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sábado, 1 de julho de 2017

Homilética: 15º Domingo do Tempo Comum - Ano A: "Os frutos da Palavra de Deus".


O texto do Evangelho corresponde ao início do chamado discurso das parábolas, onde em São Mateus Jesus apresenta a natureza do Reino de Deus: «Falou-lhes de muitas coisas em parábolas». Como de costume, este evangelista deve ter agrupado aqui, neste capítulo 13, sete parábolas, com toda a probabilidade contadas por Jesus em diferentes ocasiões. Parábola é uma comparação prolongada; isto significa o próprio termo grego (parabolê). Distingue-se da fábula, pois é verosímil; é uma narração viva e atraente, tirada das coisas da natureza e da vida diária. Também é diferente da alegoria, pois esta está toda carregada de simbolismo e todos os seus elementos encerram algum significado especial, ao passo que a parábola, de mais simples interpretação, vai direita a uma ideia central que se quer inculcar, sem que os seus elementos secundários tenham, em geral, qualquer significado especial, sendo meros elementos de adorno. Em S. João, que não recorre a parábolas, temos a célebre alegoria da videira (Jo 15). Também há parábolas com elementos alegóricos, podendo mesmo este simbolismo ser captado apenas a partir da vida da Igreja (por ex., em Mt 25, 5, na parábola das 10 virgens, a demora do esposo passa a simbolizar a demora da parusía.A parábola do semeador, que hoje temos, também nos aparece misturada de alegoria, pois não se limita a expor uma ideia central: a eficácia extraordinária e sobrenatural da sementeira divina, da acção de Deus no mundo, na Igreja e nas almas (100, 60, 30 por um). Nesta parábola cada um dos terrenos tem um significado simbólico particular, significado que é atribuído por Cristo na explicação posterior. Mas, ao fim e ao cabo, a parábola do semeador encerra uma exortação implícita a converter-se em boa terra para receber a Palavra de Deus e a confiar na sua eficácia.

O primeiro é torpe, o segundo é aerostático; o terceiro é o cansado; e o ultimo, o bom. Não é problema do semeador, porque Ele é magnifico. Não é problema da semente, que não tem a potencia de germinar e dar fruto. O problema é o terreno onde cai essa semente.

Pontos da ideia principal

Textos: Is 55, 10-11; Rm 8, 18-23; Mt 13, 1-23

Em primeiro lugar, analisemos o primeiro tipo, o torpe. Homens e mulheres fáceis, superficiais, baratos. Gente que não passa de moda, que sempre se deixa levar pelas circunstancias. É o sensorial, o vulgar que se lança na vida muito fácil ao engano dos sentidos. Pessoas fora de jogo, da realidade, fora de campo, gente sem rumo. Gente que, diante das palavras como religião, compromisso, ativismo, operação testemunha de Deus no mundo… Olham o interlocutor com olhos de quem se pergunta sem noção alguma, o que é isso? Vão pela vida como palhaços de circo na arena, plantando bananeira: de cabeça para baixo e com os pés para cima. E então a escala de valores para elas fica ao contrário. Ou seja, o amor, o dinheiro, o prazer, o êxito, etc. ficam lá encima, e de boca para baixo a honradez, o trabalho, a virtude, a felicidade, Deus. Pessoas religiosamente torpes. A Palavra de Deus chega e rebota, e o primeiro pássaro que passa em voo raso leva no bico a Palavra de Deus.

Em segundo lugar, analisemos o segundo tipo, o aerostático. Homem e mulher inconstantes. Na primeira vez é um entusiasta exemplar, triunfalista na segunda vez e acabado na terceira… Para variar. Ele também não passa de moda. Uma ideia grande, nobre, messiânica… Ele é hidrogênio que se incha, como uma bexiga, bexiga que, sem sacos na terra nem lastre constante na barquinha, se eleva, se cansa, explode e cai em pedacinhos. Perigosos porque se entusiasmam tanto para o bem como para o mal, tanto para a verdade como para o erro; são pólvora, barulho e fumaça, mas não caráter nem vontade nem personalidade nem constância nem maturidade. São heróis por um dia. A inconstância é uma rocha tapizada de húmus: cai a Palavra de Deus e fica, brota espiga triunfal e morre quando o sol cai nas aristas.

Finalmente, analisemos o terceiro tipo, o cansado. É esse que lê o jornal enquanto toma café da manhã, despacha assuntos enquanto vai comendo, fica informado das últimas notícias enquanto janta e, enquanto dorme, planeja os assuntos que vai resolver no dia seguinte enquanto estiver tomando o café da manhã, almoçando e jantando. Gente com tempo para tudo, sem tempo para nada, sem áreas verdes para o espírito, alqueive para abrolhos e cardos borregueiros. Se cair agora, mansa e humilde, a palavra de Deus inspirador e exigente… E a morrer! E agora falta analisar o bom. Tem a sabedoria repousada. Dá a acolhida à Palavra, acolhida que o torpe não deu. Oferece-lhe a seriedade que não lhe deu o aerostático. Tende-lhe a dedicação que não lhe tendeu o cansado. Todos deveríamos ser como o bom. Aqui a Palavra de Deus frutifica segundo a capacidade e os talentos de cada um. E reparte por onde quer migalhas do seu fruto: em casa, no trabalho, na praça, na igreja. E todos felizes. E com essas migalhas alimentamos os necessitados, os pobres e os enfermos.

Para Refletir

10-13 «Porque lhes falas em parábolas?» Jesus, segundo os costumes orientais, não explicava imediatamente uma parábola e deixava que ela ficasse a bailar no espírito dos ouvintes como uma espécie de enigma (o maxal hebraico correspondia tanto à comparação, como a uma máxima, sentença sábia, alegoria, ou mesmo a um enigma ou adivinha). Assim despertava Jesus o interesse dos ouvintes: as almas rectas e amantes da verdade podiam depois procurar aprofundar o ensinamento; as pessoas superficiais, materialistas e desinteressadas da verdade, deixavam que tudo se lhes escapasse, por isso diz Jesus que «a eles não lhes é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus» (v. 11). «Àquele que tem dar-se-á…», aos que têm boas disposições, estas são-lhe aumentadas com as luzes da pregação de Jesus; ao passo que aos mal dispostos pelo mau uso da sua liberdade, até as luzes que tinham (particularmente as recebidas com a revelação do Antigo Testamento) acabam por perdê-las. A citação da «profecia de Isaías» contém um anúncio do endurecimento dos ouvintes da pregação profética, que é entendida como consequência e castigo da resistência à graça. Deus não quer este endurecimento do coração, mas permite-o, porque quer respeitar a liberdade humana; mas o homem tem a grave responsabilidade de ser fiel a Deus e de fazer frutificar os dons recebidos; «não fossem ver…, ouvir…, entender… e converter-se… e Eu os curasse» (v. 15) é uma linguagem para nós demasiado dura, por dar a entender que é Deus quem endurece o coração do pecador, mas, na linguagem bíblica, é frequente não distinguir o que Deus permite daquilo que Deus faz, atribuindo frequentemente a Deus, a Causa Primeira, aquilo que é fruto das causas segundas. «Se lhes falo em parábola, é porque vêem sem ver…» Em Mateus o ensino em parábolas aparece como um acto de condescendência de Jesus, como uma forma de tornar acessíveis os ensinamentos de Jesus sobre os elevados mistérios do Reino, mas que ficam incompreensíveis para as almas fechadas à luz da verdade.

1. A Palavra de Deus é atuante e eficaz

A imagem da chuva, que descendo das nuvens, lá não regressa sem primeiro fecundar a terra, bem como a da semente que lançada à terra germina e dá fruto, são assaz expressivas.

A Palavra de Deus é acto de Deus. Sempre actual como o próprio Senhor; sempre em acção pois exprime o mistério do «Deus vivo». Sua nota característica é ser ela, «força de Deus para a salvação de todo aquele que crê» (Rom 1, 16). Ela é «palavra de salvação» (Act 13, 23); é palavra de vida (FM 2,16); é «palavra de graça» (Act 14,3). Nos Sacramentos e não só. A Palavra de Deus realiza aquilo que exprime. As «palavras que Eu vos disse são espírito e vida» (Jo 6, 63). Ela purifica e santifica.

Mas também condena a quantos recusam acolhê-la com humildade e sinceridade, a quantos não aceitam aquelas outras verdades que transcendem a natureza, a quantos se deixam levar pelo desespero frente ao mal no mundo (2.ª leit).

Palavra de bênção, ela será eficaz. Palavra de maldição, produz todos os seus efeitos. Em suma, ela não é só expressão dum pensamento, mas sinal da vontade de Deus, um apelo, uma ordem. E essa Palavra não se esgotou, nem secou, nem está cansada.

2. Acolher a Palavra de Deus

A Palavra de Deus é Alguém, é uma Pessoa, é o mesmo Deus, o Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Vivendo entre nós pelo mistério da Incarnação, escondida no silêncio da vida oculta, a Palavra de Deus, qual boa semente, germinou para se tornar luz dos homens, os esclarecer e sustentar no caminho da vida presente.

Após o regresso do Verbo de Deus ao Pai, onde se encontra a Palavra de Deus de que temos tanta necessidade?

a) Na Bíblia. Todas as acções divinas nela consignadas são portadoras duma Palavra de Deus. Lida na fé que vê os acontecimentos como sinais da presença de Deus actuando junto do seu povo e lida na igreja, depositária da interpretação autêntica destes sinais, a Bíblia tornasse o lugar por excelência de encontro com a Palavrade Deus.

Sabemos que a mensagem bíblica se encontra formulada numa visão do universo que já não é a do mundo de hoje, do nosso mundo científico e técnico. Daí a necessidade de apresentar, defender e explicar as verdades da fé por meio de conceitos e termos mais compreensivos. Mas sem em nada mutilar a sua mensagem essencial, mesmo tratando-se de verdades que tem o seu lado duro e quase repugnante, v.g. os Novíssimos.

b) Na comunidade cristã. Esta proclama a Palavra de Deus para a contemplar, a aprofundar e dar-lhe uma resposta. «Quando vos reunis em Meu nome, Eu estou no meio de vós» (cf. Mt 18,20). Na celebração eucarística a Palavra de Deus é-nos comunicada de diversas maneiras. Nos salmos que cantamos, nas leituras tomadas dos profetas, dos apóstolos e doutros escritores sagrados e finalmente é o mesmo Jesus que nos instrui com o seu evangelho.

Quando Deus fala devemos escutar o que nos diz e aceitar quanto nos propõe. Mal vai quando não tratamos de endireitar os maus caminhos antes percorridos. Jesus compara tais pessoas com um campo rochoso onde a semente não chega a lançar raízes.

Recitando o Credo após a homilia aceitamos a palavra de Deus. A nossa vida dará testemunho da verdade desta aceitação.

c) Nos acontecimentos. Quer se trate da nossa vida pessoal, quer do que se passa no mundo tudo se encontra relacionado com a Palavra da Revelação. Fazendo parte da história sagrada que continua, tais acontecimentos são portadores da Palavra. É preciso porém saber lê-los: investigar a todo o momento os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho (G.S. Daí a importância da revisão de vida que outra coisa não é senão uma leitura bíblica dos acontecimentos.

3. É preciso evangelizar

A semente deve ser lançada à terra a mãos cheias. O lavrador fá-lo confiadamente mesmo sabendo de antemão que nem toda produzirá a 100% mas apenas a 60% ou 30% na linguagem da parábola.

Precisamos de nos deixar evangelizar para evangelizarmos. A evangelização passa sempre pelo anúncio, pela celebração e pelo testemunho. Evangelizar o mundo – da família, do ensino, do trabalho, dos lazeres, da comunicação social, das leis, da ciência e da técnica. Para ver estas realidades com outros olhos, os olhos da fé, na perspectiva dos valores cristãos.

Temos muito que esclarecer, que discernir e que converter. Hoje toma-se difícil escutar a palavra de Deus. Em oposição a esta multiplicam-se outras palavras, as palavras dos homens que põem a felicidade no ter e no prazer. E dá-se-lhe mais atenção que à Palavra de Deus. Vem um jornal, um político, vem um programa de TV, a dizer o contrário daquilo que Cristo revelou e a Igreja ensina e dão-lhe toda a autoridade.

É preciso evangelizar e, mais ainda, motivar as pessoas. Dar-lhes ideias claras sobre Deus, a vida, a graça, a religião, a liberdade, o casamento. E depois dar-lhes razões positivas das obrigações e das proibições que decorrem da aceitação das verdades da fé. S. Pedro di-lo doutra forma: estai sempre prontos para dar resposta a todo aquele que vos perguntar acerca da esperança que vos anima (1 Pet 3,15). Para que aquelas obrigações não sejam olhadas como algo enfadonho e sem interesse.

O preceito da missa dominical: é para honrar a Deus, para participar, em assembleia, no sacrifício redentor de Cristo. Rezar para quê? Para ganhar amizade com Deus que é Pai, para O ir conhecendo cada vez melhor. Porque não podes ver aquele filme? Porque pode pôr em perigo a tua pureza, porque te fará escravo do teu corpo.

É preciso evangelizar. Sem desânimo. É longa a conversão dos homens, distantes os seus resultados, mas também aqui, uns semeiam e outros colhem, Deus é que dá o incremento.

Vamos continuar, branquear a vida dos nossos pecados e confiar uns nos outros e no infinitamente Outro.
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ZENIT / Presbíteros