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sábado, 26 de dezembro de 2015

Nasceu para Vós o Salvador (cf. Lc 2,11)


O anúncio do nascimento de Jesus pelo anjo aos pastores trouxe alegria, paz, amor, salvação para toda a humanidade. Ele é acolhido pelos pobres e necessitados da sociedade. Em suas homilias, os padres da Igreja tiveram presentes as palavras divinas dirigidas aos pastores: "Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor"(Lc 2,11). Esta grande notícia dá-nos a graça do Salvador estar conosco em tudo menos o pecado. A alegria de cada pessoa e de todos nós é imensa, porque Deus está com a humanidade. Vejamos alguns autores cristãos dos primeiros séculos do cristianismo que interpretaram a palavra evangélica do nascimento do Salvador à realidade humana.

1. O surgimento de um broto na casa de Jessé

Tiago, Bispo de Sarug, Síria(Homilia sobre a festa da natividade 11-14;18-22), lá pelos séculos V e VI tem presentes as palavras do profeta Isaias que falou sobre o surgimento de um broto, um ramo na casa de Jessé(cfr. Is 11,1) para ser forte galho ao mundo inteiro envelhecido. O bispo Tiago afirma que o nascimento de Jesus conduziu a abertura à boca de Eva, para que diga em alta voz que a sua culpa foi perdoada graças à segunda Virgem pelo pagamento do débito de seus pais com o precioso tesouro que nasceu à criação. O autor afirma em suas homilias, o hoje da salvação e da redenção. No momento cale a serpente, para que fale o anjo Gabriel. A mentira afasta-se para que reine a verdade. Passou aquilo que era antiquado, pela renovação do parto da Virgem Maria. Hoje a mão do querubim abandone a lança de fogo (cf. Gn 3,24) porque a árvore da vida não é mais guardada. Eis de fato, que o seu fruto é colocado na manjedoura para fazer alimento aos seres humanos que por sua vontade tornaram-se semelhantes aos animais, mas agora são abençoados pela presença divina do menino Jesus. 

2. O Natal revela o nascimento de Jesus

O Bispo Tiago continua a sua reflexão natalina, convidando as pessoas para contemplar a revelação do Senhor Deus pelo nascimento do Filho de Deus na carne à afirmação que a Virgem concebeu e deu à luz um menino como foi anunciado a muitos séculos antes de sua vinda(cf. Is 7,14). O testemunho manifestou-se, a lei foi sigilada e o segredo dos mistérios veio à luz para toda a humanidade. Hoje a gruta tornou-se um quarto nupcial para aquele esposo celeste que uniu-se à geração dos seres terrestres e sustentou-lhe a sua ascensão das profundidades da terra às alturas dos céus. Hoje veio às claras a revelação de Jacó: o Senhor que estava em cima da escada, desceu para fazer subir ao céu o ser humano, o homem e a mulher(cfr. Gn 28, 11-17). 

Hoje a aurora manifestou-se na gruta e o grande sol, Jesus Cristo iluminou com o seu fulgor as profundidades subterrâneas da realidade humana. Hoje o sol tornou atrás de doze graus de luz(cf. Is 38,8) que opunham resistência, para que fosse exaltado o verdadeiro dia que com o seu fulgor colocou em fuga e sufocou as sombras do pecado. 

3. A chegada do Salvador

O Papa Leão Magno(Homilia XXI), século V, também escreveu a respeito do nascimento de Jesus na realidade humana. Ele é a vê como a chegada da salvação em Jesus Cristo, de modo que reina a alegria na vida de cada um de nós. Não deve de fato ter lugar para a tristeza o dia em que nasce a vida. É a vida que, eliminando todo temor para a nossa condição mortal inspira-nos alegria para a eternidade que nos foi prometida. Nenhum ser humano é excluído em participar à esta alegria de amor e de paz; ao contrário, todos tem o mesmo motivo do comum júbilo, porque Nosso Senhor, Ele que destruiu o pecado e a morte como não encontrou nenhum ser livre da culpa, assim veio para a libertação de todos. O Papa Leão convida as pessoas para a alegria da presença de Jesus, dom de Deus para a humanidade. Exulte o santo porque já está próximo ao prêmio, mas goza também o pecador porque é solicitado ao perdão e reanima-se o pagão porque è chamado à vida.

O Filho de Deus, na chegada à plenitude dos tempos a qual era prevista a profundidade insondável do desígnio divino, assumiu a natureza que é própria do gênero humano para reconciliá-la com o seu Criador. 

4. Ele tornou-se nossa carne

Leão Magno(Dircursos 3,5) dá também outra conotação a respeito do Senhor Jesus na realidade humana. A divina bondade em amor evidente derramou sobre todos nós, as suas grandes riquezas, pois apareceu a verdade mesma, visível, feita carne. Dessa forma, com alegria celebramos o mistério do nascimento do Senhor. O Papa convida a pensar a respeito da maravilha do Senhor, e sendo iluminados pelo Espírito Santo, consideremos  quem é Aquele que assumiu em si mesmo o ser humano, porque como o Senhor Jesus nascendo, tornou-se nossa carne, assim também nós, renascendo, nos tornamos seu corpo. Somos pois membros de Cristo(cfr. 1 Cor 6,15) e templo do Espírito de Deus(cfr. 1 Cor 6,19) de modo que o Apóstolo Paulo diz que é preciso glorificar e levar Deus em nosso corpo(cfr. 1 Cor 6,20). Acolhamos o jugo suave e não duro da verdade que nos guia para nos tornar semelhantes a Ele quanto à humildade se quisermos ser conformes à sua glória. 

5. O nascimento de Jesus é o cumprimento das promessas

O Papa Leão percebe o nascimento de Jesus como o cumprimento das promessas de Deus na história da humanidade. O Deus Criador se tornou nosso Redentor. Ele nos amou de tal forma que enviou o seu Filho ao mundo para a salvação de todo o gênero humano. Dessa forma Ele teve misericórdia de todos nós. O Senhor tem o poder de perdoar os nossos pecados e de levar a perfeição em nós os seus dons, o Cristo Senhor nosso, que vive e reina para sempre. 

6. O Senhor Jesus participa de toda a realidade 

Gregório de Nazianzo, Bispo de Nazianzo, século IV na Obra (Poesias II, 1,74) faz um elogio à vinda do Senhor Jesus em nossa realidade. Ele diz que nós entramos na vida passando por dificuldades, alegrias, fome, cansaço, sono, cura de doenças, e todas as outras situações que a vida nos oferece. Tudo tem sentido pela vinda do Messias em nossa realidade. O fato é que Jesus Cristo passando por essas situações, menos o pecado, dá sentido a tudo aquilo que o ser humano (homem e mulher) faz no cotidiano. O Verbo de Deus, de invisível que era, tornou-se visível para participar de toda a realidade humana, levando-a a plenitude da vida. 

Conclusão

O Natal é o nascimento de Jesus Cristo em nossa realidade, humana. Nós somos felizes por essa presença que fortalece a vida humana, familiar, comunitária e social. Deus se faz presente no presépio pequenino e na vida de cada ser humano. Adoramos a sua presença na eucarístia, na Palavra de Deus, na vida que levamos para que o Natal seja sempre um acontecimento de nascimento de nossa vida neste mundo e um dia na eternidade. 


Dom Vital Corbellini

Bispo de Marabá (PA)