quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Homilética: Festa da Cátedra de São Pedro (22 de fevereiro): "Pedro tu és pedra, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja".


Hoje, festa litúrgica da Cátedra de São Pedro. Festa antiga: desde o século IV. Nela, a Igreja celebra a missão, o ministério de Pedro na Igreja. Por ele mesmo, esse Apóstolo não passa de um homem meio rude, impetuoso e inconstante. Mas, por graça de Cristo, torna-se Pedra da Igreja. Cristo escolheu para o ministério petrino um Simão tão frágil, que negou o Mestre! Fica claro que a força de Pedro é Cristo: "Eu orei por ti para que a tua fé não desfaleça!" E Simão desfaleceu miseravelmente: negou o Mestre. "E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos!" - Eis aqui o ministério e o mistério de Pedro e de seus sucessores, os papas de Roma!

Observe Mt 16: o mundo tem tantas opiniões sobre o Cristo, sobre a verdade do Evangelho, mas é a Simão Pedro que o Pai revela a verdade que não pode ser alcançada simplesmente pela força da carne e do sangue! Por isso mesmo, somente Pedro pode falar em nome de todos os discípulos. Ainda hoje é assim: somente o Sucessor de Pedro - e mais ninguém - pode falar de modo vinculante e definitivo em nome de toda a Igreja! E um concílio? Somente em valor se reconhecido e aprovado pelo Papa!

Note: o que Pedro liga na terra como cabeça visível da Igreja, Cristo, o Cabeça invisível e glorioso, liga no céu; o que Pedro, como chefe visível, desliga na terra, Cristo, o Chefe invisível, desliga no céu. E um Concílio? Somente em comunhão com Pedro: com Pedro e sob Pedro. Do contrário não há concílio, não há Colégio Episcopal, mas um monte de Bispos juntos...

Pedro é o chefe visível, o pastor supremo da Igreja... No entanto, somente Cristo é o fundamento da Igreja, somente Cristo é o Senhor e Esposo da Igreja, somente Cristo é o Guia definitivo da Igreja, somente Cristo é o sustento da Igreja! Se o Papa é infalível quando proclama dogmaticamente a fé da Igreja, como homem é tão frágil, tão falível! Mas, recordemos da palavra do senhor: "Simão, Simão, Satanás tentou peneirar-te como o trigo, mas Eu orei por ti para que a tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos!" Eis a missão, a honra, a fraqueza e a força de Pedro na Igreja, até o fim dos tempos!


A festa da Cátedra de São Pedro, ocasião mais do que especial e oportuna para rezarmos pelo Santo Padre e por todos os pastores, bispos e presbíteros, da Santa Igreja de Deus. 

Disto se vê, pois, a importância de pedirmos ao Pai não só que tenha misericórdia de nossos sacerdotes e os ajude em seu ofício, mas também que os faça conforme o Coração Sacratíssimo de seu Filho, Pastor eterno e fonte de todo sacerdócio. Lembremo-nos, porém, de que a santidade dos que nos apascentam depende em boa medida da nossa própria santidade; lutemos, portanto, por sermos também nós santos e dignos de receber de Deus guias e pastores que, vendo em nós um povo bem disposto, nos auxiliem em nossa conversão diária. Viva Pedro! Viva o Papa, seja quem for e qual for o seu nome! Viva Pedro!
Comentário dos textos bíblicos

Leitura: 1Pd 5,1-4

A exortação de 3,1-9 continua aqui, seguindo um esquema semelhante: anciãos, jovens, todos. “Anciãos”, em lugar de significar idade (correlativo de jovens), passa a significar a função. Antes de despedir-se, Pedro, o ancião e responsável, aconselha seus colegas anciãos e responsáveis. Podem se ler esses versículos como testamento espiritual de Pedro. Exibe primeiro seus títulos: testemunha da Paixão (que assimilou em sua espiritualidade, ainda que lhe tenha custado tanto compreende-la) e participante na esperança da glória.

Depois propõe seus conselhos com seu procedimento favorito de antíteses: “não isso, mas aquilo”. Três antíteses que sintetizam o programa de um pastor. O aspecto negativo serve para sublinhar o oposto positivo; mas também poderia aludir a abusos reais ou possíveis entre os responsáveis. A imagem do pastor era e se tornou tradicional: Jesus Cristo é o “Arquipastor” (pastor supremo ou chefe dos pastores). 

Evangelho: Mateus 16,13-19

Este trecho não é relevante só para a Igreja Católica, é-o intrinsecamente. Assinala no evangelho de Mateus uma curva de grande importância. Compõe-se de duas partes: a confissão de Pedro, porta-voz dos Doze, sobre o messianismo de Jesus (v. 13-16.20) e, inserida nela, a promessa do primado, feita pode Jesus a Pedro (v. 17-19). Cronologicamente, as duas coisas não parecem coincidir. Com efeito, a passagem seguinte (16,21-27) não alude à confissão da divindade de Jesus. O motivo de haver Mateus unido as duas partes está em sua teologia. A ruptura com Israel é já agora definitiva: Israel não é mais a planta de Deus (15,13); deve o discípulo abandoná-la; deixai-os (15,14); o próprio Jesus abandona-o (16,4b). É, porém, inconcebível um messias sem um povo (uma qahal), e Jesus anuncia-o fundado sobre a rocha que, visivelmente, após sua partida, será Pedro, a quem dá as chaves.

Diante de Jesus é necessário tomar posição. Entre a crescente hostilidade dos chefes e a incompreensão da multidão, para se concentrar na formação dos discípulos, particularmente dos Doze, Jesus levanta uma “questão de confiança”. Pedro, em nome dos outros, faz uma positiva profissão de fé: “Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”. De fato - diz Jesus- foi o Pai que lho revelou. Por isso Cristo edificará sua Igreja sobre Pedro. Mas devia ser aceito como “Messias-Servo sofredor”, e Pedro aqui se lhe opõe com a veemência de um pensamento puramente humano: torna-se “pedra de tropeço”. Por isso Jesus rezará por sua “conversão”, a fim de que possa confirmar os “irmãos” (Lc 22,31s). Tudo isso vale para nós: Devemos declarar-nos abertamente por Cristo Salvador; pertencer a Cristo na Igreja construída sobre a rocha; deixar-nos confirmar na fé por Pedro que tem de Cristo poder e missão para isso; chorar com Pedro a infidelidade passada.


Para Refletir


Dentre todos os homens do mundo, Pedro foi o único escolhido para estar à frente de todos os povos chamados à fé, de todos os apóstolos e de todos os padres da Igreja. Embora no povo de Deus haja muitos sacerdotes e pastores, na verdade, Pedro é o verdadeiro guia de todos aqueles que têm Cristo como chefe supremo. Deus dignou-se conceder a este homem, caríssimos filhos, uma grande e admirável participação no seu poder. E se ele quis que os outros chefes da Igreja tivessem com Pedro algo em comum, foi por intermédio do mesmo Pedro que isso lhes foi concedido. 

A todos os apóstolos o Senhor pergunta qual a opinião que os homens têm a seu respeito; e a resposta de todos revela de modo unânime as hesitações da ignorância humana.

Mas, quando procura saber o pensamento dos discípulos, o primeiro a reconhecer o Senhor é o primeiro na dignidade apostólica. Tendo ele dito: Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo, Jesus lhe respondeu: Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu (Mt 16,16-17). Quer dizer, és feliz, porque o meu Pai te ensinou, e a opinião humana não te iludiu, mas a inspiração do céu te instruiu; não foi um ser humano que me revelou a ti, mas sim aquele de quem sou o Filho unigênito. 

Por isso eu te digo, acrescentou, como o Pai te manifestou a minha divindade, também eu te revelo a tua dignidade: Tu és Pedro (Mt 16,18). Isto significa que eu sou a pedra inquebrantável, a pedra principal que de dois povos faço um só (cf. Ef 2,20.14), o fundamento sobre o qual ninguém pode colocar outro. Todavia, tu também és pedra, porque és solidário com a minha força. Desse modo, o poder, que me é próprio por prerrogativa pessoal, te será dado pela participação comigo.

E sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la (Mt 16,18). Sobre esta fortaleza, construirei um templo eterno. A minha Igreja destinada a elevar-se até ao céu deverá apoiar-se sobre a solidez da fé de Pedro.

O poder do inferno não impedirá esse testemunho, os grilhões da morte não o prenderão; porque essa palavra é palavra de vida. E assim como conduz aos céus os que a proclamam, também precipita no inferno os que a negam.

Por isso, foi dito a São Pedro: Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus (Mt 16,19).


Na verdade, o direito de exercer esse poder passou também para os outros apóstolos, e o dispositivo desse decreto atingiu todos os príncipes da Igreja. Mas não é sem razão que é confiado a um só o que é comunicado a todos. O poder é dado a Pedro de modo singular, porque a sua dignidade é superior à de todos os que governam a Igreja.