou seja, seguia uma doutrina errada.

Esse é o mesmo estratagema usado pelos protestantes, que passaram se declarar “evangélicos”; com isso, querem indicar que os católicos não são seguidores do Evangelho, ou seja, não são evangélicos. Não são uma gracinha?

Bem, mas não vamos fazer picuinha por causa de nomenclaturas. Por amor ao diálogo entre os irmãos que amam a Cristo e por uma questão de protocolo, os católicos concordam em chamar os cristãos cismáticos do oriente de “ortodoxos”, e os protestantes de “evangélicos”. Fazemos essa concessão, ainda que saibamos que somente a Igreja Católica é realmente ortodoxa, e é também a única integralmente evangélica.

Em que a Igreja Ortodoxa se difere da Igreja Católica?

Os cristãos ortodoxos negam o dogma da infalibilidade papal e, em relação à Santíssima Trindade, creem que o Espírito Santo procede apenas de Pai, e não do Pai e do Deus Filho, como creem os católicos romanos.

Nos templos ortodoxos, não há estátuas de santos, somente aos ícones (pinturas).

Homens casados podem ser ordenados padres ortodoxos, porém, aqueles ordenados como padres celibatários não poderão mais se casar. Os bispos devem ser necessariamente celibatários; assim, são escolhidos entre os monges (vejam bem: mesmo eles reconhecem que a plenitude do sacerdócio só deve ser conferida aos celibatários!).

Os sacramentos na Igreja Ortodoxa são sete, e sua organização eclesiástica é quase igual à da Igreja Católica. Por isso, em situações extremas, os católicos podem receber os sacramentos na Igreja Ortodoxa. Essas situações extremas podem ser a falta de uma Igreja Católica na região onde o fiel está morando ou perigo morte iminente.

Enquanto na maioria dos templos católicos do Ocidente segue-se o rito latino, o rito na Igreja Ortodoxa é Bizantino, também chamado de rito grego. Algumas católicas orientais também seguem esse rito.

O batismo ortodoxo é por imersão, ou seja, é preciso afundar o corpo da pessoa completamente na água. Na comunhão eucarística ortodoxa, os fiéis sempre recebem o Pão e o Vinho, enquanto que, na Igreja Católica, recebem as duas espécies somente algumas ocasiões especiais.

Por que deve-se afirmar a primazia de Pedro?
 
Negar o primado de Pedro é negar um dos aspectos mais importantes da Tradição cristã. Por mais de mil anos, todas as igrejas particulares seguiam as diretrizes de Roma, e mesmo as comunidades mais autônomas reconheciam ao menos formalmente a primazia petrina.

A primeira sede da Igreja foi em Jerusalém, depois Antioquia e, por fim, Roma, que foi o último local onde Pedro atuou como bispo. A necessidade de fidelidade de todos os cristãos à Roma está historicamente provada em diversos textos dos padres primitivos. Destacamos aqui um deles, um escrito de Santo Ireneu de Lyon, que viveu entre o ano 130 e 202:

“Mas visto que seria coisa bastante longa elencar (…) as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma, pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo (…)

“Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua origem mais excelente, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos.” - Ireneu de Lyon, em Adv. Haer. Fonte: Veritatis Splendor

A esperança do restabelecimento da comunhão plena entre católicos e ortodoxos se fortalece cada vez mais. Os inimigos da cristandade estão altivos e violentos, e mais do que nunca a unidade dos cristãos é uma necessidade. Oremos para que o abraço de Pedro e André seja, em breve, a expressão de completa união, como nos tempos da igreja primitiva!
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Título Original: Católicos e ortodoxos: cada um na sua, mas com alguma coisa em comum
O Catequista