domingo, 27 de maio de 2012

As peregrinações


Existem inúmeros lugares marianos, metas de peregrinações populares, lugares célebres e famosos em todo mundo, ou pequenos e só conhecidos em nível regional.

Trata-se, sobretudo, da idéia de que, em determinados lugares geográficos, Deus (aqui, através de Maria) está mais próximo do orante e mais benigno do que em outra parte.

Uma concepção deste tipo está sedimentada na idéia de “lugar santo” que é inconciliável com os dados neotestamentários. O Novo Testamento exige uma adoração no Espírito de Deus e na Verdade que é Cristo, como transparece claramente no diálogo de Jesus com a samaritana: “É chegada a hora e já é agora em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em Espírito e em Verdade...” [1].

O próprio Jesus Cristo é o novo Templo[2]. Não existem lugares sagrados no sentido popular comumente entendido: o “Lugar Santo” ou “Sagrado”, o “Templo”, o lugar da presença Divina é o próprio Jesus e, portanto, em união com Ele e no seu seguimento, a Sua Comunidade[3].

“Onde dois ou três crentes se reúnem, ali Cristo prometeu estar presente” (cf. Mt 18,20).


Como na vida de cada pessoa, assim também na vida e na experiência de cada comunidade de fé, pode haver lugares importantes, lugares onde se verificam experiências importantes e que adquiriram um significado permanente.

Também não adianta apelar para os milagres que “lá” se operaram. Não porque se negue que realmente tenham acontecido, mas porque aqui geralmente se parte de um conceito não bíblico de milagre: milagre como violação das leis da natureza. Na realidade, o milagre é algo diferente. Partindo da experiência bíblica da fé, todo evento do qual Deus me fala e no qual se “mostra” a si próprio deve ser considerado como um milagre, uma demonstração de poder, um grande gesto seu, e, portanto deve ser exaltado como tal, independente de sua explicabilidade ou inexplicabilidade “natural”.

Na medida em que Maria desempenha na fé um papel que a Igreja lhe reconhece, também as peregrinações marianas são legítimas, desde que, em primeiro lugar e antes de tudo, procurem levar ao encontro com Cristo. Lourdes pode servir de exemplo da peregrinação cristã mariana, e do encontro do homem com o Deus surpreendente.

Isso torna algumas coisas plausíveis (a alegria ingênua e festiva da procissão com as velas), outras toleráveis (o comércio e a agitação que reinam fora do Santuário) e deixa ao gosto e ao ponto de vista pessoal um espaço livre no que se refere a alguns elementos (tomar ou não tomar banho na água de Lourdes).

Assim, as verdadeiras testemunhas de Lourdes são aquelas inúmeras pessoas que voltam para casa exteriormente idênticas, mas interiormente mudadas.

Enfim, nas peregrinações em grupos manifesta-se um fragmento da Igreja, um fragmento da existência cristã.

Também aqui se trata e uma manifestação, de um sinal, de um símbolo posto em ato: a Igreja como povo de Deus a caminho e, nela, o cristão particular ajudado pela comunidade e orientado, entre fadigas e esperanças, para a meta e realização final.


[1]cf. Jo 4,23-24

[2] Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei. Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias? Mas ele falava do templo do seu corpo” (Jo 2,19-21).

[3] Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Cor 3,16; Ver também: 1Pd 2,5s).
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Fonte: trechos do livro "O Culto a Maria Hoje", Paulinas.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Não há Igreja sem Pentecostes


Celebramos em Pentecostes a vinda do Espírito Santo, depois de cinquenta dias da Páscoa. O Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos reunidos no Cenáculo e os tornou capazes de anunciar o Evangelho com coragem (cf. At 2,1-13). Este acontecimento, que nós nos identificamos com ele, é o verdadeiro “batismo” da Igreja. De fato, a Igreja vive da efusão do Espírito Santo, sem o qual ela não teria força e não existiria mais. E este acontecimento renova-se de modo particular em alguns momentos fortes das comunidades eclesiais: nas liturgias, em romarias, nas Santas Missões Populares, nas festas de Crisma, vigílias jovens, nas assembleias pastorais e em tantos momentos especiais para a vida das comunidades, nas quais a força de Deusse sente de modo evidente, infundindo alegria e entusiasmo nos corações. A Igreja toda reunida no Cenáculo recebe o Espírito Santo.

Os Apóstolos “perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres, entre elas, Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele” (At 1,14). O Espírito Santo une os fiéis entre si, nasce a Igreja na unidade. Pentecostes reúne a todos. Não há Igreja sem Pentecostes e não há Pentecostes sem a Virgem Maria. Quando os cristãos se reúnem em oração com Maria, o Senhor doa o seu Espírito. Este santifica a comunidade de fiéis e comunica-lhe a plenitude da graça, dirige a Igreja através das dificuldades, perseguições e perigos, até ela alcançar a glória definitiva. É o Espírito Santo que suscita sempre nova vida na Igreja. Ele é a alma e a vida da Igreja. Concede-nos a graça necessária para desempenharmos a nossa missão.

Os Meses Marianos


Uma das características da religiosidade popular é a de jamais concordar plenamente com os conteúdos eclesiais da fé e com seus gestos expressivos oficiais (sobretudo na liturgia). De outro lado, ela contribuiu para plasmar de múltiplas maneiras tanto o pensamento teológico quanto a própria oração oficial da Igreja.

Infelizmente, até hoje a religiosidade popular nunca foi objeto de um estudo de muito fôlego sob o perfil histórico, embora se trate de um fenômeno universal que acompanha toda a história da Igreja, e muito raramente foi objeto de uma reflexão teológico-pastoral sistemática.

Na realidade mariana, com freqüência, domina a experiência da distância e assim Maria se tora um arquétipo ou um mito.

Cox H. exalta de maneira até mesmo inquietante o elemento mariano porque seria mitológico:

“A mariologia tem uma carga de renovação porque nos afasta completamente daquela preocupação obsessiva por aquilo que é verdadeiro ou falso. Leva-nos para ‘além do crer’. É tão claro que Maria é um enredo de fantasia, de criação mítica, de projeção de todo o resto, que parece fora de lugar preocupar-se se ela foi realmente concebida sem pecado, se é Theodokos, se elevada ao céu com seu corpo... Maria é, por excelência, um mito. Por isso, permite-nos... inventar maneiras radicalmente diferentes de aproximar-nos dela, diante de Maria podemos, ou melhor, devemos nos tornar capazes de mito e de símbolos, se quisermos nos aproximar dela, ao passo que diante de Jesus Cristo somos tentados a discriminar em termos de fé-não-fé”.

Falar do culto a Maria na forma de um mês inteiro a ela dedicado significa falar, em primeiro lugar e, sobretudo, do mês de maio e, secundariamente – importância na consciência popular -, do mês do rosário, outubro.

“Ao aproximar-nos do mês de maio, consagrado pela piedade dos fiéis a Maria santíssima, exulta o nosso ânimo ao pensamento do comovente espetáculo de fé e de amor que, dentro em breve, será oferecido por toda a parte da terra em honra à Rainha do Céu.

Efetivamente, é o mês em que, nos templos e nos lares, mais fervorosa e mais efetuosa sobe do coração dos cristãos a homenagem de sua oração e veneração. E é o mês ao qual mais amplos e abundantes afluem do seu trono para nós, os dons da Divina Misericórdia” (Paulo VI).

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Carta do CONIC sobre a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos


Irmãos e irmãs da caminhada ecumênica!
A partir deste domingo, 20 de maio, estaremos celebrando juntos e juntas mais uma Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Este ano, seremos motivados/as pelo lema bíblico da Primeira Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios: “Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo” (1ª Coríntios 15. 51 – 58). As reflexões bíblicas foram preparadas por nossos irmãos e nossas irmãs da Polônia, país marcado por histórias de sofrimento, mas também por muita coragem e resistência. Testemunhando a sua firmeza na fé este povo venceu inúmeros desafios. 

Somos motivados/as a orar e transformar a realidade onde vivemos e a empenhar-nos na construção de um mundo melhor e mais justo. Que mais esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos possa nos animar a confiar sempre mais na transformação possível, com fé alimentada na certeza que vem da vitória do Ressuscitado. Desejamos crescer na unidade e na superação de toda e qualquer forma de descriminação. 
O CONIC celebra este ano seus 30 anos de caminhada na promoção das relações ecumênicas entre Igrejas cristãs. Nas diversas celebrações que acontecerão lembrando estes 30 anos, seremos acompanhados/as pelo tema da “INTOLERÂNCIA RELIGIOSA”. Serão produzidos subsídios que acompanharão nossa reflexão e nos desafiarão a propor ações. Para isso, a oferta recolhida durante as celebrações da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos será muito importante. Sendo assim, contamos com o apoio de todos/as vocês e desde já agradecemos o repasse da oferta destinada ao CONIC, solicitamos que informem o depósito para que possamos registrar e agradecer  conic.brasil@terra.com.br . Segue a conta para depósito:

Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
Banco Bradesco - Agência 0606-8 - Brasília DF
Conta Poupança: 112888 - 4


Paz e bem,

Pastor Sinodal Altemir Labes
Tesoureiro do CONIC

Músicas protestantes em celebrações católicas?


Dom Estevão explica porque não é conveniente adotar cânticos de origem protestante nas celebrações católicas

“Não é conveniente adotar cânticos protestantes em celebrações católicas pelas razões seguintes:

1)Lex orandi lex credendi (Nós oramos de acordo com aquilo que cremos). Isto quer dizer: existe grande afinidade entre as fórmulas de fé e as fórmulas de oração; a fé se exprime na oração, já diziam os escritores cristãos dos primeiros séculos.

No século IV, por ocasião da controvérsia ariana (que debatia a Divindade do Filho), os hereges queriam incutir o arianismo através de hinos religioso, ao que Sto. Ambrósio opôs os hinos ambrosianos.


Mais ainda: nos séculos XVII-XIX o Galicanismo propugnava a existência de Igrejas nacionais subordinadas não ao Papa, mas ao monarca. Em conseqüência foi criado o calendário galicano, no qual estava inserida a festa de São Napoleão, que podia ser entendido como um mártir da Igreja antiga ou como sendo o Imperador Napoleão.

Pois bem, os protestantes têm seus cantos religiosos através de cuja letra se exprime a fé protestante. O católico que utiliza esses cânticos, não pode deixar de assimilar aos poucos a mentalidade protestante; esta é, em certos casos, mais subjetiva e sentimental do que a católica.

2) Os cantos protestantes ignoram verdades centrais do Cristianismo: A Eucaristia, a Comunhão dos Santos, a Igreja Mãe e Mestre... Esses temas não podem faltar numa autêntica espiritualidade cristã.

3) Deve-se estimular a produção de cânticos com base na doutrina da fé.”

(Dom Estevão Tavares Bettencourt, OSB)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O Segredo de Fátima


Domingo passado, com o dia das mães, celebramos o 95o aniversário da primeira de uma série de aparições de Nossa Senhora a três pobres crianças, pastores de ovelhas, em Fátima, pequena cidade de Portugal, de onde a devoção se espalhou e chegou ao Brasil. E são sempre atuais e dignas de recordação as suas palavras e seu ensinamento.

O segredo da importância e da difusão de sua mensagem está exatamente na sua abrangência de praticamente todos os problemas atuais. E aquelas três pobres crianças foram os portadores do “recado” da Mãe de Deus para o Papa, os governantes, os cristãos e não cristãos do mundo inteiro.

Ali, Nossa Senhora nos alerta contra o perigo do materialismo comunista e seu esquecimento dos bens espirituais e eternos, erro que, conforme sua predição, vai cada vez mais se espalhando na sociedade moderna, vivendo os homens como se Deus não existisse: o ateísmo prático, o secularismo.


“A Rússia vai espalhar os seus erros pelo mundo”, advertiu Nossa Senhora. A Rússia tinha acabado de adotar o comunismo, aplicação prática da doutrina marxista, ateia e materialista. Se o comunismo, como sistema econômico, fracassou, suas ideias continuam vivas e penetrando na sociedade atual. Aliás, os outros sistemas econômicos, se também adotam o materialismo e colocam o lucro acima da moral e da pessoa humana, adotam os erros do comunismo e acabam se encontrando na exclusão de Deus. Sobre isso, no discurso inaugural do CELAM, em 13 de maio de 2007, em Aparecida, o Papa Bento XVI alertou: “Aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes do último século... Quem exclui Deus de seu horizonte, falsifica o conceito da realidade e só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas”. Fátima é, sobretudo, a lembrança de Deus e das coisas sobrenaturais aos homens de hoje.

Aos pastorinhos e a nós, Nossa Senhora pediu a oração, sobretudo a reza do Terço do Rosário todos os dias, e a penitência, a mortificação nas coisas agradáveis e lícitas, pela conversão dos pecadores e pela nossa santificação e perseverança.

Explicou que o pecado, além de ofender muito a Deus, causa muitos males aos homens, sendo a guerra uma das consequências do pecado. Lembrança muito válida, sobretudo hoje, quando os homens perderam o senso do pecado e o antidecálogo rege a vida moderna.

Falou sobre o Inferno - cuja visão aterrorizou sadiamente os pastorinhos e os encheu de zelo pela conversão dos pecadores –, sobre o Purgatório, sobre o Céu, sobre a crise que sofreria a Igreja, com perseguições e martírios.

Enfim, Fátima é o resumo, a recapitulação e a recordação do Evangelho para os tempos modernos. O Rosário, tão recomendado por Nossa Senhora, é a “Bíblia dos pobres” (João XXIII). Assim, sua mensagem é sempre atual. É a mãe que vem lembrar aos filhos o caminho do Céu.

Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianey

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Tensão Litúrgica: uma ameaça.

A liturgia continua sendo a fonte e o cume da vida da Igreja (SC 10) e por isso, desperta muito interesse em todas as instâncias da comunidade eclesial. Nos últimos anos a sede pela pastoral litúrgica tomou conta dos leigos, dos seminaristas, dos diáconos, de alguns padres e bispos. Falar de liturgia é falar do “tchan” do momento. E todo este movimento tem gerado uma grande tensão.

Todo processo formativo deve ser sempre bem planejado, acompanhado, adaptado e desenvolvido com cautela e prudência tendo em vista os resultados a serem obtidos. Quando falamos em liturgia, dificilmente encontramos essa consciência de que um processo de inserção na vida litúrgica não acontece do dia para a noite.

Ultimamente tenho percebido no ambiente da Igreja, aquilo que arrisco a chamar de uma Tensão Litúrgica que vem ameaçando a unidade e a comunhão de muitas comunidades que desejam desenvolver um trabalho litúrgico fundamentado nos anseios da Igreja expressos na Constituição Sacrosanctum Concilium.

Tensão Litúrgica, no meu ponto de vista, surge a partir do conflito de ideias e ideais das “diversas tendências” litúrgicas que surgem hoje. Basta olharmos alguns exemplos: os modos de presidir e celebrar a eucaristia; os padres midiáticos que instauram um modo próprio de fazer a sua liturgia; as diversas celebrações que são transmitidas pelas TVs, os diversos sites, blogs que surgem na internet provocando conflitos, artigos e mais artigos que são publicados sem fundamento algum.


E por detrás de cada exemplo desses, existem as linhas de pensamento. Uns querem um terceiro Concílio Vaticano, outros querem voltar ao Concílio de Trento, outros querem uma liturgia onde tudo pode e outros não querem nada. E isso atinge diretamente o modo de celebrar de nossas comunidades eclesiais. Se não estiver enganado hoje o espaço da pastoral litúrgica tornou-se um lugar tenso, conflitante, desgastante, desmotivador. Não que não fosse antes, mas a intensidade e as feridas que se abrem são cada vez maiores e mais demoradas de serem curadas.

Hoje há uma preocupação excessiva com o aspecto jurídico da liturgia: “o pode e o não pode”. Estamos esquecendo que liturgia é antes de tudo uma fonte espiritual.  

No processo formativo, nós presbíteros, aprendemos que a liturgia é base da vida eclesial e de que ela necessita de pastoreio especifico. Mediante as tendências que estão enraizadas em nossas comunidades, é preciso que nós, ministros ordenados, tomemos a frente para que a liturgia não caia no descaso e no “se faz de qualquer modo e está tudo bem”. Não! Não está tudo bem. Existem critérios, fundamentos bíblicos, teológicos.

Estejamos atentos. Estamos criando nas comunidades uma série de ministros e coroinhas, acólitos que acham que entender de liturgia, é só colocar uma batina e sair cerimoniando aqui ou acolá. Liturgia é muito mais que uma batina, uma celebração, um senta e levanta. Liturgia é antes de tudo espiritualidade que se alimenta no coração e que se vive no dia a dia.

Estamos caminhando para os 50 anos da Constituição Sacrosanctum Concilium, muitos eventos serão realizados, reflexões, seminários, estudos. Por isso, dando os primeiros passos nesta perspectiva, deixo para você, caro leitor, uma proposta de análise:
“A liturgia consta de uma parte imutável, divinamente instituída, e de partes suscetíveis de mudança. Estas, com o correr dos tempos, podem ou mesmo devem variar” (Sacrosanctum Concilium 21).

Considerando esta afirmação da Constituição Litúrgica, observe a vida litúrgica de sua comunidade, as tendências, os cantos, o modo como os ministros estão envolvidos com a celebração e depois responda:  vivemos ou não uma tensão litúrgica em nossas comunidades?
Pe. Kleber Rodrigues
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Fonte: http://www.diocesedetaubate.org.br/portal/?p=1983

terça-feira, 8 de maio de 2012

Amor de Mãe


No Dia das Mães, falar de mãe leva-nos a pensar no amor fraterno, divino, maternal e solidário. Falar de um amor que só pode existir em função do outro. Foi o que aconteceu com Jesus Cristo, tendo um amor não só pelos judeus, mas também pelos pagãos. O amor não pode ser abstrato, mas uma experiência concreta de vida.

Numa visão propriamente de fé, a mãe é aquela que personaliza, em si, a figura criadora, a educadora e a amorosa de Deus. Ela consome sua vida para dar vida feliz aos filhos. A verdadeira mãe não minimiza seus esforços para educar bem, acompanhando os filhos, encaminhando-os para uma vida digna e saudável.


A centralidade da vida e da convivência de uma família, de uma comunidade ou de um grupo de pessoas, deve ser o amor. Foi este o grande anúncio de Jesus Cristo, mostrando aos seus apóstolos e às primeiras comunidades cristãs o que deve ser a sua identidade. Convive bem quem ama de verdade e reconhece o valor do outro.

A expressão “meu amor” não pode se transformar em “meu pesadelo”, porque amar é um bem precioso e não pode ser banalizado. Ele possibilita uma relação justa entre as pessoas e leva a uma atitude de libertação, porque ninguém deve ser escravo de ninguém. Não fomos criados para uma submissão arbitrária.

Mãe é sinal de amor. Deus é Pai e Mãe de todos nós. Sem amor, sem Deus e sem mãe, ninguém de nós existiria. Somos frutos de uma experiência de amor, de uma doação certamente sem limites, inclusive com enfrentamento de sacrifícios e sofrimentos. É uma experiência que dignifica e dá sentido de viver às pessoas.

A vida de comunidade, com desafios e diversidades, deve ser a convergência de expressões e práticas concretas de amor. Ela não é diferente de uma vida familiar, onde todos dever perseguir o bem de seus membros. Aqui podemos até fazer uma correlação existente entre o amor de Deus, o da comunidade e o de mãe.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba