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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Quebrando ídolos


Maldito o homem que confia em outro homem. (Jr. 17, 5)

O padre que deixa a batina. O famoso cantor que se envolve num escândalo extraconjugal. Um líder de comunidade que simplesmente abandona tudo e desaparece no mapa. A banda que deixa seus fãs a ver navios depois do show. A cantora que num momento de raiva xinga o técnico de som. Quem nunca soube ou presenciou algum caso desses? E quem nunca ouviu alguém dizer “por que eu vou viver isso se nem eles que pregam acreditam no que eles mesmos falam”?

Todos nós, especialmente quando adentramos uma nova realidade, precisamos nos espelhar em pessoas que se tornam nossos modelos de comportamento. Quando chegamos pela primeira vez num grupo de oração, chegamos meio calados, prestando atenção em como as pessoas se portam, como falam, como gesticulam e assim aprendemos os códigos de conduta que são aceitos ou que são considerados inconvenientes naquele local. Esse comportamento é perfeitamente saudável e mostra como sabemos agir em sociedade. Quando se trata de Igreja, a coisa se torna um pouco mais profunda porque envolve uma Verdade que nos é ensinada apenas por meio de líderes que pregam, cantam, celebram, creem e praticam-na. Ao experimentá-la e assumi-la para nossas vidas, tomamos esses líderes como modelos inquestionáveis de encarnação dessa Verdade.

Esquecemo-nos, no entanto, de que, embora cristãos, permanecemos humanos e ninguém está isento de cair numa tentação – inclusive, todos caímos, diariamente e várias vezes por dia. Dessa forma, para cada líder religioso que cai infelizmente ele acaba carregando consigo várias outras pessoas que contavam com seu exemplo para continuar crendo naquela Verdade que ele defendia com tanto ardor. 

Não é difícil perceber que há um grande equívoco aí. À primeira vista podemos criticar a pessoa que tem sua fé abalada diante de uma grande decepção acreditando de modo clichê que “não devemos estar na Igreja por causa das pessoas, mas por causa de Jesus”. É um pensamento tão verdadeiro quanto simplório, pois ignora a justa queixa do cidadão que aprendeu a fé de uma pessoa que comprovou não crer naquilo tanto assim.

O maior equívoco está em acreditar que, entre nós, há pessoas que podem ser consideradas modelos iniludíveis de comportamento cristão, pois na verdade, enquanto caminhamos gemendo e chorando neste vale de lágrimas, somos mesmo é um bando de doentes buscando a sua salvação e a de outros. A Bíblia faz questão de mostrar ao mesmo tempo a grandeza e a mesquinhez de seus personagens. Por que nos aventuramos de modo inútil e vaidoso a sustentar ídolos frágeis e quebradiços?

Tudo seria muito mais fácil e verdadeiro se nas Igrejas não nos relacionássemos com máscaras de seres ideais que encarnam com perfeição a vida cristã, mas com pessoas de verdade com suas dúvidas, angústias, fraquezas e imperfeições. Quando lemos a vida dos grandes santos tudo o que vemos é isso: pessoas comuns iguais a nós que lutam até o sangue permanecerem fiéis a Cristo, mas que não escondem suas chagas e máculas. Essa mudança de perspectiva nos pouparia de muitas e desnecessárias decepções que fazem com que tantos abandonem a Cristo por motivos absolutamente vãos.


Luis Felipe Barbedo
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Catholicus