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sábado, 9 de janeiro de 2016

Brasil passa por crise antropológica e precisa de uma revolução cultural, afirma Dom Walmor


O Brasil vive uma crise de caráter antropológico, é o que constata o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, ao fazer uma análise da atual situação do país. Segundo ele, para superar tal contexto, é necessária uma revolução cultural na sociedade que leve às mudanças que o Brasil realmente precisa.

“Bem no início desta contagem do ano novo de 2016, em meio ao tratamento dos problemas que continuam gerando suas consequências e preços a pagar, é urgente considerar que a crise das crises - a crise motora de todas essas outras em curso - é a de caráter antropológico”, escreve o Prelado em recente artigo, intitulado “Falências e reações”.

“É hora de efetivar mudanças”, afirma o Arcebispo, ao observar o “legado desolador deixado pelo ano que passou”, no qual “os horizontes da democracia e dos admiráveis avanços científicos e tecnológicos contracenam com os rios de lama da corrupção, dos desvarios no mundo da política, da submissão de poderes a interesses partidários e cartoriais, dos abomináveis desastres ambientais e humanitários”.

Entretanto, analisa que uma mudança de hábitos não é o suficiente, nem “resolver o caos perpetuado na sede dos poderes” – embora neste último estejam “urgências que precisam de novas e velozes reconfigurações”. 

Para Dom Walmor, tal crise antropológica, sendo “algo mais sério e profundo”, implica na necessidade de “novos entendimentos e grande investimento na configuração mais consistente do tecido cultural”.

Por isso, diz ser preciso uma “revolução cultural na sociedade brasileira”, a qual não se corresponde apenas a um “movimento político partidário e nem se reduz a formas e dinâmicas de governo”.

“Trata-se de investir e conquistar entendimentos novos sobre a própria realidade histórico-cultural, promovendo clarividências. Todos precisam compreender melhor a sua missão e vocação para efetivar, a partir de riquezas próprias, por vezes desprezadas, desconhecidas e maltratadas, novo conjunto de hábitos”. 

Neste sentido, o prelado aponta um caminho: “O processo de enfrentamento da grande crise antropológica – afirma – parece não poder ser tratado senão a partir de ações nos muitos contextos regionais do Brasil”, um “país com dimensões continentais”.

“No conjunto da crise antropológico-cultural estão os rasgões na diversidade que configura a unidade do povo”, avalia o Arcebispo, ao indicar a necessidade de “resgates pontuais e incidentes” nos substratos da “gigante realidade cultural brasileira”.

Na avaliação de Dom Walmor, “os líderes governamentais, educacionais, políticos, culturais e religiosos são desafiados a olhar o conjunto de sua realidade sociocultural e definir, com sabedoria, os investimentos prioritários, parcerias que façam aumentar os tradicionais patrimônios – culturais, religiosos e educacionais – que têm força para contribuir com as transformações capazes de dar ao país novo rumo”.

Segundo o Prelado, “as reformulações mais profundas não virão simplesmente das intenções de planos governamentais”, sendo preciso abordar de maneira técnica, científica e educativa “os substratos que alavancam ou esvaziam a cultura de cada região”.

Entre os elementos que devem ser elencados, o Bispo indica a consciência de “pertença” ao povo. Nesse caso, cita a importância da “superação de um tipo de deboche – superficial e ridículo – que parece colocar de fora das próprias fronteiras o que é a riqueza do seu território”.

O Arcebispo sublinha que, quando se predomina uma “visão distorcida, que considera importante e interessante apenas o que está e o que se edifica fora do próprio território”, isso contribuiu para que a população não trate “adequadamente seu patrimônio” e não invista “em empreendimentos com força para fazer avançar a sua história”.

Por fim, após indicar a responsabilidade de diferentes líderes (governantes, políticos, educadores, produtores culturais, religiosos e a população em geral) neste processo de revolução cultural, Dom Walmor indica que agora cabe “compreender a crise antropológica e reagir com ardor para aperfeiçoar recursos, dar velocidade a projetos, priorizar as necessidades dos pobres”.
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ACI Digital