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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Gratidão no campo da graça: O Cristão


Não há dúvida de que ele (o cristão) deve agradecer Àquele que, como afirma Paulo, “me amou e se entregou por mim”. E por trás desta auto-doação de Cristo pelo Pai em colaboração com o Espírito Santo.

A gratidão do cristão é endereçada ao Pai no Cristo dado através do Espírito Santo. Pela auto-doação de Cristo “se constrói” a Igreja com Seu “Corpo”, Sua “esposa” e vaso onde derrama a Sua Plenitude (e que já faz parte de tal Plenitude), Igreja a quem confiou a própria Palavra (a Escritura) e que administra os Seus Sacramentos.

Esta última coisa não é mais evidente aos olhos do homem moderno: a Bíblia lhe parece um livro como milhões de outros, um livro que ele adquire na livraria e que depois lhe pertence como qualquer outro volume comprado. E os Sacramentos perderam em grande parte a sua evidência de “meios necessários para a salvação”. Será que não podem ser substituídos por uma vida honesta, responsável sob o aspecto moral, vivida a serviço do mundo e do próximo? Uma e outra coisa são frutos de uma ilusão de ótica.

Todo homem de alguma forma religioso é grato por toda a vida, não só aos pais, mas também a Deus, que acima de todos os outros bens do mundo, como dom supremo e primário, lhe deu a vida.

Notemos um particular importante: as duas orientações da gratidão – para com os pais e para com Deus – existem sem fazer concorrência, uma ao lado da outra, com a outra e na outra, enquanto o homem reconhece que Deus delegou aos seres vivos algo de Seu poder criador e capaz de produzir frutos. 
Os pais crentes sabem muito bem que sozinhos jamais podem ser o princípio completo do nascimento de um indivíduo, honram a Deus e lhe agradecem pelo Filho que lhes foi dado, assim como este se sente grato com relação aos pais e, juntamente com eles, grato para com Deus.

Seria algo muito impreciso dizer que os pais geram somente o corpo do filho e que Deus acrescenta a alma (se a coisa fosse tão simples, os animais teriam uma capacidade geradora superior à do homem).

Da mesma forma, é um jogo perigoso distinguir entre alma-espírito (que derivaria dos pais) e “pessoa” (que derivaria de Deus). O homem é uno e os pais e o Criador, ao gerá-lo, agem juntos, de maneira insondável.

Devemos ser gratos por aquilo que recebemos de presente. A geração do homem implica a intenção de dar. Os pais eticamente sadios e responsáveis geram e põem no mundo um filho, não primária e egoisticamente para si mesmos, ao contrário, abandonam-se ao grande movimento da vida que se propaga e levam o recém-nascido a tornar-se autônomo; eles aceitam que o filho “abandone o pai e a mãe e se uma a uma mulher” para tornar-se por sua vez, um doador.

Quem gera, gera um doador potencial: é o que está escrito na mais profunda intenção criadora de Deus. Ele transmite sempre algo de Seu próprio poder criador, e a justa gratidão do homem não se limita ao ato de ação de graças, cheio de respeito, dirigido para o passado, mas mostra que compreendeu o gesto do Amor Divino, enquanto o imita e se transforma ele mesmo em doador, e isso não só na geração dos filhos, mas em qualquer forma de participação e fecundidade humana.

Pode-se falar também da existência de grandes missões simplesmente destinadas à dedicação acompanhadas ou não de graças extraordinárias de oração, que, embora sem serem reconhecidas e canonizadas, produzem efeitos igualmente grandes, contudo anônimos e ocultos na Igreja e no mundo.

Se um São João da Cruz não tivesse escrito nada, talvez ninguém tivesse sabido nada a seu respeito; a amplidão de sua eficácia interior não é de forma alguma determinada pela força de seus escritos.
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O Culto a Maria Hoje