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sábado, 18 de março de 2017

O “komboskini” ou “cordão de oração”: o rosário ortodoxo


A tradição atribui a São Pacômio a invenção do cordão de oração (um laço de nós, geralmente feito de lã virgem, símbolo da pureza do Cordeiro de Deus, ou de fios de seda, trançados de nós) no século IV, em pleno nascimento do monasticismo.

Quando os monges e eremitas começaram a se aprofundar nos desertos do Egito para viver uma vida dedicada à oração, eles costumavam rezar cento e cinquenta salmos diariamente. No entanto, como muitos desses monges eram analfabetos, eles tinham duas opções: ou aprendiam o saltério inteiro de memória, ou substituíam a oração dos salmos por outras orações.

Entre elas, a jaculatória mais famosa: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, tem piedade de mim, um pecador”. A intenção de São Pacômio, conta a tradição, era que os monges pudessem seguir o conselho de São Paulo na primeira epístola aos Tessalonicenses, “rezem constantemente”.

No entanto, diz-se que o costume de fazer nós no cordão se atribui a Santo Antônio, o Grande, o pai do monasticismo oriental. Anteriormente, os monges contavam suas orações arremessando pequenas pedras em uma tigela, mas o método era pouco prático (especialmente se o monge fosse orar fora de sua cela, carregando um saco de pedras e uma bacia).

A tradição conta que cada vez que Santo Antônio rezava um “kyrie” (“tem misericórdia de mim”…), fazia um nó na corda, até chegar às cento e cinquenta orações diárias obrigatórias. No entanto, sempre que o santo fazia um nó, o diabo o desfazia, para fazê-lo perder a conta, tornando-se impossível cumprir a sua meta diária. O santo, então, decidiu fazer um nó em cada nó, de modo que os próprios nós formassem uma cruz, impedindo assim que o diabo o desatasse. 

Geralmente, esses cordões de oração (chamado “komboskini” em grego, “chotki” ou “vervitsa” em russo e “misbaha” em árabe) têm entre cem e cento e cinquenta nós, mas também podem ter trinta e três nós (simbolizando idade de Cristo ao morrer), outros quarenta e um nós (o número de açoites recebidos por Cristo) ou sessenta e quatro nós (a idade de Maria ao ser elevada ao céu).

Quase todos os cordões são feitos exclusivamente por monges, e alguns incluem um pequeno tecido, com o qual é usado para secar as lágrimas derramadas pelo remorso pelos próprios pecados. Este pequeno tecido na extremidade do cordão, dizem alguns, também simboliza o reino dos céus, onde somente entramos através da cruz (que, no cordão, precede o tecido).


Daniel R. Esparza
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