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domingo, 4 de setembro de 2016

O Anticristo e a conjuração dos maus cristãos

O Anticristo instruído pelo diabo. Luca Signorelli (1445-1523), basílica de Orvieto, Itália 


Vós já sabeis a causa que agora o detém, até que seja manifestado a seu tempo. O fato é que já vai obrando o mistério da iniquidade; entretanto, o que está firme agora mantenha-se até que seja tirado o impedimento. E então se deixará ver aquele perverso, a quem o Senhor Jesus matará com o alento de sua boca e destruirá com o resplendor de sua presença aquele iníquo que virá com o poder de Satanás, com toda sorte de milagres, de sinais e falsos prodígios, e com todas as ilusões que podem conduzir à iniquidade àqueles que se perderam, por não haver recebido e amado a verdade a fim de salvarem-se. - 2 Tessalonicenses 2,6-9

 

Põe-se de manifesto a morte do Anticristo, e declara-se a demora de sua vinda.


Chega o Apóstolo, anunciando o futuro, contou a chegada e culpa do Anticristo; aqui nos mostra a causa que impede essa vinda; e primeiro descobre que eles já sabem a que causa se refere, e a propõe em termos obscuros.


Assim pois: digo que é necessário se dê a conhecer o homem do pecado. “Já sabeis vós a causa que agora o detém”, isto é, a causa de que se tarda, porque eu já lhes disse, de sorte que o que ao presente lhe detém, “a seu tempo”, isto é, oportunamente, “se dará a conhecer” (Ecle.8).


"O fato é que já vai obrando ou tomando forma o mistério da iniquidade”.


Explica por que se demora o Anticristo; e este texto tem muitas interpretações, porque mistério pode estar em nominativo ou acusativo.


No primeiro caso o sentido é este: digo que a seu tempo se dará a conhecer, porque ainda o mistério, isto é, – figuradamente ocultado (enigmaticamente proposto),
já está obrando nos fingidos (cristãos), que parecem bons, e na realidade são maus, e estão fazendo o ofício do Anticristo, “mostrando, sim, aparência de piedade, mas renunciando ao seu espírito” (2Tm 3,5).

 

No segundo caso, ou no acusativo, se interpreta assim: porque o diabo, em cujo poder permanecerá o Anticristo, já começou ocultamente, por meio dos tiranos e enganadores, a cometer suas iniquidades; porque as perseguições à Igreja deste tempo são figuras dessa última perseguição contra todos os bons e, em comparação com aquela, são como a cópia respectiva da original.

“Entretanto o que está firme agora”. Isto também tem múltipla explicação.


Uma – segundo Santo Agostinho e a Glosa – diz que, na opinião de alguns, o Anticristo é Nero, o primeiro perseguidor dos cristãos, que não foi morto, senão roubado fraudulentamente, e que algum dia será restituído em seu lugar.


Donde o Apóstolo, dando por vã esta opinião, diz: “entretanto o que está firme agora”, tendo em suas mãos o Império, “mantenha-se, até que seja tirado o impedimento”, isto é, até que morra.


Mas explicado desta maneira não cai bem, porque há muitos anos que Nero está morto, à saber, o mesmo ano que o Apóstolo.


Refere-se melhor a Nero, como pessoa pública do Império Romano, até que seja tirado do meio, isto é, o Império Romano, deste mundo (Is 23,9: foi o Senhor dos Exércitos que o decidiu, para fazer murchar o orgulho de tudo que se honra).


Ou de outro modo: “entretanto o que tem”, isto é, detém agora a chegada do Anticristo, detenha-o para que não venha; qual se fosse necessário que alguns venham todavia à fé e alguns se apartem dela, como se dissera: para deixar franquia à porta a ires e vires, entradas e saídas, o que agora detém até que venha detenha até que seja tirado do meio este homem obsceno.


Ou também assim: entretanto o que tem agora fé tenha-a, isto é, mantenha-se firme nela (Ap 2).


Até que seja tirado do meio, isto é, a reunião revoltosa de maus, se separe dos bons e se ponha aparte, como se fará na perseguição do Anticristo.


Ou entretanto... isto é, que o mistério de iniquidade, a iniquidade misteriosa, que detém, detenha,
até que a removam de seu esconderijo ao centro da praça, à vista do público; pois muitos pecam agora às ocultas, mas chegará o dia no qual farão à luz do dia.

Porque
Deus suporta os pecadores enquanto às ocultas cometem seus pecados; mas o dia em que encontrarem o limite, então se lhe acabará a paciência, como sucedeu com os Sodomitas.


Com tudo isso, Santo Agostinho confessa ignorar o que é o que o Apóstolo lhes diz, se já o sabiam; por isso diz: “já sabéis o que agora detém”. Ademais não era coisa muito necessária de saber-se.

 

 

São Tomás de Aquino

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O texto que apresentamos aos nossos leitores é parte de um comentário da Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses feito pelo Doutor dos Santos e o mais Santo dos Doutores da Igreja, isto é, de Santo Tomás de Aquino. A tradução para a língua portuguesa foi feita por Rodrigo Santana através de um texto editado em castelhano disponível no site da Congregação para o Clero (http://www.clerus.org) e vertido do latim de Sancti Thomae Aquinatis Doctoris Angelici super Secundam Epístolam Sancti Pauli Apostoli ad Thessalonicenses expositio publicado por Petri Marietti em 1896. A versão da epístola comentada por Santo Tomás é a da Vulgata de São Jerônimo. Essa também foi a utilizada nesta tradução do comentário.


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Disponivel em: Aparição de La Salette