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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Os parentes de Jesus diziam que ele estava fora de si


Dirigiram-se em seguida a uma casa. Aí afluiu de novo tanta gente, que em podiam tomar alimento. Quando os seus o souberam, saíram para o reter; pois diziam: "Ele está fora de si." 
- São Marcos 3, 20-21.

As dificuldades de Jesus começaram com seus próprios parentes. Eles o consideraram louco e julgavam vergonhoso vê-lo falar e dizer coisas que lhes parecia fora de propósito. 

A rejeição dos familiares de Jesus funda-se numa série de preconceitos contra ele. Ele era filho de uma família pobre, como poderia apresentar-se com uma sabedoria tão alta? Eles o tinham visto crescer e pensavam conhecê-lo muito bem, como agora estava se dando à prática de milagres, mais parecidos com atos de magia? Sua origem era humilde, como agora estava vindo tanta gente atrás dele, como se fosse uma pessoa importante? Havia algo de errado. Jesus só podia estar louco e era preciso dar um basta naquela situação.

A mentalidade fechada dos parentes de Jesus os impediu de perceber que, naquele homem tão conhecido deles, algo de muito especial estava acontecendo na história humana. As palavras de Jesus, ditas com autoridade, e seus milagres em favor das multidões apontavam para a presença da misericórdia divina. Embora vissem tantas pessoas serem agraciadas pela bondade de Jesus e ouvissem deles palavras revolucionárias, muito mais inspiradoras e exigentes que as dos mestres da Lei, não se demoviam de seu desejo de silenciá-los. Entretanto, a violência dos familiares não intimidou Jesus. Ele continuou, sem se perturbar, sua missão.

O egoísta julga insensata a Sabedoria

Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-Los porque diziam que estava fora de Si.

Os sinais e a palavra do Redentor difundiram sua fama por toda a região. E, como era de se esperar, começaram a circular boatos, às vezes os mais desencontrados e exagerados possíveis. Nessas circunstâncias, este versículo relata algo dramático: determinados parentes de Jesus, daqueles que em nada atinaram para a grandeza d’Ele, começaram a tê-Lo por desvairado. Ao contrário dos dias atuais, naquele tempo o senso familiar era fortíssimo, o que é uma coisa sadia. As famílias, bem constituídas e muito unidas, formavam verdadeiros batalhões, tão coesos que a ação de um dos membros repercutia em todo o conjunto. Era incalculável a alegria e a honra de ser parente próximo do Messias! Mas alguns se reuniram para comentar o que se dizia d’Ele, de sua doutrina e milagres. Tinham-No visto crescer em Nazaré, onde não frequentara a escola de nenhum mestre, e de repente têm notícia de quanto suas pregações arrebatam multidões. Onde teria Ele aprendido tudo isso? Como não compreendiam o que se passava, indispuseram-se contra Ele. Julgaram-No talvez ridículo e receavam que suas atitudes manchassem o nome de sua estirpe. Temiam inclusive a má repercussão junto às autoridades, pois Jesus poderia ser considerado — como de fato o foi depois — um rebelde. Já haviam surgido antes revolucionários, desejosos de liderar um movimento para libertar Israel do jugo romano e de seus impostos, que fracassaram em seu intento. Poderiam pensar tais parentes ser este também o intuito de Nosso Senhor. E, por muitos prodígios que fizesse, estaria fadado à ruína por insuficiência de meios. No fundo, como Ele vinha contradizendo os costumes mundanos e estava empenhado numa missão diferente de tudo quanto era tido por normal, não O aceitavam e pretendiam tratá-Lo como um louco.

É de se notar, em sentido inverso, como estes mesmos familiares que agora buscam afastá-Lo do apostolado por acharem que este depõe contra sua reputação, mais tarde, constatando sucesso de Nosso Senhor, pedir-Lhe-ão para Se manifestar na Judeia (cf. Jo 7, 3-5), certamente para que o sumo pontífice e o Sinédrio vissem a importância da família que tinha em seu seio tal profeta taumaturgo. Subindo Jesus na escala social, elevaria todos os seus... Ora, que Ele não houvesse sido admirado pela maioria em sua cidade, Nazaré, já é difícil entender; todavia, que diante das maravilhas que se seguiram ao início de sua vida pública não O aceitassem é inconcebível! “Veio para o que era seu, mas os seus não O receberam” (Jo 1, 11)...

Com frequência, quem ousa se opor ao mundo não é compreendido e pode ser rejeitado e perseguido até por sua família, quando esta quer os seus membros para si e não para Deus, de quem os recebeu para depois Lhe serem restituídos... Trata-se de uma apropriação injusta de algo pertencente ao Criador. A vocação significa o selo divino cobrando o que, de iure, é seu. Por isso, é das piores, na face da Terra, a maldição contra os pais que desviam os filhos do chamado religioso! Roubar algo a um pobre acarreta um castigo menor do que arrancar de Deus a pessoa designada por Ele para seu serviço. Quantas vezes presenciamos isso na História! O pai do grande São Francisco de Assis, Pedro Bernardone, por exemplo, em certo momento o deserdou e lhe retirou todos os bens, até a própria roupa do corpo, por não aceitar a vida virtuosa do filho. E a mãe e os irmãos de São Tomás de Aquino prenderam-no numa torre, para impedi-lo de se tornar frade dominicano. Este é o problema da família que não está constituída com vistas ao amor a Deus, cujos membros procuram tirá-Lo do trono que Lhe pertence, a fim de que os acontecimentos gravitem em torno de cada um.

A afeição dos familiares de Nosso Senhor por Ele é tipicamente a do egoísta; conclui-se daí que todos os egoístas são parentes daqueles parentes de Jesus. Como eles, também nós, se procuramos nos colocar sempre no centro de tudo, consideraremos insensatez as obras de Deus e exageradas as exigências da Religião. Eis uma importante lição desta Liturgia: devemos evitar tal delírio, tomando enorme cuidado com a sede de elogios e o desejo de chamar a atenção sobre nós, para que os outros nos adorem. Saiamos de nós mesmos e seja a glória de Deus o eixo de nossa existência! 
Meditação

Os parentes de Jesus diziam que ele estava fora de si. Mas Jesus não se importava com as opiniões, também não se importava com as vozes que O circundavam. Não lhe interessava o grau de popularidade, nem a simpatia que despertava de modo superficial entre as pessoas ou parentes. Jesus anunciava Seu Evangelho, falava da cruz, fazia o bem... sem deixar-se entrincheirar pelo que pensavam os demais, nem sequer os mais próximos d’Ele. E eu, seu apóstolo, trabalho da mesma maneira? Ou me assusta o que os demais pensam de mim por ser fiel a Jesus Cristo? Sou o mesmo, idêntico e coerente, não importando onde ou com quem esteja? Ou me deixo levar pelo ambiente? Podemos nos perguntar também o que é que realmente pensamos de Jesus Cristo. Às vezes também O julgamos como louco? Seus mandamentos, suas exigências nos parecem uma loucura para vivermos no mundo de hoje? Temos uma visão destorcida do Senhor, uma visão sem fé? Conhecemos a Ele realmente? Não fiquemos com uma resposta pronta, aprendida nos livros. Ou cremos em Cristo, em Sua divindade, tendo–O como caminho, verdade e vida, ou não cremos. Não existe meio termo.


Senhor, neste tempo em que muitos te deixam e são indiferentes a Teu amor, quero ser fiel a Ti, porque não vale a pena viver esta vida sem Tua amizade, porque sem Ti não acharei jamais a verdadeira felicidade, porque Tu és o amigo fiel, agora e sempre.

“A nossa fé em Jesus Cristo, para continuar como tal, deve muitas vezes confrontar-se com a falta de fé dos outros”. 
- Papa Bento XVI, 27  de Maio de 2006.
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Igreja Matriz Dracena / Regnum Christi / Mons João Clá Dias