segunda-feira, 20 de abril de 2020

Oportunismo eugenista


"Enquanto todo o país se concentra nos efeitos sanitários e econômicos da pandemia de coronavírus, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, resolveu tirar da gaveta a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5.581, na qual a Associação Nacional dos Defensores Públicos pede, entre outras providências, a liberação do aborto no caso de mães que tenham sido contaminadas com o zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. A ação tinha sido proposta em 2016, durante epidemia da doença – que, quando acomete gestantes, traz consigo o risco de que a criança tenha microcefalia –, mas foi retirada de pauta diversas vezes, diante da pressão de uma sociedade civil atenta a ameaças contra a vida humana indefesa e inocente. Agora, será julgada no dia 24 de abril.

Difícil enxergar na decisão de pautar este julgamento algo diferente de oportunismo da parte daqueles que, vendo a forma como o surto de Covid-19 monopoliza as atenções dos brasileiros, querem encontrar aí uma brecha para desferir seus ataques contra a vida humana. O Supremo, aliás, também deveria direcionar todos os seus esforços para as questões jurídicas envolvendo a pandemia; a corte já julgou a competência de estados e municípios para adotar determinadas medidas e a necessidade de aval de sindicatos para validar acordos de redução de salário e jornada de trabalho, mas ainda há uma série de situações que, havendo a devida provocação à suprema corte, deveriam tomar a dianteira nas preocupações dos ministros, como as restrições ao direito de ir e vir até mesmo dentro das cidades, o uso de dados da telefonia celular para identificar deslocamentos e aglomerações, ou a ameaça à liberdade religiosa oriunda daqueles que tentam derrubar o decreto presidencial que tratou as atividades religiosas como “serviço essencial”. 

domingo, 12 de abril de 2020

Mensagem Urbi et Orbi 2020 do Papa Francisco neste Domingo de Ressurreição



MENSAGEM URBI ET ORBI
DO PAPA FRANCISCO

PÁSCOA 2020

Basílica Vaticana
Domingo, 12 de abril de 2020

Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!

Hoje ecoa em todo o mundo o anúncio da Igreja: «Jesus Cristo ressuscitou»; «ressuscitou verdadeiramente»!

Como uma nova chama, se acendeu esta Boa Nova na noite: a noite dum mundo já a braços com desafios epocais e agora oprimido pela pandemia, que coloca a dura prova a nossa grande família humana. Nesta noite, ressoou a voz da Igreja: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» (Sequência da Páscoa).

É um «contágio» diferente, que se transmite de coração a coração, porque todo o coração humano aguarda esta Boa Nova. É o contágio da esperança: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» Não se trata duma fórmula mágica, que faça desvanecerem-se os problemas. Não! A ressurreição de Cristo não é isso. Mas é a vitória do amor sobre a raiz do mal, uma vitória que não «salta» por cima do sofrimento e da morte, mas atravessa-os abrindo uma estrada no abismo, transformando o mal em bem: marca exclusiva do poder de Deus.

O Ressuscitado é o Crucificado; e não outra pessoa. Indeléveis no seu corpo glorioso, traz as chagas: feridas que se tornaram frestas de esperança. Para Ele, voltamos o nosso olhar para que sare as feridas da humanidade atribulada.

Hoje penso sobretudo em quantos foram atingidos diretamente pelo coronavírus: os doentes, os que morreram e os familiares que choram a partida dos seus queridos e por vezes sem conseguir sequer dizer-lhes o último adeus.

O Senhor da vida acolha junto de Si no seu Reino os falecidos e dê conforto e esperança a quem ainda está na prova, especialmente aos idosos e às pessoas sem ninguém. Não deixe faltar a sua consolação e os auxílios necessários a quem se encontra em condições de particular vulnerabilidade, como aqueles que trabalham nas casas de cura ou vivem nos quartéis e nas prisões.

Para muitos, é uma Páscoa de solidão, vivida entre lutos e tantos incômodos que a pandemia está a causar, desde os sofrimentos físicos até aos problemas econômicos.

Esta epidemia não nos privou apenas dos afetos, mas também da possibilidade de recorrer pessoalmente à consolação que brota dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Reconciliação. Em muitos países, não foi possível aceder a eles, mas o Senhor não nos deixou sozinhos! Permanecendo unidos na oração, temos a certeza de que Ele colocou sobre nós a sua mão (cf. Sal 139/138, 5), repetindo a cada um com veemência: Não tenhas medo! «Ressuscitei e estou contigo para sempre» (cf. Missal Romano).

Jesus, nossa Páscoa, dê força e esperança aos médicos e enfermeiros, que por todo o lado oferecem um testemunho de solicitude e amor ao próximo até ao extremo das forças e, por vezes, até ao sacrifício da própria saúde. Para eles, bem como para quantos trabalham assiduamente para garantir os serviços essenciais necessários à convivência civil, para as forças da ordem e os militares que em muitos países contribuíram para aliviar as dificuldades e tribulações da população, vai a nossa saudação afetuosa juntamente com a nossa gratidão.

Nestas semanas, alterou-se improvisamente a vida de milhões de pessoas. Para muitos, ficar em casa foi uma ocasião para refletir, parar os ritmos frenéticos da vida, permanecer com os próprios familiares e desfrutar da sua companhia. Mas, para muitos outros, é também um momento de preocupação pelo futuro que se apresenta incerto, pelo emprego que se corre o risco de perder e pelas outras consequências que acarreta a atual crise. Encorajo todas as pessoas que detêm responsabilidades políticas a trabalhar ativamente em prol do bem comum dos cidadãos, fornecendo os meios e instrumentos necessários para permitir a todos que levem uma vida digna e favorecer – logo que as circunstâncias o permitam – a retoma das atividades diárias habituais. 

Papa na Vigília Pascal: Hoje conquistamos o direito à esperança, que vem de Deus



VIGÍLIA PASCAL NA NOITE SANTA

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Basílica Vaticana
Sábado Santo, 11 de abril de 2020

«Terminado o sábado» (Mt 28, 1), as mulheres foram ao sepulcro. O Evangelho desta santa Vigília começa assim: com o sábado. Este é o dia do Tríduo Pascal que mais descuramos, ansiosos de passar da cruz de sexta-feira à aleluia de domingo. Este ano, porém, damo-nos conta, mais do que nunca, do sábado santo, o dia do grande silêncio; podemos rever-nos nos sentimentos que tinham as mulheres naquele dia. Como nós, tinham nos olhos o drama do sofrimento, duma tragédia inesperada, que se verificou demasiado rapidamente. Viram a morte e tinham a morte no coração. À amargura, juntou-se o medo: acabariam, também elas, como o Mestre? E depois os receios pelo futuro, carecido todo ele de ser reconstruído. A memória ferida, a esperança sufocada. Para elas, era a hora mais escura, como o é hoje para nós.

Contudo, nesta situação, as mulheres não se deixam paralisar. Não cedem às forças obscuras da lamentação e da lamúria, não se fecham no pessimismo, nem fogem da realidade. Realizam algo simples e extraordinário: nas suas casas, preparam os perfumes para o corpo de Jesus. Não renunciam ao amor: na escuridão do coração, acendem a misericórdia. Nossa Senhora, no sábado – dia que Lhe será dedicado –, reza e espera. No desafio da tristeza, confia no Senhor. Sem o saber, estas mulheres preparavam na escuridão daquele sábado «o romper do primeiro dia da semana» (Mt 28, 1), o dia que havia de mudar a história. Jesus, como semente na terra, estava para fazer germinar no mundo uma vida nova; e as mulheres, com a oração e o amor, ajudavam a esperança a desabrochar. Quantas pessoas, nos dias tristes que vivemos, fizeram e fazem como aquelas mulheres, disseminando rebentos de esperança com pequenos gestos de solicitude, de carinho, de oração!

Ao amanhecer, as mulheres vão ao sepulcro. Lá diz-lhes o anjo: «Não tenhais medo. Não está aqui; ressuscitou» (cf. Mt 28, 5-6). Diante dum túmulo, ouvem palavras de vida... E depois encontram Jesus, o autor da esperança, que confirma o anúncio dizendo-lhes: «Não temais» (28, 10). Não tenhais medo, não temais: eis o anúncio de esperança para nós, hoje. Tais são as palavras que Deus nos repete hoje, na noite que estamos a atravessar.

Nesta noite, conquistamos um direito fundamental, que não nos será tirado: o direito à esperança. É uma esperança nova, viva, que vem de Deus. Não é mero otimismo, não é uma palmadinha nas costas nem um encorajamento de circunstância, com o aflorar dum sorriso. Não. É um dom do Céu, que não podíamos obter por nós mesmos. Tudo correrá bem: repetimos com tenacidade nestas semanas, agarrando-nos à beleza da nossa humanidade e fazendo subir do coração palavras de encorajamento. Mas, à medida que os dias passam e os medos crescem, até a esperança mais audaz pode desvanecer. A esperança de Jesus é diferente. Coloca no coração a certeza de que Deus sabe transformar tudo em bem, pois até do túmulo faz sair a vida.

O túmulo é o lugar donde, quem entra, não sai. Mas Jesus saiu para nós, ressuscitou para nós, para trazer vida onde havia morte, para começar uma história nova no ponto onde fora colocada uma pedra em cima. Ele, que derrubou a pedra da entrada do túmulo, pode remover as rochas que fecham o coração. Por isso, não cedamos à resignação, não coloquemos uma pedra sobre a esperança. Podemos e devemos esperar, porque Deus é fiel. Não nos deixou sozinhos, visitou-nos: veio a cada uma das nossas situações, no sofrimento, na angústia, na morte. A sua luz iluminou a obscuridade do sepulcro: hoje quer alcançar os cantos mais escuros da vida. Minha irmã, meu irmão, ainda que no coração tenhas sepultado a esperança, não desistas! Deus é maior. A escuridão e a morte não têm a última palavra. Coragem! Com Deus, nada está perdido. 

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Sinos festivos tocarão em todas as Igrejas de Roma no Domingo de Páscoa



A exemplo da Espanha, os sinos de todas as igrejas de Roma tocarão no dia 12 de abril, Domingo de Páscoa, às 12 horas, para celebrar a ressurreição de Cristo e rezar com o Papa Francisco, no momento da recitação da Regina Coeli.

Uma iniciativa – lê-se na nota do Vicariato de Roma - para fazer ecoar a mensagem de esperança e renascimento da Páscoa ainda de maneira mais forte".

“Estaremos sintonizados para ouvir nosso bispo Francisco, que dará o anúncio e a Bênção do Senhor Ressuscitado à cidade de Roma e ao mundo inteiro - explica padre Walter Insero, porta-voz da diocese e diretor do Escritório de Comunicação Social do Vicariato.

Deixaremos que o toque prolongado dos sinos de todas as igrejas em Roma. Anunciem a festa, acompanhem a oração Regina Coeli, fazendo com que uma mensagem de ressurreição e vida ressoe por toda a cidade", é o convite. 

Não vedes que em Judas está revestido o demônio?



Vem cá, demônio, outra vez. Tu sábio? Tu astuto? Tu tentador? Vai-te daí, que não sabes tentar. Se tu querias que Cristo se ajoelhasse diante de ti, e souberas negociar, tu o renderas.

Vais-lhe oferecer a Cristo mundos? Oh! que ignorância! Se quando lhe davas um mundo, lhe tiraras uma alma, logo o tinhas de joelhos a teus pés. Assim aconteceu. Quando Judas estava na Ceia, já o diabo estava em Judas: Quando o diabo já tinha posto no coração de Judas que o traísse. – Vendo Cristo que o demônio lhe levava aquela alma, põe-se de joelhos aos pés de Judas, para lhos lavar, e para o converter. Senhor meu, reparai no que fazeis: não vedes que o demônio está assentado no coração de Judas? 

“Eu tenho um desígnio de paz, não de sofrimento”, reflexão da Paixão do Senhor



CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR

HOMILIA

Basílica de São Pedro, Roma
Sexta-feira Santa 
10 de abril de 2020

"São Gregório Magno dizia que a Escritura cum legentibus crescit, cresce com aqueles que a leem[1]. Exprime significados sempre novos segundo as perguntas que o homem traz no coração ao lê-la. E nós, neste ano, lemos a narrativa da Paixão com uma pergunta – melhor, com um grito – no coração que se levanta de toda a terra. Devemos procurar colher a resposta que a palavra de Deus lhe dá.

O que acabamos de escutar é a narrativa do mal objetivamente maior jamais cometido na terra. Nós podemos olhar para ele de dois ângulos diversos: ou pela frente, ou por trás, isto é, ou pelas suas causas, ou pelos seus efeitos. Se nos detemos nas causas históricas da morte de Cristo, nós nos confundimos e cada um será tentado em dizer como Pilatos: “Eu não sou responsável pelo sangue deste homem” (Mt 27,24). A cruz é melhor compreendida pelos seus efeitos do que pelas suas causas. E quais foram os efeitos da morte de Cristo? Justificados pela fé nele, reconciliados e em paz com Deus, replenos de esperança de uma vida eterna! (cf. Rom 5,1-5)

Mas há um efeito que a situação em ato nos ajuda a colher em particular. A cruz de Cristo mudou o sentido da dor e do sofrimento humano. De todo sofrimento, físico e moral. Ela não é mais um castigo, uma maldição. Foi redimida pela raiz, quando o Filho de Deus a tomou sobre si. Qual é a prova mais segura de que a bebida que alguém lhe oferece não está envenenada? É se ele bebe em sua frente do mesmo copo. Assim Deus fez: na cruz bebeu, ao lado do mundo, do cálice da dor até a borra. Mostrou assim que ele não está envenenado, mas que há uma pérola em seu fundo.

E não só a dor de quem tem a fé, mas toda dor humana. Ele morreu por todos. “Quando for elevado da terra – dissera –, atrairei todos a mim” (Jo 12,32). Todos, não somente alguns! “Sofrer – escrevia São João Paulo II do seu leito no hospital após o atentado – significa tornar-se particularmente receptivo, particularmente aberto à ação das forças salvíficas de Deus, oferecidas em Cristo à humanidade”[2]. Graças à cruz de Cristo, o sofrimento se tornou também ele, à sua maneira, uma espécie de “sacramento universal de salvação” para o gênero humano.

Qual é a luz que tudo isso lança sobre a situação dramática que a humanidade está vivendo? Também aqui, mais do que para as causas, devemos olhar para os efeitos. Não apenas os negativos, dos quais ouvimos todo dia as tristes manchetes, mas também os positivos, que somente uma observação mais atenta nos ajudar a colher.

A pandemia de corona vírus nos despertou bruscamente do perigo maior que sempre correram os indivíduos e a humanidade, o do delírio de onipotência. Temos a ocasião – escreveu um conhecido Rabino judeu – de celebrar este ano um especial êxodo pascal, o “do exílio da consciência”[3]. Bastou o menor e mais informe elemento da natureza, um vírus, para nos recordar que somos mortais, que o poderio militar e a tecnologia não bastam para nos salvar. “Não dura muito o homem rico e poderoso: – diz um salmo da Bíblia – é semelhante ao gado gordo que se abate” (Sl 49,21). E é verdade!

Enquanto pintava os afrescos da catedral de São Paulo em Londres, o pintor James Thornhill, a um certo ponto, foi tomado por tanto entusiasmo por um afresco seu que, afastando-se para vê-lo melhor, não percebia que quase despencava no vão do andaime. Um assistente, horrorizado, entendeu que um grito de chamada teria apenas acelerado o desastre. Sem pensar duas vezes, molhou um pincel na tinta e o arremessou contra o afresco. O mestre, pasmo, deu um passo adiante. A sua obra estava comprometida, mas ele estava salvo.

Assim Deus às vezes faz conosco: confunde os nossos projetos e a nossa tranquilidade, para nos salvar do abismo que não vemos. Mas cuidado para não nos enganarmos. Não foi Deus que arremessou o pincel contra o afresco de nossa orgulhosa civilização tecnológica. Deus é nosso aliado, não do vírus! “Eu tenho um desígnio de paz, não de sofrimento”, ele mesmo nos diz na Bíblia (Jr 29,11). Se esses flagelos fossem castigos de Deus, não seria explicado por que eles caem igualmente nos bons e nos maus, e por que geralmente são os pobres que têm as maiores consequências. Eles seriam mais pecadores que outros?

Aquele que chorou um dia pela morte de Lázaro chora hoje pelo flagelo que caiu sobre a humanidade. Sim, Deus "sofre", como todo pai e toda mãe. Quando descobrirmos um dia isso, teremos vergonha de todas as acusações que fizemos contra ele na vida. Deus participa da nossa dor para superá-la. “Deus – escreve Santo Agostinho –, por ser soberanamente bom, nunca deixaria qualquer mal existir em suas obras se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar do mal o bem”[4] .

Será que Deus Pai quis a morte do seu Filho, a fim de daí tirar o bem? Não, simplesmente permitiu que a liberdade humana fizesse o seu percurso, contudo, fazendo-a servir ao seu plano, não ao dos homens. Isto vale também para os males naturais, como terremotos e pestilências. Não os provoca. Ele deu também à natureza uma espécie de liberdade, claro, qualitativamente diversa daquela moral do homem, mas ainda assim, sempre uma forma de liberdade. Liberdade de evoluir-se segundo suas leis de desenvolvimento. Não criou o mundo como um relógio pré-programado em cada mínimo movimento. É o que alguns chamam de acaso, e que a Bíblia chama, ao contrário, de “sabedoria de Deus”. 

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Na Missa da Ceia do Senhor, Papa recorda doação e sacrifício dos sacerdotes


SANTA MISSA DA CEIA DO SENHOR

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Basílica de São Pedro
quinta-feira, 9 de abril de 2020


Eucaristia, serviço, missão. A realidade que vivemos hoje nesta celebração, o Senhor que quer permanecer conosco na Eucaristia, e nós nos convertemos sempre em sacrário do Senhor. Levamos o Senhor conosco até o ponto de que Ele mesmo nos diz que se não comemos seu Corpo e não bebemos seu Sangue não entraremos no Reino dos Céus.

Este é o mistério do Pão e do Vinho. O Senhor conosco, em nós, dentro de nós. Serviço. Aquele gesto que é condição para entrar no Reino dos Céus. Servir, sim, todos. Mas o Senhor, naquele intercâmbio de palavras que teve com Pedro, o fez entender que, para entrar no Reino dos Céus, devemos deixar que o Senhor nos sirva. Que seja o servo de Deus, nosso servo.

Isso é difícil de compreender. Se eu não deixo que o Senhor seja meu servo, que o Senhor me lave, que me faça crescer, que me perdoe, não entrarei no Reino dos Céus.

O sacerdócio. Hoje eu gostaria de estar próximo aos sacerdotes. A todos os sacerdotes. Desde os ordenados mais recentemente até o Papa. Todos somos sacerdotes. Os bispos, todos. Fomos ungidos pelo Senhor. Ungidos para fazer a Eucaristia, ungidos para servir.

Hoje não há a Missa Crismal, espero que possamos tê-la antes de Pentecostes. Caso contrário, deveremos deixá-la para o próximo ano. Mas não posso deixar esta Missa passar sem me lembrar dos sacerdotes. Os sacerdotes que oferecem a vida pelo Senhor. Sacerdotes que são os servidores.

Nestes dias, morreram mais de 60 aqui na Itália, atendendo os doentes nos hospitais, também com os médicos, os enfermeiros, as enfermeiras. São os santos da porta ao lado. Sacerdotes que deram a vida servindo.

E penso naqueles que estão longe. Hoje recebi uma carta de um sacerdote capelão de uma prisão longínqua. Narra como ele vive esta Semana Santa com os detentos. Um franciscano. Sacerdotes que vão longe para levar o Evangelho e morrem lá.

Um bispo dizia que a primeira coisa que fazia quando chegava a estes lugares de missão era ir ao cemitério, aos túmulos dos sacerdotes que deixaram a vida lá, jovens, por causa da peste do lugar. Não estavam preparados, não tinham os anticorpos para isso. Ninguém sabe o nome. Sacerdotes anônimos. Párocos rurais que aqui são párocos de quatro, cinco... sete povoados na montanha, e vão de um a outro. Que conhecem as pessoas.

Uma vez, um me dizia que conhecia o nome de todas as pessoas do povoado. 'Sério?', perguntei a ele. ‘Inclusive os nomes dos cães’. Conhecia todos. A proximidade sacerdotal. Corajosos! Sacerdotes corajosos! 

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Andrea Bocelli cantará para o mundo neste Domingo de Páscoa na Catedral de Milão



No próximo dia 12 de abril, dia em que se celebra o Domingo de Páscoa, o famoso tenor italiano Andrea Bocelli oferecerá um concerto solitário na Catedral de Milão para levar uma “mensagem de amor, cura e esperança para a Itália e o mundo” em meio à batalha contra a pandemia do coronavírus COVID-19.

O concerto, organizado pela cidade de Milão e intitulado "Music For Hope" (Música para a esperança), será gratuito e poderá ser assistido via streaming em diferentes plataformas digitais, como o YouTube. No Brasil será às 14h (horário de Brasília) e em Portugal às 18h.

"No dia em que celebramos a confiança em uma vida que triunfa, sinto-me honrado e feliz em responder 'sim' ao convite da cidade e do Duomo de Milão. Eu creio na força de rezar juntos; creio na Páscoa cristã, um símbolo universal do renascimento que todos, sejam crentes ou não, realmente precisam neste momento", disse Bocelli em uma mensagem de divulgação.

Também disse que "graças à música, transmitida ao vivo, reunindo milhões de mãos juntas em todo o mundo, abraçaremos o coração palpitante desta terra ferida, esta maravilhosa forja internacional que é motivo de orgulho italiano".