sábado, 18 de junho de 2016

Devemos orar não só com as palavras, mas também com as obras


Irmãos caríssimos, esta é a oração que Deus nos ensinou, resumindo todas as nossas petições em tão breves e salutares palavras. Já anteriormente tinha sido anunciado pelo profeta Isaías, quando ele falava, cheio do Espírito Santo, sobre a majestade e piedade de Deus: Deus completa e abrevia a sua palavra de justiça, Deus realiza uma palavra breve em todo o orbe da terra. Na verdade, a Palavra de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, veio para reunir todos os homens, sábios ou ignorantes, e para ensinar a todos, sem distinção de sexo ou idade, o caminho da salvação. Por isso resumiu num compêndio admirável os seus ensinamentos, para não sobrecarregar a memória dos que aprendiam a sua doutrina celeste e para que aprendessem com facilidade os elementos necessários à fé cristã.

E assim, para ensinar em que consiste a vida eterna, resumiu o mistério da vida nestas palavras tão breves e cheias de divina grandiosidade: Esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste. Do mesmo modo, para salientar os principais e maiores preceitos da Lei e dos Profetas, disse: Escuta, Israel: o Senhor teu Deus é o único Senhor; e ainda: Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. Este é o primeiro mandamento; e o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Nestes dois mandamentos se resume toda a Lei e os Profetas. E também: Tudo o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles. Esta é, de facto, a Lei e os Profetas.

No entanto, Deus ensinou-nos a orar não somente com palavras mas também com factos. Ele orava e suplicava frequentemente, mostrando com o testemunho do seu exemplo o que devíamos nós fazer. Assim está escrito: Então Jesus retirava-Se para lugares desertos e orava; e outra vez: Subiu ao monte para orar e passou a noite em oração a Deus.

O Senhor, quando orava, não pedia por Si mesmo – porque havia de rezar por Si mesmo, se era inocente? – mas pelos nossos pecados, como declara com aquelas palavras que dirige a Pedro: Satanás procura-vos para vos joeirar como o trigo. Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E depois roga ao Pai por todos, dizendo: Não peço somente por eles, mas também por aqueles que hão-de acreditar em Mim através da sua palavra, para que todos sejam um, como Tu, Pai, em Mim, e Eu em Ti, para que também eles sejam um em Nós.

Como é grande a bondade e misericórdia que Deus manifestou pela nossa salvação! Não contente com remir-nos pelo seu Sangue, também roga por nós. E vede qual era a sua súplica, quando orava: que assim como o Pai e o Filho são um só, também nós permaneçamos na mesma unidade.


Do Tratado de São Cipriano, bispo e mártir, sobre a Oração Dominical (Nn. 28-30: CSEL 3, 287-289) (Sec. III)