sábado, 3 de dezembro de 2016

Paquistão: Atraso no julgamento pelo assassinato do ministro católico Shabbaz Bhatti


A Corte militar antiterrorismo de Islamabad (Paquistão) emitiu um mandato de comparecimento obrigatório em audiência no dia 7 de dezembro a sete testemunhas que não se apresentaram no processo pelo assassinato de Shahbaz Bhatti, ministro federal católico para as minorias religiosas, que sempre defendeu Asia Bibi, uma mãe católica presa injustamente há 6 anos acusada blasfemar o Corão.

A agência vaticana Fides divulgou as declarações de uma fonte local, a qual disse que “passaram -se mais de cinco anos e a justiça paquistanesa procede lentamente: os assassinos do ministro católico não foram levados a julgamento”.

“Depois da morte de Bhatti, a liderança política no Paquistão não está dando passos avante para pedir às autoridades policiais e à magistratura que assegure seus assassinos à justiça”, expressaram.


Antes de ser assassinado por membros da Al-Qaeda, Shahbaz Bhatti era o único cristão do gabinete do Paquistão, país no qual 95% da população é muçulmana, e era contra a “Lei de blasfêmia”, inspirada na Sharia – lei religiosa muçulmana.

Esta lei visa sancionar qualquer ofensa com palavras ou obras usadas contra Alá, Maomé ou o Corão, atos que podem ser denunciados por um muçulmano sem necessidade de testemunhas ou provas adicionais, algo que pode ser castigado inclusive com a morte do acusado. A lei usada frequentemente para perseguir a minoria cristã, que costuma ser explorada no trabalho e discriminada no acesso à educação e aos cargos públicos. 

Absolvidos pelo STF no caso Caxias já mataram mulher durante aborto, esquartejaram e incendiaram cadáver


A decisão do Supremo Tribunal Federal – STF conduzida pelo Ministro e ativista Luis Roberto Barroso determinando que  aborto até o terceiro mês de gravidez não é crime beneficiou  dois assassinos. O julgamento do STF  foi válido para um caso acontecido em 2013, em Duque de Caxias,na  Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.

Os técnicos em enfermagem Rosemere Aparecida Ferreira e Edilson Ferreira, inocentados pela 1º turma do STF, nesta terça-feira, 29, foram presos em 2013. Um ano depois os  dois mataram  uma mulher durante a realização de um aborto no caso que ficou conhecido nacionalmente como a morte de Jandira dos Santos Cruz.

Foi um crime hediondo  conforme descrito pelo delegado que acompanhou o caso, em 2014,em entrevista  ao jornal O Dia.  “O crime foi bárbaro. A Jandira estava com pouco mais de três meses de gravidez e passou mal durante o aborto. Eles (Rosemere e outros envolvidos) não chamaram socorro. Então, resolveram dar um tiro na cabeça do cadáver para fingir um assassinato. Depois, o corpo foi esquartejado e incendiado”.


Papa Francisco recebe belo presente do Vaticano por seus 80 anos


Por ocasião do aniversário de 80 anos do Papa Francisco no dia 17 de dezembro, o Escritório Filatélico e Numismático do Vaticano emitiu um selo postal comemorativo com uma bela pintura do Santo Padre.

A obra representa o Papa Francisco com o braço direito levantado saudando, enquanto no fundo da pintura aparece a cadeira de São Pedro e a Virgem de Luján, padroeira da Argentina.

A pintura foi feita pelo artista sacro espanhol de 37 anos, Raúl Berzosa, que explicou através da sua conta de Facebook que “as cores recordam a bandeira da Argentina com o azul do lado esquerdo do quadro e o branco do Papa; e também recordam a bandeira do vaticano, com o amarelo do lado direito”.

“Poderia dizer que o Santo Padre serve de união entre a Argentina e o Vaticano”, acrescentou o artista. 

Ai de mim se não anunciar o Evangelho


Viemos por povoações de cristãos, que se converteram há uns oito anos. Nestes sítios não vivem portugueses, por a terra ser muitíssimo estéril e extremamente pobre. Os cristãos destes lugares, por não terem quem os instrua na nossa fé, somente sabem dizer que são cristãos. Não têm quem lhes diga Missa e, ainda menos, quem lhes ensine o Credo, o Pai--Nosso, a Ave-Maria e os Mandamentos. Quando eu chegava a estas povoações, batizava todas as crianças por batizar. Desta forma, batizei uma grande multidão de meninos que não sabiam distinguir a mão direita da esquerda. Ao entrar nos povoados, as crianças não me deixavam rezar o Ofício divino, nem comer, nem dormir, e só queriam que lhes ensinasse algumas orações. Comecei então a saber por que é deles o reino dos Céus. Como seria ímpio negar-me a pedido tão santo, comecei pela confissão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, pelo Credo, Pai-nosso, Ave-Maria, e assim os fui ensinando. Descobri neles grande inteligência. Se houvesse quem os instruísse na fé, tenho por certo que seriam bons cristãos.

Muitos deixam de se fazer cristãos nestas terras, por não haver quem se ocupe de tão santas obras. Muitas vezes me vem ao pensamento ir aos colégios da Europa, levantando a voz como homem que perdeu o juízo e, principalmente, à Universidade de Paris, falando na Sorbona aos que têm mais letras que vontade para se disporem a frutificar com elas. Quantas almas deixam de ir à glória e vão ao inferno por negligência deles! E, se assim como vão estudando as letras, estudassem a conta que Deus Nosso Senhor lhes pedirá delas e do talento que lhes deu, muitos se moveriam a procurar, por meio dos Exercícios Espirituais, conhecer e sentir dentro de suas almas a vontade divina, conformando-se mais com ela do que com suas próprias afeições, dizendo: «Senhor, eis-me aqui; que quereis que eu faça? Mandai-me para onde quiserdes; e se for preciso, até mesmo para a Índia».


Das cartas de São Francisco Xavier, presbítero, a Santo Inácio

(Cartas de 20 de Out. de 1542 e 15 de Janeiro de 1544: Epist. S. Francisci Xaverii aliaque eius scripta, ed. G. Schurhammer — I. Wicki,t. I: «Mon. Hist. Soc. Iesu» 67, Romae, 1944, pp. 147-148; 166-167)

O que a mídia não mostrou sobre o vídeo da execução dos 21 cristãos egípcios


Em fevereiro de 2015, o mundo foi estarrecido pelas imagens da execução de 21 cristãos coptas egípcios em uma praia da Líbia. O vídeo que mostra o grupo de uniforme laranja a caminho da morte se transformou em símbolo da selvageria covarde dos terroristas do Estado Islâmico. As cenas eram precedidas por um título ameaçador: “Uma mensagem assinada com o sangue da nação da cruz”.

A mídia mundial, segundo a ativista de direitos humanos Jacqueline Isaac, cortou a maior parte do vídeo ao divulgá-lo. E não precisamente para ocultar cenas pavorosamente brutais, mas para evitar a exibição do momento em que as vítimas se negam a abraçar à força o islamismo.

Alguns dos cristãos martirizados fizeram diante das câmeras a sua última oração. Quando estavam prestes a ser decapitados, todos eles gritaram juntos “Ya Rabbi Yassu”, invocação comum entre os cristãos coptas egípcios que quer dizer “Oh, meu Senhor Jesus!”.

Walid Shoebat, autor especializado em terrorismo, resume:

“Deram a eles a escolha entre se converter ao islã ou morrer. E todos eles escolheram ser fiéis [a Cristo] até a morte”. 

São Francisco Xavier


Francisco Xavier nasceu na Espanha, em 1506. Era filho de uma família nobre e estudou na universidade de Paris. Foi aí que Francisco conheceu Inácio de Loyola, aquele que seria o fundador da Companhia de Jesus. 

Inácio encontrou em Francisco um apoio para realizar seu sonho de uma fundação que propagasse o cristianismo para todo o mundo. Mas a família não aceitava a idéia de ver o filho tornar-se missionário. 

O jovem estudante, dividido entre a vida de nobreza e o apostolado, foi tocado profundamente por Deus quando ouvir a frase do evangelho de Marcos: "De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder sua alma?" A partir daí resolveu tornar-se padre e foi o co-fundador dos jesuítas com Inácio. 

Passou então a cuidar dos doentes leprosos em Veneza, onde recolhia das ruas e tratava aqueles a quem ninguém tinha coragem de recolher. Mas Deus tinha outros projetos para Francisco. O rei de Protugal solicitou ajuda dos jesuítas para a evangelização das Índias. Com ímpeto missionário Francisco aceitou. 

No Oriente ele realizou uma das missões mais árduas da Igreja Católica. Evangelizava os nativos, batizava as crianças e os adultos. Reunia as aldeias em grupos, fundava comunidades eclesiais. Acabou saindo das Índias, para pregar no Japão, além de ter feito algumas incursões clandestinas na China. Neste país ele faleceu em 1552, vítima de uma febre. 



Deus que quisestes agregar à Vossa Igreja os povos da Índia pela pregação e pelos milagres de São Francisco, concedei-nos propício que de quem veneramos os méritos gloriosos, imitemos também os exemplos das virtudes. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ícone Ortodoxo Contra o Aborto


Comecemos por sua parte esquerda, cujas cores de fundo são mais claras (em contraste bastante evidente com a parte direita, com cores escuras representando as trevas, o mal e a morte).

Jesus Cristo, vencedor da morte, surge protegendo e abençoando, abaixo dele, uma família cristã (é de se notar os trajes modernos que vestem). Família, aliás, numerosa (pai, mãe e seis filhos).

O pai carrega um dos filhos (como São José, que carrega o Menino Deus, tradicional imagem da iconografia cristã) e traz o alimento da família na mão esquerda. A mãe embala o filho ainda bebê e alimenta uma outra criança. São figuras tradicionais do pai e da mãe cristãos, essencial para o desenvolvimento dos filhos.

Mãe de Deus «Galaktotrophousa» (amamentando)
 
«Jesus Cristo protegendo e abençoando uma família cristã»

Pesonificação da «Crueldade», «Futilidade», «Indiferença» e «Luxúria» (de baixo para cima)

Acima da família cristã, surge a Sagrada Família de Nazaré. Maria carrega, em seu colo, o Senhor Deus, nascido de seu puríssimo ventre. São José, por sua vez, carrega uma criança envolta em panos brancos, símbolo, na iconografia tradicional, da alma das crianças inocentes assassinadas.

Abaixo da família cristã, numa imagem bastante contundente, temos a «Arrependida», isto é, a mãe que, tendo cometido o monstruoso crime do aborto, chora, agora, o filho que ela própria matou. Veste-se de vermelho, o que representa o sangue inocente por ela derramado.

Na parte esquerda inferior, há a figura da mãe solteira. De um lado, ela pecou e consentiu em relações pré-nupciais (talvez, seja por isto que parte de sua vestimenta é vermelha, cor da luxúria), mas, por outro lado, manteve-se firme frente à tentação de abortar e, agora, carrega (não sem o auxílio de Deus) a Cruz de ser mãe sem a ajuda e o suporte de um esposo. Cruz esta que, se bem vivida, será sua porta de entrada para o céu depois que findar sua peregrinação terrestre.

Passemos, agora, às trevas!

Primeira pregação de Advento 2016: "Creio no Espírito Santo".


ESPÍRITO SANTO, FONTE DE ESPERANÇA

1. A novidade do pós-concílio

Com a celebração do 50º aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II, terminou a primeira fase do "pós-concílio" e abriu-se uma outra. Se a primeira fase foi caracterizada por problemas relacionados à "recepção" do Concílio, esta nova será caracterizada, creio eu, pelo completar e integrar o Concílio; em outras palavras, pela releitura do Concílio à luz dos frutos produzidos por este, destacando também o que nele está ausente, ou presente apenas de forma embrionária.

A maior novidade do pós-concílio, na teologia e na vida da Igreja, tem um nome específico: o Espírito Santo. O Concílio não havia ignorado a sua ação na Igreja, mas havia falado quase sempre "en passant", mencionando-o muitas vezes, mas sem destacar o seu papel central, nem sequer na constituição sobre a Liturgia. Em uma conversa, no tempo em que estávamos juntos na Comissão Teológica Internacional, recordo que o Pe. Yves Congar usou uma imagem forte a este respeito; falou de um Espírito Santo, espalhado aqui e ali nos textos, como se faz com o açúcar nos doces, mas que não se torna parte da composição da massa.

Mas o degelo havia começado. Podemos dizer que a intuição de São João XXIII do Concílio como sendo “um novo Pentecostes para a Igreja” encontrou a sua implementação somente mais tarde, terminado o concílio, como tem acontecido muitas vezes nas histórias dos concílios.

No próximo ano nós comemoramos o 50º aniversário do início, na Igreja Católica, da Renovação Carismática. É um dos muitos sinais – o mais evidente pela vastidão do fenômeno – do despertar do Espírito e dos carismas na Igreja. O Concílio havia preparado o caminho para a sua recepção, falando, na Lumen Gentium, da dimensão carismática da Igreja, juntamente com aquela institucional e hierárquica, e insistindo na importância dos carismas[1]. Na homilia da Missa Crismal da Quinta-feira Santa de 2012, Bento XVI disse:

"Quem olha para a história da época pós-conciliar pode reconhecer a dinâmica da verdadeira renovação, que muitas vezes assumiu formas inesperadas em movimentos cheios de vida e que torna quase palpáveis a vivacidade inesgotável da Santa Igreja, a presença e a ação eficaz do Espírito Santo".

Ao mesmo tempo, a experiência renovada do Espírito Santo tem estimulado a reflexão teológica[2]. Depois do concílio se multiplicaram os tratados sobre o Espírito Santo: dentre os católicos, está o do próprio Congar[3], de K. Rahner[4], de H. Mühlen[5] e de von Balthasar[6], dentre os luteranos o de J. Moltmann[7] e M. Welker[8], e de muitos outros. Da parte do Magistério houve a encíclica de São João Paulo II "Dominum et vivificantem". Por ocasião do XVI centenário do concílio de Constantinopla, do 381, o próprio Sumo Pontífice, em 1982, promoveu um congresso internacional de Pneumatologia no Vaticano, cujas atas foram publicadas pela Livraria Editora Vaticana, em dois grandes volumes intitulados "Credo in Spiritum Sanctum[9]”.

Nos últimos anos estamos observando passos decididos nessa direção. No fim de sua carreira, Karl Barth fez uma declaração provocativa que foi, em parte, também uma autocrítica. Disse que no futuro iria desenvolver uma teologia diferente, a “teologia do terceiro artigo”. Por “terceiro artigo” entendia, naturalmente, o artigo do credo sobre o Espírito Santo. A sugestão não caiu no vazio. Desde que foi lançada a proposta surgiu a atual corrente denominada, precisamente, "Teologia do terceiro artigo".

Não acredito que tal corrente queira tomar o lugar da teologia tradicional (seria um erro se pretendesse), mas sim estar do lado e reaviva-la. Ela se propõe a fazer do Espírito Santo não somente o objeto do tratado que lhe diz respeito, a Pneumatologia, mas por assim dizer a atmosfera na qual se desenvolve toda a vida da Igreja e toda pesquisa teológica, "a luz dos dogmas", como um antigo Padre da Igreja definia o Espírito Santo.

O tratado mais completo desta recente corrente teológica é o volume de ensaios surgido em Inglês no último mês de setembro, com o título "Teologia do terceiro artigo. Para uma dogmática pneumatológica[10]”.  Nesse, partindo da doutrina trinitária da grande tradição, teólogos de várias Igrejas cristãs oferecem a sua contribuição, como premissa de uma teologia sistemática mais aberta ao Espírito e mais adequada às exigências atuais. Inclusive foi-me pedido, como católico, uma contribuição com um ensaio sobre “Cristologia e pneumatologia nos primeiros séculos da Igreja”.