terça-feira, 23 de abril de 2019

Estado Islâmico sobre incêndio de Notre Dame: “Espere pelo próximo”



Um grupo de mídia jihadista ligado ao ISIS (Estado islâmico) publicou uma imagem de Notre Dame em chamas com os dizeres: “Espere pelo próximo”. Pelo que sabe-se até o momento, não há indicação concretas de que o incêndio esteja ligado ao grupo terrorista.

Enquanto a catedral queimava na segunda-feira à noite, o grupo Al-Munatsir, ligado ao ISIS, publicou um cartaz da catedral em chamas acompanhado das palavras: “Tenha um bom dia”. 

A promotoria de Paris diz tratar o incêndio como um acidente, descartando incêndios criminosos e possíveis motivos relacionados ao terrorismo, pelo menos por enquanto.

Clérigo extremista com possíveis vínculos com o ISIS é acusado de planejar os atentados do Sri Lanka


A inteligência cingalesa nomeou o clérigo extremista local Moulvi Zahran Hashim como a força matriz por trás dos ataques mortais do Domingo de Páscoa. O clérigo radical usou as mídias sociais para pedir violência contra os não-muçulmanos.

Hashim é suspeito de ser um organizador dos ataques logo após altos funcionários do governo acusarem o envolvimento nacional do Thawheed Jama'ut (NTJ), de acordo com várias fontes da mídia. Hashim é tanto um Imam quanto um prolífico conferencista do NTJ, e diz-se que usou as mídias sociais para incitar a violência, inclusive contra mesquitas rivais.

Depois de serem removidos do YouTube, os vídeos de Hashim continham mensagens de apoio ao Estado Islâmico (IS, anteriormente ISIS) contra imagens, incluindo as torres gêmeas em chamas e uma tapeçaria de bandeiras de países ao redor do mundo envoltos em chamas.

O Conselho Muçulmano do Sri Lanka supostamente reclamou ao governo sobre Hashim durante anos, sinalizando seu 'vídeos discurso de ódio' depois que ficou claro que ele estava radicalizando jovens estudantes em suas aulas de Alcorão.

O NTJ em si era um grupo islâmico linha-dura pouco conhecido até que foi nomeado suspeito nos ataques de domingo pelo porta-voz do governo, Rajitha Senaratne. Apesar da acusação, as organizações de inteligência acreditam que os ataques sofisticados não poderiam ter sido realizados sem a perícia de grupos externos, o que poderia dar credibilidade à alegação recente do EI de estar por trás dos atentados. 

domingo, 21 de abril de 2019

Em missa de Páscoa, parisienses rezam por rápida restauração da catedral de Notre-Dame


Sem uma catedral para onde ir, centenas de parisienses se reuniram para a missa do domingo de Páscoa na igreja católica de Saint-Eustache, na margem direita da cidade, e rezaram pelo rápido restabelecimento de Notre-Dame, após a catedral ter sido devastada por um incêndio.

O arcebispo de Paris, Michel Aupetit, iniciou a cerimônia traçando um paralelo entre a planejada reconstrução da catedral de Notre-Dame de Paris e a ressurreição de Jesus dentre os mortos, celebrada todos os anos pelos cristãos na Páscoa.

"Vamos nos erguer novamente e nossa catedral se erguerá novamente", disse ele ao público, que incluía a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, e o chefe do Corpo de Bombeiros de Paris, general Jean-Claude Gallet.

A missa havia sido programada originalmente para ser realizada em Notre-Dame, cuja torre e o telhado foram destruídos em um incêndio na segunda-feira, enquanto equipes de resgate colocaram suas vidas em risco para salvar o resto da secular catedral e seus artefatos de valor inestimável.

Urbi et Orbi: "A Páscoa é o início de um mundo novo", afirmou o Papa Francisco



MENSAGEM URBI ET ORBI
DO PAPA FRANCISCO

PÁSCOA 2019

Balcão da Basílica Vaticana
Domingo, 21 de abril de 2019

Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!

Hoje, a Igreja renova o anúncio dos primeiros discípulos: «Jesus ressuscitou!» E de boca em boca, de coração a coração, ecoa o convite ao louvor: «Aleluia!... Aleluia!» Nesta manhã de Páscoa, juventude perene da Igreja e de toda a humanidade, quero fazer chegar a cada um de vós as palavras iniciais da recente Exortação Apostólica dedicada particularmente aos jovens:

«Cristo vive: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem [e a cada] cristão, são estas: Ele vive e quer-te vivo! Está em ti, está contigo e jamais te deixa. Por mais que te possas afastar, junto de ti está o Ressuscitado, que te chama e espera por ti para recomeçar. Quando te sentires envelhecido pela tristeza, os rancores, os medos, as dúvidas ou os fracassos, Jesus estará a teu lado para te devolver a força e a esperança» (Chistus vivit, 1-2).

Queridos irmãos e irmãs, esta mensagem é dirigida ao mesmo tempo a todas as pessoas e ao mundo inteiro. A Ressurreição de Cristo é princípio de vida nova para todo o homem e toda a mulher, porque a verdadeira renovação parte sempre do coração, da consciência. Mas a Páscoa é também o início do mundo novo, libertado da escravidão do pecado e da morte: o mundo finalmente aberto ao Reino de Deus, Reino de amor, paz e fraternidade.

Cristo vive e permanece conosco. Mostra a luz do seu rosto de Ressuscitado e não abandona os que estão na provação, no sofrimento e no luto. Que Ele, o Vivente, seja esperança para o amado povo sírio, vítima dum conflito sem fim que corre o risco de nos encontrar cada vez mais resignados e até indiferentes. Ao contrário, é hora de renovar os esforços por uma solução política que dê resposta às justas aspirações de liberdade, paz e justiça, enfrente a crise humanitária e favoreça o retorno em segurança dos deslocados, bem como daqueles que se refugiaram nos países vizinhos, especialmente no Líbano e Jordânia.

A Páscoa leva-nos a deter o olhar no Médio Oriente, dilacerado por divisões e tensões contínuas. Os cristãos da região não deixem de testemunhar, com paciente perseverança, o Senhor ressuscitado e a vitória da vida sobre a morte. O meu pensamento dirige-se de modo particular para o povo do Iêmen, especialmente para as crianças definhando pela fome e a guerra. A luz pascal ilumine todos os governantes e os povos do Médio Oriente, a começar pelos israelitas e os palestinenses, e os instigue a aliviar tantas aflições e a buscar um futuro de paz e estabilidade.

Que as armas cessem de ensanguentar a Líbia, onde, nas últimas semanas, começaram a morrer pessoas indefesas, e muitas famílias se viram forçadas a deixar as suas casas. Exorto as partes interessadas a optar pelo diálogo em vez da opressão, evitando que se reabram as feridas duma década de conflitos e instabilidade política.

Cristo Vivente conceda a sua paz a todo o amado continente africano, ainda cheio de tensões sociais, conflitos e, por vezes, extremismos violentos que deixam atrás de si insegurança, destruição e morte, especialmente no Burkina Faso, Mali, Níger, Nigéria e Camarões. Penso ainda no Sudão, que está a atravessar um período de incerteza política e onde espero que todas as instâncias possam ter voz e cada um se esforce por permitir ao país encontrar a liberdade, o desenvolvimento e o bem-estar, a que há muito aspira.

Atentado contra cristãos no Sri Lanka deixa mais de 180 mortos nesse domingo de Páscoa


Por volta das 8h45 desse domingo (21), uma série de explosões coordenadas visando três hotéis de luxo e três igrejas com fiéis celebrando a Páscoa, deixaram cerca de 207 mortos e 469 feridos no Sri Lanka, país insular do subcontinente indiano. Segundo fontes oficiais, ao menos 27 estrangeiros estão entre os mortos.

Os oito atentados atingiram, simultaneamente, a capital, Colombo, e aas regiões de Katana e Batticaloa.

Os primeiros casos foram registrados por volta das 8h45 (0h15, no horário de Brasília) em três hotéis e três templos católicos que realizavam missas em celebração à Páscoa.

 
Horas mais tarde, outras duas explosões ocorreram na capital, uma delas em mais um hotel e outra em um complexo de casas na periferia de Colombo.

No hotel de luxo Cinnamon Grand, em Colombo, um homem-bomba detonou o explosivo na fila de clientes que esperava para entrar em um bufê de Páscoa no restaurante do local.

"Ele se dirigiu para o início da fila e se explodiu", relatou um funcionário para a AFP. "Era o caos total", acrescentou.

O primeiro-ministro, Ranil Wickremesinghe, convocou uma reunião do conselho de segurança nacional em sua casa para o final do dia. "Eu condeno veementemente os ataques covardes contra nosso povo hoje. Eu chamo todos para permanecerem unidos e fortes", postou no Twitter.
 
O presidente do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, pediu calma ao país. "Por favor, fiquem calmos e não sejam enganados por rumores", declarou Sirisena, em mensagem à nação.

Sirisena, que se mostrou "em choque e triste com o que ocorreu", esclareceu que "as investigações estão em curso para descobrir que tipo de conspiração está por trás destes atos cruéis".

Imagens divulgadas pela imprensa local e nas redes sociais mostram a magnitude da explosão em pelo menos uma das igrejas, com o teto do templo semidestruído, escombros e pessoas no chão enquanto outros presentes tentam socorrê-las.

 
Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado, apesar de o Ministério da Defesa ter identificados os terroristas como extremistas religiosos. Em vista disso, é importante ressaltar que o episódio se insere em um contexto de crescente perseguição religiosa a cristão naquele país. Segundo dados da Open Door USA, agência especializada nesse assunto, o Sri Lanka figura entre os 50 países do mundo que mais perseguem os cristãos. O Sri Lanka, que ocupa a posição 46 na lista, tem uma grande maioria de budistas que, segundo a Open Door, são os grandes agentes da perseguição.

sábado, 20 de abril de 2019

"Jesus é o vivente e deve ser o centro das nossas vidas", diz Papa



HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

VIGÍLIA PASCAL
Basílica de São Pedro
Sábado, 20 de abril de 2019

As mulheres vão ao túmulo levando os aromas, mas temem que a viagem seja inútil, porque uma grande pedra bloqueia a entrada do sepulcro. O caminho daquelas mulheres é também o nosso caminho; lembra o caminho da salvação, que voltamos a percorrer nesta noite. Nele, parece que tudo se vai estilhaçar contra uma pedra: a beleza da criação contra o drama do pecado; a libertação da escravatura contra a infidelidade à Aliança; as promessas dos profetas contra a triste indiferença do povo. O mesmo se passa na história da Igreja e na história de cada um de nós: parece que os passos dados nunca levem à meta. E assim pode insinuar-se a ideia de que a frustração da esperança seja a obscura lei da vida.

Hoje, porém, descobrimos que o nosso caminho não é feito em vão, que não esbarra contra uma pedra tumular. Uma frase incita as mulheres e muda a história: «Porque buscais o Vivente entre os mortos?» (Lc 24, 5); porque pensais que tudo seja inútil, que ninguém possa remover as vossas pedras? Porque cedeis à resignação e ao fracasso? A Páscoa é a festa da remoção das pedras. Deus remove as pedras mais duras, contra as quais vão embater esperanças e expectativas: a morte, o pecado, o medo, o mundanismo. A história humana não acaba frente a uma pedra sepulcral, já que hoje mesmo descobre a «pedra viva» (cf. 1 Ped 2, 4): Jesus ressuscitado. Como Igreja, estamos fundados sobre Ele e, mesmo quando desfalecemos, mesmo quando somos tentados a julgar tudo a partir dos nossos fracassos, Ele vem fazer novas todas as coisas, inverter as nossas decepções. Nesta noite, cada um é chamado a encontrar, no Vivente, Aquele que remove do coração as pedras mais pesadas. Perguntemo-nos, antes de mais nada: Qual é a minha pedra a ser removida, como se chama?

Muitas vezes, a esperança é obstruída pela pedra da falta de confiança. Quando se dá espaço à ideia de que tudo corre mal e que sempre vai de mal a pior, resignados, chegamos a crer que a morte seja mais forte que a vida e tornamo-nos cínicos e sarcásticos, portadores dum desânimo doentio. Pedra sobre pedra, construímos dentro de nós um monumento à insatisfação, o sepulcro da esperança. Lamentando-nos da vida, tornamos a vida dependente das lamentações e espiritualmente doente. Insinua-se, assim, uma espécie de psicologia do sepulcro: tudo termina ali, sem esperança de sair vivo. Mas, eis que surge a pergunta desafiadora da Páscoa: Porque buscais o Vivente entre os mortos? O Senhor não habita na resignação. Ressuscitou, não está lá; não O procures, onde nunca O encontrarás: não é Deus dos mortos, mas dos vivos (cf. Mt 22, 32). Não sepultes a esperança!

BA: Incêndio atinge Igreja Matriz da cidade de Monte Santo


Nesta madrugada de sábado (20), a Igreja Católica da cidade de Monte Santo, Bahia, sofreu um incêndio. O fogo começou pela madrugada e até o amanhecer do dia a Igreja estava em chamas.

De acordo com informações do secretário de Agricultura, Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Ordem Pública, Zeliomar Almeida, o fogo começou por volta das 3h. Segundo ele, inicialmente os moradores tentaram apagar as chamas e usaram carros-pipas.

Os voluntários também atuaram no início do incêndio com a retirada de bancos de madeira e imagens sacras. Ainda de acordo com Zeliomar, o fogo atingiu a sacristia, cortinas e o teto da igreja. Parte do material litúrgico foi destruído. Não tinha ninguém no templo religioso quando o incêndio começou.

O telhado veio abaixo com o incêndio. A demora para apagar o incêndio se deu conta porque o Corpo de Bombeiros mais próximo fica a 140 KM, em Senhor do Bonfim-BA.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Paixão do Senhor: “Cristo é o retrato dos descartados da terra” .



“Era desprezado, era o refugo da humanidade, 
homem das dores e habituado à enfermidade; 
era como pessoa de quem se desvia o rosto, 
tão desprezível que não fizemos caso dele”.

Estas são as palavras proféticas de Isaías, com as quais começa a liturgia da palavra de hoje. A história da paixão que se seguiu deu um nome e um rosto a este misterioso homem das dores, desprezado e rejeitado pelos homens: o nome e o rosto de Jesus de Nazaré. Hoje queremos contemplar o Crucificado sob este mesmo aspecto: como protótipo e representante de todos os rejeitados, deserdados e os "descartados" da terra, aqueles diante dos quais se vira o rosto para outro lugar para não os ver.

Jesus não começou a sê-lo só agora, na paixão. Durante toda a sua vida ele tem sido um deles. Nasceu em um estábulo porque “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Ao apresentá-lo ao templo, os pais ofereceram "duas rolas ou dois pombinhos", a oferta prescrita pela lei para os pobres que não podiam dar-se ao luxo de oferecer um cordeiro (cf. Lv 12, 8). Um verdadeiro certificado de pobreza no Israel da época. Durante a sua vida pública, não tinha lugar para descansar a cabeça (Mt 8, 20): é um sem-teto.

E chegamos à paixão. No relato, há um momento em que não nos detemos com frequência, mas que é cheio de significado: Jesus no pretório de Pilatos (cf. Mc 15, 16-20). Os soldados notaram um arbusto de silvas na praça adjacente; pegaram um feixe e o colocaram em sua cabeça; sobre seus ombros, ainda sangrando da flagelação, colocaram um manto de escárnio sobre ele; suas mãos estão atadas com uma corda áspera; em uma mão colocaram uma cana, símbolo irrisório de sua realeza. É o protótipo das pessoas algemadas, sozinhas, à mercê de soldados e bandidos que descarregam sobre os pobres infelizes a raiva e a crueldade que acumularam na vida. Torturado!

"Eis o homem!”, Eis o homem!, exclama Pilatos, ao apresentá-lo pouco depois ao povo (Jo 19,5). Palavra que, depois de Cristo, se pode dizer das intermináveis fileiras de homens e mulheres humilhados, reduzidos a objetos, privados de toda dignidade humana. "Se isto é um homem": o escritor Primo Levi intitulou assim o relato da sua vida no campo de extermínio de Auschwitz. Na cruz, Jesus de Nazaré torna-se o emblema de toda esta humanidade "humilhada e ofendida". Deveria se exclamar: "Rejeitados, desprezados, párias de toda a terra: o maior homem de toda a história foi um de vocês! Independente do povo, raça ou religião a que pertençais, tendes o direito de reivindica-lo como seu.