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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A Água que sai do lado direito de Jesus


Um dos grandes mistérios redentoristas é a chaga do lado direito do Senhor, quando “um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19,34). A água expiatória nos remonta à água lustral da Antiga Aliança (Nm 5,17;8,5-7) a qual atinge sua plenitude de libação na água nova aspergida do Senhor como profetizou Ezequiel: “Derramarei sobre vós águas puras, que vos purificarão de todas as vossas imundícies e de todas as vossas abominações” (36,25).

A água aspergida é a mesma que recebemos no sacramento do batismo pois somos batizados na Sua morte (Rm 6,3) por isso o batismo dos apóstolos era feito por aspersão e não por imersão (At 18,7-8; At 9,17-18), participamos dessa água em todas as ritualísticas litúrgicas de água benta como o “asperges me” evocando a aspersão lustral do Salmo 50,9.

De acordo com a explicação natural é provável que a água seja um liquido pleural acumulado devido aos tormentos e segundo o significado teologal de Santo Agostinho e muitos pais da Igreja é essa água que dá vida à Igreja e faz brotar os sacramentos: “Ali abria-se a porta da vida, donde manaram os sacramentos da Igreja, sem os quais não se entra na verdadeira vida (...). Este segundo Adão adormeceu na Cruz para que dali fosse formada uma esposa que saiu do lado daquele que dormia (...). Que ferida mais salutar que esta? (In Ioann. Evang., 120,2), assim interpretou também o Concílio Vaticano II sobre o nascimento da Igreja: “ Tal começo e crescimento exprimem-nos o sangue e a água que manaram do lado aberto de Jesus crucificado” (Lumen genitum, n. 3).
A Igreja nasce na Cruz e não em Pentecostes, em Pentecostes ela se torna pública, nela está todas as fontes necessárias para a salvação e em sua liturgia todo o processo redentorista é atualizado. Assim o Sacerdote mistura a água ao vinho nos remetendo a São Paulo quando mostra a Timóteo a união dessas duas espécies como uma junção de cura (1Tm 5,23).

O Papa São João Paulo II disse em uma de suas homilias: "Eis que a água, nossa bebida mais comum, ganha pela ação de Cristo um novo caráter: torna-se vinho, portanto uma bebida, de certa forma, mais valiosa. O sentido deste símbolo – da água e do vinho – encontra a sua expressão na Santa Missa. Durante o Ofertório, unindo um pouco de água ao vinho, pedimos a Deus através de Cristo participar da sua vida no Sacrifício Eucarístico." Assim, nós e toda a natureza humana passa a fazer parte do Sacrifício do Senhor, sendo convidada a "diluir-se" na divindade de Jesus Cristo.

“Vidi aquam egredientem de templo, a latere dextro”.



Paulo Leitão de Gregório