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terça-feira, 6 de outubro de 2015

“Sair do armário” na Igreja e a visão do papa sobre os lobbys de pressão


Krzysztof Charamsa, padre católico e alto funcionário do Vaticano, “saiu do armário”, como se diz popularmente quando uma pessoa revela a sua homossexualidade. De origem polonesa, Charamsa trabalhava desde 2003 na Congregação para a Doutrina da Fé e era secretário da Comissão Teológica Internacional, além de ensinar teologia em duas universidades pontifícias de Roma.

Foi o jornal Corriere della Sera que apresentou a polêmica revelação na sua capa de sábado, 3 de outubro, véspera do início do sínodo sobre a família. Ao mesmo tempo, a edição polonesa da revista Newsweek publicava outras declarações de Charamsa sobre o mesmo assunto.

Não satisfeito com as duas entrevistas, o até então “monsenhor Krzysztof” fez mais duas coisas no mesmo sábado: participou da primeira assembleia internacional da “Global Network of Rainbow Catholics” (um autodenominado grupo católico que faz pressão para que a Igreja mude a sua doutrina sobre a homossexualidade) e deu uma coletiva sobre a sua “saída do armário” (na ocasião, também apresentou seu companheiro, o catalão Eduardo).

Por conta do cargo de Chamrasa, do tema em questão e do momento do anúncio, o caso tomou de assalto toda a imprensa internacional.

Sobre o momento do anúncio, Charamsa declarou: “…Quero dizer ao sínodo que […] um casal de lésbicas ou de homossexuais deve poder dizer à Igreja: ‘Nós nos amamos de acordo com a nossa natureza e oferecemos aos outros este bem do nosso amor porque ele é um fato público, não privado”.

Na entrevista publicada pelo Corriere della Sera, Chamrasa faz uma interpretação bastante subjetiva da Bíblia para concluir que ela não condena a homossexualidade. Perguntado sobre a sua condição de sacerdote e o fato de que ter um companheiro, o que implica a ruptura do livre compromisso com o celibato, ele respondeu: “Sei que a Igreja me verá como alguém que não soube manter uma promessa, que se perdeu e não por uma mulher, mas por um homem. E sei também que terei de renunciar ao ministério, que é toda a minha vida. Mas não o faço para poder viver com o meu companheiro. Esta é uma decisão muito mais ampla, que nasce da reflexão sobre o pensamento da Igreja”.

O porta-voz da Santa Sé, pe. Federico Lombardi, se manifestou sobre o episódio:

“Acerca das declarações e entrevistas concedidas por mons. Krzystof Charamsa, cabe destacar que, apesar do respeito que merecem os fatos e circunstâncias pessoais e as reflexões sobre eles, a escolha de declarar algo tão clamoroso na véspera da abertura de sínodo é muito grave e não responsável, já que visa submeter a assembleia sinodal a uma pressão midiática injustificada. Certamente, mons. Charamsa não poderá continuar desempenhando as tarefas precedentes na Congregação para a Doutrina da Fé e nas universidades pontifícias, ao passo que os outros aspectos da sua situação competem ao seu ordinário diocesano”. 

A medida do ordinário diocesano de Charamsa, o bispo de Pelplin, na Polônia, foi divulgada pelo seu porta-voz:

“Em conexão com o comunicado publicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé a respeito da declaração do pe. Krzystof Charamsa e das sus afirmações aos meios de comunicação contrárias à Escritura e aos ensinamentos da Igreja católica, e considerando as normas do Código de Direito Canônico, o pe. Krzystof Charamsa foi admoestado pelo bispo de Pelplin a retornar ao caminho do sacerdócio de Cristo. Ao mesmo tempo, o bispo de Pelplin pede oração por esta intenção a todos os sacerdotes e fiéis”.

Vários meios de comunicação apresentaram como “injustiça” a impossibilidade de Charamsa continuar trabalhando no Vaticano e nas universidades em que dava aulas. Deve-se recordar, porém, que ele próprio, em sua entrevista inicial, declara entender que esta é uma consequência já prevista da sua decisão. Além disso, não faz sentido que uma pessoa que não acredita naquilo que a Igreja ensina continue dando aulas em universidades que ensinam justamente aquilo em que a Igreja acredita. Vale o mesmo para o dicastério que zela pela conservação, promoção e defesa da fé católica.

O caso de Krzysztof Charamsa tem todos os matizes de quem tenta justificar a todo custo, inclusive com malabarismos teológicos, um comportamento incompatível com os compromissos prévia e livremente assumidos, além de pressionar para condicionar o sínodo sobre a família.

É oportuno recordar a coletiva do papa Francisco no voo de volta do Brasil para Roma, em 28 de julho de 2013, quando uma jornalista lhe perguntou sobre o lobby gay no Vaticano: “Acho que, quando você se encontra com uma pessoa assim, tem que distinguir o fato de ser uma pessoa gay do fato de fazer um lobby, porque nenhum lobby é bom. São maus”.
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ZENIT