segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Carta – Documento ao Excelentíssimo Senhor Prefeito Eleito de São Luís – Edivaldo Holanda Júnior



Senhor Prefeito:

Encaminhamos a Vossa Excelência a carta-documento elaborada pelos participantes do Dezembro de Paz, quando aconteceu o Seminário da 5ª Semana Social Brasileira, com o tema: ”A São Luís que temos, a cidade que queremos”.

Promoção da Comissão Justiça e Paz, que tem como presidente de honra o Reverendíssimo Arcebispo de São Luís, Dom José Belisário da Silva, o evento foi realizado com a presença e apoio das Pastorais Sociais que subscrevem o documento, em anexo.

Esperávamos entregá-lo a Vossa Excelência, naquela ocasião, em razão de convite que lhe fora dirigido, desde o dia 22 de novembro de 2012.

Na expectativa de que as propostas contribuirão para as mudanças que se fazem necessárias para a cidade de São Luís e a melhoria de qualidade de vida das pessoas que aqui vivem, aguardamos o seu retorno sobre as propostas enviadas.

Atenciosamente
CECÍLIA PARECIDA AMIM CASTRO
Secretária-Executiva – CJP




Carta – Documento ao Excelentíssimo Senhor Prefeito Eleito de São Luís
– Edivaldo Holanda Júnior

São Luís, 16  de janeiro de 2013

Senhor Prefeito:

A Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Luís, organismo da Igreja Católica, juntamente com as Pastorais Sociais, reuniram-se no Seminário Dezembro de Paz, nos dias 6 e 7 de dezembro de 2012, para a realização do Seminário “A São Luís que temos, a cidade que queremos”, em preparação à 5ª Semana Social Brasileira, que acontecerá em Brasília, em setembro de 2013.

A 5ª SSB colocará em pauta o Estado Brasileiro que, histórica e estruturalmente, carrega uma série de obstáculos, de entraves e de vícios difíceis de explicar e, mais ainda, de substituir por instituições sadias e saudáveis.

Neste Seminário, quando nos voltamos para o município de São Luís, de cuja riqueza histórica, pelos traços arquitetônicos, sobressai a pessoa humana, seu bem maior, procuramos conhecer como vivem as crianças, a juventude e os idosos, nesta Ilha de Upaon-Açu.

Decidimos que precisávamos olhar a realidade de nossa cidade e discutir propostas que contemplassem as demandas da sociedade na gestão pública, com ideias elaboradas com a participação efetiva desses segmentos. E não teria sentido se nos debruçássemos, mais uma vez, sobre essa realidade e guardássemos a dor do abandono que atinge não só o nosso patrimônio histórico, mas toda a cidade e, em especial, os homens e as mulheres (de todas as idades, de todas as classes socioeconômicas, de todas as convicções, opções e credos) que vivem nesta Ilha.

Portanto, fizemos questão de convidar Vossa Excelência para estar conosco no encerramento deste Seminário, por nutrirmos a esperança de que seus compromissos manifestados durante a campanha eleitoral sejam um sinal de mudança na gestão pública, nos próximos quatro anos.

Assim, de todo esse trabalho, apresentamos a Vossa Excelência as propostas que esses segmentos elaboraram nestes dois dias, no desejo de viverem numa cidade que transborde prazer, zelo, carinho e responsabilidade pela republica, da mesma forma que cuidamos dos bens pessoais mais estimados. No sagrado exercício de apenas cuidar, queremos, também, exercer o controle social para o êxito 2 de sua administração e dignidade de homens e mulheres, jovens e crianças que vivem aqui.

A seguir, as propostas apresentadas:

Nossa São Luís

         ·            Observar que sustentabilidade urbana tem a ver com o econômico, social e cultural.
         ·            O gestor deve disponibilizar informações, garantir continuidade nas políticas públicas, marcando mais presença do poder público nas áreas urbanas que apresentam maior
exclusão social.
         ·            Adotar a prática de examinar os Indicadores Sociais antes de planejar.

Criança e Adolescente

         ·            Criar mecanismos pedagógicos para impedir e/ou enfrentar a violência doméstica, as crianças trabalhando nas ruas e em situação de rua, fazer o levantamento dessas realidades.
         ·            Garantir o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA.
         ·            Respeitar e garantir os direitos básicos (educação, saúde, moradia e segurança)
         ·            Desenvolver ações conjuntas entre estado, família e sociedade.
         ·            Construir a cidade que queremos a partir das necessidades de crianças e adolescentes.

Juventude

         ·            Promover campanha de combate ao extermínio da juventude diante de uma cidade com uma periferia violenta, trânsito que vitima a juventude, falta de políticas públicas, drogas, arrastão e repressão da Polícia Militar, jovens negros exterminados;
         ·            Diante da negação dos direitos, promover a cultura de Paz.
         ·            Sensibilizar nossas comunidades face a uma realidade assustadora de violência e descaso com a juventude;
         ·            Proporcionar políticas de geração de renda, para assegurar o mínimo de dignidade aos seus;
         ·            Despertar, no Poder Judiciário, a necessidade de executar, com maior eficácia, o que emana de nossa Carta Magna;
         ·            É hora de acabar com esse circo midiático e sensacionalista da imprensa, além dos favores e apadrinhamentos que beiram ao Brasil colônia;
         ·            A educação ambiental e a cultura de Paz, nas nossas escolas, precisam ser temáticas discutidas e vivenciadas diariamente;
         ·            É hora, também, de mobilizar as comunidades por uma cultura de paz, indo além do “vestir branco”, mas que isso possa fazer parte dos nossos diálogos políticos, do lazer nos espaços em que atuamos, pois, se é na mente das pessoas que nasce a guerra, é na mente que precisa nascer a paz;
         ·            Compreender que as estatísticas são fundamentais, mas somos muito mais do que números, somos humanos. Não é apenas com um maior número de policiais nas ruas que colocaremos fim às violências. Elas possuem outras dimensões;
         ·            A implementação das políticas públicas de, com e para a Juventude que possa vigorar em nossos meios, a fim de honrar a vida de tantos colegas que gastaram suas energias e suas vidas reivindicando a plenitude de direitos para todos, para que a nossa Constituição nos assegurasse tais direitos;
         ·            Temos anseio por cidadania no seu sentido pleno, não queremos apenas programas marcados pela descontinuidade-continuidade. Exigimos uma política de Estado que nos respeite como sujeitos de direitos!

Idosos

         ·            Apesar das melhorias econômicas, registram-se solidão, abandonos, maus tratos em casa, violência doméstica e abusos financeiros;
         ·            Garantir a eficácia do Estatuto do Idoso.
         ·            Acesso livre de idosos aos transportes coletivos, desrespeitados nas paradas pelos condutores dos ônibus;
         ·            Acesso livre ao lazer e participação de atividades culturais, nas praças e parques e teatros;

Periferias

         ·            Os bairros das periferias são quilombos modernos: falta de transporte e de educação de qualidade, crescente aumento das chamadas “bocas de fumo”, precariedade dos serviços de saúde, não há trabalho, as moradias são insuficientes e sem saneamento básico, total insegurança;
         ·            As periferias são lugares de conquista porque os direitos não são garantidos (ocupações x direito à moradia);
         ·            É preciso inventar a cultura do bem comum.

Cárceres

         ·            Os presídios, aqui, são também depósitos humanos: tortura, corrupção, preconceitos...
         ·            Falta de assistência (médica, jurídica, educacional), de trabalho alternativo e de agentes humanizados;
         ·            Importância de estimular a experiência exitosa das APACs.

Mobilidade urbana

         ·            Pela elaboração, implantação do Plano Diretor de Mobilidade Urbana, em conformidade com a Lei 12.587/2012;
         ·            Articulação com os movimentos sociais, junto ao governo municipal, para a discussão e elaboração do Plano Diretor de Mobilidade Urbana, dentro do que estabelece a Lei 12.587/2012;
         ·            Transporte público de qualidade como uma das principais alternativas para organização do trânsito em São Luís;
         ·            Aproveitamento dos “carrinhos”, como transporte alternativo, com pagamento através de tickets, no valor da passagem do transporte coletivo, a exemplo da cidade de Fortaleza - CE;
         ·            Ruas devidamente asfaltadas (ou calçadas, mais econômicas e aproveitando a mão de obra local) e saneadas, interligando avenidas e bairros;
         ·            Acesso livre de idosos aos transportes coletivos, desrespeitados nas paradas pelos condutores dos ônibus;

Saúde

         ·            A saúde da família não funciona.
         ·            Fortalecimento do SUS
         ·            Medicina Preventiva e Curativa, considerando que o modelo assistencialista não atende às necessidades;
         ·            Reformulação ideológica dos hospitais psiquiátricos, com ampliação e reestruturação dos modelos de hospitais para doentes mentais;
         ·            Novos ambulatórios de saúde mental e construção de um hospital com 50 leitos para desintoxicar usuários de drogas, vítimas da desagregação sistemática;
         ·            Políticas voltadas para presos com doenças mentais.

- Apresentadas estas propostas, é necessário formular a seguinte pergunta:

- Qual é o ponto de partida para planejar e executar tais políticas públicas e respectivas ações?

O Seminário Dezembro de Paz de 2012 colheu, ainda, as seguintes sugestões:

         ·            Formação de um grupo que, ao lado da Comissão Justiça e Paz de São Luís, possa manter fortalecida a luta pelo desenvolvimento social e humano desta cidade, assegurando a participação e organização da sociedade civil no acompanhamento da vida em São Luís;

         ·            Orçamento Participativo, como uma instância de participação popular na administração pública do município, desde a elaboração do projeto de lei orçamentária à sua execução, incluindo-se o acompanhamento das licitações;

         ·            Escolas em tempo integral, com profissionais qualificados, espaços adequados, alimentação saudável, material didático de qualidade e bibliotecas;

         ·            Sincronia, implementação e continuidade entre as políticas públicas;

         ·            Atendimento sócio-educativo nas unidades, que proporcione apoio e orientação às crianças,  adolescentes  e famílias,  reformulando o projeto de vida que desagrega e afasta os jovens das famílias;

         ·            Espaços públicos de lazer bem distribuídos, administrados e utilizados (quadras, play grounds, ciclovias, calçadões para exercícios, espaços sombreados e arborizados, programas de qualidade de vida, para a população (ex: Movimenta Lagoa 2002);

         ·            Assistência de conjunto: família e sociedade, com o objetivo principal de proteção e cuidado com a criança e o adolescente, visando ao combate à violência e à exploração do trabalho infantil;

         ·            Projeto “Adote uma Praça”, com play grounds para interação de crianças;

         ·            Calçadões para exercícios físicos nos diversos bairros da cidade, com modelo compatível ao da Litorânea;

         ·            Academia ao ar livre para jovens da periferia, nos moldes do “Projeto Qualivida” (Rio de Janeiro);

         ·            Campanhas de combate ao preconceito contra os jovens e a pessoa idosa.

Estas propostas são a justa reivindicação dos participantes do Seminário Dezembro de Paz de 2012 que, confiantes na mudança que poderá acontecer na sua gestão e pautados nos seus programas eleitorais, esperam que sejam acolhidas.

Acreditamos que se Vossa Excelência tiver a abertura necessária para dialogar com a sociedade, em razão de ser ela a expressão maior dos anseios de uma vida digna para todos, sua administração será exitosa.

Lamentamos sua ausência de nosso Seminário, mas nos colocamos a sua disposição para tão somente contribuirmos com a sua administração.

Atenciosamente,

Comissão Justiça e Paz de São Luís

Pastoral da Criança

Pastoral do Menor

Pastoral da Juventude

Jupaz

Pastoral da Pessoa Idosa

Pastoral Carcerária

Até quando lutar pelo amor?


Há certas coisas que me fascinam. Geralmente coisas que a razão não explica, posto que o terreno onde quem impera é o coração. E o coração, esse músculo que doma todas as nossas emoções e nos faz agir por vezes impensadamente, é quem realmente faz a vida valer a pena.

Por mais temerário que possa parecer seguir o coração, eu estou certo de que esse é sempre o melhor caminho a fazer, pois por mais que se ande em campo minado por algumas vezes, não há nada comparado com o que pode germinar na vida daquele que escuta o coração, por mais teimoso que seja.

Uma das coisas que só é proporcionada pelo coração é amar alguém. Pode parecer banal para algumas pessoas, que nunca se detiveram a pensar nisso, mas é algo que me fascina. Ora, dentre bilhões de pessoas, o que faz com que você ame apenas uma? Com tantas outras oportunidades e variedades, o que faz você desejar uma só pessoa a ponto de projetar toda a sua vida ao seu lado? Você já pensou nisso?

Você pode conhecer inúmeras pessoas interessantes, bonitas e atraentes, mas só sente tesão e paz ao lado de quem ama, pois assim é o coração, e não há explicação racional para isso. A razão não explica, a ciência não explica. Nem quem sente sabe explicar. Só sabe sentir.
Isso só ocorre quando estamos diante do que chamei há semanas passadas de "amor verdadeiro", o amor de nossas vidas. Nesses casos, o amor não reconhece limites, e supera toda e qualquer barreira ou adversidade, porque sabe que merece ser vivido.

Mas, e quando por alguma razão o relacionamento se desfaz? As pessoas se afastam, e o que era um ninho de afago e carinho é agora um antro de saudade e dor. O que fazer? Muitos dirão a você que o melhor a fazer é esquecer. Tentarão convencê-lo que o sofrimento logo passará, e que você encontrará uma pessoa melhor. Farão isso não por necessariamente acreditarem que isso acontecerá, mas por gostarem de você, e quererem o confortar. São palavras de alento, que buscam uma resignação.

Mas, o que há de perguntar-se é: o momento é mesmo de resignação? O correto a fazer é mesmo fugir da briga, calar a voz? Deve-se mesmo aceitar a perda e tentar esquecer?

Antes de deixar com que o tempo e a distância transformem todo o amor em quase nada, lembre-se de que estou me referindo não a um romance qualquer, mas sim ao grande amor da sua vida. E não olhe para o texto com esse olhar enigmático, pois você sabe sim quando se trata do amor verdadeiro, da única pessoa com a qual você pode ser feliz. A gente sabe identificar quando ocorre,  e você certamente não é exceção. O coração pula, as mãos suam, as pernas ficam bambas, os pêlos se arrepiam, a voz fica trêmula, os passos fraquejam. É como se um trem passasse por cima da gente. E por mais paradoxal que possa parecer, é a melhor sensação dentre todas.

Aqueles que logo desistem argumentam que preferem sofrer a perda de uma vez só que prolongar a dor. Acham que o processo de luta pode abrir ainda mais as feridas, e causar mais sofrimento. Temem se envolver mais a lutar pelo amor de suas vidas, e não conseguir esquecer depois. São pessoas que incorrem num velho mal: a de evitar a briga temendo a derrota.

Preferem deixar de lutar pela sua felicidade por medo de sofrer ainda mais. Não estão dispostas a correr o risco de ferir-se em combate. Não querem mexer em feridas que parecem estar cicatrizando. Optam em deixar tudo como está.

Após uma análise apressada, poderíamos dizer que isso é o melhor a ser feito, pois deixar o tempo agir e as feridas cicatrizarem pode ser menos penoso que empunhar espada e levar o coração para o campo de batalha. Ledo engano. Nem tudo é varrido da história pelo tempo. Os amores verdadeiros são mais fortes e resistem ao tempo e à distância.

O que desistiu pode até pensar por um momento que superou a perda, e que esqueceu o grande amor de sua vida. Mas um dia ele cai em si. Acorda tarde, e percebe que está ao lado de alguém que mal conhece. Faz sexo com alguém, e logo depois se pergunta, arrependido, o que está fazendo ali, com uma pessoa que provoca até um certo asco? Tenta se apaixonar, mas percebe que por mais belo e perfeito que seja seu novo objeto de conquista, em nada se compara ao seu verdadeiro amor.

Assim, se você, por algum motivo, algum mal entendido, tiver perdido o amor de sua vida, lute pela sua felicidade. Não procure em outras pessoas o que elas não podem dar a você. Fazendo isso, você pode acabar machucando mais a si mesmo e a elas. Nem que corra o risco de se ferir ainda mais, seja sincero com os seus sentimentos e fiel ao seu coração. Sangre, mas sangre por amor, e não por orgulho.

Alex Murad*
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*Advogado, presidente da Comissão dos Direitos Sociais da OAB/MA e escritor.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Onde estava Deus?



Uma tragédia sempre nos desinstala e nos provoca diversas reações. Vamos de juízes a promotores, da compaixão à indignação. Realmente, o que muitos pensam, mas poucos verbalizam é: “Onde estava Deus”?

No fim de semana passado, o Brasil, senão o mundo, foi abalado pela tragédia de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Eu me pergunto: “Onde estava Deus? Por que o silêncio? Como Ele pôde tolerar tal destruição?” Só de pensar que foram as mesmas perguntas que o Papa Bento XVI fez, em 2006, quando visitou Auschwitz fico mais tranquilo e não me julgo ateu diante de perguntas que nos tiram o fôlego e nos lançam a dois sentimentos: indignação ou abertura ao mistério.


Nessa hora, escolho a abertura ao mistério de Deus, pois não podemos penetrar em Seus segredos, apenas tateamos os fragmentos de uma tentativa de compreensão. Nesta hora, prefiro escolher o lugar de Santa Maria, a qual, diante da tragédia, olhou com confiança para um Deus que tem o controle de todas as coisas, um olhar que se lança para uma eternidade feliz no Senhor.

Não quero assumir o juiz da situação e dizer: “O que eles faziam ali? Q que queriam? O que, o que?” Não! Não quero ser um dedo que aponta, mas um braço que acolhe e diz: “Há esperança mesmo que tudo seja ruína”. Prefiro o mistério a acusação, ou ser como alguém metido a 007, tentando achar algum culpado.

O Deus, no qual nós cremos, é o Senhor da razão que, certamente, não é uma matemática neutra do universo por teoremas do tipo A+B=AB. Ele é só amor, só o bem.

Não tenho dúvidas de que aquelas centenas de jovens tinham um desejo profundo de Deus, queriam ser felizes de verdade; neles, existiam sonhos e esperanças. A fumaça não sufocou o desejo por felicidade apenas, mas vidas que tinham tudo para dar certo.

Diante da pergunta inicial  – Onde estava Deus? -, fico com a resposta que também é uma pergunta: Onde eu estou nesse mundo? O que estou fazendo para que o maior número de jovens entenda que só Deus sacia o desejo pela felicidade?

Hoje, preciso fazer a diferença muito mais do que ontem. Onde o Senhor precisa estar é lá que ele conta comigo para estar. Preciso fazer a diferença!

Santa Maria, aos pés da cruz, não estava indignada com Deus por Ele ter permitido que o Filho ali morresse, mas o coração dela estava tomado pela certeza de que ali começava uma nova história de eternidade.

Que seja a Santa Mãe de Deus a consolar tantas famílias que, agora, choram. Que ela mesma possa nos fazer olhar para um Pai que só sabe amar.

Santa Maria rogai por nós!

Adriano Goncalves
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Fonte: Blog José Antonio.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Paróquia da Cohab divulga resultado do Sorteio do dia 26/01/2013


Com objetivo de angariar recursos para promover a participação dos jovens da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro na Jornada Mundial da Juventude, a paróquia da cohab realizou no dia 26 de janeiro de 2013 mais um sorteio pela Loteria Federal.

Os números sorteados e seus respectivos vencedores são:


1º Prêmio: Gabriel de Jesus Mendes Sousa (III conj. Cohab-Anil) - Cartela nº 007530 - Uma moto Honda CG 125, 0Km, modelo 2012.


2º Prêmio: Egmar Moreira da Silva Junior (Anjo da Guarda) - Cartela nº 001581 - Uma Tv Samsung 32' de LED Full HD.



3º Prêmio: Francisco Nascimento Carvalho Neto (Turú) - Cartela nº 000736 - Um Notebook Samsung Intel Pentium  Dual Core 2GB.


OBS: Receberão os prêmios que são objetos deste sorteio, os adquirentes das cartelas contempladas, autenticadas com o carimbo da Paróquia, sem vícios ou objeto de Inquérito Policial, cujo nome do adquirente deve constar no canhoto.

A Missa onde serão entregues os prêmios, será celebrada no domingo, dia 03 de fevereiro de 2013 na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro - Cohab. Agradecemos a todos que de alguma forma colaboraram. Que Deus vos abençoe e a Virgem Maria sempre os acompanhe!

Fazer Guerra



O instinto de destruição e de querer desclassificar os outros, por inveja,  por orgulho, ou  por não querer aceitar a verdade, faz a parte atacada ou ofendida sofrer muito. E quem faz o ataque injusto às vezes não percebe o mal que realiza, seja por falta de referência moral ou ética, ou por se deixar levar pela ira ou sentimento de vingança.

O profeta Jeremias encontra a força de Deus para suportar os ataques dos opositores à sua missão e à verdade proferida em nome do Senhor: “Eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te” (Jeremias 1,19). O próprio Jesus foi constantemente perseguido pelos que se opunham à sua pregação, principalmente em sua  terra: “Todos na sinagoga ficaram furiosos.  Levantaram-se e o expulsaram da cidade”.  (Lucas 4,28). O Mestre havia falado que o profeta não é bem recebido em sua pátria.

Quando a pessoa humana é bem formada em seu caráter, para a convivência respeitosa com o semelhante, não usa de meios antiéticos para tirar a fama do outro ou mesmo para diminuir a verdade de seus valores e de sua missão.  Se tem algo a objetar do comportamento do próximo, usa da boa educação, do diálogo, da manifestação de boa vontade em querer o bem do outro. Seu método não é usar de artimanhas para diminuir esse  valor. Antes, sabe até conter sua agressividade para buscar o bem maior para todos. Se percebe seu lapso quanto a isso, revê o próprio comportamento e sabe pedir desculpa.

Quem é atacado injustamente defende-se com meios lícitos legal e eticamente. Mas não usa do método que inimigos utilizam. Não paga o mal com o mal. Sabe conservar a própria grandeza de personalidade, que tem valores maiores a usar e promover.


Paulo apresenta as coordenadas de Jesus para nos estimular à prática da convivência no amor. Não adianta termos fama de pessoas importantes, que até realizam prodígios e fazem grandes obras, se não praticarmos o amor ou a caridade. Ele lembra que tudo passa na vida. Só permanece a caridade. Esta só leva a pessoa a fazer o bem ao outro, mesmo suportando agressões: “A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é  vaidosa, não se ensoberbece; não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. Suporta tudo...” (1 Coríntios 12,4-7).

O “não levar desaforo para casa”, ou o “escreveu e não leu, o pau comeu” é muito praticado por quem não doma seus instintos, fazendo o semelhante sofrer e também com consequências até graves para si mesmo. A formação para a convivência justa e fraterna requer exercitação desde a tenra idade, com o modelo exemplar dos adultos que se comportam com respeito e valorização da pessoa do semelhante. A educação para a convivência cidadã é um dever de todos: pais, agentes escolares e de trabalho, bem como os programas da mídia.

“Fazer guerra” contra o próximo é perda de “munição”, enquanto a pessoa que o realiza sai perdendo em dignidade.



Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)

Tolerância zero e diretrizes contra a repetição dos horrores da pedofilia



Papa Bento XVI, durante a audiência geral da última quarta-feira, 30 de janeiro, recebeu do diretor do Centro para a Proteção dos Menores e do Instituto de Psicologia da Pontifícia Universidade Gregoriana, o padre jesuíta Hans Zollner, o livro das atas do simpósio internacional realizado há um ano sobre os abusos cometidos por pessoas do clero contra menores de idade e a resposta que foi dada pela Igreja.

A matéria é da agência de notícias ZENIT:

O volume, escrito em alemão, foi entregue ao papa no final da audiência. As atas foram redigidas no simpósio “Rumo à cura e à renovação”, que, de 6 a 9 de janeiro de 2012, contou com a participação de 110 conferências episcopais, representadas, na maior parte dos casos, pelo bispo encarregado dos casos de abuso na respectiva conferência. Participaram ainda superiores gerais de mais de trinta ordens religiosas e cerca de setenta especialistas em direito canônico, bem como psiquiatras e psicoterapeutas que trabalham com as vítimas e com os abusadores.


As atas do simpósio serão apresentadas ao público no próximo dia 5 de fevereiro, também na Universidade Gregoriana. Serão divulgadas ainda as atividades do Centro para a Proteção dos Menores e o programa de e-learning criado na Alemanha para prevenir abusos contra menores na Igreja e na sociedade, além de prestar a ajuda devida às vítimas.

As iniciativas fazem parte da estratégia firme e decidida do Vaticano na luta contra a pedofilia no interior da Igreja.

Na entrega das atas também estava presente o diretor da assessoria de imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, que participou do simpósio. Na ocasião, o porta-voz vaticano disse a ZENIT que, “além de aumentar o rigor no combate ao crime dos abusos contra menores, cometidos por pessoas da Igreja, a iniciativa identificará um percurso que ajude as vítimas e crie condições para evitar que pecados semelhantes se repitam no futuro”.

Lombardi acrescentou que as conferências episcopais estavam trabalhando “para pôr a circular em prática, formulando as suas diretrizes”. Trata-se de “redigir um documento, mas também de praticá-lo. Todo intercâmbio de experiências será útil”.

O jesuíta precisou que a Universidade Gregoriana sediou o simpósio por ser “um grande centro acadêmico capaz de organizar uma iniciativa como esta, que pede capacidades de tipo moral, jurídico, canônico, pastoral e psicológico”, e especificou que o convênio foi gerido pelo Instituto de Psicologia da Gregoriana, assim como o centro especializado que lhe dá suporte.

Dom Charles Scicluna, promotor de justiça da Congregação para a Doutrina da Fé, destacou no simpósio a vontade firme de “extirpar e prevenir esta chaga aberta”, porque “os abusos são um fenômeno muito triste que, além de pecado, são um delito. E como delito, existe para eles a justa jurisdição do Estado e o dever de colaborar com esta jurisdição penal”.

Duas cerimônias marcaram o final do simpósio: a primeira, penitencial, foi presidida pelo cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos. A segunda, uma missa concelebrada, foi presidida pelo cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos.
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Fonte: CNBB

Liturgia e as palmas na Santa Missa


Porque não se adequa a teologia da Missa que conforme a Carta Apostólica Domenica Caena de João Paulo II do 24/02/1980, exige respeito a sacralidade e sacrificialidade do mistério eucarístico: “0 mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental deixa simplesmente de ser tal”. Superando as visões secularistas que reduzem a eucaristia a uma ceia fraterna ou uma festa profana. Nossa Senhora e São João ao pé da cruz no Calvário, certamente não estavam batendo palmas. Porque bater palmas é um gesto que dispersa e distrai das finalidades da missa gerando um clima emocional que faz passar a assembléia de povo sacerdotal orante a massa de torcedores, inviabilizando o recolhimento interior. Porque o gesto de bater palmas olvida duas importantes observações do então Cardeal Joseph Ratzinger sobre os desvios da liturgia : 

“A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado. Muitos pensaram e disseram que a liturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém , terminou por dispersar o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer. Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a Igreja inteira pode atribuir-se : o que nela se manifesta e o absolutamente Outro que, através da comunidade chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável : discursos, palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão… Mas ficou no esquecimento que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio, em certos ritos, não sobrou nenhum vestígio”.

Finalmente porque sendo a liturgia um Bem de todos, temos o direito a encontrarmos a Deus nela, o direito a uma celebração harmoniosa, equilibrada e sóbria que nos revele a beleza eterna do Deus Santo, superando tentativas de reduzi-la à banalidade e à mediocridade de eventos de auditório.



+ Dom Roberto Francisco Ferrería Paz
Bispo Auxiliar de Niterói

Não estais na carne, mas no espírito (Rom 8,9).



O Apóstolo nos adverte de que como cristãos não nos podemos sujeitar aos poderes do mal. Porque o resultado seria a morte espiritual. A moral cristã se mantém distante do otimismo de Rousseau que, contra a mais simples das observações afirma que todos os humanos são bons, até que a sociedade os corrompa. A ética do cristianismo é a ética dos “pés no chão”. Somos capazes de grandes heroísmos, de dedicação, de altruísmos. Mas ao mesmo tempo afundamos em vergonhosas injustiças, em crueldades indignas da raça humana. Para superar as más tendências fazemos uso dos recursos da educação. Esta permite burilar a pérola preciosa, através do conhecimento de bons hábitos, de ideais. O ambiente familiar, e um bom ambiente escolar levantam o ser humano para planos mais civilizados. Foi por crer no potencial motivador da educação que desde cedo a Igreja se interessou pela Escola e pela Universidade. Hoje ela o faz menos, porque a maioria dos Estados modernos sente prazer em dificultar seu trabalho, colocando-a em arrocho financeiro.


Mas o segundo recurso, usado pela Igreja, não goza da simpatia da opinião pública. Trata-se do auxílio da graça divina. É que cremos que a graça divina pode sublimar nossas tendências. Essa é a verdadeira transformação, porque muda o ser humano por dentro. Olhamos para o paradigma de todo o bem, que é a pessoa de Cristo. “Se alguém está em Cristo, é nova criatura” ( 2 Cor,5, 18).  Todos podem olhar. Jamais vamos encontrar dentre o povo católico, que confessa os seus pecados, lê a Sagrada Escritura, que comunga com fé, alguém que sequestra crianças, que põe fogo em residências ou pratica atos de perversidade. Os benefícios trazidos pelo auxílio divino são tão manifestos, para o futuro da humanidade, que negá-los, quase chega a ser um pecado contra o Espírito Santo.

Dom Aloísio Roque Oppermann 
Arcebispo Emérito de Uberaba (MG)