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domingo, 26 de março de 2017

3ª Pregação da Quaresma 2017: “O Espírito Santo nos introduz no mistério da morte de Cristo”.


O ESPÍRITO SANTO NOS INTRODUZ
NO MISTÉRIO DA MORTE DE CRISTO

1. O Espírito Santo no mistério pascal de Cristo

Nas duas meditações anteriores, tentamos mostrar como o Espírito Santo nos introduz na “plena verdade” sobre a pessoa de Cristo, fazendo-nos conhecê-lo como “Senhor” e como “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”. Nas restantes meditações a nossa atenção, da pessoa, se move para o obrar de Cristo, do ser para o agir. Vamos tentar mostrar como o Espírito Santo ilumina o mistério pascal, e, em primeiro lugar, na presente meditação, o mistério da sua e da nossa morte.

Apenas tornado público o programa destas pregações da Quaresma, em entrevista ao L’Osservatore Romano, foi-me colocada a questão: “Quanto espaço para a atualidade estará em suas meditações?” Eu respondi: Se por “atualidade” entende-se no sentido de referências a situações ou eventos que ocorrem, temo que haja bem pouco de atualidade nas próximas pregações de Quaresma. Mas, na minha opinião, “atual” não é somente “o que está acontecendo” e não é sinônimo de “recente”. As coisas mais “atuais” são aquelas eternas, ou seja, aquelas que tocam as pessoas no âmago mais profundo da própria existência, em todas as épocas e em todas as culturas. É a mesma distinção que existe entre “urgente” e “importante”. Somos sempre tentados a preferir o urgente ao importante, a preferir o “recente” ao “eterno”. É uma tendência que o ritmo acelerado da comunicação e a necessidade de novidade da mídia tornam particularmente aguda hoje.

O que é mais importante e atual para o crente, e, certamente, para cada homem e para cada mulher, do que saber se a vida tem um sentido ou não, se a morte é o fim de tudo, ou, pelo contrário, o início da verdadeira vida? Ora, o mistério pascal de morte e ressurreição de Cristo é a única resposta para estes problemas. A diferença que há entre esta atualidade e aquela midiática da crônica é a mesma que há entre quem passa o tempo olhando para o desenho deixado pela onda na praia (que a onda seguinte apaga!), e quem eleva o olhar para contemplar o mar na sua imensidão.

Com essa consciência meditemos, portanto, no mistério pascal de Cristo, começando pela sua morte de cruz.

A Carta aos Hebreus diz que Cristo “movido pelo Espírito eterno, ofereceu a si mesmo sem mácula a Deus” (Hb 9, 14). “Espírito eterno” é outra maneira de dizer Espírito Santo, como atesta uma variante antiga do texto. Isto significa que, como homem, Jesus recebeu do Espírito Santo, que estava nele, o impulso para oferecer-se em sacrifício ao Pai e a força que o sustentou durante a sua paixão. A liturgia expressa essa mesma convicção quando, na oração antes da comunhão, faz o sacerdote dizer: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, pela vontade do Pai e com a obra do Espírito Santo (cooperante Spiritu Sancto) destes vida ao mundo”.

Ocorre para o sacrifício como para a oração de Jesus. Um dia Jesus “exultou no Espírito Santo e disse: Te dou graças, ó Pai, Senhor do Céu e da terra” (Lc 10, 21). Era o Espírito Santo que suscitava nele a oração e era o Espírito Santo que o incentivava a oferecer-se ao Pai. O Espírito Santo que é o dom eterno que o Filho faz de si mesmo ao Pai na eternidade, é também a força que o empurra a fazer-se dom sacrificial ao Pai por nós no tempo.

A relação entre o Espírito Santo e a morte de Jesus é enfatizada, especialmente, no Evangelho de João. “Não havia ainda Espírito – comenta o evangelista sobre a promessa dos rios de água viva – porque Jesus não havia sido ainda glorificado” (Jo 7, 39), ou seja, de acordo com o significado desta palavra em João, não havia sido ainda levantado sobre a cruz. Da cruz Jesus “emite o espírito”, simbolizado pela água e pelo sangue; de fato, escreve em sua Primeira Carta: “Há três que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue” (1 João 5, 7-8).

O Espírito Santo leva Jesus à cruz e da cruz Jesus dá o Espírito Santo. No momento do nascimento e, depois, publicamente, em seu batismo, o Espírito Santo é dado a Jesus; no momento da morte, Jesus dá o Espírito Santo: “Depois de ter recebido o Espírito Santo prometido, ele o derramou, e é isto que vedes e ouvis”, disse Pedro às multidões no dia de Pentecostes (At 2, 33). Os Padres da Igreja gostavam de destacar esta reciprocidade. “O Senhor – escrevia Santo Inácio de Antioquia – recebeu em sua cabeça uma unção perfumada (myron), para emanar sobre a Igreja a incorruptibilidade[1]”.

Neste ponto, devemos trazer à memória a observação de Santo Agostinho sobre a natureza dos mistérios de Cristo. Segundo ele, há uma verdadeira celebração a modo de mistério e não só a modo de aniversário, quando “não só se comemora um acontecimento, mas se faz de tal forma que se dá a compreender o seu significado para nós e tal significado seja acolhido santamente[2]”. E é isso que nós queremos fazer nesta meditação, guiados pelo Espírito Santo: ver o que significa para nós a morte de Cristo, o que ela mudou com relação à nossa morte. 

México: Bispo de Cuernavaca responde a “difamações e perseguição” de governador


O Bispo de Cuernavaca (México), Dom Ramón Castro Castro, respondeu a várias acusações feitas pelo governador do estado de Morelos, Graco Ramírez, consideradas por muitos bispos mexicanos como "difamações e perseguição".

Em declarações ao Grupo ACI, Dom Castro Castro lamentou que “aqui quem tem uma opinião diferente do governo do Estado, quem diz a verdade, é perseguido, caluniado e, sobretudo processado”. Ele assegurou: “Eu não sou o único”, pois algo parecido aconteceu com outros críticos da autoridade estatal.

Graco Ramírez, membro do Partido da Revolução Democrática (PRD), fez várias acusações contra o Bispo de Cuernavaca. Entre elas, destacam a conspiração contra o seu governo, enriquecer com dinheiro de uma feira religiosa na região e intervir na política.

Para o Bispo de Cuernavaca, o conflito com o governador de Morelos “é uma longa história” que começou quando chegou à diocese em 2013.

“Desde que cheguei (houvera) algumas divergências sobre os temas do casamento igualitário e acerca do aborto”, indicou.

Outros eventos que incomodaram a autoridade civil, assinalou, foram as marchas pela paz e pela família, depois das quais “houve certa preocupação por parte do governo do Estado, porque mobilizou muitas pessoas”.

O Prelado assinalou também: “Fui acusado de ser o culpado pela violência de um santuário chamado Tepalcingo”, depois dos enfrentamentos motivados pelos administradores da região.

O Bispo recordou em um acordo entre os administradores, autoridades do governo do Estado e do representante legal da diocese “chegaram à determinação de que regressasse ao trabalho pastoral dos sacerdotes” e uma repartição equitativa entre a Igreja e os administradores dos recursos econômicos da feira.

“Mas há exatamente um ano, os administradores levaram 30 pessoas, dançarinos mascarados, ficaram bêbados e destruíram a porta da casa do peregrino e do sacerdote, destruíram a casa do sacerdote e queriam linchar o pároco, profanaram o Santíssimo Sacramento, roubaram 120 mil pesos (6.341 dólares) que eram para comprar material religioso que o pároco havia pedido emprestado, destruíram tudo o que estava na cozinha e roubaram os objetos pessoais do pároco”, assinalou.

“Depois disso, nós, pro bono pacis – para o bem da paz –, seguimos trabalhando sem perceber absolutamente nenhum outro benefício que não fosse pastoral”, acrescentou.

Dom Castro lamentou que “todo o ano passado foi assim. Eles continuaram administrando, eles se sentem donos do santuário, não nos deixaram trabalhar pastoralmente e este ano voltou a acontecer a mesma coisa e então decidimos, ao não cumprir o acordo, da nosso parte retirar a celebração dos sacramentos”.

“Eles levaram dois sacerdotes idosos enganados e, finalmente, um falso sacerdote que foi processado em três dioceses e um celebrante da palavra que não está em comunhão com a Igreja Católica, e continuaram fazendo a feira”.

Outra acusação se deve a uma reunião do Dom Castro com alguns líderes políticos e representantes da sociedade civil na qual os incentivou a trabalhar pelo bem comum frente à difícil situação do Estado.

Dom Castro assinalou: “Agora, estou ameaçado”, pois “o governo do Estado disse que, por me meter em política, vai me acusar ante a Conferência Episcopal, ante a Nunciatura e ante o Governo”.

“Eu, como pastor, quero a paz, a harmonia, mas não se pode ter paz e harmonia, sem verdade”, disse e sublinhou que “a verdade deve ser consolidada, deve ser trabalhada e a verdade, como disse Jesus, nos fará livres”. 

Para seguir Jesus é preciso abandonar as “falsas luzes” e confiar nele, diz Papa


Papa Francisco
ANGELUS
Praça de São Pedro
IV Domingo da Quaresma (Laetare),
26 de março de 2017



Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No coração do Evangelho deste quarto domingo da Quaresma se encontram Jesus e um homem cego de nascença (cf. Jo 9,1-41). Cristo lhe restaura a visão e opera esse milagre com uma espécie de ritual simbólico: em primeiro lugar mistura a terra com a saliva e esfregou nos olhos do cego; em seguida, ordena que ele vá se lavar no tanque de Siloé. O homem vai, se lava, e recupera a visão. Ele era um homem cego de nascença. Com este milagre Jesus se revela e se manifesta a nós como luz do mundo ; e o cego de nascença é cada um de nós, que fomos criados para conhecer a Deus, mas por causa do pecado somos como os cegos, precisamos de uma nova luz; todos nós precisamos de uma nova luz: a da  que Jesus nos deu. Fato é que o cego do evangelho recupera a vista e se abre para o mistério de Cristo. Jesus pergunta: "Você crê no Filho do Homem?" (V. 35). "Quem é ele, Senhor, para que eu creia nele?", Responde o cego curado (v. 36). "Você viu isso: é ele quem fala contigo" (v 37).. "Eu creio, Senhor!" E prostra-se diante de Jesus.

Este episódio nos leva a refletir sobre a nossa fé, a nossa fé em Cristo, o Filho de Deus, e ao mesmo tempo também se refere ao batismo, que é o primeiro sacramento da fé, o sacramento que nos faz "vir à luz" através do renascimento na água e do Espírito Santo; como aconteceu com o cego de nascença, que abriu os olhos depois de ser lavado no tanque de Siloé. O cego de nascimento curado nos representa, quando não nos damos conta de que Jesus é a luz, é "a luz do mundo", quando olhamos para outro lugar quando preferimos confiar em pequenas luzes quando apalpamos no escuro. O fato de que o cego não tem um nome ajuda-nos a ver a nós mesmos com o nosso rosto e o nosso nome em sua história. Nós também fomos "iluminados" por Cristo no batismo, e depois fomos chamados a comportar-se como filhos da luz. E para se comportar como filhos da luz é necessário uma mudança radical de mentalidade, uma capacidade para julgar os homens e as coisas de acordo com uma outra escala de valores, a que vem de Deus. O sacramento do Batismo, de fato, exige a escolha de viver como filhos da luz e andar na luz. Agora, se eu fosse perguntar: "Você crê que Jesus é o Filho de Deus? Você acredita que só ele pode mudar seu coração? Você acredita que ele pode mostrar a realidade como ele a vê, não como nós vemos? Você acredita que Ele é a luz, que nos dá a verdadeira luz? "O que você responderia? Cada um responde em seu coração.

O que significa ter a verdadeira luz, andar na luz ? Isso significa, antes de tudo abandonar as falsas luzes: a luz fria e as feridas estúpidas contra os outros, porque o preconceito distorce a realidade e não há cargas de ódio contra aqueles que julgam sem piedade e condenam sem apelação. Este é o pão todos os dias! Quando você fala dos outros, você não anda na luz, você anda nas sombras. Outra luz falsa, tão sedutora e ambígua, é o interesse próprio: se avaliar as pessoas e as coisas com base no critério do nosso lucro, nosso prazer e nosso prestígio, não fazemos a verdade nos relacionamentos e situações. Se formos por este caminho de apenas buscar o ganho pessoal, nós caminhamos nas sombras.

Ó Virgem Santa, que primeiro acolheu Jesus, luz do mundo, dai-nos a graça de acolher novamente esta Quaresma à luz da fé e redescobrir o dom inestimável do batismo todos nós recebemos. E esta nova iluminação transforme nossas atitudes e ações, para sermos, a partir de nossa pobreza, da nossa pequenez, portadores de um raio de luz de Cristo. 

Espanha: Promotoria retira acusações contra sacerdote acusado de supostos abusos


Depois de dois anos e meio de investigação, o promotor do caso de supostos abusos sexuais cometidos por um sacerdote em Granada (Espanha) retirou as acusações contra o pároco ao considerar que não há testemunhos nem provas "conclusivas".

Francisco Hernández, promotor do Tribunal Provincial da Andaluzia, retirou as acusações contra o sacerdote Román Martínez, acusado de supostos abusos sexuais a um menor em Granada (Espanha).

Hernández tomou essa decisão ao considerar que não eram conclusivos tanto as provas como os testemunhos analisados durante aproximadamente dois anos e meio de investigação.

Também apontou que as declarações do jovem que o denunciou eram contraditórias e indicou algumas atitudes estranhas no seu comportamento.

“Lamentamos não ter dado uma resposta diferente a Daniel, vítima não sabemos de que, pois não encontramos elementos para manter o pedido (de denúncia)”, assegurou o promotor. 

Meu Deus, meu desejo!


Deus puro, mel puro, ouro puro... desejo puro, teimoso, insaciável, do nosso coração!

O que nos foi prometido? "Seremos semelhantes a Ele porque nós O veremos como é".

A língua o disse como pôde. O coração imagine o restante!

O que pôde dizer, até mesmo João, em comparação Daquele que é?

O que poderíamos nós dizer, homens tão longe do valor do próprio João?

Recorramos por isso, para Sua Unção (= o Santo Espírito ), para aquela Unção que ensina no íntimo o que não conseguimos falar.

Já que não podeis ver agora, prenda-vos o desejo!

A vida inteira do bom cristão é desejo santo. Aquilo que desejas, ainda não o vês. Mas, desejando, adquires a capacidade de ser saciado ao chegar a visão.

Se queres, por exemplo, encher um recipiente e sabes ser muito o que tens a derramar, alargas o bojo seja da bolsa, do odre, ou de outra coisa qualquer. Sabes a quantidade que ali porás e vês ser apertado o bojo. Se o alargares ele ficará com maior capacidade.

Deste mesmo modo Deus, com o adiar, amplia o desejo. Por desejar, alarga-se o espírito. Alargando-se, torna-se capaz.
 

sábado, 25 de março de 2017

Homilética: Solenidade da Anunciação do Senhor (25 de março*): «A Encarnação do Filho de Deus»


Nos primórdios da Igreja celebrava-se a Anunciação do Senhor pouco antes do Natal, a mudança na data não foi só por uma exatidão cronológica, mas porque estudos concluíram que em 25 de março também foi a data da crucifixão de Jesus Cristo. 

A visita do Arcanjo Gabriel à Virgem Maria, quando esta se encontrava em Nazaré, cidade da Galiléia, marca o início de toda uma trajetória que cumpriria as profecias do Velho Testamento e daria ao mundo um novo caminho, trazendo à luz a Boa Nova. Ali nasceu também a oração que a partir daquele instante estaria para sempre na boca e no coração de todos os católicos: a Ave Maria.

Maria era uma jovem simples, noiva de José, um carpinteiro descendente direto da linhagem da casa de Davi. A cerimônia do matrimônio daquele tempo, entretanto, estabelecia que os noivos só tivessem o contato carnal da consumação depois de um ano das núpcias. Maria, portanto, era virgem.

Maria perturbou-se ao receber do anjo o aviso que fora escolhida para dar a luz ao Filho de Deus, a quem deveria dar o nome de Jesus, e que Ele era enviado para salvar a Humanidade e cujo Reino seria eterno. Sim porque Deus, que na origem do Mundo Criou todas as coisas com sua Palavra, desta vez escolheu depender da palavra de um frágil ser humano, a Virgem Maria, para poder realizar a Encarnação do Redentor da Humanidade.

Ela aceitou sua parte na missão que lhe fora solicitada, demonstrando toda confiança em Deus e em Seus desígnios, para o cumprimento dessa profecia e mostrou porque foi ela a escolhida para ser Instrumento Divino nos acontecimentos que iriam mudar o destino da Humanidade.

Ao perguntar como poderia ficar grávida, se não conhecia homem algum e receber de Gabriel a explicação de que seria fecundada pelo Espírito Santo, por graças do Criador, sua resposta foi tão simples como sua vida e sua fé: "Sou a serva do Senhor. Faça-se segundo a Sua vontade".

Com esta resposta, pelo seu consentimento, Maria aceitou a dignidade e a honra da maternidade divina, mas ao mesmo tempo também os sofrimentos, os sacrifícios que a ela estavam ligados. Declarou-se pronta a cumprir a vontade de Deus em tudo como sua serva. Era como um voto de vítima e de abandono. Esta disposição é a mais perfeita, é a fonte dos maiores méritos e das melhores graças. O momento da Anunciação, onde se dá a criação, na pessoa de Maria como a Mãe de Deus, que acolhe a divindade em si mesma, contém em si toda a eternidade e, nesta, toda a plenitude dos tempos.

Por isso a data de hoje marca e festeja este evento que se trata de um dos mistérios mais sublimes e importantes da História do homem na Terra: a chegada do Messias, profetizada séculos antes no Antigo Testamento. Episódio que está narrado em várias passagens importantes do Novo Testamento.

A festa da Anunciação do Anjo à Virgem Maria, Lc 1,26-38, é comemorada desde o Século V, no Oriente e a partir do Século VI, no Ocidente, nove meses antes do Natal, só é transferida quando coincide com a Semana Santa.

Comentário dos Textos Bíblicos

1ª Leitura: Is 7,10-14;8,10

Sob este texto há uma situação histórica precisa: a dinastia davídica, a que estão ligadas as promessas (2Sm 7,12-16), está em perigo. Os reis de Aram e de Israel a querem eliminar colocando no trono o filho de Tabel (7,1.4-6). Acaz, em lugar de pedir o auxilio de Deus, faz imolar aos ídolos o seu único filho (2Rs 16,3) e procura aliança na Assíria (2Rs 16,7). O profeta quer dissuadir o rei deste absurdo e lhe propõe pedir a Deus um sinal da sua presença (v.10-11). Mas Acaz, não demonstra ter fé em Deus (v.12). Então Deus anuncia a Acaz o castigo (7,16-17), confirmando ao mesmo tempo sua fidelidade a Davi: apesar da infidelidade dos homens, haverá um herdeiro para Davi (v.14).

2ª Leitura: Hebreus 10,4-10

A validade do sacrifício de Cristo não está na sua imolação por parte dos homens (isto não é agradável a Deus). Tal atitude seria própria de um Deus sanguinário, que só se aplacaria com o sangue de um ente querido. Nem se trata da obediência à lei, porque esta já caducou (versículos de 1-4). Na realidade, o desígnio de Deus foi tornar seu próprio Filho participante da condição humana, com todo aquele amor necessário para que tal condição fosse transfigurada. Ora, a existência humana supõe a morte, e o Pai não a excluiu da sorte de seu Filho, a fim de que sua fidelidade à condição de homem só tivesse como limite sua fidelidade ao amor do Pai. Com algumas variantes introduzidas no salmo ("um corpo me preparastes' - diz Jesus - "ao entrar no mundo" com a encarnação), o autor insere nas relações trinitárias e preexistentes à encarnação a intenção sacrifical de Cristo... que a cruz fez apenas selar" (Maertens). Em Jesus não há dissociação entre rito e vida; sua morte é sacrifício espiritual, porque dom total de si na liberdade e no amor.  

O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho e com Eles é adorado e glorificado


Segunda definição do credo: “... e procede do Pai (e do Filho) e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.

Passemos agora à segunda grande afirmação do credo sobre o Espírito Santo. Até agora, o símbolo de fé nos falou da natureza do Espírito, não ainda da pessoa; nos disse o que é, não quem é o Espírito; falou-nos sobre o que é comum ao Espírito Santo, ao Pai e ao Filho – o fato de ser Deus e de dar a vida.

Com a presente afirmação se passa ao que distingue o Espírito Santo do Pai e do Filho. O que o distingue do Pai é que procede; o que o diferencia do Filho é que procede do Pai e não por geração, mas por inspiração; para expressar-nos em termos simbólicos, não como o conceito (logos) que procede da mente, mas como o sopro que procede da boca. 

sexta-feira, 24 de março de 2017

2ª Pregação da Quaresma 2017: “O Espírito Santo nos introduz no mistério da divindade de Cristo”.


O ESPÍRITO SANTO NOS INTRODUZ 
NO MISTÉRIO DA DIVINDADE DE CRISTO

1. A fé de Nicéia

Continuamos, nesta meditação, a reflexão sobre o papel do Espírito Santo no conhecimento de Cristo. A este respeito, não podemos silenciar uma ideia presente no mundo de hoje. Há muito tempo existe um movimento chamado “Hebreus messiânicos”, ou seja, Hebreus-cristãos. (“Cristo” e “cristão” são apenas a tradução grega do hebraico Messias messiânico!). Uma estimativa fala de cerca de 150 mil membros, divididos em grupos e associações entre eles, espalhados especialmente nos Estados Unidos, Israel e vários países europeus.

São hebreus que acreditam que Jesus, Yeshua, é o Messias prometido, o Salvador e o Filho de Deus, mas não querem absolutamente renunciar de sua identidade e tradição hebraica. Não aderem oficialmente a nenhuma das Igrejas cristãs tradicionais, porque pretendem reconectar-se e reviver a Igreja primitiva dos judeu-cristãos, cuja experiência foi interrompida bruscamente por conhecidos eventos traumáticos.

A Igreja Católica e as outras Igrejas sempre se abstiveram de promover, ou até mesmo nomear, este movimento por óbvias razões de diálogo com o hebraísmo oficial. Eu mesmo nunca falei deles. Mas agora está surgindo a convicção de que não é correto continuar a ignorá-los ou, pior, pô-los no ostracismo de um lado e do outro. Acaba de surgir na Alemanha um estudo de vários teólogos sobre o fenômeno 1. Se eu falo nesta sede é por um motivo específico, pertinente ao tema destas meditações. Em uma pesquisa sobre os fatores e circunstâncias que estiveram presente na origem da sua fé em Jesus, mais de 60% das pessoas em causa respondeu: “uma transformação interior por obra do Espírito Santo”; em segundo lugar é a leitura da Bíblia e em terceiro os contatos pessoais 2. É uma confirmação da vida que o Espírito Santo é aquele que dá o verdadeiro e íntimo conhecimento de Cristo.

Retomemos, portanto, o fio das nossas considerações históricas. Enquanto a fé cristã permaneceu restrita ao âmbito bíblico e judaico, a proclamação de Jesus como Senhor (“Creio em um só Senhor Jesus Cristo”), satisfazia todas as exigências da fé cristã e justificava o culto de Jesus “como Deus”. Senhor, Adonai, era, de fato, para Israel um título inequívoco; ele pertence somente a Deus. Chamar Jesus Senhor, portanto, é o mesmo que proclamá-lo Deus. Temos provas irrefutáveis do papel desempenhado pelo título Kyrios no início da Igreja como expressão de culto divino atribuído a Cristo. Na sua versão aramaica Maran-atha (O Senhor vem), ou Marana-tha (Vem, Senhor!), já aparece em São Paulo como fórmula litúrgica (1 Cor 16, 22) e é uma das poucas palavras preservadas na língua da comunidade primitiva 3.

Mas assim que o cristianismo entrou no mundo greco-romano ao redor, o título de Senhor, Kyrios, não era suficiente. O mundo pagão conhecia muitos e diversos “senhores”, em primeiro lugar, é claro, o imperador romano. Era necessário encontrar uma outra maneira de garantir a plena fé em Cristo e o seu culto divino. A crise ariana ofereceu uma oportunidade.

Isso nos leva à segunda parte do artigo sobre Jesus, que foi adicionada ao símbolo da fé no Concílio de Nicéia, em 325:
“nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial (homoousios) ao Pai”.

O bispo de Alexandria, Atanásio, indiscutível paladino da fé de Nicéia, está bem convencido de que não foi ele, nem a Igreja de seu tempo, que descobriu a divindade de Cristo. Todo o seu trabalho consistirá, pelo contrário, em mostrar que esta sempre foi a fé da Igreja; que nova não é a verdade, mas a heresia contrária. A sua convicção sobre este ponto encontra uma confirmação na carta que Plínio o Jovem, governador da Bitinia, escreveu ao imperador Traiano por volta do ano 111 d.C. A única informação confiável que ele diz que tem sobre os cristãos é que “normalmente se reunem antes do amanhecer, em um dia fixo da semana, e cantam hinos a Cristo como a Deus” (“Carmenque Christo quasi Deo dicere 4″).

A crença na divindade de Cristo, portanto, já existia e é só ignorando completamente a história que alguém poderia afirmar que a divindade de Cristo é um dogma querido e imposto pelo imperador Constantino no Concílio de Nicéia. A contribuição dos Padres de Nicéia, e em particular de Atanásio, foi, antes de mais nada, a de remover os obstáculos que haviam impedido até então um reconhecimento pleno e sem reticências da divindade de Cristo nas discussões teológicas.

Um desses obstáculos era o hábito grego de definir a essência divina com o termo agennetos, ingênito. Como proclamar que o Verbo é verdadeiro Deus, uma vez que ele é Filho, ou seja, gerado do Pai? Era fácil para Ario estabelecer a equivalência: gerado, igual feito, ou seja, passar gennetos a genetos, e concluir com a célebre frase que fez explodir o caso: “Houve um tempo em que não havia” (en ote ouk en). Isso era equivalente a fazer de Cristo uma criatura, embora não “como as outras criaturas”. Atanásio resolve a disputa com uma observação elementar: O termo agenetos foi inventado pelos gregos porque ainda não conheciam o Filho5″ e defendeu com garra a expressão “gerado, mas não feito”, genitus non factus, de Nicéia.

Outro obstáculo cultural para o pleno reconhecimento da divindade de Cristo, no qual Ario podia apoiar a sua tese, era a doutrina de uma divindade intermediária, o deuteros theos, responsável pela criação do mundo. De Platão em diante, isso tornou-se um dado comum em muitos sistemas religiosos e filosóficos da antiguidade. A tentação de assimilar o Filho, “por meio do qual todas as coisas foram criadas”, a esta entidade intermediária ficava insinuando-se na especulação cristã (Apologistas, Orígenes), embora estranha à vida interna da Igreja. O resultado era um esquema tripartido do ser: no topo, o Pai ingênito; depois dele, o Filho (e mais tarde também o Espírito Santo); em terceiro lugar, as criaturas.

A definição do “genitus non factus” e do homoousios, remove este obstáculo e obra a catarse cristã do universo metafísico dos gregos. Com esta definição, uma única linha de demarcação é desenhada sobre a vertical do ser. Existem apenas dois modos de ser: o do criador e o das criaturas e o Filho se coloca no primeiro modo, não no segundo.

Querendo colocar em uma frase o significado perene da definição de Nicéia, poderíamos formular desta forma: em cada época e cultura, Cristo deve ser proclamado “Deus”, não em algum significado derivado ou secundário, mas na acepção mais forte que a palavra “Deus” tem em tal cultura.

É importante saber o que motiva Atanásio e os outros teólogos ortodoxos na batalha, ou seja, de onde lhes vêm uma certeza tão absoluta. Não da especulação, mas da vida; mais precisamente, da reflexão sobre a experiência que a Igreja, graças à ação do Espírito Santo, faz da salvação em Cristo Jesus.

O argumento soteriológico não nasce com a controvérsia ariana; ele está presente em todas as grandes controvérsias cristológicas antigas, daquela antignóstica àquela antimonotelita. Na sua formulação clássica soa assim: “O que não é assumido não é salvo” (“Quod non est assumptum non est sanatum 6”). No uso que lhe dá Atanásio, ele pode ser entendido da seguinte maneira: “Aquilo que não é assumido por Deus não é salvo”, onde a força está naquele breve adendo “por Deus”. A salvação exige que o homem não seja assumido por qualquer intermediário, mas pelo próprio Deus: “Se o Filho é uma criatura – escreve Atanásio – o homem permaneceria mortal, não estando unido a Deus”, e ainda: “O homem não seria divinizado, se o Verbo que se tornou carne não fosse da mesma natureza do Pai 7”.

No entanto, é necessário fazer um esclarecimento importante. A divindade de Cristo não é um “postulado” prático, como é, para Kant, a própria existência de Deus8. Não é um postulado, mas a explicação de um dado de fato. Seria um postulado – e, portanto, uma dedução teológica humana – se partisse de uma certa ideia de salvação e dessa se deduzisse a divindade de Cristo como a única capaz de obrar tal salvação; no entanto, é a explicação de um dado se parte, como faz Atanásio, de uma experiência de salvação e mostra-se como ela não poderia existir se Cristo não fosse Deus. Em outras palavras, não é na salvação que se fundamenta a divindade de Cristo, mas é na divindade de Cristo que se fundamenta a salvação.