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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Homilética: 29º Domingo Comum - Ano B: "O Servo Sofredor".


Ideia principal: A verdadeira grandeza e liderança estão em servir, não em dominar, a exemplo de Jesus que veio para servir e não para ser servido.

Síntese da mensagem: No domingo passado aprendemos onde está a autêntica sabedoria. Neste domingo, Jesus nos ensina onde está a verdadeira grandeza e liderança do seguidor de Cristo: em servir (evangelho), embora isto suponha provas e sofrimentos (1 e 2 leituras).

Textos: Isa 53, 2a.3a.10-11; Heb 4, 14-16; Mc 10, 35-45

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, em geral como concebe o nosso mundo social e político o uso da autoridade, dos ministérios, dos papéis e das funções? Ordinariamente escutamos estas palavras: promoção e honra, ambição e prestígio, domínio e tirania. Megalomania, arbitrariedade, tirania: eis ai a definição de muitos reinos e impérios da história passada: Nero, Sérvio Sulpicio Galba, Vespasiano... Isto é, “quantos súditos tenho para mandar, quantas bombas para disparar, quanto dinheiro para gastar”. Ambição, megalomania, exploração (ditatorial, republicana, democrática...): eis ai a definição de alguns Estados e nações na história contemporânea. Isto é: “quantos tenho que pisar para subir, que impostos impor para emagrecer os que têm e cevar os confrades do partido, quantos azulejos tenho que quebrar e corromper de religião, moral, matrimônio, família, filhos para me manter na poltrona”. E, desgraçadamente, não só no campo social e político, mas também familiar ou comunitário, isto pode acontecer. Está sempre ai a tentação de dominar e tiranizar os outros, se eles se deixam.

Em segundo lugar, como deve conceber o seguidor de Cristo a autoridade? Em clave de serviço, nunca em clave de domínio. Agora entendemos porque Jesus deixou bem claro aos apóstolos que queriam os melhores lugares- os bancos ministeriais e os lugares de renome- que esse não era o caminho do seu autêntico seguidor. Primeiro tem que passar pela cruz e pelo sofrimento. E sempre em atitude de serviço humilde. A Igreja, toda inteira, como comunidade de Jesus, deve ser servidora da Humanidade, e não a sua dona e senhora. Não apoiada no poder, mas disposta ao amor de serviço, animada pelo exemplo de Jesus no lavatório da Última Ceia, oficio de escravos. Lição difícil e dura para aprender. Mas Jesus ajusta bem as contas com os seus seguidores agora. Do contrário, depois são capazes de organizar a Igreja como um império, um reino, um Estado...civis. Cristo quer uma Igreja, não que manda nos súditos, mas que serve os filhos de Deus. Cristo quer uma Igreja que ofereça e facilite a salvação e não que a controle e coloque taxas.

Finalmente, olhemos para Cristo, o nosso exemplo supremo. Não quis prerrogativas, nem ambições. Rebaixou-se, fez-se nada, arregaçou as mangas e lavou os pés. Veio para servir, e não para ser servido. Serviu o seu Pai celestial. Serviu Maria e José, os seus pais aqui na terra. Serviu a humanidade, curando, consolando, dando de comer, pregando a mensagem da salvação. Não quis nada em troca. Veio para dar a vida em resgate por todos. Onde resgate equivale à libertação do pecado e do cativeiro do demônio, mas também libertação das estruturas sociais, políticas, econômicas, religiosas, sindicais...opressoras do homem. Cristo não é um líder divino que se abre caminho vencendo inimigos e instaurando um Reino de Deus político, não é um dominador, mas um servidor; não um vencedor, mas um vencido e rendido por amor. 

Para refletir: Como me comporto no pequeno ou no grande território da minha autoridade, familiar, profissional, eclesial: sirvo como Jesus ou tiranizo e oprimo como os grandes desta terra? Reflitamos nesta frase da Madre Teresa de Calcutá: “O fruto do silencio é a oração. O fruto da oração é a fé. O fruto da fé é o amor. O fruto do amor é o serviço. O fruto do serviço é a paz”. Reflitamos também neste texto do Papa Francisco: “Um segundo elemento que gostaria de realçar no exercício da autoridade é o serviço: nunca nos devemos esquecer que o poder verdadeiro, a qualquer nível, é o serviço, que tem o seu ápice luminoso na Cruz. Bento XVI, com grande sabedoria, recordou muitas vezes à Igreja que se para o homem, com frequência, autoridade é sinónimo de posse, de domínio, de sucesso, para Deus autoridade é sempre sinónimo de serviço, de humildade e de amor; significa entrar na lógica de Jesus que se inclina para lavar os pés aos Apóstolos (cf. Angelus, 29 de Janeiro de 2012), e diz aos seus discípulos: «Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores... Não seja assim entre vós — é este precisamente o lema da vossa assembleia. Entre vós não será assim — quem quiser fazer-se grande entre vós, seja vosso servo» (Mt 20, 25-27). Pensemos no dano que causam ao Povo de Deus os homens e as mulheres de Igreja que são carreiristas ou arrivistas, que «usam» o povo, a Igreja, os irmãos e as irmãs — aqueles a quem deveriam servir — como trampolim para os interesses e as ambições pessoais. Eles causam um dano grande à Igreja” (Discurso às religiosas participantes na assembleia plenária da união internacional das superiores gerais, 8 de maio de 2013).

Para rezar: Senhor, livrai-me da ambição e da tirania no trato com os meus irmãos. Colocai no meu coração a humildade para que possa servir todos com desprendimento, alegria e generosidade, como Vós.



Pe. Antonio Rivero L.C.
Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater Ecclesiae de São Paulo (Brasil)
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