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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Pedagogia Litúrgica para Fevereiro de 2017: "Liturgia e discipulado".


A proposta pedagógica da Liturgia nas celebrações do Ano Litúrgico é evidente para quem se dedica ao estudo da Liturgia. Domingo após Domingo, a Liturgia vai celebrando e conduzindo seus celebrantes nos caminhos do discipulado. Isso acontece no decurso de todo o Ano Litúrgico, mas existem momentos nos quais isso aparece de modo mais evidente. Um destes momentos se fazem presentes nas celebrações realizadas neste mês de fevereiro de 2017.
  
Discípulos e discípulas para iluminar o mundo

Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo! Esta é uma das mais importantes e completa definição da identidade do discípulo e discípula de Jesus, presente no Evangelho do 5DTC-A. O discípulo e discípula do Evangelho nasceram para brilhar, para irradiar a luz do Evangelho em todas as partes do mundo. A luz da fé não brilha pela excelência do conhecimento de dogmas ou da Teologia, mas, como diz o contexto celebrativo do 5DTC-A, pelo empenho de quem se dedica ao pobre e ao irmão e irmã necessitados, eles que são a grande riqueza do Evangelho.

É através da partilha da vida que cada discípulo e discípula de Jesus acendem a luz divina e dá sabor ao viver aqui na terra. Isto faz com que a celebração deste Domingo seja celebrada num contexto provocador, exigindo dos celebrantes uma avaliação do seu modo de viver para celebrar realmente um culto coerente com aquilo que se vive. 
Três escolhas do discípulo e discípula: 
a vida, o amor, o desapego

O discipulado caracteriza-se por escolhas que realizam a vida pessoal, seja em contexto particular como naquele de relacionamento social. Escolhas capazes de harmonizar a vida interior de quem se coloca nos caminhos do Evangelho. A primeira destas escolhas é a vida. Escolher viver significa fazer a escolha mais importante da existência.  

Cada pessoa é chamada a escolher a vida para ser feliz (6DTC-A). Parece uma coisa óbvia e, mesmo assim, muitas escolhas existências não favorecem o cultivo da vida, mas a escondem em fendas do mal. Diante de cada um de nós está o caminho da vida e o caminho da morte. A escolha precisa ser feita com critérios divinos e não humanos.

Quanto a escolha da vida, o 6DTC-A considera que Deus não impõe nenhuma Lei, mas propõe um caminho de sabedoria sintetizado nos seus Mandamentos. Se a sabedoria dos poderosos se destina à destruição, a sabedoria divina é sempre promotora do respeito à vida do outro a favor de sua dignidade. As leis religiosas e os Mandamentos têm sua importância enquanto expressões de respeito e promoção da dignidade da vida humana. Compreende-se assim que os Mandamentos não são algemas, mas indicativos de relacionamentos que valorizam a vida humana em toda sua dignidade.

A segunda escolha no caminho do discipulado é o cultivo do amor. Na realidade, não se pode cultivar a vida sem amor. Mas um amor que seja tamanho, a ponto de amar até mesmo os inimigos (7DTC-A). Como cristãos e cristãs pertencemos a Jesus Cristo e o Espírito Santo de Deus habita em nós. Por isso, somos chamados a ser santos como o Pai celeste é santo. Somos chamados a amar não somente os que nos amam, mas amar até mesmo nossos inimigos. Disto, uma celebração para refletir sobre nosso modo de ser no mundo com um comportamento tipicamente cristão, e isto significa um comportamento amorosamente fraterno. Diante de uma Palavra que exige empenho, como desta Liturgia do 7DTC-A, a necessidade de uma resposta compromissada.

Por fim, a terceira escolha é o desapego dos bens materiais, que tem a ver com um modo de viver, com um estilo de vida. Jesus ensina este estilo de vida indicando nossos olhares ao céu, onde voam as aves, e aos campos, onde crescem os lírios (8DTC-A). A proposta de Jesus é que não nos afundemos em preocupações, mas confiemos na bondade divina que cuida dos lírios do campo e das aves do céu. Como uma mãe carinhosa, assim Deus é incapaz de se esquecer de seus filhos e filhas, chamando-os a serem administradores dos seus mistérios. Uma celebração que se torna convite para ajudar os celebrantes a acolher a proposta de Jesus de não se preocupar com muitas coisas, mas buscar o essencial para se viver na simplicidade.


Serginho Valle
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Serviço de Animação Litúrgica